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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O lado Tiririca da mídia golpista

Brasilianas.org:

A conspiração da bolinha de papel

Enviado por luisnassif, sex, 12/11/2010 - 09:01

Da Coluna de Eliane Cantanhêde

Aliás, o escândalo da vez é no banco PanAmericano, do Silvio Santos, que visitou Lula no meio da campanha e é dono também do SBT, a rede que reduziu o rolo da fita de agressão a José Serra no Rio a uma mera bolinha de papel. Deve ser só coincidência

Brasil Nova Era:

Para Catanhede, o rolo da fita do “perito em fraude” foi muito pior que a “mera bolinha de papel”. Esqueceu de contra que quem atirou a bolinha foi o próprio segurança de Serra. Veja o segurança atirando a bolinha de papel:


Conversa Afiada:

Silvio leva a Folha para o banco da “Praça é Nossa”

Publicado em 12/11/2010


Levaram o Otavinho para o banco da Praça

Silvio fez uma gozação com a Folha (*) que se tornou manchete da primeira página:
“Quem pagar leva o SBT”.
É o que o Silvio diz há quatrocentos anos.
Disse à Televisa, à Disney, ao Boni.
E a Folha (*) acha que é sério o Silvio dizer que vende, hoje, o SBT pela dívida ? R$ 2,5 bi ?
Só a Folha (*) leva isso a sério.
Ou não sabe o que são R$ 2,5 bi.
Na verdade, a entrevista do Silvio parecia com as entrevistas do programa da Hebe: ri-se muito e nada é sério.
É como se o Silvio tivesse levado o Otavinho para o banco da “Praça é Nossa”.
O Silvio tirou um sarro da Folha (*).
Quem é o Lula ?
O Eike ?
“Bota uma foto minha bem bonita no jornal.”
E a Folha (*) levou a sério.
O mais interessante a Folha (*) não quis saber.
Silvio Santos deu toda a sua fortuna pessoal como garantia do empréstimo.
Nunca um empresário do setor financeiro tinha feito isso, antes.
Ou seja, o Silvio, de maluco, só na Folha (*).
A única coisa séria que a Folha (*) publicou hoje foi o Simão:
“Seu Silvio lança Teletombo”.
“O Silvio vai dar de garantia o Jaça, a menina Maisa e o Bozo.”
“E se ele não pagar, o governo fica com o Celso Portiolli.”
O Simão adora o Silvio, ao contrário da Folha (*).
O Simão gosta, principalmente, “quando ele combina a cor do cinto com a cor do cabelo.”
“E diz que ele maquiava o balanço do banco com produtos Jequiti. Só podia dar nisso.”
Este é o verdadeiro Silvio ?
Não.
É a verdadeira Folha (*).
Que não tem o menor senso de humor.
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A condenação de Protógenes

Brasilianas.Org
Enviado por luisnassif, qua, 10/11/2010 - 12:40

O juiz Ali Mazloum foi vítima de uma das operações da Polícia Federal, que liquidou com seus sonhos de carreira no Judiciário. Na época, defendi-o e voltaria a defendê-lo.
Mas essa circunstância deveria ser suficiente para que se considerasse impedido de julgar o caso do delegado Protógenes. É evidente que não tem a isenção necessária. E não se trata de julgar sistemas, histórico de pessoas, mas casos específicos em cima de provas objetivas.
Agora se tem, simultaneamente, a) O livro do Raimundo Pereira; b) a ofensiva midiática de jornalistas ligados a Dantas, procurando repercutir o máximo possível o livro; c) A suspensão do julgamento de Ricardo Sérgio pelo STF, em cima de operações envolvendo Daniel Dantas; d) a sentença de Ali Mazloum.

Pode ser coincidência.

Do Estadão

Justiça dá pena de 3 anos a Protógenes

Mas condenação do delegado, por abusos na operação Satiagraha, é reduzida a prestação de serviços comunitários; ele pode recorrer

10 de novembro de 2010 | 0h 01

Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O delegado Protógenes Queiroz foi condenado pela Justiça Federal a três anos e quatro meses de prisão pelos crimes de violação de sigilo funcional e fraude processual. A pena foi substituída por restrições de direitos - Protógenes terá que prestar serviços à comunidade em um hospital público ou privado, "preferencialmente de atendimento a queimados", e fica proibido de exercer mandato eletivo, cargo, função ou atividade pública. Ele pode recorrer.
Criador da Operação Satiagraha, polêmica investigação sobre suposto esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, Protógenes elegeu-se deputado federal pelo PC do B com 94.906 votos - insuficientes para chegar à Câmara, mas pelo quociente eleitoral ele pegou carona na votação do palhaço Tiririca (PR-SP).
Em sua campanha eleitoral, Protógenes usou como trunfo a prisão do banqueiro e ações contra políticos, entre os quais o ex-prefeito Paulo Maluf (PP), preso em 2005. Posando de paladino, o delegado da Polícia Federal criou imagem de xerife na luta do bem contra o mal.
A sentença, de 46 páginas, foi aplicada pelo juiz Ali Mazloum, da 7.ª Vara Criminal Federal em São Paulo, que acolheu denúncia da Procuradoria da República. Também foi condenado o escrivão da PF Amadeu Ranieri Bellomusto, braço direito de Protógenes. A base da condenação é um inquérito da PF.
Conduzido pelo delegado Amaro Vieira Ferreira, o inquérito revela que Protógenes divulgou conteúdo da investigação coberta pelo sigilo. Ele teria forjado prova usada em ação penal da 6.ª Vara Federal contra Dantas, que acabou condenado a 10 anos de prisão por corrupção ativa.
O juiz destaca que Protógenes efetuou "práticas de monitoramento clandestino, mais apropriadas a um regime de exceção, que revelaram situações de ilegalidade patente".
"O caso é emblemático", assinala o magistrado. "Não representa apenas uma investigação de crimes comuns previstos no Código Penal, representa precipuamente a apuração de um método, próprio de polícia secreta, empreendido sob a égide da Constituição, mas à margem das mais comezinhas regras do Estado democrático de Direito."

Arapongagem
O inquérito constatou que Protógenes recrutou mais de 80 arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para executar a Satiagraha. À página 6 da sentença, o juiz anota que nos arquivos pessoais do delegado, armazenados em dois pen drives, foram encontrados relatórios sobre a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) e seu rival José Serra (PSDB).
"Espantoso, pessoas submetidas a 'averiguações' típicas de regimes totalitários em plena normalidade republicana", assevera o juiz. "Nos endereços do acusado foram apreendidos fragmentos de arapongagem contra a então ministra Dilma Rousseff, presidente eleita do Brasil, Erenice Guerra, José Dirceu." Em outro arquivo, os alvos eram "o senador Heráclito Fortes, ACM Neto e o então ministro Mangabeira Unger, alçados pelo organograma da quadrilha à condição de partícipes do esquema delituoso investigado pela Satiagraha".
"A par desses personagens públicos, citam-se nos fragmentos de espionagem o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso e José Serra", acrescenta o juiz. "Qual seria o propósito dessa ambivalente ação de arapongas? Protógenes em verdade tinha consigo dossiês dos dois lados do certame presidencial, o que o credenciaria, por conseguinte, a ser peça-chave de qualquer um dos dois principais candidatos! A escolha do lado ficaria ao sabor das pesquisas eleitorais do momento."
O juiz aponta para o Ministério Público Federal. "Houve um completo esvaziamento da investigação. O Ministério Público nem ao menos quis investigar a ilegal participação da Abin em funções exclusivas de polícia judiciária. Agentes, incluindo-se o ex-diretor da PF e da Abin Paulo Lacerda, foram simplesmente deixados de lado." "No inquérito instaurado para investigar a motivação daquela arapongagem contra autoridades nada foi feito", insiste o juiz. "Nesta República, enfim, parece mesmo valer a máxima 'aos amigos a lei, aos inimigos os rigores da lei'. Afinal, para quê reivindica o Ministério Público o poder investigatório?"
O juiz se convenceu do "objetivo eleiçoeiro" de Protógenes. "É indubitável, cabe assinalar que nos quatro celulares apreendidos em seu poder verificou-se nas agendas das respectivas memórias diversos contatos de políticos, partidos, jornalistas, circunstâncias que evidenciam seu intento midiático e político."

A condenação de Protógenes | Brasilianas.Org

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Brasil de Fato analisa as manchetes no período eleitoral | Viomundo - O que você não vê na mídia

11 de outubro de 2010 às 15:08

O Brasil de Fato fez uma análise das manchetes dos jornalões brasileiros em relação à candidata Dilma Rousseff.

São os números que aparecem acima.

Para ir ao Brasil de Fato, clique aqui.

Brasil de Fato analisa as manchetes no período eleitoral | Viomundo - O que você não vê na mídia

