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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Rudá Ricci: Enem sofre ofensiva de interesses ligados à indústria do vestibular |

Viomundo - O que você não vê na mídia
12 de novembro de 2010 às 10:11

Na avaliação do sociólogo e consultor na área de educação, Rudá Ricci, há uma disputa de política educacional em curso, e é necessário preservar uma avaliação de caráter nacional. “Uma prova nacional permite que o país trace objetivos de política educacional”, defende. Entre os setores interessados economicamente, segundo ele, estão as próprias universidades, que arrecadam em matrículas, os professores que produzem questões fechadas e abertas, e os cursos preparatórios para o vestibular.

por Anselmo Massad, na Rede Brasil Atual, via Carta Maior

São Paulo – O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sofre uma ofensiva de interesses, segundo o sociólogo e consultor na área de educação Rudá Ricci. Ele enumera grupos e setores do que chama de “indústria do vestibular”, de cursos preparatórios a docentes encarregados de formular as provas. Para ele, há uma disputa de política educacional em curso, e é necessário preservar uma avaliação de caráter nacional.

“Uma prova nacional permite que o país trace objetivos de política educacional”, esclarece. Um vestibular nacional do ponto de vista da aplicação e do conteúdo promove um impacto no ensino médio, de modo a reverter problemas dessa faixa da educação.

Para ele, os vestibulares descentralizados, feitos por cada universidade, provocam danos à educação, já que o ensino médio e mesmo o fundamental direcionam-se às provas, e não à formação em sentido mais amplo. “O ensino médio é o maior problema da educação no Brasil, é o primeiro da lista, com mais evasão, em uma profunda falência”, sustenta.

“O Enem faz questões interdiciplinares, é absolutamente técnico, é super sofisticado”, elogia. Os méritos estariam em privilegiar o raciocínio à memorização de conteúdos. Isso permitiria que o ensino aplicado nas escolas fosse além do preparo para enfrentar provas de uma ou outra universidade.

O Enem traz uma “profunda revolução”, na visão de Rudá, “ao combater profundamente a concepção pedagógica e política de vestibulares por universidade”. Ao se aproximar dessa concepção nacional – fato que aconteceu apenas nos últimos anos –, interesses de grupos educacionais foram colocados em xeque, o que desperta ações contrárias.

Entre os setores interessados economicamente, segundo ele, estão as próprias universidades, que arrecadam em matrículas, os professores que produzem questões fechadas e abertas, e os cursos preparatórios para o vetibular.

Controle social
Ricci critica a postura do ex-ministro da Educação, Paulo Renato, e da ex-secretária de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro. O sociólogo taxa os comentários feitos pelos especialistas ligados ao PSDB como “oportunismo”. Isso porque, segundo ele, o uso da prova como seleção e seu caráter nacional, hoje criticados pelos tucanos, foram objetivos perseguidos durante a gestão de Renato na pasta, de 1995 a 2002.

O que ele considera como mudança de postura é resultado da disputa política, que faz com que os estudantes passem a rejeitar o exame. “Os jovens não querem mais essa bagunça. E têm razão”, pontua.

“Existe uma movimentação para politizar esse tema; vamos ter o avanço de uma oposição organizada, que junta as forças políticas que perderam a eleição nacional com escolas particulares, cursinhos que têm muito interesse na manutenção do sistema de vestibular”, avalia.

O sociólogo defende o modelo de exame nacional, mas acredita que a fórmula possa ser aprimorada, seja com mais dias de provas, seja com provas aplicadas a cada ano do ensino médio. Ele aponta ainda que houve um desvirtuamento da proposta interdisciplinar e sofisticada, empregada originalmente, em função da necessidade de expandir a prova. Em 2010, foram 4,6 milhões de inscritos.

Ele acredita que a postura de críticas deve-se às diferenças partidárias. “Estão politizando o Enem, politizando o ingresso na universidade e o conteúdo da prova”, lamenta. “Seria interessante ter um órgão que execute o exame sob controle social, não de governo, nem de empresas”, sugere.

“A solução é nós discurtirmos nacionalmente esse gerenciamento em um modelo como o americano para o vestibular nacional”, defende. O SAT, usado como método de seleção nos Estados Unidos, é aplicado por agentes privados de modo controlado pelo departamento de educação federal. Além de poder ser aplicado em dias diferentes, cartas de recomendação de professores e outros instrumentos também são considerados na seleção por parte de universidades.

Rudá Ricci: Enem sofre ofensiva de interesses ligados à indústria do vestibular | Viomundo - O que você não vê na mídia

Nicolelis: Só no Brasil a educação é discutida por comentarista esportivo

Viomundo - O que você não vê na mídia
12 de novembro de 2010 às 20:58

por Conceição Lemes

Desde o último final de semana, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Ministério da Educação (MEC) estão sob bombardeio midiático.

Estavam inscritos 4,6 milhões estudantes, e 3,4 milhões  submeteram-se às provas.  O exame foi aplicado em 1.698 cidades, 11.646 locais e 128.200 salas.  Foram impressos 5 milhões de provas para o sábado e outros 5 milhões para o domingo. Ou seja, o total de inscritos mais de 10% de reserva técnica.

No teste do sábado, ocorreram  dois erros  distintos. Um foi assumido pela gráfica encarregada da impressão. Na montagem, algumas provas do caderno de cor amarela tiveram questões repetidas, ou numeradas incorretamente ou que faltaram. Cálculos preliminares do MEC indicavam que essa falha tivesse afetado cerca de 2 mil alunos. Mas o balanço diário tem demonstrado, até agora, que são bem menos: aproximadamente 200.

O outro erro, de responsabilidade do Inep, foi no cabeçalho do cartão-resposta. Por falta de revisão adequada, inverteram-se os títulos. O de Ciências da Natureza apareceu no lugar de Ciências Humanas e vice-versa. Os fiscais de sala foram orientados a pedir aos alunos que preenchessem o cartão, de acordo com a numeração de cada questão, independentemente do cabeçalho. Inep é o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais, órgão do MEC encarregado de realizar o Enem.

“Nenhum aluno será prejudicado. Aqueles que tiveram problemas poderão fazer a prova em outra data”, tem garantido desde o início o ministro da Educação, Fernando Haddad. “Isso é possível porque o Enem aplica  a teoria da resposta ao item (TRI), que permite que exames feitos em ocasiões diferentes tenham o mesmo grau de dificuldade.”

Interesses poderosos, porém, amplificaram ENORMEMENTE os erros para destruir a credibilidade do Enem. Afinal, a nota no exame é um dos componentes utilizados em várias universidades públicas do país para aprovação de candidatos, além de servir de avaliação parabolsa do PRO-UNI.

“Só os donos de cursinhos e aqueles que não querem a democratização do acesso à universidade podem ter algo contra o Enem”, afirma, indignado, ao Viomundo o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke, nos EUA, e fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, no Rio Grande do Norte. “Eu vi a entrevista do ministro Fernando Haddad ao Bom Dia Brasil, TV Globo. Que loucura!  Como  jornalistas  que num dia falam de incêndio, no outro, de escola de samba, no outro, ainda, de esporte, podem se arvorar em discutir um assunto tão delicado como sistema educacional? Pior é que ainda se acham entendedores. Só no Brasil educação é discutida por comentarista esportivo!”

Nicolelis é um dos maiores neurocientistas do mundo. Vive há 20 anos nos Estados Unidos, onde há décadas existe o SAT (standart admissions test), que é muito parecido com o Enem. Tem três filhos. Os três já passaram pelo Enem americano.

Viomundo — De um total de 3,4 milhões de provas aplicadas no sábado, houve problema incontornável em menos de 2 mil. Tem sentido detonar o Enem, como a mídia brasileira tem feito? E dizer que o Enem fracassou, como um ex-ministro da Educação anda alardeando?

Miguel Nicolelis — Sinceramente, de jeito algum — nem um nem outro. O Enem é equivalente ao SAT, dos Estados Unidos. A metodologia usada nas provas é a mesma: a teoria de resposta ao item, ou TRI, que é uma tecnologia de fazer exames.  O SAT foi criado  em 1901. Curiosamente, em outubro de 2005, entre as milhões de provas impressas, algumas tinham problema na barra de códigos onde o teste vai  ser lido.  A entidade que  faz o exame não conseguiu controlar, porque esses erros podem acontecer.

Viomundo — A Universidade de Duke utiliza o SAT?

Miguel Nicolelis — Não só a Duke, mas todas as grandes universidades americanas reconhecem o SAT. É quase um consenso nos Estados Unidos. Apenas uma minoria é contra. E o Enem, insisto, é uma adaptação do SAT, que é uma das melhores maneiras de avaliação de conhecimento do mundo. O teste é a melhor  forma de avaliar uniformemente alunos submetidos a diferentes metodologias de ensino. É a saída para homogeneizar a  avaliação de estudantes provenientes de um sistema federativo de educação, como o americano e o brasileiro,  onde os graus de informação, os métodos, as formas como se dão, são diferentes.

Viomundo — Qual a periodicidade do SAT?

Miguel Nicolelis –  Aqui, o exame é aplicado sete vezes por ano. O aluno, se quiser, pode fazer três, quatro, cinco, até sete, desde que, claro, pague as provas. No final, apenas a melhor é computada. Vários estudos feitos aqui já demonstraram que o SAT é altamente correlacionado à capacidade mental geral da pessoa.

Todo ano as provas têm uma parte experimental. São questões que não contam nota para a prova. Servem apenas para testar o grau de dificuldade. Outro peculiaridade do sistema americano é a forma de corrigir a prova. É desencorajado o chute.

Viomundo — Explique melhor.

Miguel Nicolelis — Resposta errada perde ponto, resposta em branco, não. Por isso, o aluno pensa muito antes de chutar, pois a probabilidade de ele errar é grande. Então se ele não sabe é preferível não responder do que correr o risco de responder errado.

Viomundo –  Interessante …

Miguel Nicolelis – Na verdade,  o SAT é  maneira  mais honesta, mais democrática de avaliar pessoas de  lugares diferentes, com sistemas educacionais diferentes,  para tentar padronizar o ingresso. Aqui, nos EUA, a molecada faz o exame e manda para as faculdades que querem frequentar. E as escolas decidem quem entra, quem não entra. O SAT é um dos componentes para essa avaliação.

Viomundo — Aí tem cursinho para entrar na faculdade?

Miguel Nicolelis — Tem para as pessoas aprenderem a fazer o exame, mas não é aquela loucura da minha época. Era cheio de cursinho para todo lugar no Brasil. Cursinho  é uma máquina de fazer dinheiro.  Não serve para nada a não ser para fazer o exame. Por isso ouso dizer: só os donos de cursinho e aqueles que não querem democratizar o acesso à universidade podem ter algo contra o Enem.

Viomundo –Mas o fato de a prova ter erros é ruim.

Miguel Nicolelis — Concordo. Mas os erros vão acontecer.  Em 1978, quando fiz a Fuvest (vestibular unificado no Estado de São Paulo), teve pergunta eliminada, pois não tinha resposta.  Isso acontece desde o tempo em que havia exame para admissão [ao primeiro ginasial, atualmente 5ª série do ensino fundamental)  na época das cavernas (risos). Você não tem exame 100% correto o tempo inteiro.

Então, algumas pessoas estão confundindo uma metodologia  bem estudada, bastante conhecida e aceita há décadas,   com problemas operacionais que acontecem em qualquer processo de impressão de milhões de documentos. Na dimensão em que aconteceram no Brasil está dentro das probabilidade de fatalidades.

Viomundo -- Em 2009, também houve problema, lembra-se?

Miguel Nicolelis -- No ano passado foi um furto, foi um crime. O MEC não pode ser condenado por causa de um assalto, que é uma contigência e nada tem a ver com a metodologia do teste.

