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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O NORDESTINO E HOMER SIMPSON

Blog redecastorphoto
quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Laerte Braga

Nas décadas de 50 e 60 do século passado, mesmo em setores tidos como de esquerda, era comum ouvir que “éramos os Estados Unidos de cem anos atrás”. A idéia que estávamos numa época de faroeste caboclo, mas em breve chegaríamos ao estágio Broadway.
O rótulo subdesenvolvido conferia a países como o Brasil a condição de alguns degraus abaixo na escala de poder e presença, no que rotundos discursos de políticos pré-históricos chamavam de “concerto das nações do mundo”.
Era corriqueiro o exemplo de Rui Barbosa que, na Inglaterra, colocou à porta de sua residência em terras de sua majestade uma tabuleta com a inscrição ”ensina-se inglês”.
Os colunistas sociais quando alguma madame descia no aeroporto de Paris e era notada por sua beleza ou elegância (nos moldes pré FIESP/DASLU), costumavam escrever que “mais uma vez o Velho Mundo curvou-se ao Brasil”.
Uma espécie de compensação.
Tinha o outro lado. Quando Brigitte Bardot apareceu por aqui acompanhada de um marroquino chamado Bob Zaguri, mas brasileiro sei lá porque, o Brasil curvou-se à atriz francesa. O mérito de Brigitte foi o descobrir Búzios, então distrito da cidade de Cabo Frio, região dos lagos no estado do Rio de Janeiro e com o tempo permitir que a invasão de gafanhotos burgueses transformasse o lugar paradisíaco numa das mais altas concentrações de herdeiros e quetais; metro quadrado digno de qualquer grande metrópole do mundo.
Gafanhotos e burgueses são predadores.
As elites brasileiras (políticas e econômicas) compravam o modelo norte-americano, vendiam o Brasil às grandes preocupações democráticas dos EUA no período da guerra-fria, mas adoravam Paris apesar de Charles De Gaulle (que não era de esquerda).
Um passeio de Rolls Royce pela avenida Atlântica no Rio rendia manchete de jornal com tranqüilidade e paulista adorava exibir esses carros ingleses, alguns até com monogramas, uma espécie de heresia subdesenvolvida, mais ou menos como expor um Picasso no parque central de uma cidade enquanto fotógrafos se deliciavam com o apurado gosto artístico do barão de qualquer coisa, isso em plena república.
Picasso é só detalhe.
Conde italiano então tinha um prestígio desses de abrir salões do Catete. Ao contrário de nobres russos foragidos da revolução de 1917, via de regra estavam falidos e isso é sinônimo de problema.
Stefan Zweig, que vivia em Petrópolis, descreveu num dos seus livros que o Brasil era o País do futuro. Há uma biografia magnífica do escritor feita pelo jornalista Alberto Dines.
Àquela altura da nossa história, nordestino era “pau de arara” e nos versos de Vinicius de Moraes com música de Carlos Lyra, virou engolidor de giletes na crítica ferina à dor e à resignação de um povo sofrido que buscava nessas bandas, São Paulo principalmente, condições dignas de vida.
O canto, no duro, bem lá dentro da alma, era outro. “Estamos chegando daqui e dali/de todo lugar que se tem prá partir/trazendo na chegança a foice velha e mulher nova/e uma quadra de esperança..../todo mundo num tal de chegar...”
Chegaram.
O brasileiro não percebia como dito na Canção do Subdesenvolvido que era induzido a pensar como norte-americano, mas vivia como brasileiro, vale dizer, a imensa legião de excluídos vivendo de gilete.
A percepção que éramos diferentes e tínhamos pernas para caminhar começou no segundo período de Vargas com a PETROBRAS (hoje querem censurar Monteiro Lobato como nos velhos tempos do índex da Igreja Católica), aumentou no misto de desenvolvimento industrial e entreguismo de JK e começou a ganhar contornos de consciência no governo Goulart.
Aí, vieram os “patriotas” e em nome da liberdade varreram tudo, implantaram a tal ditadura, prenderam, exilaram, torturaram, estupraram, assassinaram e garantiram a “lei, a ordem” e o que um coronel desses que não tem a menor idéia de coisa alguma, chamou de “democracia à brasileira”.
Ouviu de Sobral Pinto que “democracia não é como peru, não existe à brasileira, à francesa, ou é democracia, ou não é”.