domingo, 10 de outubro de 2010

Veja e o jornalismo de esgoto: ataques a Dilma e blindagem a Serra

Paulo Henrique Amorim já havia cantado a bola no dia 07: Veja vai atacar Dilma com a Petrobrás. Dilma também deixou público que já sabia da jogada da Veja falando sobre “futuras matérias” conforme demonstra o vídeo do dia 08 (aqui). Outra dica do que viria na Veja chegou do próprio Ministério de Minas e Energia que contou, conforme o site do PHA, que “desde a semana passada o Diego, da Veja, busca uma brecha para dizer que houve trambicagem na contratação do CPqD para implantar modernizações tecnológicas neste ministério, à época conduzido por Dilma e tendo Erenice como consultora jurídica. Ainda querem fazer ligação com a gestora do contrato, Maria Cristina Castro, que é amiga de Dilma e se conheceram em 1971, quando ficaram presas juntas. Sim, isso não é segredo, ela é uma profissional com excelente currículo, fluente em 5 idiomas e hoje é assessora na área internacional. Como a notícia começou a circular na Esplanada e eles têm dito que os agredimos aqui, o que não é verdade – Cristina tem sido seguida e sua família coagida pela equipe de Veja-, resolvemos nos antecipar e fazer circular a resposta que enviamos aos questionamentos do repórter durante esta semana.” Antes da própria mentira, o MME publicou o desmentido (leia aqui).
Diego Escosteguy foi o mesmo que publicou a reportagem da Veja sobre Erenice usando como fonte Fábio Baracat como dono da Via Net, o que foi desmentido na rede no mesmo dia, da mesma forma que sua sociedade na MTA também foi desmascarada. Depois foi a vez da própria fonte da Veja desmentir suas relações com as empresas e o que haveria dito. O jornalista Diego já é reincidente em notícias falsas em momentos eleitorais, como fez em 2006 contra a Caixa Econômica Federal na primeira página do Estadão. A montagem com fins eleitoreiros da Veja foi detalhada por Nassif (aqui). Depois foi a vez da Folha usar um ex-presidiário, com uma bela ficha criminal (leia aqui e aqui) tratando-o como empresário indignado e fonte de informações para continuar a campanha com o objetivo de carimbar a Casa Civil de Dilma como antro de corrupção (leia a pesquisa que desmente a mídia golpista).
Agora com as matérias sendo desmentidas antes de sua publicação, restou à Veja insistir na persistente campanha inaugurada por Mônica Serra para cunhar Dilma com o título de assassina de criancinhas. Veja e o restante do PIG têm se organizado  para construir contradições no PT e na Dilma a respeito do aborto, aproveitando os ataques da direita raivosa mais conservadora e contra as liberdades individuais organizada desde o golpe de 1964. Para dar razão aos ataques autoritaristas buscam tratar o aborto como questão simples e como tema fundamental para a campanha, como se houvesse consenso em algum partido ou mesmo entre os eleitores. Como se a questão do aborto fosse um consenso entre os eleitores e não um ponto (dentre outros) que foi explorado por oportunistas, apelando à fé cristã, para evocar o ódio religioso nos mais humildes e despolitizados, com vistas a levar a eleição para o segundo turno com Serra, usando a imagem de mulher religiosa de Marina.
Para completar o jogo sujo, orquestrado pela velha mídia, basta ver a tendenciosidade com que a Veja trata na internet o tema, na busca de concretizar o que Serra diz na propaganda: o PT e a Dilma querem o aborto. Ao mesmo tempo as opiniões de Serra no passado quanto a temas perseguidos por religiosos radicais como o homossexualismo e o aborto são blindados. Imaginando que a pregação contra o homossexualismo tiraria de Serra muitos votos, a Veja chegou apagar a posição de seu Vice, Índio da Costa, contra o projeto de lei que prevê sanções a crimes de homofobia, publicou no dia 07 de outubro, mas retirado da rede.

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No feed de matérias publicadas pela Veja, a revista na internet cria polêmicas para a Campanha de Dilma, mas não para Serra, chegando a servir de porta-voz. Veja esquece de tratar da regulamentação do aborto feita por Serra em 1998. A excessão seria a matéria sobre Índio da Costa, no dia 07, que trata do homossexualismo e a lei contra homofobia. Mas se clicarmos no link da matéria, Ops!

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Ainda bem que existem as cópias em cachê do Google que provam que a matéria um dia esteve lá, e que a Veja apagou:

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Para ler a matéria completa clique na imagem acima.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Maria Rita Kehl: Os bastidores de sua demissão pelo Estadão | Viomundo - O que você não vê na mídia

8 de outubro de 2010 às 9:16

por Conceição Lemes

Maria Rita Kehl é psicanalista, ensaísta e cronista. Tem seis livros publicados. O mais recente, O Tempo e o Cão, foi lançado em 2009, pela Boitempo. Nele, aborda o significado da depressão como sintoma psíquico da sociedade contemporânea.

Formada em psicologia pela USP, durante muitos anos se dedicou exclusivamente ao jornalismo cultural. Foi editora do Movimento jornal que, ao lado do Opinião e d’O Pasquim, foi um dos mais importantes órgãos da imprensa alternativa durante o regime militar. Participou também da fundação do jornal Em Tempo e escreveu como freelancer para veículos, como Veja, Isto É e Folha de S. Paulo.

Em 1979, Maria Rita decidiu fazer mestrado em psicologia social. Sua tese: O Papel da Rede Globo e das Novelas da Globo em Domesticar o Brasil Durante a Ditadura Militar.

Em 1981, começou a atender pacientes — e nunca mais parou. Em 1997, doutorou-se em psicanálise pela PUC-SP com uma pesquisa que resultou no livro Deslocamentos do Feminino – A Mulher Freudiana na Passagem para a Modernidade (Imago, 1998).

Nos últimos oito meses,  manteve uma coluna quinzenal no Caderno 2, em O  Estado de S. Paulo. Nessa quarta-feira, ela foi demitida depois de ter escrito o artigo Dois Pesos, publicado no último sábado (2), onde abordou a “desqualificação” dos votos dos pobres.

Em entrevista na manhã de quinta-feira (7) a Bob Fernandes, da Terra Magazine, ela denunciou.

– Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião (…) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

Em entrevista ao Viomundo, Maria Rita detalha os bastidores.

Viomundo – Na terça-feira, começou a circular na internet boatos de sua demissão. Antes, em algum momento, você foi alertada sobre “problemas” com os seus textos?

Maria Rita Kehl – Nunca. Foi o que eu argumentei com a editora do Caderno 2, que me convidou para escrever a coluna.  Na verdade, ela me chamou para escrever sobre psicanálise. Argumentei que só sobre psicanálise conflitava com o meu consultório. De vez em quando, disse-lhe, poderia escrever sobre o tema, mas eu gostaria mesmo era de escrever sobre tudo, inclusive política, assunto que me interessa muito. Ela aceitou.

Viomundo – Essa conversa foi…?

Maria Rita Kehl – No final do ano passado, mas eu só comecei a escrever em fevereiro deste ano. Aí, fui escrevendo. Cada vez mais sobre política, pois ficando cada vez mais apaixonante. Eu já fui jornalista, tenho uma cabeça muito política também…

Após cada artigo, eu sempre perguntava: “E, aí, tudo bem?” Ela: “Tudo bem”.

Desta vez foi engraçado porque eu perguntei: “Tudo bem? Será que eles não vão pedir a minha cabeça?”. A resposta que veio: “Não vão, pode ficar tranqüila.” Eu fiquei. Imagino que a editora não iria me enganar…

Viomundo – Quando soube dos “problemas” com os seus artigos?

Maria Rita Kehl – Na terça [5 de outubro]. Recebi um telefonema muito constrangido  de que a coisa tinha ficado muito feia….cartas de leitores estavam reclamando muito da minha presença no jornal…. tinha gente do Conselho Editorial muito enfurecida… a situação estava muito difícil. Ela lembrou de que a ideia inicial era que eu escrevesse sobre psicanálise…

“Bem, posso tentar escrever mais sobre psicanálise… Mas nunca mais escrever sobre política, isso não, isso eu não aceito”.  Até porque o período em que o tema é mais polêmico é agora, depois relaxa…

Ela disse que iria conversar novamente com o Gandour [Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estadão], que eu não conheço pessoalmente.

Aí, aconteceu uma coisa que eu não sei explicar, é um mistério. Mas acho que partiu de dentro do jornal, de alguém que ouviu essa conversa. Uma hora depois já tinha gente me ligando, para saber se eu tinha sido demitida.

Viomundo – O que a leva a suspeitar de que alguém do Estadão tenha passado a informação adiante?

Maria Rita Kehl — Foi um detalhe da nossa conversa [entre a editora e Maria Rita]. Só alguém de dentro do jornal, que tinha ouvido a editora conversar comigo, tinha a informação… Tanto que o boato foi de que eu “estava proibida de escrever sobre política, só poderia escrever sobre psicanálise”.

Viomundo – Você pensou em divulgar?

Maria Rita Kehl – Eu não tinha nenhum interesse em começar a divulgar, enquanto não tivesse a resposta. Eu não poderia criar um escândalo sem antes conhecê-la.

Acredito que ficou para eles [direção do jornal] a impressão de que fui eu que fiz toda a movimentação na internet. Até quis tornar público. Não fiz. E não porque sou boazinha. É porque não tinha nenhum interesse em divulgar antes de ter a resposta final do jornal.

Nessa quarta [6], depois da reunião que a editora teve com o Gandour, veio a resposta.  Gandour disse que por conta da repercussão, a minha posição havia ficado insustentável, intolerável.

Viomundo – A repercussão na rede da sua demissão foi apenas pretexto…

Maria Rita Kehl – É, a coisa já não estava boa. E por ter tido muita repercussão, ficou, segundo o jornal, insustentável. É como se eu tivesse organizado uma passeata petista na frente da redação com bandeiras vermelhas, com ameaça de exigências.

A minha demissão virou top10 do twitter. Eu não esperava. Fiquei atônita. Virou um acontecimento. A minha coluna era quinzenal… Eu não sou Jânio de Freitas nem nada…O fato é que virou um acontecimento na internet com muitas acusações contra o Estadão.

Viomundo – O seu trabalho foi censurado, concorda?

Maria Rita Kehl – A palavra censura não é boa. No meu conceito, censura seria você não pode escrever sobre isso ou aquilo, corta uma linha aqui, outra ali…  O que o meu caso demonstrou é que o jornal não permite uma visão diferente da do jornal nas suas páginas. É isso. Essa é dita imprensa liberal.

As grandes empresas que controlam a informação no país estão nas mãos de poucas famílias… Teoricamente seriam imparciais, dando voz ao outro lado, só que elas têm um posicionamento muito claro de que não são imparciais. Veja o meu caso. O meu artigo é assinado, não estou falando pelo jornal. Mas nem isso cabe.

Viomundo – Na verdade, os grandes veículos se dizem imparciais, alardeiam isso para a sociedade, só que a prática é oposta…

Maria Rita Kehl — Eu acho honesto que o jornal assuma uma posição. É pior dizer que é imparcial e dar a notícia só com um lado. Isso confunde muito mais o leitor.

É pena que não tenha gente com dinheiro suficiente para apoiar outros candidatos. …Um grande jornal que apóie a Dilma, um grande jornal que apóie a Marina, um grande jornal que apóie o Plínio…

Na verdade, todos os jornais estão apoiando o mesmo candidato. Esse é o problema da política brasileira, da burguesia brasileira, da concentração do dinheiro na sociedade brasileira… Os donos dos jornais são parciais, mesmo… Ninguém é imparcial. Mas, para que os leitores sejam adequadamente informados e se posicionem, é fundamental ter o outro lado. Infelizmente, o que os donos dos jornais revelam é que não cabe voz a outra posição, nem mesmo em artigos assinados.  Que liberdade de expressão é esta?