Só que, infelizmente, gerou problemas operacionais para algumas universidades, que não consideraram a nota do Enem nos seus vestibulares. Isso não quer dizer que elas não entendam ou nãoaceitam o teste. As provas do Enem são muito mais democráticas, mais  racionais e mais bem-feitas do que os vestibulares de qualquer universidade brasileira.

Eu fiz a Fuvest. Naquela época, era muito ruim. Não media nada. E, ainda assim, a gente teve de se sujeitar àquilo, para entrar na faculdade a qualquer custo.

Viomundo -- Fez cursinho?

Miguel Nicolelis -- Não. Eu tive o privilégio de estudar numa escola privada boa. Mas muitas pessoas que não tinham educação de alto nível eram obrigadas a recorrer ao cursinho para competir em condições de igualdade.

Mas o cursinho não melhora o aprendizado de ninguém. Cursinho é uma técnica de aprender a maximizar a feitura do exame. É quase um efeito colateral do sistema educacional absurdo que  até recentemente tínhamos no Brasil. É um arremedo. É um aborto do sistema educacional que não funciona.

Viomundo -- Qual a sua avaliação do Enem?

Miguel Nicolelis -- É um avanço tremendo, porque a longo prazo a repetição do Enem várias vezes por ano vai acabar com o estresse do vestibular. Você retira o estresse do vestibular. Na minha época, e isso acontece muito ainda hoje, o jovem passava os três anos esperando aquele "monstro". De tal sorte, o vestibular transformava o colegial numa câmara de tortura. Uma pressão insuportável. Um  inferno tanto para os meninos e meninas quanto para as famílias. Além disso,  um sistema humilhante, porque as pessoas que não podiam frequentar um colégio privado de alto nível sofriam com o complexo de não poder competir em pé de igualdade. Por isso os cursinhos floresceram e fizeram a riqueza de tanta gente, que agora está metendo o pau no Enem. Evidentemente  vários interesses estão sendo contrariados devido ao êxito do Enem.

Viomundo -- Tem muita gente pixando, mesmo.

Miguel Nicolelis -- Todo esse pessoal que pixa acha que sabe do que está falando.  Só que não sabe de nada. Exame educacional não é  jogo de futebol. Tem metodologia, dados, história. E olha que eu adoro futebol. Sempre que estou no Brasil, vou ao estádio para assistir ao jogos do Palmeiras [Ninguém é perfeito (rs)!] O Brasil fez muito bem em entrar no Enem. É o único jeito de  acabar com esse escárnio, com essa ferida que é o vestibular .

Viomundo — Nos EUA, não há vestibular para a universidade. O senhor acha que o Brasil seguirá essa tendência?

Miguel Nicolelis --  Acho que sim. O importante é o seguinte. O Brasil está tentando iniciar esse processo. Quando você inicia um processo dessa magnitude, com milhões fazendo exame,  é normal ter problemas operacionais de percurso, problemas operacionais. Isso faz parte do processo.

Nós estamos caminhando para o Enem ser a moeda de troca da inclusão educacional. As crianças vão aprender que não é porque elas fazem cursinho famoso da Avenida Paulista que elas vão ter mais chance de entrar na universidade. Elas vão entrar na universidade pelo que elas acumularam de conhecimento ao longo da vida acadêmica delas. Elas vão poder demonstrar esse conhecimento sem estresse, sem medo, sem complexo de inferioridade. De uma maneira democrática.E, num futuro próximo, tanto as crianças de escolas privadas quanto as  de escolas públicas vão começar a entrar nesse jogo  em pé de igualdade. Aí,  sim vai virar jogo de futebol.

Futebol é uma das poucas coisas no Brasil em que o mérito é implacável. Joga quem sabe jogar. Perna de pau não joga. Não tem espaço. O talento se impõe instantantaneamente.

Educação tem de ser a mesma coisa. O talento e a capacidade têm de aflorar naturalmente e todas as pessoas têm de ter a chance de sentar na prova com as mesmas possibilidades.

Nicolelis: Só no Brasil a educação é discutida por comentarista esportivo | Viomundo - O que você não vê na mídia

Folha defende “singularidade” de São Paulo. Inês Nassif explica

Conversa Afiada
Publicado em 12/11/2010

A Intentona de 1932 também foi muito “singular”

Os ideólogos do Império americano defendem a “singularidade” dos Estados Unidos e seu “destino manifesto” – por exemplo, conquistar a Califórnia do México.
É o que, mal comparando, a Folha (*) tem feito na sua página de (uma só) Opinião.
Ontem e hoje, a Folha (*) publica artigos que defendem a singularidade de São Paulo e seus ilustres ideólogos, como a estudante Mayara Petruso.
Ontem, um jornalista defendeu o preconceito.
Hoje, também no alto da pág. 3, uma advogada e professora de Direito Penal da USP (êpa ! êpa ! USP ?) defende a estudante Mayara.
A Folha (*) já defendeu a “ditabranda”.
Agora, defende a “singularidade” paulista e o destino manifesto de sua elite separatista: ocupar o Brasil.
São argumentos com a profundidade de uma tigela de dar água ao gato.
Mas, ali naquela página costuma ser assim mesmo.
Muito diferente é o espaço que a Maria Inês Nassif ocupa no jornal Valor: sempre denso, profundo, original.
O Azenha reproduziu o artigo de ontem da Inês: clique aqui para ir ao Viomundo.
Inês explica o que acontece com São Paulo, ou melhor, com o repositório de ideias de sua elite: o PSDB.
O título já é para dar um susto na Mayara: “Voto do nordestino vale o mesmo do que o do paulista”.
O editor de Opinião do Otavinho vai ter um troço !
Diz a Inês: “A redução da desigualdade tem trazido à tona os piores preconceitos das classes médias tradicionais e das elites do país. Não apenas em relação às pessoas que ascendem da mais baixa escala da pirâmide social, mas preconceitos que transbordam para as regiões que, tradicionalmente miseráveis, hoje crescem a taxas chinesas. “
“A onde de preconceito contra nordestinos, por exemplo, é semelhante ao preconceito em estado puro jogado pelos setores tradicionais no presidente Lula e na própria Dilma Rousseff, durante a campanha – leia o “em tempo”:  … é o temor de que os ‘de baixo’ possam ameaçar … uma estabilidade que … é também de poder e status.”
(O Otavinho disse ao Lula que ele não podia ser presidente porque o Lula não sabe falar inglês.)
“A hegemonia paulista está em questão desde 2006, ” diz a Inês.
“O país é outro. Não se ganha mais eleição com preconceito – até porque o voto alvo do preconceito tem o mesmo valor do voto da velha elite.”
Viva a Inês !
Em tempo: durante a campanha, Serra trouxe o vaso sanitário para a sala de jantar. Clique aqui para ler “Serra funda a Direita Cristã e o Tea Party do Brasil: a extrema direita”.
Clique aqui para ler “Mino analisa o ódio do Serra e acha que a Oposição tem que sair de São Paulo” .
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Folha defende “singularidade” de São Paulo. Inês Nassif explica | Conversa Afiada

O lado Tiririca da mídia golpista

Brasilianas.org:

A conspiração da bolinha de papel

Enviado por luisnassif, sex, 12/11/2010 - 09:01

Da Coluna de Eliane Cantanhêde

Aliás, o escândalo da vez é no banco PanAmericano, do Silvio Santos, que visitou Lula no meio da campanha e é dono também do SBT, a rede que reduziu o rolo da fita de agressão a José Serra no Rio a uma mera bolinha de papel. Deve ser só coincidência

Brasil Nova Era:

Para Catanhede, o rolo da fita do “perito em fraude” foi muito pior que a “mera bolinha de papel”. Esqueceu de contra que quem atirou a bolinha foi o próprio segurança de Serra. Veja o segurança atirando a bolinha de papel:


Conversa Afiada:

Silvio leva a Folha para o banco da “Praça é Nossa”

Publicado em 12/11/2010


Levaram o Otavinho para o banco da Praça

Silvio fez uma gozação com a Folha (*) que se tornou manchete da primeira página:
“Quem pagar leva o SBT”.
É o que o Silvio diz há quatrocentos anos.
Disse à Televisa, à Disney, ao Boni.
E a Folha (*) acha que é sério o Silvio dizer que vende, hoje, o SBT pela dívida ? R$ 2,5 bi ?
Só a Folha (*) leva isso a sério.
Ou não sabe o que são R$ 2,5 bi.
Na verdade, a entrevista do Silvio parecia com as entrevistas do programa da Hebe: ri-se muito e nada é sério.
É como se o Silvio tivesse levado o Otavinho para o banco da “Praça é Nossa”.
O Silvio tirou um sarro da Folha (*).
Quem é o Lula ?
O Eike ?
“Bota uma foto minha bem bonita no jornal.”
E a Folha (*) levou a sério.
O mais interessante a Folha (*) não quis saber.
Silvio Santos deu toda a sua fortuna pessoal como garantia do empréstimo.
Nunca um empresário do setor financeiro tinha feito isso, antes.
Ou seja, o Silvio, de maluco, só na Folha (*).
A única coisa séria que a Folha (*) publicou hoje foi o Simão:
“Seu Silvio lança Teletombo”.
“O Silvio vai dar de garantia o Jaça, a menina Maisa e o Bozo.”
“E se ele não pagar, o governo fica com o Celso Portiolli.”
O Simão adora o Silvio, ao contrário da Folha (*).
O Simão gosta, principalmente, “quando ele combina a cor do cinto com a cor do cabelo.”
“E diz que ele maquiava o balanço do banco com produtos Jequiti. Só podia dar nisso.”
Este é o verdadeiro Silvio ?
Não.
É a verdadeira Folha (*).
Que não tem o menor senso de humor.
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Quem gostava do Silvio era a Globo

Conversa Afiada
Publicado em 11/11/2010

A situação já esteve melhor para Globo, não é, Galvão ?

Como se sabe, o Silvio fazia questão de dizer que estava muito feliz com o segundo lugar.
Silvio transformou uma concessão pública de televisão num instrumento de venda de seus produtos fora da televisão.
Clique aqui para ler “Política social do Lula quebrou o Silvio”.
Silvio não estava preocupado em tirar o lugar da Globo.
Ele não queria ser o primeiro.
Não era o modelo de negócio dele.
Por isso, Silvio nunca investiu muito dinheiro na televisão.
Silvio não se notabilizou por novelas, minisséries, esporte, e muito menos por jornalismo.
Dizem que Silvio tem pavor de jornalismo.
Ou seja, Silvio gostava de programas baratos, de auditório, como os dele, da Hebe e do Gugu.
Programas de custo reduzido, controlável e com muita mão-de-obra avulsa.
Isso não dava uma rede de televisão que pudesse enfrentar a hegemonia da Globo.
No Governo Figueiredo, quando a Tupi quebrou, Roberto Marinho foi tão esperto que conseguiu escolher até os concorrentes.
E o Governo Figueiredo dividiu a Tupi em duas:
Uma, a Manchete, quebrou.
A outra, o SBT, vai ter que trocar de mãos.
Roberto Marinho pretendia interromper o movimento da Terra em torno do Sol.
Manter o Regime Militar e o Silvio no segundo lugar.
Aí, apareceu a Record, que quer ser a primeira.
Aí, apareceu o Lula, que reduziu de 90% no Governo FHC para 50% a participação da Globo na publicidade oficial.
Aí, veio a Dilma, que, se não fizer a Ley de Medios, a Globo derruba ela.
Agora, o Silvio sofreu esse baque irremediável.
Como diria o Cala Boca Galvão, quando a Holanda empatou:
A situação já esteve melhor para a Globo.
Paulo Henrique Amorim

