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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

José Padilha para Ministro da Segurança do Serra

Conversa Afiada
Publicado em 18/10/2010

José Padilha (do lado de fora do caveirão)

Saiu na Folha (*), pág. E6, crítica de Vladimir Safatle ao filme “Tropa de Elite – 2”.
“Longa usa a lógica da guerra civil para discutir a questão da segurança pública”.
“Trama legitima violência policial e trata defesa dos direitos humanos (o pessoal pró-aborto diria o Serra – PHA) como ladainha ingênua.”
“… se o método truculento não deu certo, isso seria resultado exclusivo da corrupção generalizada (da Erenice – diria o Serra – PHA).”
“Neste país, onde a polícia tortura mais do que na época do regime militar, as idéias de compreender problemas de segurança a partir da lógica da guerra civil parece ter se naturalizado”.
“ … os intelectuais de esquerda ganhariam mais complacência dos produtores de blockbusters se abandonassem a ladainha dos direitos humanos, escolhessem o lado da classe média assustada e abraçassem a causa monocórdia da luta moralizante contra a corrupção estatal (da Erenica – diria o Serra – PHA). “

Navalha

NAVALHA

Assisti a essa litania da violência no Shopping Higienópolis, onde uma camionete de uma empresa de segurança privada estaciona na porta, 24 horas, por causa de dois assaltos recentes a joalherias.
A platéia delirava quanto mais se dava pancada no filme do Padilha.
Aplausos, suspiros de alívio.
“Pau neles !”, pareciam dizer.
Além das observações irretocáveis do artigo do Safatle, este ordinário blogueiro acrescentaria outro aspecto.
A estigmatização do Rio como sede da violência e da corrupção.
É uma marca infamante que tranquiliza a classe média – do Rio e de São Paulo.
O crime está ali – e só ali: na favela, entre os pobres.
Nós, do lado de cá da podridão, vivemos no mundo perfeito onde não se faz aborto.
Onde padres petistas são colocados em seu devido lugar.
Nós, virtuosos do verde – isso não nos atinge.
É aí que o “docudrama” do Padilha se estrepa: na favela do Rio.
As UPPs – Unidades Policiais Pacificadoras – do Rio são um retumbante sucesso.
O governador foi re-eleito com 68% dos votos, em cima da bandeira das UPPs.
Na sexta-feira, depois de assistir ao caça-níquel do Padilha, li no Globo (no Globo !), na pág. 20:
“Vila Isabel comemora a ocupação do morro. Chegada do BOPE à favela alivia a vizinhança, assustada com os constantes tiroteios dos traficantes.”
Na pág. 19 (esse Padilha diz qualquer coisa !), do mesmo Globo:
“A paz pousa nos macacos – um ano após a derrubada de helicóptero da PM (faltou essa cena blockbusteriana no pastiche do Padilha – PHA), BOPE ocupa a favela em Vila Isabel para instalação da 13ª. (13ª. !) UPP.”
“Enfim, o estado começa a pagar à comunidade a grande divida social, cultural e de segurança que tem com ela” – Presidente da Associação de Moradores do Morro dos Macacos, Mário Lima.
Talvez se dê muita trela ao Padilha.
Deixa o Padilha ganhar o dinheiro dele, Safatle.
É isso o que dá publicitário fazer filme com dinheiro da Globo.
Só tem um problema: o Padilha achar que merece ser o Ministro da Segurança do Serra.
Já pensou ?
Porrada !
E o pessoal do Shopping Higienópolis – que não faz aborto – a aplaudir: porrada !

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

José Padilha para Ministro da Segurança do Serra | Conversa Afiada

sábado, 16 de outubro de 2010

No governo Serra, policiais corruptos compravam cargos de chefia e pagavam caixinha para o "padrinho"

Os Amigos do Presidente Lula:
sexta-feira, 15 de outubro de 2010

No governo Serra, policiais corruptos compravam cargos de chefia e pagavam caixinha para o "padrinho"