Maria Rita Kehl: Os bastidores de sua demissão pelo Estadão | Viomundo - O que você não vê na mídia

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Maria Rita Kehl denuncia que foi demitida do Estadão por um ‘delito’ de opinião | Viomundo - O que você não vê na mídia

7 de outubro de 2010 às 11:46

 

Quinta, 7 de outubro de 2010, 11h25  Atualizada às 11h41

Maria Rita Kehl: “Fui demitida por um ‘delito’ de opinião”

Bob Fernandes, no Terra Magazine, dica do leitor Fernando

A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo Jornal O Estado de S. Paulo depois de ter escrito, no último sábado (2), artigo sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres. O texto, intitulado “Dois pesos…”, gerou grande repercussão na internet e mídias sociais nos últimos dias.

Nesta quinta-feira (7), ela falou a Terra Magazine sobre as consequências do seu artigo e o motivo de sua demissão:

- Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião (…) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

Leia abaixo a entrevista.

Terra Magazine – Maria Rita, você escreveu um artigo no jornal O Estado de S.Paulo que levou a uma grande polêmica, em especial na internet, nas mídias sociais nos últimos dias. Em resumo, sobre a desqualificação dos votos dos pobres. Ao que se diz, o artigo teria provocado conseqüências para você…
Maria Rita Kehl – E provocou, sim…

- Quais?
- Fui demitida pelo jornal O Estado de S.Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião.

- Quando?
- Fui comunicada ontem (quarta-feira, 6).

- E por qual motivo?
- O argumento é que eles estavam examinando o comportamento, as reações ao que escrevi e escrevia, e que, por causa da repercussão (na internet), a situação se tornou intolerável, insustentável, não me lembro bem que expressão usaram.

- Você chegou a argumentar algo?
- Eu disse que a repercussão mostrava, revelava que, se tinha quem não gostasse do que escrevo, tinha também quem goste. Se tem leitores que são desfavoráveis, tem leitores que são a favor, o que é bom, saudável…

- Que sentimento fica para você?
- É tudo tão absurdo…a imprensa que reclama, que alega ter o governo intenções de censura, de autoritarismo…

- Você concorda com essa tese?
- Não, acho que o presidente Lula e seus ministros cometem um erro estratégico quando criticam, quando se queixam da imprensa, da mídia, um erro porque isso, nesse ambiente eleitoral pode soar autoritário, mas eu não conheço nenhuma medida, nenhuma ação concreta, nunca ouvi falar de nenhuma ação concreta para cercear a imprensa. Não me refiro a debates, frases soltas, falo em ação concreta, concretizada. Não conheço nenhuma, e, por outro lado…

- …Por outro lado…?
- Por outro lado a imprensa que tem seus interesses econômicos, partidários, demite alguém, demite a mim, pelo que considera um “delito” de opinião. Acho absurdo, não concordo, que o dono do Maranhão (Senador José Sarney) consiga impor a medida que impôs ao jornal Estado de S.Paulo, mas como pode esse mesmo jornal demitir alguém apenas porque expos uma opinião? Como é que um jornal que está, que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

- Você imagina que isso tenha algo a ver com as eleições?
- Acho que sim. Isso se agravou com a eleição pois, pelo que eles me alegam agora, já havia descontentamento com minhas análises, minhas opiniões políticas.

Maria Rita Kehl denuncia que foi demitida do Estadão por um ‘delito’ de opinião | Viomundo - O que você não vê na mídia

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Altamiro Borges: Estadão censura Maria Rita Kehl

Blog do Mirao:
quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Estadão censura Maria Rita Kehl

Por Altamiro Borges
No final da noite desta terça-feira (5) circulou a notícia de que o jornal O Estado de S.Paulo teria demitido a renomada psicanalista Maria Rita Kehl, articulista do diário. Agora, o jornalista Xico Sá informa que “o Estadão não demitiu Maria Rita Kehl, mas exige que ela não escreva mais sobre política. Só psicanálise. Quem explica, Dr. Freud?”. A confirmar qual é versão verdadeira!
Mas, como diz o ditado, “onde há fumaça, há fogo”. Tenha ela sido demitida ou censurada, isto só prova o cinismo dos barões da mídia, que vivem esbravejando sobre a liberdade de expressão e criticando a censura – principalmente para fustigar o governo Lula e para colocar na defensiva os mais vacilantes. Como já ensinou Cláudio Abramo, “a liberdade de imprensa só existe para os donos dos jornais”. O resto é pura bravata sobre neutralidade, imparcialidade e democracia.
Espaço só para colunista da direita
A perseguição à psicanalista teria como motivo artigo publicado por ela na véspera da eleição. O Estadão parece que só aceita colunistas da direita, ligados à seita fascista Opus Dei, ao Instituto Millenium ou aos saudosos da ditadura militar. O artigo de Maria Rita Kehl, intitulado “Dois pesos”, era até cauteloso e, inclusive, fazia elogios ao próprio Estadão. Vale ser lido e relido:
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

Eugênio Bucci tem algo a dizer?
Ao estimular a reflexão crítica, principalmente da “classe média” emburrecida pela manipulação midiática, Maria Rita Kehl virou alvo da sanha autoritária da famíglia Mesquita. A máscara do Estadão, já borrada por inúmeros outros episódios, caiu de vez. Seu discurso sobre liberdade de expressão é falso, hipócrita. Os barões da mídia confundem “liberdade de imprensa” com liberdade de empresa, dos monopólios, para enganar os ingênuos. Confirmada a perseguição à altiva psicanalista, é urgente o repúdio do Sindicato dos Jornalistas e das entidades democráticas.
Em tempo: Em 2004, a Boitempo Editorial publicou o excelente livro “Videologias”, de autoria de Maria Rita Kehl e Eugênio Bucci. A psicanalista manteve-se na trincheira, refletindo sobre os riscos da manipulação midiática. Já o jornalista hoje é badalado pelos barões da mídia, fazendo críticas ao governo Lula, do qual inclusive fez parte no primeiro mandato. Para ele, Lula é hostil à liberdade de expressão. Perguntar não ofende: ele também será duro na crítica ao Estadão e prestará solidariedade a Maria Rita Kehl?

sábado, 2 de outubro de 2010

Altamiro Borges: Veja, Globo e Folha rifaram o Serra?

Blog do Miro:
sábado, 2 de outubro de 2010

Veja, Globo e Folha rifaram o Serra?

Por Altamiro Borges
A temida capa da Veja deste sábado deu chabu. Após quatro edições consecutivas de ataques raivosos ao governo Lula e à candidata Dilma Rousseff, o panfleto serrista da famíglia Civita parece que cansou. Na véspera do dia das eleições, a capa da revista estampa "propostas para o Brasil" - já tentando enquadrar o futuro governo.
Até agora também não ocorreu a temida manipulação das imagens do debate com os presidenciáveis realizado pelo Jornal Nacional da TV Globo. Muita gente temia, com razão, que Ali Kamel, o senhor das trevas da poderosa emissora, tentasse repetir o jogo sujo do pleito de 1989, quando editou cenas para favorecer Collor de Melo.
Já os jornalões tradicionais, como Folha, Estadão e O Globo, reduziram o seu veneno nas edições dos últimos dois dias. No diário da famíglia Frias, o queridinho José Serra até apareceu isolado, solitário numa cadeira, na foto de capa. O Datafolha - ou Datafraude ou DataSerra - também deu outro cavalo de pau. Após apontar a "queda" de Dilma nas pesquisas, ajustou a sua sondagem dois dias depois.
Será que a mídia demotucana resolveu desembarcar da canoa furada de Serra? Será, como diz Paulo Henrique Amorim, que "na reta final, o PIG [Partido da Imprensa Golpista] amarelou"? Será que a mídia demotucano já fez seus cálculos temendo pelo futuro, por mudanças do marco regulatório das comunicações no Brasil?
A conferir nas próximas horas!

Altamiro Borges: Veja, Globo e Folha rifaram o Serra?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ABC do Golpe do PiG para argentinos, por Nepomuceno

Conversa Afiada:
Publicado em 28/09/2010

Nepomuceno: A esa gente que pasó a considerarse ciudadana. Y eso sí es inadmisible.

Amigo navegante Jose Roberto recomenda a leitura de artigo de Eric Nepomuceno no importante jornal argentino Pagina12:

La prensa, verdadera oposición en Brasil

Por Eric Nepomuceno

Considerado el fundador del Estado moderno en Brasil, Getúlio Vargas fue blanco de una contundente campaña encabezada por la Tribuna da Imprensa, de Río de Janeiro. Terminó matándose con un tiro en el corazón en agosto de 1954. Creador de Brasilia y uno de los presidentes más populares de Brasil, Juscelino Kubitschek enfrentó la resistencia feroz del conservador O Estado de São Paulo. Acusado de corrupción irremediable, jamás se comprobó nada en su contra. Histórico dirigente de la izquierda, el laborista Leonel Brizola fue gobernador de Río de Janeiro en 1982, luego de la democratización, y pasó sus dos gobiernos bajo la campaña implacable (y frecuentemente mentirosa) del más poderoso grupo de comunicaciones de América latina, el que controla la TV Globo y el diario O Globo.