Quem gostava do Silvio era a Globo | Conversa Afiada

Política social do Lula quebrou o Silvio

Conversa Afiada
Publicado em 11/11/2010

Bye-bye Silvio

Como se sabe, o SBT não é uma rede de televisão.
O Boni costumava dizer que o SBT não tinha nem grade de programação.
Mas, sim, um conjunto de programas que não formavam um conjunto coerente e, portanto, comercializável.
O SBT não é uma rede, porque seu objetivo não é ganhar dinheiro como rede de televisão.
Mas, sim, ser um instrumento de venda dos produtos do grupo empresarial do Silvio.
O Silvio na TV vendia o Silvio fora da TV.
E o Silvio fora da TV era o maior anunciante da TV do Silvio.
Os produtos do Silvio fora da TV eram uma forma rudimentar de financiar a compra de bens duráveis.
O que funcionou enquanto havia inflação e faltava renda.
Quando a inflação acabou e o Governo Lula botou dinheiro no bolso da Classe “D” e a Classe “D” passou à Classe “C”.
E quando botou dinheiro no bolso da Classe “E” e uma parte da Classe “E” foi para a Classe “D”, o modelo de negócios do Silvio foi para o beleléu.
Além disso, houve o impressionante fenômeno da banqueirização.
Ou seja, com carteira assinada, as Classes “D” e “C” abriram conta em banco, passaram a ter cartão de crédito, começaram a se endividar e comprar bens duráveis com juros e condições mais razoáveis do que ofereciam os produtos do Silvio.
Para simplificar, o Lula quebrou o Silvio.
Sem querer, é claro.
Quem quebrou o Silvio foi o Silvio, que enchia o auditório de Classe “C” e Classe “D” e não percebeu que elas tinham mudado.
Paulo Henrique Amorim

Política social do Lula quebrou o Silvio | Conversa Afiada

PanAmericano do Silvio não é crise. “Mercado” deu a solução

Conversa Afiada
Publicado em 11/11/2010

Ir ao Planalto não adiantou nada

Primeiro, foi a “crise” do rompimento do PMDB com a Dilma.
Depois, foi a do ENEM, já devidamente reduzida à sua mais simples proporção: menos de mil provas precisarão ser refeitas.
Agora, o PiG (*) tentará fazer do Banco PanAmericano uma nova crise.
Botará a culpa no Lula, que recebeu uma visita do Silvio Santos.
Botará a culpa no Banco Central, que demorou a ver o tamanho do problema.
E, sobretudo, tentará enforcar a Caixa, que se tornou sócia com 37% das ações do PanAmericano, aproximadamente um ano antes de o banco implodir.
Vamos ver, antes, o que saiu no Globo online, com trechos de uma reportagem do Valor:

Socorro ao PanAmericano visa estabilidade financeira, diz FGC
Valor Online
SÃO PAULO – O presidente do conselho de administração do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), Gabriel Jorge Ferreira, disse nesta quarta-feira que uma quebra do PanAmericano poderia desestabilizar o sistema financeiro.
“O fundo concordou em dar esse suporte financeiro para, primeiro, (garantir) a estabilidade do sistema financeiro, porque as consequências são sempre muito ruins quando quebra uma instituição financeira. Além disso, coloca em dúvida a solidez do sistema financeiro”, disse Ferreira, ao justificar o socorro de R$ 2,5 bilhões prestado pela entidade ao banco.

Segundo ele, a operação com o PanAmericano é resultado de uma evolução da atuação do fundo, constituído em 1995 com a finalidade única de garantir empréstimos e aplicações no caso de liquidação ou intervenção do Banco Central (BC) em instituições financeiras.

Durante entrevista coletiva à imprensa, Ferreira comentou que, não fosse o apoio do fundo, o BC não teria alternativa que não fosse decretar a intervenção ou a liquidação do PanAmericano – dada a descoberta de um rombo bilionário no banco.

Segundo ele, as duas situações (intervenção ou liquidação), além de gerarem incertezas e insegurança no mercado, causariam uma depreciação no valor e resultados do banco, que teria que administrar despesas, e não mais receitas.

Também haveria um prejuízo ao próprio fundo, que seria obrigado a cobrir aproximadamente R$ 2,2 bilhões em depósitos no PanAmericano, disse Ferreira, acrescentando que a experiência mostra que a restituição de recursos no caso de quebra de bancos é “muito remota e difícil”. “Foi uma proteção patrimonial também para o fundo.”

(Eduardo Laguna | Valor)

Navalha

NAVALHA

Vamos começar pela Caixa.
Quem bradou “fogo” foi, logo de manhã, no Bom (?) Dia Brasil, a urubóloga Miriam Leitão.
Como é que a Caixa sai por aí a comprar banco ?, ela perguntou.
A Miriam já tinha se aborrecido lá atrás, quando a Caixa emprestou dinheiro à, Petrobrás.
E este Conversa Afiada chegou à conclusão de que o único banco do mundo que não emprestaria à Petrobrás seria o banco do Miriam.
Agora, se pergunta a Miriam: como é que a Caixa se meteu num banco que tem esse rombo ?
Boa pergunta a fazer à KPMG, ao Banco Fator e à BL, instituições financeiras que, por um ano, entraram nas contas do PanAmericano antes de recomendar a operação à Caixa.
E os grandes bancos privados brasileiros que micaram com os fundos fictícios do PanAmericano ?
Eles também foram negligentes, ou segundo a urobóloga, só a Caixa foi ?
O que dizer da empresa americana que avalia riscos, a Fitch, que, depois da operação da Caixa, aumentou a nota do banco ?
E o Banco Central, que deixou passar as fraudes no balanço do PanAmericano, da mesma forma que o Banco Central do Governo Fernando Henrique se surpreendeu quando abriu a caixa preta do Nacional e do Bamerindus.
O fundamental nessa história toda é que existe essa instituição criada no Governo Fernando Henrique, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que tem dinheiro dos bancos.
Dinheiro privado.
Ali não tem um tusta do Erário ou da Viúva.
O FGC é uma “reserva técnica” dos próprios bancos para segurar o sistema, em caso de solavanco.
São mais de 20 bilhões de reais para não deixar a peteca cair.
O Silvio Santos deve a esses bancos privados, quem emprestaram a ele R$ 2,5 bilhões.
O PanAmericano vai continuar a operar.
O Silvio tem dez anos mais três de carência para pagar o que deve aos bancos privados.
Até lá, os bens ficam proporcionalmente penhorados.
(Ele não pode penhorar o SBT, porque a lei não deixa concessão de serviço público ser penhorada.)
O mais provável é que Silvio, aos 80 anos, venda o banco e, com o tempo, o SBT.
A Caixa vai receber o dela de volta, e usufruir do cadastro do PanAmericano para o financiamento de veículos, o principal motivo para a Caixa entrar no banco.
O FGC, ou seja, os bancos vão receber do Silvio o dinheiro de volta.
Ele empenhou quase toda a fortuna pessoal na oração.
O que é muito melhor do que se o Banco Central tivesse decretado a falência ou a intervenção.
Em resumo, trata-se de uma solução “de mercado”.
O que revela maturidade das instituições.
E o que resulta em credibilidade.
O mercado jogou dinheiro na fogueira para não se chamuscar.
O dinheiro do Erário não entrou na roda.
Os que eventualmente tiverem sumido com a grana do Silvio mais cedo ou mais tarde vão ter uma conversinha com a Polícia Federal.
E o Silvio vai cuidar da vida, provavelmente em Miami, onde adora assistir a televisão.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

PanAmericano do Silvio não é crise. “Mercado” deu a solução | Conversa Afiada

Eliane convoca o terceiro turno

Conversa Afiada
Publicado em 11/11/2010

A Eliane ressuscitou Dom Sebastião

O Vasco deve ser um dos últimos assinantes da Folha (*).
E telefona assustadíssimo.
- O que foi que aconteceu, Vasco ?
- Uma tragédia, meu filho !
- O Serra voltou ?
- Não, pior do que isso. Vamos ter um terceiro turno.
- Mas, isso não está previsto na Lei…
- Não importa, a Eliane convocou o terceiro turno.
- Que Eliane ?
- A Eliane dos caças suecos. Clique aqui para ler na página 2 da Folha (*).
- E como é que ela convocou esse terceiro turno ?
- Convocou, não. O terceiro turno já está em curso.
- Já está em andamento ?
- Sim ! A Dra Cureau, o Gilmar e o Marco Aurélio já mandaram descarregar as urnas.
- Mas, por que ?
- A Eliane deu três motivos indiscutíveis para a convocação imediata do terceiro turno. Primeiro, o desastre do ENEM. Segundo, o Silvio Santos combinou com o Lula para inventar a crise da bolinha de papel. E, terceiro, há uma rachadura em Itaipu que, como temiam os argentinos, já inundou a Casa Rosada – diz o Vasco.
- Mas, quanta tragédia !
- E tudo isso o Lula escondeu do Serra, segundo a Eliane. Foi uma trapaça.
- Trapaça é uma palavra muito forte, Vasco.
- É o que justifica o terceiro turno, meu filho. Como D. Sebastião, o Serra voltará para nos salvar – profetizou o Vasco,  o último assinante da Folha (*).
Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Eliane convoca o terceiro turno | Conversa Afiada

Regulação de mídia e exorcismo

Blog do Miro
Altamiro Borges
quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Reproduzo artigo de Renata Mielli, publicado no blog "Janela sobre a palavra":
Se em fevereiro, grupos empresariais promoveram o 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão – que ficou popularmente conhecido como o seminário do Instituto Millenium – com o objetivo de se contrapor a ideia de que é preciso haver regulação da comunicação no Brasil e taxando os que a defendem de apologistas da censura; agora o governo contra-ataca e mostra que o discurso do medo, que invoca o espectro da censura, é apenas um truque para impedir o debate da regulação.
Mostrar que nos países tidos como exemplos de sociedades democráticas (Reino Unido, França, Canadá, Portugal, Espanha, Estados Unidos) há um marco regulatório pactuado entre todos os atores, abrangente e socialmente construído, é o objetivo deste importante seminário promovido pela Secom.
O seminário internacional “Comunicações eletrônicas e convergências de mídias”, reúne representantes de países europeus, dos Estados Unidos, Canadá e de organismos internacionais para apresentarem qual o ambiente regulatório de comunicação é aplicado mundo afora. O público do evento é composto de agentes econômicos da comunicação (da radiodifusão, produção audiovisual e telecomunicação), agentes públicos (agências reguladoras, ministérios, estatais) e movimentos sociais.
Na abertura, o ministro da Secom, Franklin Martins, passou o recado: vamos colocar os fantasmas no sótão. “Nenhum grupo, nenhum setor tem o poder de interditar a discussão. Ela está na mesa e será feita num ambiente de entendimento ou de enfrentamento”, e foi taxativo: “Se não discutirmos, quem vai regular é o mercado, e quando o mercado regula quem ganha é o mais forte”.
E o mais forte, neste caso, é o setor da telecomunicação que faturou só em 2009 a bagatela de 180 bilhões de reais, enquanto a radiodifusão faturou 13 bi.
E é exatamente a radiodifusão e os grupos de mídia tradicionais que têm imposto maiores obstáculos ao debate da regulação. Tanto é que foram estes os segmentos que se retiraram da comissão organizadora da 1ª Confecom, e que passaram a editorializar toda e qualquer discussão sobre comunicação como tentativa de censura. Mesmo sabendo que há uma clara opinião no governo de que “nesse ambiente de convergência de mídia é preciso dar tratamento especial à radiodifusão que opera em sinal aberto e gratuito”, como disse hoje Franklin Martins.
Ele lembrou que a legislação brasileira é da década de 60 do século passado. “Acumularam-se problemas imensos nestes anos por não termos enfrentado de frente a questão da regulação. Nossa legislação é um cipoal de gambiarras por não se enfrentar os problemas. Nossos dispositivos constitucionais não foram regulamentados. Passados 22 anos não se votou praticamente nada nesse sentido. Se nós acharmos que não queremos produção independente, produção regional, se não queremos evitar o excesso de concentração, então temos que revogar esses dispositivos”, disse.
Apesar dessa dívida história, Franklin aponta um debate sobre a regulação que olhe para frente “e procure legislar de forma mais moderna, progressista, cidadã e democrática. Precisamos de um processo de discussão pública e transparente. Sabemos que as dificuldades são imensas. Mas, se formos capazes de nos livrarmos dos nossos fantasmas e avançarmos na discussão vamos conseguir alcançar um entendimento”, acredita.
Ao final de sua fala de abertura, Franklin Martins desafiou aos presentes a perguntarem aos palestrantes se o fato de haver regulação em seus países provocou algum entrave à liberdade de imprensa ou à liberdade de expressão.
As posições expressadas pelo ministro da Secom são importantes e convergem em grande medida com o pensamento dos movimentos que têm insistentemente lutado pela democratização das comunicações no Brasil. O debate que se desenvolveu no processo da 1ª Confecom tinha exatamente o mesmo sentido: é preciso regular o setor de comunicação, a luz do que já propugna a Constituição, e é preciso construir políticas públicas que garantam a pluralidade e a diversidade comunicacional no país.
É pena que estas posições estejam sendo mais abertamente colocadas apenas no final do mandato do presidente Lula. Claro, resta a expectativa de que o novo governo se comprometa com essa importante agenda política e dê sequência aos debates que se originaram lá na Confecom.
Franklin Martins parece estar otimista neste sentido. Ele afirmou estar convencido "que a área de Comunicação no governo Dilma terá mais ou menos o mesmo tratamento que foi dado à área de energia no início do governo Lula. Criou-se um novo ambiente regulatório e se criou uma situação favorável para o crescimento da economia". Vamos ver.
O importante é que o atual governo compartilhe com a sociedade, o mais rapidamente possível, o que está elaborando como subsídios para o novo marco regulatório, permitindo que haja espaços de interação para a apresentação da versão final a ser submetida ao debate público.
O debate não vai ser fácil. Vamos ver quais são os setores que conseguirão exorcisar mais rapidamente os seus fantasmas