Do blog Flit Paralisante, do delegado da Polícia de São Paulo, Roberto Conde Guerra, um lutador contra a corrupção e desmandos na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo:
Pergunto ao governador José Serra: O senhor sabia que o seu Secretário-adjunto de segurança Pública arrecadava R$ 3 milhões POR MÊS com o loteamento da Polícia Civil?
Digo-lhe mais, R$ 3.000.000,00 por mês com a denominação: “do padrinho” .
... sou obrigado a perguntar-lhe: SE SABIA, É CRIME; SE NÃO SABIA O SENHOR NÃO SERVE PARA SER PRESIDENTE DO BRASIL.
O Lula não deixou a Polícia Federal roubar e matar!
Mas roubalheira (e matança pela PM) correu escancaradamente durante mais de 3 anos - aliás, com esquema iniciado antes e durante a sua campanha para o governo de São Paulo – não sendo possível que o senhor nem sequer dela soubesse (roubalheira) pelos jornais.
Vossa Excelência adotou que medidas acerca do emprego de verba reservada para compra de ternos superfaturados, apenas para mencionar um dos inúmeros casos irregulares ocorridos sob o “manto ou bolso protetor do então secretário-adjunto” ?
Nenhuma, né?
Ora, Vossa Excelência foi blindada por alguns membros do Ministério Público deste Estado e, principalmente, pela Imprensa; assim ninguém ousa lembrar das inúmeras denúncias de falcatruas durante a sua gestão e, também, durante a gestão Geraldo Alckmin, posto tratar-se de “maracutaias” continuadas.
Repetindo: R$ 3.000.000,00 por mês “do padrinho”.
Mas quem era o tal padrinho do Secretário?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

José Serra promete segurança, mas veja como ele deixou SP: Facção criminosa PCC, é investigada por compra de hospital

Os Amigos do Presidente Lula:
segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Ministério Público de São Paulo está investigando a suspeita de que um empresário acusado de ligação com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) tenha comprado um hospital em Santo André (ABC) para lavar dinheiro obtido com o tráfico de drogas.

O empresário de Mauá Gildásio Siqueira Santos, 39 anos, é sócio do Hospital Santos Dumont, segundo contrato social assinado em 17 de julho de 2008, ao qual o Agora teve acesso.

Segundo depoimentos de testemunhas à Justiça, Santos adquiriu o hospital e o plano de saúde Prima, que operava no Santos Dumont, com a promessa de que pagaria ao ex-dono R$ 600 mil -- R$ 90 mil, dois terrenos, dois apartamentos, uma Pajero e um Golf.

Dívida de R$ 1,2 mi ligou empresário a suposto líder

O empresário Gildásio Siqueira Santos, o Gil, devia cerca de R$ 1,2 milhão em 2007 ao preso W.R.C., o Rabugento, apontado como líder local da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no ABC, segundo denúncia da Promotoria oferecida à Justiça contra ambos em maio daquele ano.

A denúncia, à qual a reportagem teve acesso, também diz que despesas pessoais da mulher de Rabugento, além das do próprio preso, eram pagas com dinheiro levantado com a venda de combustível adulterado feita sob o comando de Santos.

Constam ainda da acusação, oferecida por promotores do Gaeco (grupo responsável por investigar o crime organizado) ABC, que o casal já morou em um apartamento pertencente ao empresário, localizado na avenida São Pedro, na Praia Grande (71 km de SP), litoral de São Paulo.Jornal Agora

Os Amigos do Presidente Lula: José Serra promete segurança, mas veja como ele deixou SP: Facção criminosa PCC, é investigada por compra de hospital

Serra esconde PCC

Questionado sobre ataques do PCC, Serra cita melhora na segurança em SP

por Jair Stangler

Seção: ELEIÇÕES

02.agosto.2010 16:16:58

André Mascarenhas

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, evitou hoje comentar diretamente os ataques do PCC contra alvos da Polícia Militar, no fim de semana, em São Paulo. Ao ser questionado se temia o uso político do episódio por adversários durante a campanha, o tucano citou dados do governo que mostram uma “continuidade da melhora das condições da segurança” no Estado de São Paulo.

serra_TiagoQueirozAE02082010

O candidato do PSDB, da entrevista na Liberdade, em São Paulo

“Não tenho todos os elementos nesse momento. Os dados da segurança em São Paulo mostram a continuidade da melhora das condições de segurança, que começou no final da década passada, com o (ex-governador Mário) Covas, prosseguiu de maneira muito firme e impressionante durante o (governo de Geraldo) Alckmin e que se manteve no nosso governo”, afirmou durante coletiva na Associação Cultural e Assistencial da Liberdade (Acal), no bairro da Liberdade, em São Paulo.