Nunca antes, sin embargo, un mandatario ha sido tan duramente perseguido por los medios como Luiz Inácio Lula da Silva. Con frecuencia asombrosa fueron abandonadas las reglas básicas del mínimo respeto ciudadano. Buen ejemplo de eso es el semanario Veja, el de mayor circulación del país, que sin resquicios de pudor público secuencia escándalos que nadie comprueba. En su página en Internet abriga a comentaristas que tratan al presidente de la Nación de “esa persona”. El mismo grupo que controla la TV Globo, cuyo noticiero acapara la mayoría de la audiencia, el matutino O Globo, principal diario de Río y segundo en circulación en Brasil, y la principal cadena radial, CBN, no pierden oportunidad de destrozar a Lula y a su gobierno, sin preocuparse ni un poco en verificar la veracidad de sus ataques. El diario Folha de S. Paulo, el de mayor circulación en el país, divulga cualquier denuncia como verdadera y no se priva de aceptar que un ex condenado por traficar dinero falso, reducir mercancías robadas y practicar estafas en serie se transforme en “consultor de negocios” y lance acusaciones sin ninguna prueba. Hasta el conservador O Estado de São Paulo, que hasta ahora era el más equilibrado en la oposición al gobierno, optó por ingresar en ese juego sin reglas ni norte.
Frente a la inercia de los dos principales partidos de oposición, el PSDB y el DEM, los medios de comunicación ocuparon, orgánicamente, ese espacio. Lo admitió, hace algunos meses, la presidenta de la Asociación Nacional de Periódicos, Judith Brito, de Folha de S. Paulo. Más grave, sin embargo, es lo que ninguno de los grandes grupos admite: ya antes de iniciarse la campaña sucesoria de Lula, ese enorme partido informal (pero muy eficaz) de oposición optó por un candidato, José Serra, que no respondió a sus expectativas. Y frente a la incapacidad de su campaña electoral, los medios brasileños decidieron atacar la candidatura de Dilma Rousseff, ignorando los límites éticos.
Esa politización absoluta y esa toma de posición de la prensa terminó por provocar la reacción de Lula. Sus críticas, a su vez, provocaron una airada ola de nuevas denuncias, indicando que el presidente pretende impedir la libertad de expresión y de opinión. Sin embargo, en sus casi ocho años como presidente, Lula en ningún momento representó una amenaza a la gran prensa, por más remota que fuese. Algunos movimientos para imponer reglas e impedir la permanencia de un casi monopolio fueron neutralizados por el mismo Lula, que optó por no enfrentarse a las ocho familias que concentran el control de los medios en el mayor país latinoamericano.
La libertad de prensa es absoluta en Brasil, al punto de haberse transformado en libertad para calumniar. Los groseros ataques, frecuentemente basados en nada, contra Lula y su gobierno aparecen todos los días, sin que nadie trate de impedirlos. Y aun así, los grandes medios no dejan de denunciar amenazas a la libertad de expresión.
Quizá la razón de todo eso esté en lo que ocurrió cuando Brasil volvió a la democracia, hace 25 años. Al contrario que en otros países en reencuentro con la democracia –pienso específicamente en España y Argentina–, en Brasil la prensa no se democratizó. No surgieron alternativas que respondiesen a los diversos segmentos políticos e ideológicos. Prevaleció el escenario en que cada medio presenta el eco de una misma voz, la del sistema dominante.
Para ese sistema, Lula era un riesgo soportable. Ya la sucesión es otra cosa. Y si el candidato de la oposición se mostró un incapaz, el verdadero partido oposicionista revela su cara más feroz. Al ejercer la libertad del denuncismo barato, muestra su inconformismo con la manifestación del deseo de esa masa de ígnaros a la que se llama pueblo. A esa gente que, de ninguneada, pasó a considerarse ciudadana. Y eso sí es inadmisible.

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domingo, 26 de setembro de 2010

Resposta aos barões da imprensa paulista

Blog do Miro:
DOMINGO, 26 DE SETEMBRO DE 2010

Reproduzo artigo de Eduardo Guimarães, publicado no Blog da Cidadania:
Dois dos maiores jornais do país tomaram uma decisão que, quando a história deste período for contada, explicará a decadência em que mergulharam aqueles que serão lembrados como “barões da imprensa”. Em 26 de setembro de 2010, os periódicos anunciaram, em editoriais, as suas respectivas posições políticas, ambas de confronto com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Os jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo surgiram em um Brasil que não existe mais. Naquele país-fazenda, ribombavam as vozes das famílias que os fundaram e que os tornaram multimilionários à custa do Estado, dos favores de governos amigos, alguns alçados ao poder por meio de ruptura da ordem constitucional que esses veículos apoiaram.
O Estado de São Paulo nasceu em 1875, sendo batizado como A Província de São Paulo. O jornal foi impulsionado pela venda avulsa. Um imigrante francês chamado Bernard Gregoire saía a cavalo pelas ruas da capital paulista soprando uma corneta e vendendo exemplares. A imagem do vendedor trombeteando em seu cavalo tornar-se-ia símbolo do jornal.
Em 1964, o jornal paulista, agora rebatizado como O Estado de São Paulo, perfilou-se à União Democrática Nacional (UDN) de Carlos Lacerda, fazendo oposição cerrada ao então presidente João Goulart. Dois anos antes do golpe, o diretor do jornal, Júlio de Mesquita Filho, redigiu o “Roteiro da Revolução”, editorial em que exortava a oposição civil a se unir aos militares, então chamados de “partido fardado”, que desde o limiar da República interferia na política.
Em 1964, o jornal O Estado de São Paulo pediria e apoiaria o golpe militar e a eleição indireta de Castello Branco. Em 1º de abril daquele ano, publicou texto de apoio à derrubada de João Goulart fazendo uma relação entre aquele momento político e o da Revolução Constitucionalista de 1932.
O jornal paulista só romperia com a ditadura quatro anos depois do golpe. Em 1968, com a sua redação ocupada por censores do regime, publicou editorial que seria censurado por meio de apreensão de seus exemplares que chegavam às ruas. A família Mesquita descobriria, então, que quando se viola a democracia nem os que ajudaram a fazê-lo podem se considerar a salvo dos chefes violadores.
A Folha de São Paulo, por sua vez, nasceu em 1921, 46 anos depois do Estadão. Então batizada como “Folha da Noite”, era dirigida por Olival Costa e Pedro Cunha. Durante a revolução de 1930, foi fechada por reação popular, que empastelou o jornal.
Voltou a funcionar em 1931 com novos donos e nova linha editorial, sob o nome de Folha da Manhã. Era dirigida por Alves de Lima, Diógenes de Lemos Azevedo, Guilherme de Almeida e Rubens do Amaral. Em 1962, o jornal foi vendido a Carlos Caldeira Filho e Octavio Frias de Oliveira e rebatizado como Folha de São Paulo.
Tal qual o Estadão, a Folha também apoiou o golpe militar de 1964 e a ditadura que estava sendo implantada no Brasil. Segundo o colunista Elio Gaspari, chegou a emprestar veículos para transporte de presos. Isso mesmo, o jornal que fala em censura à imprensa fez parte da estrutura de assassinato e tortura dos ditadores de plantão.
O apreço pela ditadura era tanto que em 1971, durante o governo do general-presidente Ernesto Geisel, o jornal publica editorial, assinado por Octavio Frias de Oliveira, que definia assim o governo ditatorial:
“(…)Um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social – realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama (…)”.
Hoje, sabe-se que a maior vítima da ditadura militar foi justamente a justiça social. Foi durante a ditadura, que Frias defendeu com tanto ardor, que o Brasil chegou a ser um dos cinco países com maior concentração de renda no mundo, perdendo a primeira colocação apenas para países africanos miseráveis.
A tomada de posição política em relação ao governo Lula que esses jornais publicaram em suas edições de 26 de setembro de 2010 – tendo a Folha publicado o texto em sua capa –, em pretensa resposta à crítica do presidente da República a uma conduta partidarizada desses veículos, vem sendo desprezada por uma maioria esmagadora da sociedade, como revelam as pesquisas de opinião sobre este governo e sua candidata.
Em todos os níveis de escolaridade, em todas as faixas etárias, em todas as regiões do país – com exceção, apenas, entre os mais ricos –, os brasileiros, em maioria avassaladora, ignoram as diatribes diárias desses jornais contra o governo mais respeitado – nacional e internacionalmente – e popular da história deste País. Suas denúncias contra um só lado são ignoradas, e o Brasil caminha para dar uma vitória histórica à candidata que rejeitam.
Todavia, há que fazer uma distinção entre as posturas adotadas pelo Estadão e pela Folha. Enquanto que o primeiro, como que atendendo a exortação do presidente da República, finalmente sai do armário, deixando claro, de forma tardia, que tem candidato, exatamente como o chefe da nação disse que tinha, o segundo continua tentando se esconder sob uma imparcialidade na qual só os seus controladores e empregados bajuladores dizem acreditar.
Por mais que os argumentos do Estadão para justificar que tenha se convertido em cabo eleitoral de José Serra sejam questionáveis e não resistam à menor exposição àquele contraditório que o jornal censura furiosamente, seus controladores não têm descido ao nível da família Frias.
Entre todas as barbaridades praticadas pela Folha, algumas das quais já lhe renderam sucessivas condenações na Justiça, uma delas jamais encontrou paralelo na dita “grande imprensa” nacional. O jornal publicou em sua primeira página a falsificação de uma ficha policial de Dilma Rousseff, adversária do candidato extra-oficial do veículo, José Serra.
A Folha publicou em sua primeira página o conteúdo de um e-mail apócrifo, sem ter verificado absolutamente nada sobre a veracidade do documento. Tanto é que, depois do malfeito, escreveu nota de esclarecimento dizendo que não tinha elementos para negar ou confirmar a veracidade de uma falsificação contra uma ministra de Estado que publicou em seu espaço de maior visibilidade, na primeira página.
Em seu editorial de 26 de setembro de 2010, em que reafirma ser “isenta”, a Folha chega a “advertir” o presidente da República e sua candidata de que não aceitará que tentem “censurar” a imprensa, esgrimindo com cláusula pétrea da Constituição que versa sobre liberdade de expressão. O Estadão vai pela mesma linha de confronto com este governo por ter as mesmas inclinações antidemocráticas que o seu congênere, ainda que tenha mais caráter.
Ambos, porém, carregam o suplício de inocentes em seus currículos fétidos. Sob essa trajetória conspurcada por um apreço patético e degenerado pelo estupro do Estado Democrático de Direito que Estadão e Folha agora se arvoram em sentinelas da democracia. E é por esse cinismo atroz que esses jornais terminarão na lata de lixo da história.

http://altamiroborges.blogspot.com/2010/09/resposta-aos-baroes-da-imprensa.html

Estadão apóia Serra. Mesmo na ausência dele

      Conversa Afiada:
      Publicado em 26/09/2010

      Na foto, 20 mil pessoas ovacionam Serra em Palmas, Tocantins

    O Estadão escreveu um editorial para confessar, uma semana antes da eleição, o que sempre fez: o Estadão apóia o Serra.