Altamiro Borges: Regulação de mídia e exorcismo

Weissheimer: Os fantasmas no sótão da velha mídia

Viomundo - O que você não vê na mídia
Luiz Carlos Azenha
11 de novembro de 2010 às 13:43

Franklin Martins, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, abriu o Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias com uma observação que justificou o título do encontro. A convergência de mídias é um processo irreversível e já faz parte da vida cotidiana.

Por Marco Aurélio Weissheimer, na Carta Maior, via Vermelho

Um telefone celular não é mais meramente um telefone. Tornou-se também um meio para acessar internet, rádio e televisão. Essa convergência de tecnologias e meios de comunicação em um pequeno aparelho abre novas possibilidades para a comunicação humana, mas essas possibilidades vêm acompanhadas de problemas. Boa parte desses problemas é causada por conflitos de mercado entre os diferentes setores que fazem da comunicação seu bezerro de ouro.

No Brasil, alguns desses setores reagem fortemente ao debate sobre a necessidade de regular esse novo mundo tecnológico, social e econômico, que já é uma realidade. Essa reação aparece revestida por um verniz ideológico que vê na ideia da regulação uma tentativa de censurar e controlar a imprensa. Isso é uma bobagem, disse Franklin Martins. E é mesmo. Não é difícil mostrar.

O Brasil acaba de sair de um duro processo eleitoral onde, em um determinado momento, entidades empresariais do setor das comunicações e seus respectivos veículos ensaiaram uma mobilização nacional contra perigosíssimas ameaças à liberdade (de imprensa e outras) que estariam pairando sobre a vida democrática do país. O motivo? Uma crítica feita pelo presidente da República à cobertura sobre as eleições. Houve alguma censura por parte do governo? Nenhuma.

Houve, de fato, dois episódios de cerceamento à liberdade de expressão na campanha este ano: um praticado pelo jornal O Estado de São Paulo, que demitiu a colunista Maria Rita Kehl por não tolerar a opinião dela publicada em suas páginas; e o outro praticado pelo jornal Folha de S.Paulo que entrou na Justiça para tirar do ar o site Falha de São Paulo, que fazia uma paródia às capas e manchetes da publicação.

Esses jornais e outros veículos da chamada grande imprensa seguem repetindo mantras ultraconservadores contra um debate que já foi feito na imensa maioria dos países apontados por eles mesmos como exemplos de liberdade de modernidade. Mas por trás de todo esse conservadorismo, há uma razão mais pragmática: o avanço das empresas de telecomunicação sobre o mercado da radiodifusão.

Só esse dado mercadológico já justificaria um interesse mais positivo do setor de radiodifusão no debate da regulação. Franklin Martins falou sobre isso ao saudar os participantes do seminário. O faturamento das teles hoje é aproximadamente 13 ou 14 vezes maior que o da radiodifusão. Sem regulação, a radiodifusão vai ser atropelada por uma jamanta, resumiu o ministro. E as grandes empresas do setor sabem disso.

A Folha de S.Paulo publicou um editorial, dia 15 de novembro de 2009, defendendo a restrição, em 30%, da presença de capital estrangeiro nos portais de notícias no Brasil. A proposta também é defendida pelas principais entidades do setor: Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e Associação Nacional de Jornais (ANJ).

A posição defendida por essas entidades oferece, na verdade, argumentos em defesa da necessidade de um novo marco regulatório para o setor. Para elas, a restrição ao capital estrangeiro, previsto no artigo 222 da Constituição Federal, aplica-se a qualquer negócio que explore conteúdos, independentemente do meio utilizado, seja TV, rádio, jornais ou a internet.

“Práticas desleais na internet colocam em risco as bases que permitem o exercício da imprensa independente no país”, protestou a Folha no editorial, acrescentando: “Quando um país como o Brasil admite um oligopólio irrestrito na banda larga – a via para a qual converge a transmissão de múltiplos conteúdos, como TVs, revistas e jornais – alimenta um Leviatã capaz de bloquear ou dificultar a passagem de dados atores que não lhe sejam convenientes”.

“Nossa legislação é um cipoal de gambiarras”

Do ponto de vista dessas empresas, portanto, o debate sobre um novo marco regulatório para o setor envolve, sobretudo, uma disputa de mercado com as grandes corporações do setor de telecomunicações. Mas essa agenda não se resume a uma questão de mercado. Há interesses públicos em jogo – como o direito à uma informação de qualidade que contemple a diversidade cultural e política do país – que vem sendo bloqueados pela intransigência do grande capital privado do setor.

Para quem ainda tinha alguma dúvida, a dimensão pública do tema ficou evidenciada nos relatos das experiências de países como França, Inglaterra, Espanha, Portugal, Argentina e Estados Unidos. A existência de um marco regulador na área da comunicação é hoje um indicador da qualidade da democracia de um país.

O Brasil ainda engatinha nessa área. A nossa legislação de telecomunicações, lembrou Franklin Martins, é absolutamente ultrapassada, remontando a 1962, “quando havia mais televizinho do que televisão”. Essa legislação é hoje um “cipoal de gambiarras”, ilustrou o ministro. Ele deu outro exemplo: “Todos nós sabemos que deputados e senadores não podem ter canal de televisão. E todos sabemos que têm. O que vamos fazer?”

Os conferencistas internacionais contaram o que seus países fizeram e seguem fazendo para proteger e incentivar a produção independente nacional e regional, para evitar a concentração de propriedade ou para defender crianças e adolescentes de publicidades de bebidas e medicamentos, apenas para citar alguns conteúdos. Propostas estas que seguem enfrentando forte resistência no Brasil.

Uma resistência alimentada por preconceitos e fantasmas arrastando correntes, na imagem adotada pelo titular da Secretaria de Comunicação Social do governo brasileiro. “Só um debate público transparente afasta os fantasmas. Queria convidar todos a deixar os fantasmas no sótão. É lá que devem ficar”. Trata-se de um debate irreversível, repetiu, fazendo uma previsão: “Estou convencido que a área da comunicação no governo Dilma terá o mesmo tratamento que a área de energia teve no primeiro governo Lula”.

Os primeiros meses de 2010 dirão se a previsão poderá ser realizar ou não. O que parece certo é que dificilmente a velha imprensa conseguirá bloquear esse debate usando seus fantasmas empoeirados a acenar com a ameaça da censura, ameaça esta que só vem se materializando nas suas próprias redações.

Weissheimer: Os fantasmas no sótão da velha mídia | Viomundo - O que você não vê na mídia

Brasil Nova Era:


Terrorismo midiático e meios alternativos

Blog do Miro
Altamiro Borges
quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Reproduzo artigo de Carlos Aznares, editor do boletim Resumen Latinoamericano, apresentado no III Encontro Civilização ou Barbárie, realizado em Serpa (Portugal), final de outubro:
Os povos da América Latina e do resto do Terceiro Mundo estão suportando uma ofensiva de terrorismo mediático que visa não apenas manipular e desinformar o público em cada um dos aspectos político-económico-culturais que se produzem nos respectivos países, como em muitos casos - Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia, Colômbia, Palestina, Irão, Líbano, para citar os mais conhecidos – gera iniciativas desestabilizadoras e aposta forte na guerra contra os movimentos populares e os processos revolucionários.
Os meios de comunicação - a grande maioria deles - representam hoje uma das principais colunas do exército de ocupação que a chamada globalização encetou em todo o Terceiro Mundo. Corporação privilegiada e geralmente bem recompensada por aqueles que, desde Washington, construíram tanto a táctica como a estratégia intervencionista, os meios de comunicação cooperam para produzir opiniões desfavoráveis quando se trata de minar as bases de países que estão tentando construir uma alternativa independente ao discurso único e esforçam-se para dar cobertura à repressão, à tortura, ao assassinato, às prisões indiscriminadas, à guerra desigual entre opressores e oprimidos, no resto das nações do mundo.
Não é difícil para a os meios de comunicação (em geral autênticos holdings informativos, agrupando agências de notícias, rádios, TVs e cadeias de jornais numa única rede) “construir a notícia” que ajude a maquilhar as realidades de pobreza e corrupção em que vivem os nossos povos, ou criar redes golpistas para derrubar os líderes populares.
Eles são os que falam de “guerra entre dois bandos” quando se referem aos movimentos de libertação nacional, que enfrentam governos de carácter opressor e fascista. Ou “narco-guerrilha” para desacreditar a luta genuína da resistência colombiana contra uma ordem estabelecida há dezenas de anos e que mergulhou o país numa situação de extrema pobreza e desesperança.
São esses “meios assépticos e independentes” que reivindicaram o primeiro Plano Colômbia, depois o Plano Patriota e agora comungam das políticas pró-imperialistas de Juan Manuel Santos. Além disso, aplaudem as suas actividades militaristas e devastadoras para os sectores populares e do campesinato da Colômbia, e não fazem nenhuma menção das bases ianques no país.
Estes meios de comunicação e as suas sociedades de empresários como a SIP, estiveram e estão à cabeça da campanha em curso de assédio (e tentativa de derrube) contra governos como os de Cuba, Venezuela, Equador, Nicarágua e Bolívia. Daí que o que para todos significava uma agressão brutal contra a soberania de um país vizinho (como foi o bombardeio e massacre praticado pelo governo de Álvaro Uribe contra o território do Equador e os combatentes das FARC) para a parceria dos media manipuladores da realidade, não era mais que “uma atitude de auto-defesa da Colômbia frente á agressão do eixo terrorista Farc-Venezuela-Equador”.
O mesmo acontece quando esses profissionais da perversão mediática falam sobre a Palestina ocupada e criam matrizes de opinião demonizando a resistência em Gaza, apoiam o bloqueio contra o povo deste território e encorajam as falsas negociações entre o sionismo, o governo dos EUA e os palestinos ”politicamente correctos” da ANP.
Eles não hesitam, conforme as instruções da sua casa matriz pentagonal, em acusar com falsidades a Revolução Bolivariana, como desde sempre fizeram com Cuba. E para isso usam a média nacional e internacional, que desde o dia em que o comandante Hugo Chávez tomou posse em 1999, começou a estigmatizar a sua proposta de mudança real, para logo utilizar todos os meios para atingir esse objectivo, desde o golpe de estado criminoso de Carmona e seus sequazes, do golpe do petróleo pró-EUA do final de 2002, da entrada dos paramilitares e pistoleiros a partir da Colômbia, até ás manobras de escassez, ou a pregação constante dos altos comandos da ofensiva imperialista, tentando gerar o clima de que a Venezuela é um santuário de “terrorismo internacional”, como tem afirmado o staff dos EUA de Bush até Obama.
Sem dúvida que os chamados defensores da liberdade de expressão (de negócios, para sermos mais exactos), se incomodam com o processo revolucionário por acabar arrancando as raízes do discurso explorador da oligarquia venezuelana. Preocupa-os até à irritação que o bolivarianismo tente desenvolver - contra ventos e marés - uma política de transformação e valorização para os sectores que foram submersos na pobreza nos últimos 40 anos de “democracia representativa”, e propague essas ideias no continente através de uma política externa - que junto com a de Cuba - dá prioridade ao Movimento de Países Não-Alinhados, aos povos que lutam pela autodeterminação, aos que não se ajoelham diante da hegemonia imposta pelos Estados Unidos.
Se existe um exemplo que sempre permanecerá no manual da contra-revolução informativa e do terrorismo mediático na Venezuela, será o papel desempenhado pela comunicação social durante o golpe de Estado de Carmona e seus aliados ianques e espanhóis, bem como a campanha pela não renovação de licença da golpista RCTV. Ambos conseguiram, por obra e graça da imediata reacção “em cadeia” (para usar uma palavra que provoca tanta comichão á oposição venezuelana reaccionária) uma grande rede de comunicação internacional. Entre os nacionais e os estrangeiros geraram uma matriz de opinião na qual o governo mais vezes votado do mundo aparecia como uma ditadura cruel e despótica. Que se recorde, a indústria mediática conseguiu aqui um dos seus parâmetros mais elevados de impunidade, só superada pela campanha de Bush e seus jornalistas, ao denunciar a presença de armas nucleares para justificar a invasão do Iraque.
São estes meios integrantes da SIP que fizeram a campanha contra o governo venezuelano quando este decidiu a renovação do seu armamento e montaram “o show das Kalashnikov” ou dos aviões russos, alertando o mundo para que “as armas da Venezuela podem acabar nas mãos das FARC“. Insistiram em seguida, nas páginas de seus diários e nas suas redes de televisão, que Hugo Chávez tinha desprestigiado o monarca espanhol e seu espadachim Zapatero, contando ao contrário uma história que todos pudemos ver em directo em que o rei não só quis mandar calar Chávez, como nos quis injuriar como povos e nações que, mal ou bem, nos temos emancipado do império espanhol.
Havia que ouvir ladrar os mastins do “El Pais” espanhol, naqueles dias, esboçando cenas inexistentes em que o presidente venezuelano aparecia como agressor, irreverente ou ditador. O jornal e seus jornalistas são os mesmos que geralmente amparam um outro inquisidor chamado Baltasar Garzón, e juntos, aplicam as mesmas técnicas de terrorismo mediático contra qualquer coisa que cheire a resistência basca e a um desejo imparável de independência de seus conquistadores francês e espanhol que esse povo tem há centenas de anos.
São estes média “livres” que aguçam a sua sagacidade na hora de descobrir traços de fascistização “ou” cubanização ” (como acharem mais adequado ao discurso difamatório) em governos populares, e nunca verem o social, como é a campanha de alfabetização, efectuado por Cuba, Venezuela e Bolívia, em países onde antes desses processos, as crianças, os jovens e os velhos, tinham sido sempre tratados como cidadãos de quarta classe.
São eles, agitadores do terrorismo mediático, os que ironizam grosseiramente com os levantamentos indígenas ou apostam no camaleonismo quando nos vendem a imagem descafeinada de um eleito ligado à repressão e à narco-politica, e, num futuro não muito distante, quando chegar a hora da mudança ordenada pela estratégia imperial, não hesitarão em trazer à luz os múltiplos assassinatos que agora defendem. Já o fizeram com Fujimori e Montesinos no Peru, ou Pinochet e Videla na Argentina. Trabalham hábil e subtilmente sobre o subconsciente dos leitores e telespectadores para o esquecimento ajudar a completar a tarefa que eles impõem.
Disfarçam as suas “notícias” (muitas vezes comunicados textuais do Departamento de Estado ianque) salientando a participação da “sociedade civil” (um conceito de que também se apropriaram) na “rejeição” dos resistentes e rebeldes do Terceiro Mundo, ou carregam as tintas sobre “a resistência indígena” a que maquiavelicamente gostam de chamar “actores armados”, coincidindo neste conceito com algumas ONGs europeias, que também funcionam como novos aliados da estratégia imperial no continente.
A mesma estratégia, de Cuba á Palestina
Esta ofensiva terrorista mediática colocou desde sempre na mira dos seus canhões Cuba socialista, por resistir ferreamente ao criminoso bloqueio dos EUA. São os meios de comunicação ocidentais - mais uma vez, “El País” espanhol na primeira linha de combate – os primeiros a aderir a uma penetração em Cuba, como fazem com qualquer outra nação, com a ideia de encontrar ”dissidência“, onde só há terrorismo anti Cuba, ou “violações dos direitos humanos”, quando se pune - como não faz quase nenhum dos países do continente - a corrupção, o banditismo ou a violação grave das medidas que afectam a segurança de um país atacado pelo exército mais poderoso mundo.
Foram essas matrizes de opinião, que geraram, por exemplo, na Argentina, a ideia de que o governo cubano “torturava” a médica contra-revolucionária Hilda Molina e a “condenara” a não poder deixar o seu país. Tanto insistiram nessa campanha, que conseguiram que o governo de Néstor Kirchner se “solidarizasse” de tal maneira, que gerou uma campanha de pressão contra Cuba. O resultado é conhecido: Hilda Molina deixou a ilha e estabeleceu-se na Argentina, de onde produz uma catadupa constante de insultos contra o governo e o povo que lhe permitiram obter os conhecimentos de que hoje goza.
Além do que já foi dito sobre a fúria do terrorismo mediático contra a Palestina, é necessário mencionar a bateria de mentiras construídas no calor da invasão sionista do Líbano e a campanha de criminalização permanente contra o Irão, por querer desenvolver uma política nuclear soberana. Neste último caso, a campanha tem sido brutal. O Irão tem sido demonizado desde o momento em que se deu a Revolução Islâmica liderada pelo Imã Khomeini e que estudantes persas ocuparam a embaixada dos EUA e desmascararam a central da CIA que lá funcionava.
Em seguida, para assinalar apenas um exemplo na América do Sul, acusou-se o Irão e o seu governo de ter tido uma participação activa no atentado à AMIA. Todos os meios de comunicação comercial argentinos (inclusive os que se definem como “progressistas”) clonaram um discurso de criminalização, que foi elaborado nas centrais sionistas. A isso se juntou o governo e se concluiu que, na prática, a Argentina não só rompeu os laços diplomáticos com o Irão, como o considera - em conjunto com os EUA e Israel - um inimigo a abater.
Poucos proprietários de imprensa e muita influência
Centenas de milhões de norte-americanos, latino-americanos e cidadãos de todo o mundo são consumidores diários, directa ou indirectamente, das informações e produtos culturais das holdings AOL/Times Warner, Gannett Company, Inc., General Electric, McClatchy Company/Knight Ridder, News Corporation, New York Times, Washington Post, Viacom, Vivendi Universal e Walt Disney Company, os proprietários dos média mais influentes dos EUA.
Os dez grupos controlam por sua vez os jornais nacionais de grande circulação nos EUA como o New York Times, USA ToDay e Washington Post, centenas de estações de rádio e quatro programas de televisão de notícias de maior audiência: ABC (American Broadcasting Company, Walt Disney Company), CBS (Columbia Broadcasting System, Viacom), NBC (National Broadcasting Company, companhia de transmissão da General Electric) e Fox (News Corporation).
Como bem define o jornalista Ernesto Carmona, os que comandam estes meios adquiriram uma parcela significativa de poder que não emana da soberania popular, mas do dinheiro, e corresponde a uma intricada teia de relações entre os meios informativos e de comunicação e as maiores corporações multinacionais dos EUA, como a petrolífera Halliburton Company, do vice-presidente Dean Cheney, o Grupo Carlyle, que controla os negócios da família Bush; o fornecedor do Pentágono Lockheed Martin Corporation, a Ford Motor Company, o Morgan Guaranty Trust Company of Nova York, Echelon Corporation e a Boeing Company, para citar alguns.
Todas estas grandes transnacionais da imprensa têm os seus tentáculos em todos os países da América Latina, onde outras holdings manobram de modo maioritário na disseminação de notícias na imprensa, rádio, televisão, agências e até mesmo telemóveis.Para dar um exemplo: no México operam duas redes poderosas, uma dominada pela Televisa, da família Azcárraga e vinculada ao Grupo Cisneros, da Venezuela, também proprietários de meios de comunicação e uma das maiores fortunas do mundo, e a Azteca América, de Ricardo Salinas Pliego e seus parceiros Pedro Padilla Longoria e Luis Echarte Fernandez, ambas com investimentos nos EUA.
Também o Grupo Prisa, que detém o jornal espanhol “El Pais” tem meios de comunicação na América Latina, associado no México á Televisa, e proprietário da poderosa Rádio Caracol da Colômbia, e outras estações no Peru, Chile, Bolívia, Panamá e Costa Rica.
Jornalistas ou porta-vozes das corporações?
Em cada um destes anéis de terrorismo mediático está também a mão, a caneta e a imagem de um esquadrão de homens e mulheres que, sob a fachada de uma profissão venerada (pelo menos para aqueles que ainda acreditam nela), como é a de ser jornalista, também colaboram e são cúmplices da ofensiva das empresas que os empregam. A metáfora do cão submisso que lambe a mão do dono é repetida em todo o mundo para ilustrar esse comportamento.
Que outra coisa foram esses homens e mulheres “da imprensa” a marchar “engatados” aos exércitos invasores do Iraque ou no Afeganistão? Ou os que diariamente, como dignos cães fraldiqueiros da SIP, escrevem colunas, inventam histórias difamatórias, criam a opinião a favor dos exploradores, em jornais como Clarín e La Nación, da Argentina, El Tiempo, da Colômbia, El Universal, do México, para citar só alguns, ou que lutam como contra-revolucionários em grande parte da imprensa da Venezuela anti-Chávez?
O escritor chileno Camilo Taufic definiu o jornalista como um ”político em acção“, independentemente de se escudar num “confuso apoliticismo”, era na verdade parte da acção política do Estado - imperial, poderíamos acrescentar - entendida no seu sentido mais geral: “A participação nos assuntos do Estado; a orientação do Estado; a determinação das formas, das funções e do conhecimento da actividade estatal; a atividade das diferentes classes sociais e dos partidos políticos (…) Os jornalistas são portanto, políticos e até mesmo políticos profissionais”. E ainda: “A política não é mais que uma manifestação específica da luta de classes, a sua mais geral, e os jornalistas, enquanto activistas políticos não estão à margem desta luta, mas imersos nela e ocupando posições de liderança “.