De acordo com o tucano, há uma “tendência decrescente” do crime no Estado. Serra citou a redução na taxa de homicídios no segundo trimestre de 2010, e usou dados de junho para comparar a situação da segurança em São Paulo a de países desenvolvidos. “Nos últimos meses, (a taxa) chegou a cair a uma taxa inferior a 10 (homicídios por cem mil habitantes), que é uma taxa que se observa em países mais desenvolvidos.”

Reportagem de 02/08/10 na íntegra

PCC cresceu durante governo tucano e reduziu homicídios em SP

Um debate entre pesquisadores promovido pelo Estadão tenta entender o fenômeno PCC que se organizou nos anos tucanos mediante o descontrole das políticas carceráreas e a desintegrada ação dentre as polícias paulistas.

 

Universidade vai a periferias e prisões para tentar entender o PCC

'Estado' promoveu debate entre 4 pesquisadores que fizeram teses e dissertações sobre organização criminosa

24 de janeiro de 2010

Bruno Paes Manso - O Estadao de S.Paulo

Professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Gabriel Feltran, de 34 anos, começou a estudar as periferias de São Paulo interessado nas mudanças sociais. Durante as pesquisas, que viraram tese de doutorado premiada ano passado pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais, foi impossível deixar de falar sobre o Primeiro Comando da Capital, sempre presente nas conversas.

A antropóloga Karina Biondi, de 32 anos, atualmente faz doutorado na UFSCar. Começou a estudar o PCC depois que o marido foi preso, em 2003. Durante as visitas, fez pesquisas de campo cujo material deu origem à dissertação Junto e Misturado: uma etnografia do PCC, que em março será publicada em livro pela Editora Terceiro Nome. O marido dela, depois de cinco anos preso à espera de julgamento, foi inocentado.

A dissertação da socióloga Camila Nunes, A igreja como refúgio e a Bíblia como esconderijo: religião e violência na prisão, concluída na USP, também virou livro (Editora Humanitas). Agora, ela finaliza doutorado com base em pesquisas em presídios paulistas. O antropólogo Adalton Marques, de 27 anos, defende sua dissertação em Antropologia na USP em fevereiro, chamada Crime, proceder, convívio-seguro - um experimento antropológico a partir de relações entre ladrões. Na semana passada, eles travaram com o Estado o debate abaixo:

Qual é o tamanho do PCC e que papel exerce?

Camila - É difícil dimensionar o tamanho do PCC, mas de acordo com minhas pesquisas em unidades prisionais, o PCC tem influência em cerca de 90% das 147 prisões paulistas. Essa influência é um tanto quanto diversificada em cada uma das unidades, a depender das relações que se estabelece com a administração do local, na qual se estabelecem seus limites. No Estado, há 6 ou 7 unidades que são controladas por outros grupos ou que são chamadas "neutras" designando, assim, a inexistência das chamadas "facções". Essas unidades, contudo, não permitem a entrada de presos que pertencem às facções e para elas são transferidos os presos que anteriormente ficavam no "seguro". Ou seja, se um preso que se encontra numa penitenciária controlada pelo PCC sente-se ameaçado e pede "seguro", ele provavelmente será transferido para uma dessas unidades "neutras".

Gabriel - Do lado de fora das prisões a lógica é exatamente a mesma. Ouço relatos de que "agora é tudo PCC", referindo-se ao "mundo do crime" nas periferias há alguns anos. Mas ao olhar os detalhes, aparecem situações curiosas. Por vezes, o PCC está mesmo onde não há um "irmão". Por exemplo, um ponto de venda de maconha e cocaína, numa das favelas em que estudo, não é gerenciado por nenhum "irmão" (os outros pontos são). No entanto, quem gerencia esse ponto, uma pessoa respeitada na favela, lida bem com a presença do PCC e diz também concordar com "a lei" dos "irmãos". Não saberia dizer o quanto casos como esse são frequentes, e também me surpreenderia se alguém soubesse fazê-lo, mesmo entre os integrantes da facção.