    O Tijolaço do Brizola Neto notou que, mesmo nessa hora decisiva em que os conservadores brasileiros devem tomar uma tunda histórica, o Estadão quase não tem o que elogiar do Serra:

    O editorial em que o Estadão declara publicamente o apoio a José Serra, a uma semana da eleição, destina sete linhas ao que seriam as qualidades do candidato tucano e nove parágrafos a atacar o presidente Lula e sua gestão, aprovados por 80% dos brasileiros …

    Como observou o Blog dos Amigos do Presidente Lula, que a dra Cureau quis calar – veja aqui – o blog notou que o Estadão também é chegado a umas maracutaias, montadas na generosidade de governantes tucanos.
    Sem falar nas assinaturas que o Serra comprou para fazer com que os alunos das escolas públicas de São Paulo lessem os editoriais do Estadão.
    Clique aqui para ler “Dra Cureau, e as assinaturas que o Serra fez da Folha, do Estadão … ?
    O Estadão sempre esteve ao lado do Serra.
    Mesmo quando ele não aparece.
    Serra ia a Tocantins, não foi, mas o Estadão disse que ele foi.
    E, não indo, foi recebido gloriosamente.
    Leia, amigo navegante, o que o Estadão é capaz de fazer por ele:

    Na agenda de José Serra, parte da última sexta-feira (20/09/2002) seria dedicada a comício em Palmas, capital de Tocantins. Devido ao mau tempo em São Paulo, a visita do presidenciável, marcada para 15h, foi cancelada em cima da hora. No entanto, sua presença no comício liderado pelo governador Siqueira Campos (PFL) foi noticiada pela Agência Estado. Em reportagem veiculada às 13h07 de sexta (duas horas antes do início do evento), a enviada especial da AE afirmava que a passagem de Serra durou menos de quatro horas e chegou a reunir 20 mil pessoas.

    (Melhor do que isso só a Folha (*) matar e ressuscitar o Tuma)
    O Estadão e o PiG (**) farão pelo Serra qualquer coisa.
    Até 4 de outubro.
    Daí em diante, não se sabe como o PiG (**) vai tratar o Serra.
    Quem nasceu para José Serra não chega a Carlos Lacerda.
    Em tempo: ao saber que o Estadão ia sair de trás da hipocrisia e confessar que apóia o Serra desde que ele vivia na Móoca e o pai era feirante, o Otavinho resolveu escrever um mega-editorial na primeira página. Daqueles que o Jorge Serpa escrevia para o Roberto Marinho.  O editorial do Otavinho diz que a Folha (*) é imparcial (se tivesse ombudsman, ele se demitiria, diante de tal extravagância). Trata-se, na verdade, de um editorial a favor da “ficha falsa da Dilma” e da Ditabranda. Em resumo, um editorial contra a Ley de Medios.

    Paulo Henrique Amorim

    (*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

    (**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

    http://www.conversaafiada.com.br/pig/2010/09/26/estadao-apoia-serra-mesmo-na-ausencia-dele/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+pha+(Conversa+Afiada)

    sábado, 25 de setembro de 2010

    Jornal "Estadão" declara amanhã apoio a Serra

    Os Amigos da Presidente Dilma
    sábado, 25 de setembro de 2010

    O jornal O Estado de S. Paulo publica amanhã, domingo, editorial intitulado O mal a evitar no qual vai declarar seu apoio ao candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra.

    Será o primeiro órgão da grande imprensa a posicionar-se claramente em favor de um candidato na atual campanha.

    O editorial não influirá, segundo o comando do Estadão, em seus propósitos de proporcionar aos leitores uma cobertura jornalística isenta.Pelo menos é o que conta aqui o Ricardo Setti

    http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/09/jornal-estadao-declara-amanha-apoio.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+blogspot/Eemp+(Os+Amigos+do+Presidente+Lula)

    terça-feira, 21 de setembro de 2010

    O desespero inescrupuloso do jornalismo golpista

    Como publicado na Carta Maior:

    Tamiflu: quem fez lobby para quem

    O dispositivo midiático que fez lobby pró-Roche e pró- Serra, alardeando o despreparo do país para enfrentar uma pandemia de gripe suína, em 2009, e a insuficiente estocagem de Tamiflu pelo Ministério da Saúde, agora acusa o governo de ter comprado quantidades desnecessárias do remédio. E denuncia um lobby por trás desse erro. Serra agora não está mais preocupado em anabolizar sua ‘experiência’ como ex-ministro da Saúde. Ele precisa agora de algo mais forte que uma gripe suína para impedir a vitória de Dilma no 1º turno. O artigo é de Saul Leblon.
    (leia matéria completa)

    Destaco algumas matérias  citadas por Saul que mostram o percurso sem escrúpulos e desesperado que a mídia persegue para implementar suas tentativas de golpe.(clique nas imagens para ver cada matéria na íntegra)

    Em primeiro lugar o irresponsável clima de terror criado pela Folha de São Paulo para concluir que o Governo de Lula não estava preparado:

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    A UOL do Grupo Estado confirma o despreparo do Brasil sem o Tamiflu necessário para a população. A informação era obtida do próprio fabricante, o Laboratório Roche que …

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    pagou para a jornalista viajar e participar na Suíça da Conferência organizada pelo próprio laboratório.

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    Um ano depois a Folha anuncia o fim da pandemia sem qualquer auto-crítica.

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    A Veja para incrementar sua indústria de notícias fraudulentas, além de responsabilizar a Casa Civil por compras que são do Ministério da Saúde, só para manter o foco sobre Dilma, dos escandândalos criados pela revista …

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    tenta dar um tom maior de suspeita. O título é acusatório contra o Governo por gastar 400 milhões com Tamiflu, como se fosse muito dinheiro e desnecesário. Não resgata aos leitores o tom alarmista com que a própria imprensa tratou a gripe suína em 2009 e nem trata do fim da pandemia. clip_image002

    Notem como a Veja trata o texto. No antetítulo cria o clima denuncista e chama o foco para Dilma com “Escândalo na Casa Civil”. No título acusa Governo de forma genérica, atingindo tudo, Dilma, Lula, PT. Deixa a impressão de um, ou melhor dois erros, gastar a mais, e desperdiçar. Busca não dissipar o foco mantido na Casa Civil.  Só no primeiro parágrafo que o assunto do título será tratado e não aparenta nada de errado como sugere o título.

    Conclusão

    O primeiro parágrafo da matéria somente existe para dar gancho ao assunto principal, o do antetítulo que trata de escândalo na Casa Civil. O texto foi construído para criar a desconfiança do tipo “porque o governo gastou tanto dinheiro com um remédio para gripe suína se já acabou?” Como se essa questão fizesse sentido. O jornalista pulou então, do assunto do remédio para o assunto escândalo. Para requentar e dar mais força à denúncia da semana. A Veja e a Folha usam muito o artifício do direito de proteger fontes para não precisar provar o que dizem. Portanto, um amigo do sócio do filho da ex-assessora da Dilma é quem diz que a Roche pagou 200 mil para esse sócio do filho da Erenice se calar (do que?). Segundo o personagem sem nome que não precisa se identificar, o dinheiro apareceu na gaveta do amigo em um envelope. Que tamanho seria esse envelope para caber 2000 notas, se fossem de 100 Reais, não calculei, mas deve ter se rasgado. Assim, segundo a revista, a Roche (que pagou viagem para a jornalista que escreveu que o Brasil precisava comprar mais Tamiflu) queria calar pessoas da Casa Civil (que não realizou a compra) por ter sido fechada a venda do remédio para o Ministério da Saúde (com preço 76% menor do que o da farmácia). Alguém aí entendeu?

    domingo, 19 de setembro de 2010

    Serra e a mídia chantagearam Kassab?

    Pode ser coincidência. Desde o início do mês a imprensa tem cogitado a possibilidade de Kassab ir para o PMDB (eu publiquei aqui: Quando o barco afunda… Kassab pode ir para o PMDB). O assunto foi tomando maior espaço na mídia e se confirmando com informações vindas do PMDB nacionala e paulista. Até que Serra começou a negar a hipótese de Kassab sair do DEM (como se fosse sua a decisão). Outro fato curioso foi o Editorial do Estadão de 13 de setembro, intitulado “O Centro esquecido”, criticando Kassab (leia abaixo) por não aplicar 121 milhões de Reais no Centro da Cidade, região abandonada pela atual administração, e onde a Cracolândia vem se notabilizando e o do número de moradores de rua vem crescendo. É estranho que Kassab só agora comece a ser considerado incompetente pelo jornal, justamente nesse momento, pois até hoje, assim como Serra, o Prefeito tem sido blindado pela mídia paulista (vide as enchentes de São Paulo). Também surpreende a atenção dada pelo Editorial, já que o Estadão, com Dilma se confirmando à frente nas pesquisas,  tem reservado suas manchetes para requentar o denuncismo da Veja para Serra se apropriar no horário eleitoral à noite.

    Essa história lembra outra edição do mesmo jornal quando publicou o artigo de Mauro Chaves em 28 de fevereiro de 2009 com o título “ Pará, governador” (leia mais aqui). Era uma critica às aspirações políticas de Aécio Neves de competir com Serra pela candidatura à Presidência. O artigo que insistiu em terminar com a frase”“ Pará, governador” pareceu mais uma mensagem cifrada. A insinuação contra Aécio, que segundo Juca Kfouri foi flagrado de humor alterado, batendo na namorada em uma festa, parece ter feito com que o Governador se sentisse ameaçado com a possibilidade de dossiês sobre sua vida e hábitos pessoais. Sabe-se que o jornal Estado de Minas estaria, neste período, em contrapartida, preparando uma “investigação especial” sobre Serra. Um dos seus jornalistas na época, Amaury Ribeiro Jr., promete lançamento em 2011 de um livro, baseado em documentos obtidos de forma lícita, sobre os bastidores das privatizações quando Serra era Ministro. Naquele período sua filha abrira uma empresa em Miami com a irmã de Daniel Dantas, o mesmo que ganhou muito dinheiro na época, pelo suposto favorecimento de tucanos que hoje se dizem vítimas de quebra de sigilo, ocorridas justamente na época da disputa Serra/Aécio. Com apenas 2 anos de existência, o escritório de Verônica Serra em Miami fechou no mesmo ano em que Serra disputou a eleição contra Lula, em 2002.