Segundo o pesquisador basco Iñakil de San Gil Vicente, “este critério definidor da política - abordagem marxista, é claro - permite entender a natureza política da indústria mediática, embora, aparentemente, à primeira vista, essa indústria não se sente directamente nos bancos no parlamento ou nos quartéis das tropas imperiais.”
No entanto, em alguns casos, os decisivos, esta indústria é que faz eventualmente pender a balança do poder em favor de, por exemplo, o neo-fascista Berlusconi, dono de poderosos meios de manipulação, que pode voltar à presidência do governo italiano, apesar das evidentes provas de corrupção. Em outros casos, por exemplo, nos EUA, a fusão entre o dinheiro, a política e a imprensa é absoluta e somente “os candidatos ricos, podem pagar imensas quantidades de dinheiro em campanhas políticas, que alguns observadores têm vindo a calcular em mais de um milhão de dólares por dia, como a despesa média dos candidatos democratas Hillary Clinton e Obama, no início de Março de 2008, quando ainda faltavam muitos meses para a eleição presidencial.
São esses mesmos jornalistas que na segunda-feira comem pela mão da máfia anti-cubana e anti-venezuelana em Miami, e na quarta-feira se ajoelham frente ao lobby sionista que lhes escreve os scripts para garatujar diatribes contra a direcção do Hezbollah ou inventar mentiras sobre centrais nucleares do Irão.
Tropeçando na SIP
A Sociedade Interamericana de Imprensa é mais do que uma corporação de empresas jornalísticas, é uma autêntica fortaleza emblemática do terrorismo mediático contra os países que hoje enfrentam o imperialismo. Desde sempre os capitães da SIP compram, vendem, divulgam, transmitem ou publicam “informação” conveniente ás leis do “mercado” e de seus interesses de casta e de classe.
Desde a era do tirano Fulgêncio Batista em Cuba (onde o SIP nasceu em 1943) até hoje, não houve nenhum déspota, golpe de Estado, ou intervenção militar dos Estados Unidos que não recebesse o apoio do SIP; 65 anos de ignomínia que as paredes da América Latina foram capazes de resumir mais de uma vez com a irónica frase “a imprensa diz que chove.”
Não será por acaso que a sua sede central em Miami tem o nome de Jules Dubois, aquele sórdido funcionário da CIA que estabeleceu os seus princípios e doutrina e que a refundou em 1950 juntamente com outro homem do Departamento de Estado, Tom Wallace.
Também não pode causar surpresa, ao mergulhar na história da SIP, descobrir o seu apoio incondicional à estratégia de intervenção dos EUA, ao macarthismo e ao anticomunismo selvagem e á reivindicação, em cada um dos meios de comunicação que fazem parte do seu império, do liberalismo económico e a demonização das organizações populares.
Jornais como o El Mercurio (Chile), “Clarín”, “La Nación” (Argentina), “El Universal” (México), “El Nacional” (Venezuela), “El Pais (Uruguai), o ABC Color (Paraguai ), “O Globo” e “Estado de São Paulo (Brasil), foram e são cúmplices das políticas mais reaccionárias do continente.
Com este fundamento doutrinário, ligado ao apoio de governos autoritários, ditatoriais, ou praticantes da democracia “representativa” que efectivamente cortam a liberdade de opinião, os mandantes da SIP, agora dirigida por Earl Maucker, que também é vice-presidente do South-Florida Sun-Sentinel, com sede em Fort Lauderdale, Estados Unidos, incriminam Cuba e Venezuela para dar alento aos desestabilizadores internos e externos.
Tocar a reunir e passar á ofensiva
Face a estas atitudes que às vezes parecem impossíveis de enfrentar e muito menos superar, levantam-se milhares de expressões mediáticas, de perfil diferente das anteriores, com os pés plantados nas ruas dos marginalizados, daqueles que nunca deixam de lutar pelos seus direitos mais básicos, dos que defrontam por todos os meios e formas as atrocidades cometidas pelo capitalismo. São os meios alternativos, aqueles que nasceram em condições precárias e vão desenvolvendo, paciente, mas efectivamente, tarefas de pequenas formigas frente aos gigantes da desinformação.
A primeira conclusão a tirar deste desigual confronto entre os meios populares e os que abertamente jogam no campo de quem oprime a maioria, é que “a única batalha que se perde é a que se abandona". Nós podemos. Claro que podemos ajudar o nosso povo a estar melhor informado sobre as suas realidades. E, embora o factor económico seja muitas vezes de uma influência decisiva para desencorajar aqueles que se lançam neste combate, também é verdade que o talento e a sabedoria da gente de baixo sempre soube substituir o poder do dinheiro, com elementos surgidos da própria história de nossas lutas.
Para lidar com um discurso mentiroso, manipulador e traiçoeiro, para gerar os mecanismos que sirvam para combater esse terrorismo mediático que hoje denunciamos, valem todos os meios ao nosso alcance: desde expressar as nossas opiniões sobre o branco das paredes ou muros com que burguesias indígenas tentam demonstrar que “tudo está bem”, até ir construindo, como fazemos todos os dias e desde sempre, os nossos próprios meios de comunicação, oral, escrita, ou na melhor das hipóteses, televisiva.
Nesse sentido, há momentos em que se podem fazer progressos muito significativos por obra e graça de leis libertadoras no que diz respeito aos meios de comunicação. Esse é o caso recente da Argentina, onde, pela pressão popular de centenas de assembleias de comunicadores, de muitos locais onde foram apresentadas propostas de uma nova lei de imprensa, que anulasse a velha legislação da ditadura militar, se alcançou essa possibilidade, que há menos de um mês se aplica em todo o país.
Desta forma se pode lutar para acabar com a ditadura mediática do monopólio do jornal Clarín e seus aliados, bem como denunciar a sua aberta conivência com o genocídio militar de 76 a 83. Esta batalha pode assestar um duro golpe no monopólio em relação à sua propriedade de papel de jornal, que lhe permitiu durante décadas colocar-se em posição vantajosa em comparação com outros meios jornalísticos.
Esta lei também irá permitir que os povos indígenas e as organizações populares possam aceder á capacidade de gerir os seus próprios meios, bem como legalizar as rádios e TVs comunitárias que têm surgido ao longo dos anos.
Outro exemplo importante do jornalismo popular é o dos nossos irmãos no Brasil, os companheiros do Movimento Sem Terra, que não só se têm afirmado em cada uma das suas ocupações e lutas pela Reforma Agrária, como estão também a levar a cabo uma vastíssima experiência de desenvolvimento cultural. Também o MST tem os seus próprios meios de imprensa, como o diário “Sem Terra” ou a revista de mesmo nome, além de estações de rádio locais que transmitem a voz e a obra deste gigantesco movimento que aglutina milhões de homens, mulheres e crianças.
Linha diferente representa a imprensa popular em Cuba. Apesar dos mil inconvenientes causados pelo bloqueio genocida, ao povo de Cuba nunca faltou durante meio século de revolução, a capacidade de receber informações através dos seus meios de comunicação, que circulam por todo o país por centenas de milhares de pessoas, sendo os mais populares “Granma”, “Juventud Rebelde”, “Trabalhadores” e a revista “Bohemia”.
Mas é precisamente nestes últimos anos, em que muitos derrotistas se juntaram ao discurso desestabilizador promovido por Miami, que a batalha para mais e melhor informação se intensificou. Assim, foi no contexto da luta para recuperação do menino pioneiro Elián González, sequestrado pela reacção anti-cubana e da nefasta política da administração dos EUA, que surgiram as Tribunas Anti-imperialistas e as Mesas Redondas na TV. Verdadeiros pilares de uma informação sem censura, que não só aumentou a resposta ao agressor, como foi desvendando minuciosamente o que realmente querem dizer as chamadas democracias do continente e do mundo.
Escusado será falar do papel desempenhado por Fidel Castro, pessoalmente, e a sua ideia de promover uma TV ao serviço da aprendizagem e a educação primária, secundária e superior.
O próprio Fidel tem sido, e é, um baluarte em relação à propagação de ideias, mas também em dar informações em primeira mão ao seu povo. Face a cada evento ocorrido na ilha, desde a introdução de elementos políticos que ajudem a aprofundar a revolução, á luta gigantesca pela liberdade dos cinco heróis cubanos ou alertando as pessoas sobre os riscos causados por um ciclone ou as alterações climáticas, Fidel sempre esteve lá para o transmitir em linguagem simples, pedagógica, jornalística. O mesmo se aplica às suas palestras sobre questões de alta política internacional. Cuidadoso a dar detalhes, as fontes e as consequências de cada acontecimento que ocorre no mundo, o líder cubano colocou nas suas Reflexões do Comandante em Chefe e agora nas Reflexões do Companheiro Fidel, uma fórmula muito útil para que o povo e o mundo tenham o outro lado daquilo que normalmente mentem os mercenários dos oligopólios da imprensa.
Telesur, um olhar necessário
Neste árduo trabalho de contra-informação, a Telesur passou a significar muito ar fresco dentro de tanta atmosfera contaminada. E neste pouco tempo de existência já deu bons sinais de que fazer ouvir outras vozes e disseminar informações que os meios convencionais escondem, serve para ir furando a pouco e pouco a parede do discurso único.
Muitos são os exemplos do que afirmamos, mas um, recente, serve para o demonstrar: as câmaras da Telesur chegando à área bombardeada por Uribe no território equatoriano invadido, a visão do massacre, as árvores queimadas pelas bombas, a destruição cometida, significaram uma sonora bofetada na cara do belicismo uribista que tentava mentir ao mundo sobre o que aconteceu: que não foi um ataque furtivo. Estas imagens serviram mais do que mil palavras para que o público tomasse conhecimento de quem era o Estado terrorista, o agressor, o violador e os que foram invadidos, atacados e assassinados.
Além disso, o papel desempenhado pela Telesur durante o golpe pró-ianque das Honduras, foi fundamental para incentivar a solidariedade com a heróica resistência do seu povo. Assim, aqueles que têm a sorte de aceder a este canal, podem inteirar-se, por simples dedução e comparação de textos e imagens, quanto e como nos mentem diariamente pela cadeia de terrorismo mediático.
No entanto, deve notar-se também que este esforço da Telesur, se faz em países que deveriam ser aliados naturais da cadeia, ou mesmo são parte dela. Por que acontece isso? Justamente porque nesses países também existem políticas oficiais a que não interessa que se denunciem os seus erros, corruptelas e acções repressivas. E nesse sentido, eles preferem aceitar a formalidade de que o canal de televisão venezuelano ocupe um pequeno espaço de emissão (em horários bastante inadequados) do que os respectivos povos tomem conhecimento do que acontece com as rebeliões e repressões que ocorrem no Terceiro Mundo.
São estes países do continente (muitos deles com governos auto-qualificados de “progressistas”) que não hesitam em dar prioridade a relações com canais internacionais como a CNN ou em renovar indefinidamente as licenças das empresas privadas que hoje manejam todos os meios de comunicação. Esses mesmos meios que escondem, desinformando, a realidade dos nossos povos.
A rádio da APPO
Quando centenas de milhares de homens e mulheres no estado mexicano de Oaxaca travaram uma incrível batalha para se livrar de um governador ditatorial que os reprimia e matava à fome, desempenhou um papel fundamental uma rádio que não só era capaz de relatar o que realmente estava acontecendo na rua, como agiu como um factor organizador do protesto popular. A rádio “Universidade “, mais conhecida por” A Rádio da APPO”, foi durante todo o período do conflito, a propagadora das denúncias contra a repressão, o sítio onde se concentraram milhares de comunicados de adesão à luta de rua, ou o lugar onde os núcleos populares de auto-defesa montavam guarda para proteger o equipamento de transmissão.
No entanto, o governo e seus núcleos para-policiais atacaram a estação diversas vezes, mas não conseguiram dominar o entusiasmo e empenhamento activo dos seus jornalistas, que escreveram, desta forma, uma página importante no que chamamos de acção directa contra-informativa.
Outra experiência de resgate é aquela que pratica o jornal “Voz” dos comunistas colombianos. Não é - como muitos poderiam pensar – de um órgão partidário típico, mas um meio de comunicação que tem vindo a tornar-se uma fonte indispensável de verdade, num país onde quase todos os grandes meios de comunicação social apostam no discurso opressor e nas difíceis circunstâncias actuais a pôr obstáculos para dificultar uma negociação de paz genuína, que como todos sabem, não significa que o bando de exploradores desista de aniquilar os explorados. Os trabalhadores de imprensa da “Voz” e o seu director, Carlos Lozano Guillén, foram ameaçados várias vezes, apenas por chegar com suas histórias e análises a todo o país, rompendo a rígida censura imposta pelos militares de Uribe.
Desta forma, trabalhadores, camponeses e organizações de direitos humanos sempre tiveram uma possibilidade de fazer ouvir a sua voz sem cortes. Por fim, destacamos a gigantesca tarefa que desempenham neste sentido de dar voz aos sem voz, os meios alternativos da Venezuela Bolivariana. Geradas em momentos difíceis e partindo de estruturas artesanais, receberam apoio fundamental para crescer na sua tarefa, do governo revolucionário e hoje são, sem dúvida, uma das principais fontes de informação para as grandes maiorias. O exemplo da Vive TV, Catia TV, rádio Al Son del 23, da Paróquia 23 de Janeiro, e centenas de jornais impressos - entre os quais está Resumen Latinoamericano, que nós editamos - significa um importante incentivo neste deserto desinformativo que suportam os nossos países na região.
São muitas as experiências em incubação, todas tão valiosas como as citadas. Todas tão vitalmente desafiantes perante a inundação de mensagens negativas e desmotivadoras que o poder produz para quebrar a nossa capacidade de levantar a cabeça. É evidente que não nos conformamos nem vamos dar o braço a torcer. Confrontados com o adormecedor discurso único, levantam-se milhares de palavras, gestos e palavras de ordem vertidas para o papel ou através do espaço de rádio e televisão para o denunciar e combater, através de informações precisas e da contra-informação.
Estamos convencidos de que não precisamos do dinheiro que a eles lhes sobra para fazer ouvir as nossas mensagens ou explicar o essencial do pensamento libertador latino-americano que tão bem resumiram o Libertador Simón Bolívar, Manuel Saenz, o general José de San Martín, Juana Azurduy, José Gervasio Artigas, os chefes dos povos nativos Tupak Katari, Quintin Lame, Bartolina Sisa, Guacaipuro ou nossos contemporâneos: Eva Perón, Francisco Caamaño Deno, Torrijos, Che Guevara, Fidel Castro e Hugo Chávez.
Enquanto houver a necessidade de responder e discutir, enquanto houver a possibilidade de informar e analisar, perante a doutrina do “Silêncio dos Inocentes”, continuaremos a opor a mensagem da imprensa popular, alternativa e de contra-informação, e por estas três razões, necessariamente revolucionária.