Adalton - Considero um equívoco pensar o PCC a partir de quantificação dos "batizados", bem como de mensuração da extensão dos efeitos provocados por suas ações. O PCC não é somente um aglomerado de membros e de ações. Antes, se trata de um conjunto singular de enunciados, forte (o que não quer dizer necessariamente violento) o bastante para afirmar a "paz dos ladrão" - "ladrões" são os "considerados" como tais, é claro - e a "disposição pra bater de frente com os polícia" e "pra quebrar cadeia", fugir. Imprescindível dizer que a efetuação dessas coisas não depende da presença de "batizado". Mais decisivo que a mensuração de extensões, é perceber que isso que se chama PCC se efetua nos quatro cantos da cidade.

Karina - Minha pesquisa revelou que o PCC tem dois grandes papéis nas prisões: ao mesmo tempo em que regula a relação entre os prisioneiros, é uma instância representativa da população carcerária frente ao corpo de funcionários das prisões. O número de "irmãos" é desconhecido até por eles próprios. Surpreenderia-me saber que algum deles tem esse controle, já que um "irmão sequer conhece todos os seus outros "IRMÃOS".

Marcola é o chefe? Quais mudanças ele implantou?

Karina - Não só Marcola não exerce esse papel, como não existe no PCC uma forma de liderança que pressuponha uma hierarquia piramidal, uma estrutura rígida ou formas de mando e obediência. Isso porque, com a saída do Geleião (ex-líder do PCC), Marcola promoveu a inserção da "igualdade" ao lema e às práticas do PCC que, com isso, sofreu profundas transformações, dentre elas a extinção de lideranças sobre os demais integrantes. Essas transformações - que não param de acontecer - são como antídotos a quaisquer manifestações de mando ou de qualquer relação que venha a ferir o princípio de "igualdade".

Camila - O PCC mudou bastante. Houve uma racionalização do seu modo de operar. Nos primeiros anos de existência, quando havia a necessidade de expansão e conquista de territórios, além do discurso de necessidade de união da população carcerária para lutar contra a opressão do Estado, era necessária a imposição de seu domínio a partir da demonstração da violência explícita contra aqueles que rejeitavam ou eram recalcitrantes em aceitar esse domínio. Por isso, na década de 1990 - até o início dos anos 2000 -, assistia-se cenas grotescas de violência no sistema carcerário, muitas delas protagonizadas pelo PCC, que fazia questão de explicitar sua capacidade de imposição da violência física, especialmente durante as muitas rebeliões do período. Essa explicitação da violência era importante para demonstrar o seu poder para os presos e para o Estado. A partir de 2003, 2004, o PCC alcança uma relativa hegemonia no sistema prisional - e, talvez, em algumas atividades fora dele - o que torna o exercício expressivo da violência física, como punição aos "traidores", desnecessária.

Adalton - Houve uma mudança decisiva entre o final do ano de 2002 e o início de 2003. Geleião e Cesinha, os dois últimos fundadores vivos, foram "escorraçados" - essa é a palavra usada - pelos presos e mandados para o seguro. Diz-se que Marcola teve um papel decisivo tanto para mostrar aos presos a situação a que se submetiam quanto na guerra travada contra os dois fundadores. É comum ouvir que Marcola bateu de frente com os fundadores e recebeu apoio total da população carcerária. Desde então, foi extirpada a posição política do fundador, bem como a figura de general. Foi eliminada por completo a diferença entre os fundadores e "irmãos". Já não mais haveria diferenças absolutas entre os relacionados ao PCC, mas só diferenças de "caminhadas".

O que mudou dentro e fora das prisões com a facção?

Gabriel - Há muitas evidências empíricas de que o PCC pode ter interferido diretamente na queda dos homicídios. Durante pesquisa de campo, quando se comenta por que não morrem mais jovens como antes, as explicações oferecidas são três: "porque já morreu tudo"; "porque prenderam tudo" e "porque não pode mais matar", a mais recorrente. Levei bastante tempo para compreender essas três afirmações, entender que elas me falavam de uma modificação radical na regulação da violência - e do homicídio - nas periferias de São Paulo. E que essa regulação tem a ver com a presença do PCC. Quando me dizem na favela "porque não pode mais matar", está sendo dito que um princípio instituído nos territórios em que o PCC está presente é que a morte de alguém só se decide em sentença coletiva, e legitimada por uma espécie de "tribunal" composto por pessoas respeitadas do "Comando". Esses julgamentos, conhecidos como "debates", podem ser muito rápidos ou extremamente sofisticados, teleconferências de celular de sete presídios. Eles produzem um ordenamento interno ao "mundo do crime", que vale tanto dentro quanto fora das prisões. Evidente que a hegemonia do PCC nesse mundo facilitou sua implementação. Com esses debates, aquele menino que antes devia matar um colega por uma dívida de R$ 5 para ser respeitado agora não pode mais matar.