    Essa guerra de dossiês, de disputas partidárias internas, com a possível utilização de jornais como instrumentos de ameaça, nos deixam com a pulga atrás da orelha. Vamos ver o comportamento de Kassab. Talvez ele só espere as eleições. Talvez se sinta ameaçado e volte atrás. Se não voltar, o que deveremos observar é se cessará a blindagem da mídia. Estou curioso!

    O Centro esquecido

     

    Prefeitura de SP deixa de aplicar R$ 121 mi no Centro

    A Prefeitura de São Paulo tem pelo menos R$ 121,2 milhões na gaveta para projetos que poderiam criar habitações populares, oferecer cursos profissionalizantes e fornecer equipamentos de trabalho para moradores de rua. O dinheiro é quase o total de recursos já investidos neste ano pela Secretaria Municipal de Assistência Social, pasta responsável pelo atendimento aos sem-teto. E a maior parte está disponível há sete anos. Enquanto isso, o Centro vive um problema crônico de crescimento do número moradores de rua. Levantamento da Prefeitura aponta que, de 2000 para 2009, o número de sem-teto subiu de 8 mil para 13 mil.

    A maior parte do dinheiro para atacar a questão vem de uma linha de crédito internacional contratada em 2003, quando a Prefeitura fez um empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O restante vem do governo federal, que reservou R$ 6,2 milhões para a fornecer máquinas e locais de trabalho para catadores de material reciclável. A prefeitura argumenta que os programas não estão parados e serão concluídos.

    O Programa Procentro recebeu linha de crédito de US$ 100,4 milhões do BID para 137 atividades, segundo prestação de contas disponível nos sites da prefeitura e do banco. Desse total, dez programas estão em andamento no momento. A lista aponta que 57 atividades ainda não tiveram início. O montante ainda disponível é de US$ 65 milhões (R$ 115 milhões). Entre as atividades que não começaram está a execução de obras para transformação de cortiços em habitações de interesse social (HIS), moradias tidas como essenciais para a melhoria do centro - tem recursos previstos em R$ 1,1 milhão. A recuperação de edifícios para o mesmo fim tinha R$ 7,2 milhões reservados. Há também projetos em áreas de infraestrutura urbana, como serviços de melhoria do trânsito e do transporte público.

    Outro lado

    A prefeitura contesta os dados do próprio site sobre o número de atividades em andamento no programa de revitalização do centro. Diz que seriam 117 atividades, não 137, como diz a página na internet. Mas a nota da Secretaria de Desenvolvimento Urbano não explica o motivo da diferença de números.

    O texto diz que parte do dinheiro parado no BID já foi solicitada ao banco internacional - "US$ 66,4 milhões (66,1% do total) foram contratados até 31 de julho, faltando comprometer US$ 33,9 milhões (R$ 58,2 milhões)", afirma a nota. A secretaria informa ainda que o remanejamento de recurso não vai comprometer a execução dos serviços. "A movimentação orçamentária não afetará financeiramente, tampouco a execução das ações programadas, ou seja, a verba permanece inalterada."

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    sábado, 18 de setembro de 2010

    Vinicius Wu: A mídia está semeando o golpe

    Viomundo:
    18 de setembro de 2010 às 19:42

    Grande mídia planeja a “Venezuelização” do Brasil

    Alguns dos principais jornais do país estão, há algumas semanas, trabalhando diariamente para imputar ao Presidente Lula a pecha de “ditador” e qualificar a eventual vitoria de Dilma como uma ameaça à democracia. Foi o próprio Serra quem retomou o termo “República Sindicalista”, em reunião com militares no Rio de Janeiro. Agora, o remake de uma antiga propaganda de um periódico de São Paulo insinua comparações entre Lula e Hitler (sic), numa ignóbil peça publicitária que insulta a inteligência dos brasileiros. Cabe lembrar que, no sombrio despertar das ditaduras latino-americanas, golpistas jamais aplicam “golpes”. Na pior das hipóteses adotam “medidas extremas para salvar a democracia”. O artigo é de Vinicus Wu.

    Vinicius Wu, na Carta Maior

    “Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos“
    Trecho do Editorial de “O Globo” de 1 de abril de 1964.

    No sombrio despertar das ditaduras latino-americanas, ditadores jamais se apresentaram enquanto tal. Golpistas jamais aplicam “golpes”. Na pior das hipóteses adotam “medidas extremas” para salvaguardar a democracia, a liberdade e, em casos mais graves, o “sagrado” direito à propriedade. Esta foi uma das “inovações” mais bizarras das ditaduras que emergiram no contexto da guerra-fria. Não é por acaso que até hoje, nos círculos saudosistas do regime militar, o golpe que depôs o Presidente eleito João Goulart seja saudado como “Revolução Redentora”.

    De acordo com esta narrativa, as prisões, as torturas, o silêncio imposto à livre manifestação do pensamento e a perseguição política não foram mais do que gestos em defesa da “liberdade”. Até aí nada de novo. Porém, deve causar inquietação entre as forças democráticas no Brasil de hoje o ressurgimento desta retórica com uma força perturbadora ao longo das ultimas semanas.

    Alguns dos principais jornais do país estão, há algumas semanas, trabalhando diariamente para imputar ao Presidente Lula a pecha de “ditador” e qualificar a eventual vitoria de Dilma como uma ameaça à democracia.

    Foi o próprio Serra quem retomou o termo “República Sindicalista”, em reunião com militares no Rio de Janeiro. Agora, o remake de uma antiga propaganda de um periódico de São Paulo insinua comparações entre Lula e Hitler (sic), numa ignóbil peça publicitária que insulta a inteligência dos brasileiros.

    Justiça seja feita a um dos mais erráticos colunistas do jornal O Globo, que há alguns dias foi quem lançou a moda de comparar o presidente mais popular da história do país, eleito e reeleito pelo voto direto, ao líder nazista. O mesmo colunista andou reproduzindo um artigo denominado “A solução final” (sic), no qual era apresentada uma tosca análise de um recente pronunciamento do Presidente Lula.

    É sim preocupante o movimento, pois, embora não tenha força social e condições políticas de se transformar em um novo golpe, contribui para a emergência de um clima de recrudescimento da luta política no país, que pode ter graves conseqüências para a democracia e um desfecho imprevisível nos próximos anos.

    Na verdade, o que buscam é a “venezuelização” do país. Ou seja, trabalham abertamente para a criação de um ambiente político de instabilidade permanente, fragilização das instituições democráticas e deslegitimação do voto popular.

    O que está em jogo é o cenário em que se dará a luta política no país no próximo período.

    Diante do fato de que a eleição de Dilma parece ter-se tornado um acontecimento praticamente irreversível, a questão passa a ser a definição do cenário em que se dará a luta política ao longo de um eventual governo Dilma. Pretendem inaugurar um ambiente de “crise permanente”, de confronto político aberto entre posições irredutíveis.

    A comparação com a Venezuela é inevitável. Afinal, muito se fala por aqui dos erros de Hugo Chávez (em grande medida reais). No entanto, pouco é dito a respeito do comportamento golpista, desrespeitoso e grotesco dos grandes conglomerados de comunicação venezuelanos, que frequentemente chamam o presidente do país de “macaquito”.

    Em seu renitente cinismo, os grandes monopólios da comunicação brasileiros alertavam para o “risco” da importação do chavismo por Lula. Agora passam, de fato, a incentivar a “Venezuelização” do Brasil, importando um comportamento golpista e irresponsável, característico da grande mídia venezuelana.

    Já que não conseguem derrotar Lula trabalham para criar um ambiente de enfraquecimento da autoridade e da legitimidade social e política daquela que deve ser a próxima presidente do país.

    A vitória do amplo diálogo social inaugurado por Lula – um dos elementos chave do sucesso de seu governo – conta com a aversão de determinados setores da grande mídia, que perceberam a centralidade de combater o novo “pacto” social – inaugurado por Lula – em sua estratégia de derrotar o PT a qualquer custo.

    À época de Goulart a deslegitimação da democracia fundava-se no argumento de que a fraqueza da democracia estava permitindo a “bolchevização” do país, através da supostas concessões que o governo Goulart fazia ao PCB.

    Na época atual, os esforços em favor da mesma deslegitimação visam atingir diretamente a figura do Presidente, identificando-o com o autoritarismo, o paternalismo e o clientelismo. Um grau de irresponsabilidade só compreensível face à enormidade do preconceito que lhes move.

    Uma imprensa capaz de comparar um presidente democrata e com enorme popularidade ao criador de uma das maiores tragédias do século XX só pode mesmo estar disposta a tudo para fazer prevalecer sua visão de “democracia”. Estejamos atentos.

    http://www.viomundo.com.br/politica/vinicius-wu-a-midia-esta-semeando-o-golpe.html

    O fim um ciclo em que a velha mídia foi soberana

    Brasilianas.Org:
    Enviado por luisnassif, sab, 18/09/2010 - 07:20

    Dia após dia, episódio após episódio, vem se confirmando o cenário que traçamos aqui desde meados do ano passado: o suicídio do PSDB apostando as fichas em José Serra; a reestruturação partidária pós-eleições; o novo papel de Aécio Neves no cenário político; o pacto espúrio de Serra com a velha mídia, destruindo a oposição e a reputação dos jornais; os riscos para a liberdade de opinião, caso ele fosse eleito; a perda gradativa de influência da velha mídia.

    O provável anúncio da saída de Aécio Neves  marca oficialmente o fim do PSDB e da aliança com a velha mídia carioca-paulista que lhe forneceu a hegemonia política de 1994 a 2002 e a hegemonia sobre a oposição no período posterior.