Altamiro Borges: Terrorismo midiático e meios alternativos

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O mundo encantado da revista Época

Blog Somos andando

Epa, li direito? Ali está escrito “Para Lula, a economia mundial foi uma poderosa aliada”? Claro, o Brasil surfou na marolinha da maior crise econômica mundial desde 1929 porque… Hein, crise? Que crise? A economia estava ó-te-ma!

Esse é o mundo de Época. O mundo que convém às Organizações Globo, grupo ao qual pertence. O grande erro é achar que o resto das pessoas também vive nesse mundo.

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E falam em isenção e compromisso com os fatos.

O mundo encantado da revista Época « Somos andando

Entrevista com Fernando Haddad

Brasilianas.Org
Enviado por luisnassif, qua, 10/11/2010 - 22:41

Falhas na aplicação do Enem não são significativas

O ministro da Educação, Fernando Haddad, declarou que não há preocupações quanto à proposta de anular o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), feita pela Juíza da 7º Vara Federal do Ceará, Karla de Almeida Miranda Maia. A jurista se baseia em falhas de impressão nos cadernos de cor amarela, que alteraram a ordem correta das questões e respostas de gabaritos e provas.

Em entrevista cedida a Luis Nassif, Haddad explica que o problema ocorreu em 21 mil dos 4,6 milhões de cadernos aplicados. Ainda assim, não significa que todos os 21 mil estudantes que realizaram o teste foram prejudicados pela inversão da ordem de questões entre gabarito e caderno de questões.

A organização do Enem tinha na ocasião 370 mil cadernos para substituir os 21 mil com falhas de impressão. Assim, os alunos que perceberam a quebra numérica das questões, levantaram a mão, puderam trocar de caderno.  Desde então, o número de prejudicados vem caindo, desde domingo, de 21 mil pessoas, para 2 mil na segunda. “Agora, o número está na casa de centenas”, completou.

O ministro também falou da possibilidade de uma nova provar ser aplicada aos alunos prejudicados, com igual grau de dificuldade dos testes aplicados no último fim de semana.

Acompanhe a entrevista na íntegra:

Luis Nassif – Em relação ao Enem, hoje fazendo um balanço, qual o percentual de provas que apresentaram problemas?
Fernando Haddad – O percentual que apresentou problemas é o mesmo, que são aqueles 21 mil cadernos em 4,6 milhões. Quer dizer, um percentual muito reduzido. Mas esse percentual é muito menor porque nós tínhamos 10% de reserva técnica, que no caso de um quarto das provas de cor amarela representa 120 mil cadernos, mais a abstenção do dia, que foi de 25%, que dá outros 250 mil cadernos, nós tínhamos, portanto 370 mil cadernos para substituir os 21 mil com falha de impressão.

Ou seja, bastava o aluno, assim que percebeu uma quebra numérica das questões, levantar a mão e fazer o que qualquer aluno faz nesses casos quando percebe que a impressão gráfica está com problemas, requerer um caderno novo. E aí teria disponível.

Por isso que esse número vem caindo desde domingo. Nós saímos domingo preocupados com a possibilidade de 21 mil pessoas terem sido prejudicadas. Esse número caiu para 2 mil na segunda feira, porque nós começamos a receber os relatos dos fiscais de prova. E agora o número está na casa das centenas.

Então, nós vamos fechar esses números nos últimos dias, mas o relato que nos chega da ponta, e todo dia é processado um lote, é de que é mínimo o número de estudantes que não conseguiram trocar o caderno com a falha de impressão por um caderno sem falha de impressão e realizar sua prova normalmente.

LN – Teve o problema dos cadernos, e teve também o problema do gabarito?
FH - Não, não. Ali não é essa questão. É que alguns alunos, e alguns fiscais de prova, estamos apurando isso também, porque é mais fácil de resolver... Há fiscais de prova que orientaram os alunos à preencher o gabarito na ordem inversa, em função do cabeçalho. Esses alunos, o único pedido deles, é que a prova seja corrigida da forma como eles preencheram. Então basta ele informar, no portal do MEC que ele preencheu o gabarito na ordem inversa por recomendação do fiscal.

Como todo mundo da sala fez o mesmo, ou uma boa parte dessa sala fez o mesmo, nós vamos saber onde o problema ocorreu. Isso ocorreu muito restritamente, aí o fiscal vai firmar a informação, e a correção vai ser feita da maneira como o aluno preencheu.

Esse é um problema menor porque você automatiza a informação. O aluno entra no site, informa. Você junta os requerimentos por sala, consulta o fiscal, valida e faz a correção na ordem correta. Esse é o problema menos preocupante no momento. O problema é que está sendo processado com mais rapidez, porque ele exige uma reaplicação da prova... é um problema relativo a impossibilidade de troca da prova porque a reserva técnica e as provas dos que abstiveram de participar não foram suficientes  - em um caso ou num outro - para repor todas as provas afetadas pelo erro da gráfica. 

LN – E são esses os casos que você diz que estão no caso das centenas?
FH – [Sim]... no caso das centenas.

Provas iguais

Grupos prejudicados poderão fazer 2º Enem

Em entrevista a Luis Nassif, o ministro da Educação, Fernando Haddad, lembrou que não é novidade a aplicação de uma segunda prova do Enem.

Todos os anos, a organização do exame produz duas provas, de igual nível de dificuldade, caso haja necessidade de aplicar uma segunda bateria de avaliações em grupos que, por força maior, como problemas da natureza ou falha humana, não puderam realizar o teste.

“O ano passado, por exemplo, houve uma inundação em duas cidades do Espírito Santo. Os alunos ficaram absolutamente impossibilitados de fazer a prova. E, um mês depois, nós reaplicamos o Enem, nessas duas cidades, para todos os estudantes prejudicados”, contou Haddad.  

O ministro destacou que a liminar apresentada pela Juíza da 7º Vara Federal do Ceará, Karla de Almeida Miranda Maia, que suspende o Enem em todo o país, será facilmente caçada baseando-se no argumento da Teoria da Resposta ao Item (TRI).

Desenvolvida nos Estados Unidos, na década de 60, a TRI é um sistema que ajuda a formar um banco de questões (itens) de diferentes níveis de dificuldade. A partir desse banco, tem-se um número de questões para formular provas distintas, mas com mesmo valor de comparação. Portanto, nele é possível realizar mais de uma prova por ano em diferentes grupos, produzindo o mesmo resultado de avaliações.

O SAT [Scholastic Assessment Test] americano, por exemplo, conta atualmente com um banco com mais de 140 mil itens. Suas provas são aplicadas sete vezes ao ano.

Acompanhe a entrevista na íntegra:

Luis Nassif – E a questão da Juíza do Ceará?

Fernando Haddad – A Juíza, como uma boa parte dos juristas, está conhecendo pela primeira vez a chamada Teoria da Resposta ao Item. O que vem a ser essa teoria que tem mais de cinqüenta anos nos Estados Unidos? Você já deve ter ouvido falar do SITamericano [School for International Training], que é aplicado sete vezes ao ano. O TOEFL [Test of English as a Foreign Language] também um exame americano muito conhecido. Você agenda a aplicação do TOEFL, e ninguém faz a mesma prova no TOEFL, embora saia com um boletim com um score comparável a qualquer pessoa. Ou seja você faz provas diferentes, mas o seu score é comparável com qualquer outro score de outro boletim.

Essa tecnologia educacional foi desenvolvida nos anos 60, chama Teoria de Resposta ao Item, e o Brasil importou essa tecnologia em 1995 e toda a avaliação educacional no Brasil é baseada nela. Ou seja, admite a comparação no tempo de provas diversas.

LN – Agora, ministro, se tem essa possibilidade, qual é a sua avaliação entre a alternativa de um exame único, ou vários exames distribuídos ao longo do ano?

FH - O ideal é, a partir do momento que o INEP tiver um banco de itens robustos... Porque, o que essa tecnologia exige? Exige que toda a questão de prova seja pré-testada pra que seja atribuída a ela um coeficiente de dificuldade. Eu tenho que pré-testar a questão em ambiente seguro, reservado, para eventualmente utilizar essa questão numa prova. Então isso exige um banco de itens, porque esse banco de itens pré-testados é que garante a comparatividade. Eu consigo compor uma prova com 180 questões com o mesmo nível de dificuldade.