Karina - São muitas as mudanças que ocorreram nas prisões após o nascimento do PCC: diminuição no número de homicídios e das agressões entre prisioneiros, fim do consumo de crack e de abusos sexuais, não se vende mais espaço na cela, não se troca favor com agentes penitenciários em benefício próprio em detrimento de outros, não se fala palavrões. Mas é importante lembrar que essas mudanças não são frutos de leis, decretos ou imposições. Suas propostas nascem de amplos debates e são expandidas e adotadas paulatinamente, não sem resistências e diferenciações na condução dessas políticas. É muito comum uma unidade prisional funcionar de forma diferente de outras, principalmente no que diz respeito a mudanças ainda não tão cristalizadas.

Camila - A mudança fundamental foi a criação de uma instância de regulação das relações sociais na prisão. O PCC se constituiu como instância reguladora, de imposição e controle do cumprimento das regras, assim como de punição aos transgressores. Não se tratava mais de um domínio baseado puramente na violência e na ameaça e nem mais era uma dominação individualizada: trata-se agora de um grupo, organização. A regulação das relações sociais passou a ser mais "institucionalizada", menos dependente de indivíduos e, portanto, mais estável.

Por que os ataques? Como acabar com o PCC?

Karina - Os ataques de 2006 desencadearam um grande movimento autorreflexivo no PCC. De acordo com essas reflexões, os ataques foram reações às provocações do governo de São Paulo, cuja finalidade seria a de mostrar sua força e, assim, conseguir pontos na corrida eleitoral em andamento à época. Essa é a análise que os próprios protagonistas dos ataques elaboraram, não cabe a mim questioná-la. Nesse mesmo movimento reflexivo, avalia-se que os ataques não foram a melhor maneira para chamar a atenção dos cidadãos para o que ocorria no interior das prisões. De lá para cá, vêm-se buscando outras formas de articulação e diálogo, com pouco sucesso, entretanto. Afinal, como criminosos podem se articular, mesmo que para reivindicar o cumprimento da Lei de Execuções Penais, sem que constituam uma "organização criminosa"? Se novos ataques ocorrerão, não é possível prever. Isso depende de inúmeros fatores, muitos deles sequer previsíveis.

Gabriel - Representaram uma manifestação de força da facção frente às forças policiais, que estabelece novos parâmetros para a negociação. Ouvi no campo que há negociação entre PCC e funcionários do Estado e polícias. Ela se dá em bases distintas depois de uma demonstração como a de 2006. Mas os ataques também demonstraram o que significa colocar em xeque a força do Estado: os eventos contabilizaram 493 mortos em uma semana. Cerca de 50 mortes foram atribuídas ao PCC, cento e poucas oficialmente à polícia. Mais de 200 mortes permaneceram sem sequer hipótese investigativa. Se outros ataques vão ocorrer seria futurologia, não há como dizer. Estava em campo em maio de 2006 e não consegui prever os eventos. As causas desses eventos são complexas e dependem de negociações às quais temos pouco acesso. No entanto, não me surpreenderia se voltassem a ocorrer, já que os atores principais seguem em cena.

Camila - Não sei como acabar com o PCC mas de uma coisa tenho certeza: o aumento da repressão dentro e fora das prisões, a carta branca que parece ter a polícia para matar na periferia e outras formas mais de desrespeito aos direitos da população pobre da periferia e dos presos são elementos que fortalecem o PCC, conferem legitimidade ao seu domínio, enquanto enfraquece cada vez mais a confiança nas instituições públicas de segurança.