    Daqui para frente, o outrora glorioso PSDB, que em outros tempos encarnou a esperança de racionalidade administrativa, de não-sectarismo, será reduzido a uma reedição do velho PRP (Partido Republicano Paulista), encastelado em São Paulo e comandado por um político – Geraldo Alckmin – sem expressão nacional.

    Fim de um período odioso

    Restarão os ecos da mais odiosa campanha política da moderna história brasileira – um processo que se iniciou cinco anos atrás, com o uso intensivo da injúria, o exercício recorrente do assassinato de reputações, conseguindo suplantar em baixaria e falta de escrúpulos até a campanha de Fernando Collor em 1989.

    As quarenta capas de Veja – culminando com a que aparece chutando o presidente – entrarão para a história do anti-jornalismo nacional. Os ataques de parajornalistas a jornalistas, patrocinados por Serra e admitidos por Roberto Civita, marcarão a categoria por décadas, como símbolo do período mais abjeto de uma história que começa gloriosa, com a campanha das diretas, e se encerra melancólica, exibindo um  esgoto a céu aberto.

    Levará anos para que o rancor seja extirpado da comunidade dos jornalistas, diluindo o envenenamento geral que tomou conta da classe.

    A verdadeira história desse desastre ainda levará algum tempo para ser contada, o pacto com diretores da velha mídia, a noite de São Bartolomeu, para afastar os dissidentes, os assassinatos de reputação de jornalistas e políticos, adversários e até aliados, bancados diretamente por Serra, a tentativa de criar dossiês contra Aécio, da mesma maneira que utilizou contra Roseana, Tasso e Paulo Renato.

    O general que traiu seu exército

    Do cenário político desaparecerá também o DEM, com seus militantes distribuindo-se pelo PMDB e pelo PV.

    Encerra-se a carreira de Freire, Jungman, Itagiba, Guerra, Álvaro Dias, Virgilio, Heráclito, Bornhausen, do meu amigo Vellozo Lucas, de Márcio Fortes e tantos outros que apostaram suas fichas em uma liderança destrambelhada e egocêntrica, atuando à sombra das conspirações subterrâneas.

    Em todo esse período, Serra pensou apenas nele. Sua campanha foi montada para blindá-lo e à família das informações que virão à tona com o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr e da exposição de suas ligações com Daniel Dantas.

    Todos os dias, obsessivamente, preocupou-se em vitimizar a filha e a ele, para que qualquer investigação futura sobre seus negócios possa ser rebatida com o argumento de perseguição política.

    A interrupção da entrevista à CNT expôs de maneira didática essa estratégia que vinha sendo cantada há tempos aqui, para explicar uma campanha eleitoral sem pé nem cabeça. Seu argumento para Márcia Peltier foi: ocorreu um desrespeito aos direitos individuais da minha filha; o resto é desculpa para esconder o crime principal.

    Para salvar a pele, não vacilou em destruir a oposição, em tentar destruir a estabilidade política, em liquidar com a carreira de seus seguidores mais fiéis.

    Mesmo depois que todas as pesquisas qualitativas falavam na perda de votos com o denuncismo exacerbado, mesmo com o clima político tornando-se irrespirável, prosseguiu nessa aventura insana, afundando os aliados a cada nova pesquisa e a cada nova denúncia.

    Com isso, expôs de tal maneira a filha, que não será mais possível varrer suas estripulias para debaixo do tapete.

    A marcha da história

    Os episódios dos últimos dias me lembram a lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim. Dejetos, lixo, figuras soturnas, almas penadas, todos sendo varridos pela água abundante e revitalizadora da marcha da história.

    Dia após dia, mês após mês, quem tem sensibilidade analítica percebia movimentos tectônicos irresistíveis da história.

    Primeiro, o desabrochar de uma nova sociedade de consumo de massas, a ascensão dos novos brasileiros ao mercado de consumo e ao mercado político, o Bolsa Família com seu cartão eletrônico, libertando os eleitores dos currais controlados por coronéis regionais.

    Depois, a construção gradativa de uma nova sociedade civil, organizando-se em torno de conselhos municipais, estaduais, ONGs, pontos de cultura, associações, sindicatos, conselhos de secretários, pela periferia e pela Internet, sepultando o velho modelo autárquico de governar sem conversar.

    Mesmo debaixo do tiroteio cerrado, a nova opinião pública florescia através da blogosfera.

    Foi de extremo simbolismo o episódio com o deputado do interior do Rio Grande do Sul, integrante do baixo clero, que resolveu enfrentar a poderosa Rede Globo.

    Durante dias, jornalistas vociferantes investiram contra UM deputado inexpressivo, para puni-lo pelo atrevimento de enfrentar os deuses do Olimpo. Matérias no Jornal Nacional, reportagens em O Globo, ataques pela CBN, parecia o exército dos Estados Unidos se valendo das mais poderosas armas de destruição contra um pequeno povoado perdido.

    E o gauchão, dando de ombros: meus eleitores não ligam para essa imprensa. Nem me lembro do seu nome. Mas seu desprezo pela força da velha mídia, sem nenhuma presunção de heroísmo, de fazer história, ainda será reconhecido como o momento mais simbólico dessa nova era.

    Os novos tempos

    A Rede Record ganhou musculatura, a Bandeirantes nunca teve alinhamento automático com a Globo, a ex-Manchete parece querer erguer-se da irrelevância.

    De jornal nacional, com tiragem e influência distribuídas por todos os estados, a Folha foi se tornando mais e mais um jornal paulista, assim como o Estadão. A influência da velha mídia se viu reduzida à rede Globo e à CBN. A Abril se debate, faz das tripas coração para esconder a queda de tiragem da Veja.

    A blogosfera foi se organizando de maneira espontânea, para enfrentar a barreira de desinformação, fazendo o contraponto à velha mídia não apenas entre leitores bem informados como também junto à imprensa fora do eixo Rio-São Paulo. O fim do controle das verbas publicitárias pela grande mídia, gradativamente passou a revitalizar a mídia do interior. Em temas nacionais, deixou de existir seu alinhamento automático com a velha mídia.

    Em breve, mudanças na Lei Geral das Comunicações abrirão espaço para novos grupos entrarem, impondo finalmente a modernização e o arejamento ao derradeiro setor anacrônico de um país que clama pela modernização.

    As ameaças à liberdade de opinião

    Dia desses, me perguntaram no Twitter qual a probabilidade da imprensa ser calada pelo próximo governo. Disse que era de 25% - o percentual de votos de Serra. Espero, agora, que caia abaixo dos 20% e que seja ultrapassado pela umidade relativa do ar, para que um vento refrescante e revitalizador venha aliviar a política brasileira e o clima de São Paulo.

    O fim um ciclo em que a velha mídia foi soberana | Brasilianas.Org

    sexta-feira, 17 de setembro de 2010

    Empresa desmente Folha, Estadão e Globo

    Primeiro toda a velha mídia disse aos quatro ventos que a empresa EDBR havia sido extorquida pela Casa Civil. Basearam-se no depoimento do ex-presidiário que chamaram de empresário como se fosse o responsável pela EDBR. Depois o chamaram de consultor e agora que não deu mais para esconder, de ex-presidiário mesmo. O Jornal da Globo, com seu cinismo que chega a ser infantil, acusou nesta noite de sexta a Casa Civil por ter recebido uma pessoa como Quícoli. O homem que escondeu carga roubada e distribuiu dinheiro falso, no entanto, ainda serve como fonte, testemunha e depoente para acusar Erenice. Os novos e-mails explorados pela mídia deixam claro que o senhor de reputação duvidosa tentou chantagear Erenice, Dilma e o PT, ameaçando fazer escândalo eleitoral. Poderíamos entender que essas novas versões começam enfraquecer a tese inicial, tornando tudo o que aquele sujeito disse, o que de fato, sempre foi, muito, muito suspeito. Mas o incrível, o que subverte a lógica e substima nossa inteligëncia é a tese de William Waack: se a Casa Civil conversou com um homem desses é culpada. Ao mesmo tempo em que ridiculariza e desqualifica o Quículi, reforça e dá crédito ao seu depoimento e tese. Eles querem confundir ou estão confusos?
    Enquanto isso a EDBR continua a ser tratada na mídia como se tivesse ela denunciado algo. Sua segunda nota, divulgada por Nassif abaixo, deixa claro, nunca afirmaram qualquer das bobagens publicadas por jornalistas da mídia suja, e não autorizam o desqualificado (segundo o Jornal da Globo) a falar pela empresa. A história caiu por si mesma. Como Serra, desagastou-se por si só. Parece que agora, só as atitudes do Planalto no caso estão dando assunto aos golpistas. Será que eles não perceberam isso?

    A segunda nota da EDBR

    Enviado por luisnassif, sab, 18/09/2010 - 01:26

    Por Alberto Porem Junior

    Uma segunda nota oficial da EDRB  à imprensa.

    Campinas/SP, 17 de setembro de 2010.

    Ante a repercussão da Nota de Imprensa, divulgada na data de 16.09.2010, reitera-se e esclarece-se: 

    Em face às afirmações atribuídas a EdRB, a empresa ratifica que, em nenhum momento, das reuniões (ou da reunião) de seus diretores com autoridades do governo, houve o pedido de qualquer pagamento, auxílio ou favorecimento de qualquer natureza, muito menos, para a campanha eleitoral. 

    Outrossim, a empresa EDRB está encaminhando Notificação Extrajudicial endereçada ao Sr.Rubnei Quícoli, instando-o a não se manifestar, em hipótese alguma, em nome da empresa EDRB, já que, não possui poderes para tanto. Inobstante, as medidas judiciais pertinentes serão tomadas em tempo hábil.

    Era o que cumpria esclarecer.

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    Aldo Wagner                      Marcelo M. Escarlassara
    Diretor Técnico                  Diretor Comercial

    Vox e Ibope: Com ataques, Dilma sobe e Serra cai

    Viomundo:
    17 de setembro de 2010 às 22:04

    Vox Populi/Band/iG: Dilma chega a 51% e Serra cai para 24%
    Pesquisa aponta que 78% dos eleitores dizem estar decididos a votar no candidato já escolhido

    Matheus Pichonelli, iG São Paulo | 17/09/2010 19:20

    A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, tem 51% das intenções de voto em nova pesquisa Vox Populi/ Band/iG divulgada nesta sexta-feira e venceria a disputa presidencial no primeiro turno se a eleição fosse hoje. A cerca de duas semanas do pleito, a diferença entre ela e José Serra (PSDB) é de 27 pontos. O tucano tem 24% no levantamento. A candidata do PV, Marina Silva, permanece com os mesmos 8% apurados na pesquisa anterior. Brancos e nulos chegam a 5%, enquanto 11% dos eleitores não sabem ou não responderam. A margem de erro do levantamento, que contou com 3 mil entrevistas, é de 1,8 ponto percentual.