O ano passado, por exemplo, a imprensa não noticiou, e nós pensamos que esse debate fosse acontecer em 2009. Porque em 2009 ocorreu, não uma falha humana, mas um evento da natureza. Houve uma inundação em duas cidades do Espírito Santo. Os alunos ficaram absolutamente impossibilitados de fazer a prova. E, um mês depois, nós reaplicamos o Enem, nessas duas cidades, para todos os estudantes que tiveram o seu boletim divulgado na mesma data dos que fizeram a primeira edição. Ou seja, tecnicamente falando, não há nenhum problema em você, pela TRI, Teoria de Respostas ao Item, você aplicar provas diversas pra grupos diversos que sejam comparáveis entre si.

LN – Essa decisão da Juíza pode atrapalhar em quanto?

FH – Até o momento, em nada. Porque o próximo evento do Enem é a divulgação dos resultados. Portanto nós temos, nesse momento, e durante os próximos dias, de domingo até terça, da semana que vem, os correios estão retornando os cartões de repostas para as centrais de digitalização desse material. Portanto, nesse momento não está ocorrendo nada. Os cartões de resposta estão em transito. Não há o que ser feito a respeito deles.

LN – Então dá tempo para, eventualmente, recorrer sem prejudicar a divulgação?

FH - Totalmente. Nós vamos entrar com recursos. E temos muita segurança em caçar essa liminar, justamente apresentando ao desembargador esse argumento, de que não se sustenta a ideia de quebra de isonomia pelo fato de ser uma prova diferente. Porque, se não fosse assim, o Enem do ano passado já não poderia ter sido realizado, porque teve que ter uma segunda edição. E terá, esse ano, por exemplo, antes de incidente, já tava prevista a edição dos presídios, que a Polícia Federal recomendou que fosse feito em dia diferente da prova geral, por uma questão de segurança.
Então, não é nenhuma novidade uma segunda prova. Já tava previsto no primeiro edital. O que nós vamos fazer, quando chegar ao Judiciário, é a informação de que o Enem é assim. E não pode ser de outro jeito, Nassif. Um exame com essa escala, ou é comparável no tempo, ou é impossível, tecnicamente. Porque, por força maior, caso fortuito, falha humana, você pode ter um problema.

Vou te citar um outro incidente que ocorreu, e não gerou nenhuma conseqüência. Um determinado caminhão levando provas, lá em Santa Catarina, caiu numa vala. E o baú caiu numa posição que impedia sua abertura. Se não fosse a presença de um guincho junto ao local, teria sido impossível para a escolta da Polícia Rodoviária, recorrer os malotes e levar para o local de prova. E aí, você cancela a prova inteira porque cinqüenta alunos não fizeram?

O que quero dizer é que não se compara o Enem com uma prova clássica, que ou todo mundo faz ao mesma, ou ele é anulado. A vantagem do Enem é que ele não precisa ser assim.

Vou citar um terceiro exemplo muito importante. Você tem essa discussão sobre o pagamento de bônus em São Paulo para professor para desempenho dos alunos, não tem? Esse pagamento do salário de professores, de bônus, só faz sentido se você comparar uma prova com outra e verificar que o aluno aprendeu mais na segunda prova do que na primeira. Quer dizer, não há como você aferir o aumento de proficiência, se as provas não forem calibradas e comparadas entre si. Não adianta dizer “essa prova é mais difícil que aquela”. Você tem que dizer o quanto ela é mais difícil que aquela. O que significa dizer que os itens têm que ser pré-estados pra que você calibre os itens antes da aplicação.

LN – Como você faz essa calibração? Como é avaliado a questão de ser mais ou menos difícil?
FH – São pré-testes que você marca com grupos de controle. Vamos supor, eu pego um banco de três mil itens. Vou a um grupo que já passou por um grupo de vestibular, está no primeiro ano de faculdade, por exemplo. E aplico esses itens com alguns já pré-testados, com alguns já do banco. E aqueles que não foram pré-estados eu calibro em função daqueles que já tiverem sido. Então, eu consigo com isso medir a dificuldade de cada item em relação a todos os demais do banco. Porque tenho uma escala que permite isso. Esses itens vão para o banco para serem usados um dia. Podem ser usados daqui a dois anos, cinco anos. No caso do SIT americano, eles têm um banco com 140 mil itens. E já existe nos Estados Unidos, por exemplo, a composição de provas por computador. O computador compõe a prova, de acordo com essa calibragem, e te oferece o SIT pra você fazer na tela, e você sai com seu boletim, no dia.

Informatização

MEC estuda uso de computadores em provas do Enem

Ministério da Educação quer desenvolver método para aplicar provas por computador nos próximos anos. Sistema poderá ser usado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Neste ano o Enem recebeu 4,6 milhões de inscritos, que realizaram a prova em nove mil locais e em 113 mil salas de aula. Como disponibilizar leptops a todos esses alunos em apenas um fim de semana por todo o Brasil?

Em entrevista dada a Luis Nassif, o ministro da Educação, Fernando Haddad, explicou que, no futuro, o exame terá as mesmas características de testes feitos nos Estados Unidos para provas como a do SIT (School for International Training ) americano, ou da TOEFL [Test of English as a Foreign Language].   

Essas instituições alimentam anualmente um banco de questões de diferentes níveis de dificuldade. Por esse motivo, o SIT americano aplica sete provas anualmente com a mesma qualidade de avaliação.

Logo, ao invés de ministrar uma única edição a 4,6 milhões de alunos, o exame poderá ser realizado duas ou mais vezes no ano, diluindo o número de inscritos para 2 milhões, ou menos. E, por fim, facilitando a logística de automatização dos testes.

Acompanhe a entrevista na íntegra:

Luis Nassif – Em quanto tempo vamos ter os alunos entrando numa sala tendo um computador, fazendo que nem no TOEFL, já fazendo um exame computadorizado?

Fernando Haddad – O primeiro desafio que nós temos é fazer mais do que uma edição por ano. Nós temos que partir rapidamente pra duas ou três edições por ano. Porque daí você dilui o número de alunos inscritos por edição. Então ao invés de ter 4,6 milhões, você vai ter 2 milhões de alunos por ano. E se você fizer mais de um evento, vai ter menos inscritos por evento. Isso é que vai permitir a informatização. Porque você não vai conseguir 4,6 milhões de laptops, por exemplo, num sábado e num domingo, disponíveis em nove mil locais de prova, em 113 mil salas de aula.

Então nossa primeira medida é essa. Só não fizemos isso ainda, este ano, por um problema grave que aconteceu no primeiro semestre, que foi o fato de um exame da ordem dos advogados do Brasil, aplicado pelo CESP, que o mesmo órgão da ONB que aplica o Enem, ter vazado. Não sei se você lembra, no primeiro semestre, do vazamento da fraude da prova da AOB.

Quando aquilo ocorreu, nós não sabíamos onde tinha sido o problema, se no CESP, na OAB, se no trânsito. Então, depois de um tempo, a Polícia Federal descobriu que foi... me parece pela informação que tive do presidente da OAB, ontem, da confirmação, é de que houve um suborno a um policial da Polícia Rodoviária. Mas, antes de saber disso, nós não tínhamos a segurança plena de que não pudesse ter ocorrido um problema interno no CESP. Então nós falamos “é um ano difícil, tem eleições e tudo. Vamos arriscar fazer um Enem, no primeiro semestre, sem saber se dentro do CESP havia qualquer problema ligado ao servidor?”.

Quando essa hipótese foi totalmente afastada, não havia problema interno nenhum ai CESP, nós contratamos o CESP e a CESGRANRIO para aplicar o Enem 2010.

IDH para Educação ajudará a comparar novas e velhas políticas

Países desenvolvidos terão mais dificuldades para melhorar suas condições no novo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para a Educação, desenvolvido pelas Nações Unidas, contou ao jornalista Luis Nassif, o Ministro da Educação, Fernando Haddad.

Após vinte anos as medições feitas para o setor educacional do IDH foram alteradas adotando agora duas variáveis para calcular o índice: uma relativa à escolaridade média de brasileiros com 25 anos ou mais, e outra que considera a expectativa de escolaridade média de crianças e jovens em idade escolar.

O ministro explicou que a nova metodologia revela os esforços recentes que estão sendo feitos pela educação no país, já que combina resultados.

O país tem atualmente uma média de escolaridade de 7,2 anos entre pessoas com 25 anos ou mais, e uma expectativa de escolaridade de 13,8 anos, entre crianças e jovens em idade escolar.

Acompanhe a entrevista na íntegra:

Luis Nassif - Bom dia, Ministro. Em relação ao IDH, eu vi uma explicação técnica sua no Bom Dia Brasil, eu queria entender direitinho a metodologia do IDH para a educação.
Fernando Haddad – O IDH foi alterado no que diz respeito à educação, depois de vinte anos. Recebemos a explicação da mudança muito tardiamente, e levou, evidentemente, algumas horas para compreender o calculo. Mas ele é até bem vindo.

Podia até ter outro nome, IDH Plus, IDH +, alguma coisa para distinguir do anterior. Mas, a novidade é que ele adota duas variáveis para a educação: uma variável relativa à escolaridade média de brasileiros com 25 anos ou mais.

Essa variável está olhando para o passado do país. Porque ninguém com 25 anos ou mais está na escola, certo?  O número com pessoas com 25 anos ou mais estudando na escola pública é mínimo em educação de jovens e adultos. Então ela está olhando para o passado do sistema de ensino.

LN – Antes não era assim?
FH – Não, antes era Alfabetização de Adultos e não Escolaridade. É até uma melhoria do indicador. Só que ele pesa negativamente para os países em desenvolvimento, porque enquanto o analfabetismo de adultos está caindo no mundo inteiro e no Brasil também, a escolaridade média, que é uma variável mais precisa, concorre contra os países como Índia, Brasil, China.

No que diz respeito ao outro indicador, é um indicador que olha para o futuro. Portanto, olha para o atual sistema educacional, que é a expectativa de escolaridade média das crianças, em que o Brasil se aproximou, velozmente, da média latino-americana. Enquanto, na primeira variável nós estamos muito aquém da média Americana. 

Então, como você avalia um país? Pela combinação das duas variáveis. Como você avalia um governo? Pela diferença das duas variáveis. Porque a diferença das duas variáveis é que dá a medida do esforço marginal, do esforço recente que está sendo feito pela educação.

LN – Então, já que o papel dos indicadores aí é justamente permitir avaliar avanços, houve alguma preocupação de se manter a série original do IDH, ou compatibilizar os novos indicadores, tentar pegar o histórico poder permitir uma melhor avaliação?
FH – Eles alteraram porque, na verdade, o IDH tradicional estava ficando um pouco sensível às mudanças. E como estava ficando um pouco sensível e estava todo mundo se ajustando muito por cima, ele [o indicador] começou não captar exatamente aquilo que se pretendia. 

Agora, esse IDH, trás essa vantagem que é você, pela diferença das duas variáveis educacionais, medir o esforço que os governos estão fazendo, os governos mais recentes, em proveito da educação do país.

LN – Então, sem empregar os valores absolutos, mas só as variações, o Brasil ficaria em que posição, em termos de avanços percentuais?
FH – Nós não recebemos de todos os países. Mas, por exemplo, na América Latina o Brasil, sem sombra de dúvidas foi o que mais avançou, porque também era o que estava mais atrasado. 

Tínhamos uma média de escolaridade de 7,2 anos, e temos uma expectativa de escolaridade de 13,8 anos. Isso é a medida atual, ou seja, a comparação da escolaridade de 25 anos ou mais e a expectativa de escolaridade de quem [está cursando].

Então essa diferença da medida de como os filhos dos brasileiros estão, em relação aos seus pais. A expectativa das crianças em relação a geração passada. Essa distância é a maior da América Latina, no caso do Brasil. O que significa dizer que o esforço recente que foi feito é maior que a média dos países latino-americanos.

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