Alckmin foi o grande responsável pelo crescimento do PCC

Do texto original no Youtube:

Entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, a semana dos ataques do PCC, 492 pessoas foram mortas por armas de fogo no estado de São Paulo. A polícia admite 126 mortes em confronto direto e a Ouvidoria encaminhou para investigação outros 71 casos de autoria desconhecida. Os laudos de muitos dos 295 restantes nunca foram divulgados, porém sabe-se que a maioria não tinha antecedentes criminais, e eram negros ou pardos, e pobres. Tudo indica a presença de grupos de extermínio comandados pela polícia.
Um massacre sem precedentes e, até hoje, sem esclarecimentos.
E a mídia silenciou. Foi tudo acobertado?
Confira um trecho da reportagem "Mean Streets of São Paulo" realizada pela Produção do Programa Dateline, do canal SBS da Austrália, que causou comoção naquele país, e tire as suas próprias conclusões – quem é o verdadeiro culpado?

São Paulo Sob Ataque – documentário sobre o PCC e o desgoverno tucano

Os anos tucanos de governo em São Paulo com uma polícia totalmente desarticulada entre si e com o sistema carcerário permitiu um crescimento da organização criminosa que provou sua força em maio de 2006.

O Discovery Channel realizou o documentário que relata os acontecimentos que se desenvolveram dentro e fora das prisões, da polícia e do Estado.

domingo, 10 de outubro de 2010

Veja e o jornalismo de esgoto: ataques a Dilma e blindagem a Serra

Paulo Henrique Amorim já havia cantado a bola no dia 07: Veja vai atacar Dilma com a Petrobrás. Dilma também deixou público que já sabia da jogada da Veja falando sobre “futuras matérias” conforme demonstra o vídeo do dia 08 (aqui). Outra dica do que viria na Veja chegou do próprio Ministério de Minas e Energia que contou, conforme o site do PHA, que “desde a semana passada o Diego, da Veja, busca uma brecha para dizer que houve trambicagem na contratação do CPqD para implantar modernizações tecnológicas neste ministério, à época conduzido por Dilma e tendo Erenice como consultora jurídica. Ainda querem fazer ligação com a gestora do contrato, Maria Cristina Castro, que é amiga de Dilma e se conheceram em 1971, quando ficaram presas juntas. Sim, isso não é segredo, ela é uma profissional com excelente currículo, fluente em 5 idiomas e hoje é assessora na área internacional. Como a notícia começou a circular na Esplanada e eles têm dito que os agredimos aqui, o que não é verdade – Cristina tem sido seguida e sua família coagida pela equipe de Veja-, resolvemos nos antecipar e fazer circular a resposta que enviamos aos questionamentos do repórter durante esta semana.” Antes da própria mentira, o MME publicou o desmentido (leia aqui).
Diego Escosteguy foi o mesmo que publicou a reportagem da Veja sobre Erenice usando como fonte Fábio Baracat como dono da Via Net, o que foi desmentido na rede no mesmo dia, da mesma forma que sua sociedade na MTA também foi desmascarada. Depois foi a vez da própria fonte da Veja desmentir suas relações com as empresas e o que haveria dito. O jornalista Diego já é reincidente em notícias falsas em momentos eleitorais, como fez em 2006 contra a Caixa Econômica Federal na primeira página do Estadão. A montagem com fins eleitoreiros da Veja foi detalhada por Nassif (aqui). Depois foi a vez da Folha usar um ex-presidiário, com uma bela ficha criminal (leia aqui e aqui) tratando-o como empresário indignado e fonte de informações para continuar a campanha com o objetivo de carimbar a Casa Civil de Dilma como antro de corrupção (leia a pesquisa que desmente a mídia golpista).
Agora com as matérias sendo desmentidas antes de sua publicação, restou à Veja insistir na persistente campanha inaugurada por Mônica Serra para cunhar Dilma com o título de assassina de criancinhas. Veja e o restante do PIG têm se organizado  para construir contradições no PT e na Dilma a respeito do aborto, aproveitando os ataques da direita raivosa mais conservadora e contra as liberdades individuais organizada desde o golpe de 1964. Para dar razão aos ataques autoritaristas buscam tratar o aborto como questão simples e como tema fundamental para a campanha, como se houvesse consenso em algum partido ou mesmo entre os eleitores. Como se a questão do aborto fosse um consenso entre os eleitores e não um ponto (dentre outros) que foi explorado por oportunistas, apelando à fé cristã, para evocar o ódio religioso nos mais humildes e despolitizados, com vistas a levar a eleição para o segundo turno com Serra, usando a imagem de mulher religiosa de Marina.
Para completar o jogo sujo, orquestrado pela velha mídia, basta ver a tendenciosidade com que a Veja trata na internet o tema, na busca de concretizar o que Serra diz na propaganda: o PT e a Dilma querem o aborto. Ao mesmo tempo as opiniões de Serra no passado quanto a temas perseguidos por religiosos radicais como o homossexualismo e o aborto são blindados. Imaginando que a pregação contra o homossexualismo tiraria de Serra muitos votos, a Veja chegou apagar a posição de seu Vice, Índio da Costa, contra o projeto de lei que prevê sanções a crimes de homofobia, publicou no dia 07 de outubro, mas retirado da rede.