    Após mais de dois meses de campanha oficial, 78% dos eleitores dizem estar decididos a votar no candidato já escolhido e indispostos a mudar de opção. Outros 20% dizem que ainda podem mudar de ideia. Eleitores do Nordeste (83%), da zona rural (85%), do sexo masculino (81%), com 50 anos ou mais (81%), com ensino superior (81%) e que ganha mais de cinco salários mínimos (80%) são os grupos mais decididos apurados pela pesquisa.

    Segundo o diretor-presidente do Vox Populi, João Francisco Meira, é comum que a essa altura da campanha que tantos eleitores estejam decididos em relação à escolha do candidato para presidente. Meira afirma, no entanto, que, apesar do número, é necessário cautela quando se diz que a eleição está decidida. Segundo Meira, os 20% que se dizem mais vulneráveis a trocar o voto podem servir para mudanças, como um eventual segundo turno.

    Dilma cresceu seis pontos em comparação à última pesquisa nacional, realizada em agosto. O avanço, entretanto, já havia sido identificado no tracking Vox Populi/Band/iG divulgado diariamente. Entenda aqui a diferença entre os dois tipos de levantamento.

    O desempenho da petista coincide com o momento em que a aprovação do governo Lula bate 77% de ótimo/bom. O levantamento mostra também que Serra é o candidato com maior índice de rejeição (27%), seguido de Dilma (18%). Lula é lembrado ainda por 2% dos eleitores na pesquisa espontânea (quando o nome dos candidatos não é apresentado ao eleitor). Nesse quesito, Dilma tem 45% e Serra, 20%.

    A pesquisa nacional, feita entre os dias 11 e 14 de setembro, serve como balizador para o tracking diário que o instituto publica, desde o início de setembro, em parceria com o iG e a Band. De acordo com a última medição do tracking, feito com outro grupo de eleitores, Dilma lidera com 51%, contra 23% de Serra. Estatisticamente, os resultados confirmam a tendência apontada pela medição diária, segundo o diretor-presidente do instituto.

    A pesquisa nacional, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 30.235/10, mostra ainda que Dilma venceria em todas as regiões e segmentos da sociedade de qualquer idade, escolaridade e religião. O melhor desempenho da petista é registrado no Nordeste, onde ela é a candidata favorita de 65% dos eleitores. O Nordeste é a região onde José Serra e Marina Silva registram os piores índices de intenção de voto – 17% e 6%, respectivamente. O pior resultado de Dilma acontece no Norte, onde Serra e Marina têm seus melhores índices (31% e 11%).

    *****

    Mesmo com escândalo, Dilma mantém 51%; Serra tem 25% e Marina vai a 11%

    Com 58% dos votos válidos, petista se elegeria no primeiro turno

    17 de setembro de 2010 | 20h 07

    André Mascarenhas, do estadão.com.br

    SÃO PAULO – Apesar da onda de escândalos (Nota do Viomundo: …que a gente criou) que atingiu o governo federal nos últimos dias, a petista Dilma Rousseff manteve a liderança na disputa pela Presidência da República, com 51% das intenções de voto, segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada nesta sexta-feira, 17. Seu principal rival, o tucano José Serra, tem 25%, seguido por Marina Silva, com 11%. Com 58% dos votos válidos, Dilma se elegeria no primeiro turno.

    A pesquisa mostra uma oscilação positiva de dois pontos porcentuais na vantagem da candidata do PT sobre o candidato do PSDB. Embora Dilma tenha mantido o mesmo patamar em que se encontrava no último levantamento, Serra oscilou para baixo, indo de 27% para 25%. O resultado está dentro da margem de erro, que é de dois pontos para cima ou para baixo.

    Terceira colocada na disputa, a candidata do PV, Marina Silva, cresceu três pontos percentuais. Os outros candidatos não pontuaram.

    O levantamento foi realizado entre os dias 14 e 16, período em que o noticiário esteve dominado pelas suspeitas de envolvimento da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra em um esquema de tráfico de influência dentro do governo. Erenice era secretária-executiva da Casa Civil durante a gestão de Dilma à frente do ministério.

    Mesmo patamar. No último levantamento, entre os dias 31 de agosto e o último dia 3, a candidata do PT acumulava 51% das intenções de voto, o mesmo índice verificado na pesquisa anterior, de 26 de agosto. O resultado aponta uma estagnação no crescimento da petista, que vinha ganhando terreno na disputa desde meados de junho.

    No mesmo período, Serra havia parado de cair, suspendendo uma tendência iniciada no início de agosto. O tucano aparecia com 27% das preferências, mesmo índice verificado na pesquisa anterior do Ibope. No último levantamento, Marina Silva (PV) oscilou de 7% para 8%.

    2º turno. Na simulação de segundo turno, Dilma também manteve o mesmo patamar da última pesquisa, com 56% das intenções de voto. Serra, por sua vez, oscilou negativamente, indo de 32% para 31%.

    O Ibope ouviu 3.010 pessoas em 205 municípios brasileiros. A pesquisa está registrada no TSE sob o número 30271/2010.

    terça-feira, 14 de setembro de 2010

    Mídia quer fazer de Dilma uma rainha da Inglaterra | Viomundo - O que você não vê na mídia

    Reproduzo o excelente artigo do Jornalista Luiz Carlos Azenha, que ajuda aos novos leitores de blogs, aqueles que começam agora a se informar pela internet, rompendo a blindagem enviesada com que a velha mídia pauta (ou tenta pautar) as eleições, a política e o dia-a-dia do brasileiro. Um incrível texto para se perceber os interesses desses grupos e as implicações. Um ciclo que só poderá ser, e já está sendo, quebrado pela dinâmica e interatividade com que a internet nos capacitou para não somente reproduzir como produzir informação. Uma atitude bem menos passiva do que a do telespectador do Jornal Nacional, ou do leitor de Veja, Folha e Estadão.

    14 de setembro de 2010 às 18:05

    Mídia quer fazer de Dilma uma rainha da Inglaterra

    por Luiz Carlos Azenha

    Estou escrevendo este texto para os novos leitores do blog, que são muitos.

    Se vocês não perceberam ainda, temos argumentado faz tempo que alguns grupos de mídia brasileiros estão engajados até a medula na campanha eleitoral de José Serra, do consórcio PSDB/DEM.

    Eles não declaram voto em seus editoriais — como faz a CartaCapital e é comum nos Estados Unidos e na Europa.

    Ao contrário, eles editorializam o noticiário.

    Escolhem manchetes, ângulos e pautas que favorecem a candidatura de José Serra ou que prejudicam — ou pelo menos pretendem prejudicar — a candidatura de Dilma Rousseff. Propagam crises federais — a do saneamento básico, por exemplo — sem tratar das crises estaduais (no caso de São Paulo, o trânsito, os rios poluídos, as enchentes, o metrô lotado, a falta de trens de subúrbio, as deficiências na saúde e na educação).

    Os recursos humanos e materiais destes grandes grupos de mídia –Organizações Globo, Folha de S. Paulo,Editora Abril e O Estado de S. Paulo — são concentrados na pauta que interessa a um candidato, em detrimento dos demais.

    No sábado a revista Veja publicou uma denúncia contra o governo, o PT e a candidata Dilma Rousseff que foi direto para a propaganda eleitoral de José Serra na TV.

    Uma reportagem que tinha como espinha dorsal um contrato não reconhecido — e, portanto, desmentido — pela empresa que teria pago propina. Está aqui.

    Na segunda-feira, os três principais jornais do Brasil trouxeram o assunto nas manchetes acima da dobra, aquelas que ficam o dia todo expostas nas bancas de jornal de todo o Brasil.

    Filho de ex-braço direito de Dilma trabalhou no governo, disse O Globo.

    Irmã de ministra deu aval a contrato sem licitação com governo, disse o Estado de S. Paulo.

    Dilma se distancia de Erenice e chama Serra de caluniador, disse a Folha.

    A isso os jornalistas chamam “dar pernas a um assunto”. Independentemente de algo de ilegal ter sido feito ou não, o efeito de manchetes múltiplas é o de suscitar dúvidas nos eleitores em um período pré-eleitoral. As manchetes também servem para aparecer na propaganda eleitoral do candidato José Serra. A gente fica sem saber quem alimenta quem.

    Foi a campanha de José Serra que distribuiu dossiês de seus investigadores aos jornais? Quem faz a coordenação entre a campanha de José Serra, se essa coordenação de fato existe, e os quatro grupos de mídia acima citados? Por que a “coincidência” das denúncias contra Dilma acontecerem na véspera da eleição? Não há denúncia alguma a ser feita contra José Serra, ou será que nesse caso esses grupos de mídia estão omitindo informações para não influenciar o eleitorado?

    Em minha modesta opinião, a essa altura já não se trata apenas de:

    1. Forçar um segundo turno; 2. Salvar candidatos da coligação PSDB/DEM nos estados; 3. Tirar antecipadamente a legitimidade de um governo eleito.

    Eu diria que o consórcio midiático acima citado trabalha, ao mesmo tempo, para pautar Dilma Rousseff e formar o ministério.

    As pautas econômicas dos grandes jornais estão repletas de balões de ensaio sobre medidas econômicas conservadoras que seriam tomadas pela candidata que ainda nem se elegeu!

    Tenho comigo que o objetivo da mídia, agora, é fazer uma espécie de primeiro-ministro, “eleito” por ela, para colocar no coração do governo de Dilma Rousseff.

    Ela ficaria com o papel de rainha da Inglaterra.

    Mídia quer fazer de Dilma uma rainha da Inglaterra | Viomundo - O que você não vê na mídia

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