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No feed de matérias publicadas pela Veja, a revista na internet cria polêmicas para a Campanha de Dilma, mas não para Serra, chegando a servir de porta-voz. Veja esquece de tratar da regulamentação do aborto feita por Serra em 1998. A excessão seria a matéria sobre Índio da Costa, no dia 07, que trata do homossexualismo e a lei contra homofobia. Mas se clicarmos no link da matéria, Ops!

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Ainda bem que existem as cópias em cachê do Google que provam que a matéria um dia esteve lá, e que a Veja apagou:

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Para ler a matéria completa clique na imagem acima.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Polícia mata 40% a mais que 2009 em São Paulo | Conversa Afiada

Saiu no Conversa Afiada:

Polícia mata 40% a mais
que 2009 em São Paulo

    Publicado em 04/05/2010
Eduardo, uma das vítmas. Por que o Serra não criou uma secretaria de Segurança em SP?
Deu no R7:
Número de policiais mortos também subiu em relação ao 1º trimestre do ano passado
A Polícia Militar do Estado de São Paulo matou 40% mais pessoas em ocorrências registradas como confrontos no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2009, segundo levantamento da SSP (Secretaria da Segurança Pública). Entre janeiro e março de 2010, foram 146 mortes, já em igual trimestre do ano passado, foram 104 casos em todo o Estado.
Quase metade dessas mortes ocorreu na capital paulista, que teve 71 ocorrências, 18 a mais que em 2009. Considerando a mesma base de comparação, o aumento em relação ao ano passado na capital foi de 33%. O total de feridos em confrontos com a Polícia Militar também deu um salto: de seis, em 2009, para 82, neste ano – número 12 vezes maior.
Os dados, publicados neste fim de semana pelo governo de São Paulo, são praticamente estáveis se comparados os três primeiros meses deste ano com o último trimestre de 2009, quando foram registradas 145 mortes e 81 feridos em confrontos com a Polícia Militar. Já o último trimestre de 2009 registrou alta de 93% nas mortes em relação ao ano anterior.
O R7 procurou a assessoria de imprensa da Polícia Militar para que a corporação comentasse os dados, mas até a publicação desta reportagem não obteve retorno. A SSP informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a PM se manifestaria sobre os números.
Clique aqui para ler a matéria completa de João Varella no R7

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quinta-feira, 25 de março de 2010

Conversa Afiada: Serra desmonta os serviços públicos e sai candidato

Saiu no Conversa Afiada:


24/março/2010 9:11

Quem destrói a educação não pode ser Presidente

Quem paga os PSDB, os Piores Salários Do Brasil ?
O Zé Alagão, Zé Pedágio, Presidente eleito, que se lançou candidato no programa do Datena.
“Delegados iniciam greve com operação padrão”, diz o Agora, na página A5.
Os professores estão em greve.
Os funcionários da Saúde farão showmício para mostrar como se vive com um vale refeição de R$ 4, o “vale-coxinha”.
R$ 4 de vale refeição, amigo navegante.
E vão entrar em greve (Valor, página A14 )
O vale refeição mensal do professor de São Paulo, mensal, é de cinquenta reais.
Pode ?
É isso o que ele chama de “Estadativo”?
O Secretário da Administração tem uma reposta imperdível: “Preferimos investir em obras que poderão ser usadas por toda a sociedade.”
Claro, policial, professor e funcionário da saúde não tem serventia para a “sociedade” tucana de São Paulo.

Paulo Henrique Amorim

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