Deve continuar sem entender até hoje, sem ter noção do significado das palavras do notável jurista, já que entendiam muito de outro tipo de pau-de-arara. O das câmaras de tortura.
São baluartes e paladinos dos tempos do conde Drácula e teimam em espargir sangue que sugaram anos a fio na impunidade de uma anistia canhestra.
Na verdade, jogo de cena para o perdão da barbárie.
Quando o candidato José Serra aportou em terras cearenses e montou todo um cenário para ser visto pelo Brasil inteiro assistindo à missa de uma das festas religiosas mais importantes do estado, a de São Francisco, desafiando tradição e desrespeitando um povo, o “coronel” Tasso Jereissati, corrupto de quatro costados, encheu-se de indignação e partiu para cima do sacerdote, na velha crença que o Nordeste é deles, os paulistas, os do sul. Jereissati é nordestino por acidente, seus negócios são em São Paulo, por lá, só latifúndio e trabalho escravo.
O duro foi perceber que as pessoas não estavam mais dispostas a abaixar a cabeça, a aceitar o poder do chicote seguido de um pedaço de rapadura com farinha para que compreendessem as altas responsabilidades do senhor de terras, os barões da terra, versos fantásticos de Vinicius de Morais.
Imagine que de repente oferecem a você a perspectiva de matar todas as bactérias concentradas no vaso sanitário de sua casa com um único produto, sem aquela esfregação toda de água sanitária e a mulher passiva e espantada, extasiada é o termo exato, diante do miraculoso limpador de vasos sanitários. De quebra, para evitar maus cheiros, o cheiro capturado da natureza. E engarrafado, assim que nem a NESTLÉ faz nas estâncias hidrominerais de Minas Gerais, na privatização com destruição para o lucro tucano de cada dia. Enquanto Aécio viaja pela espaço sideral aguardando 2014.
E como é que nordestino vai entender um trem desses?
Nordestino entende de ser forte – “o sertanejo é antes de tudo um forte” –, da extraordinária beleza do Nordeste, da notável brasilidade de cidadãos que se cansaram de ser de segunda categoria e assomam impávidos como Muhammad Ali (registre-se que Caetano Veloso é nordestino de nascimento, mas paulista de coração e práticas e bobagens ditas ao longo da vida) assustando aquela elite que treina o dia inteiro para não esticar o mindinho à hora de tomar café.
Não é de bom-tom.
O grande problema é que o nordestino nessa eleição sinalizou que ao contrário de Ana Maria Braga (um padrão global do mundo civilizado) não vive de quatro.
E tampouco se deixou iludir por aquela pose de sério de William Bonner porque não é, na verdade, um Homer Simpson. Sabe que o JORNAL NACIONAL é balela, mentira de ponta a ponta.
Produzido e sustentado pelo complexo que mata bactérias em vasos sanitários, armazena o perfume da natureza e tira todas as manchas, desde aquelas de conivência silenciosa e covarde com a ditadura militar.
Só não limpa a História, essa fica.
Não faz menor idéia do que seja FOLHA DE SÃO PAULO ou VEJA, duas bactérias que teimam em sobreviver ao antibiótico verdade, mesmo que já estejam em estado putrefato.
Mas tem certeza e consciência do que é ser nordestino e sabe que no resto do Brasil milhões de brasileiros são também nordestinos, já que somos Brasil.
Não somos nem Paris, nem Roma, muito menos Wall Street.
Em Santa Catarina, maior concentração de clones nazistas do País, os Bornhausen, por exemplo, nordestinos/catarinenses lutam contra um crime ambiental sem tamanho, o estaleiro OSX do tal Eike, aquele que recebeu declaração de amor numa peça de biquíni e trombou com um bombeiro.
Marcelo Madureira pensa que é humorista. Não deve nem ter idéia do que tenha sido PRK-30 ou BALANÇA, MAS NÃO CAI.
E no final de tudo São Paulo precisa explicar mais de um milhão e trezentos mil votos num nordestino, Tiririca.
Um simples movimento inverso, o retorno de todos os nordestinos que moram em São Paulo à suas terras de origens seria o bastante para a locomotiva parar. Pros lados dos bairros suntuosos da capital paulista ia ser divertido ver socialite se descabelando por falta de mucamas.
É o conceito que fazem do resto do Brasil, não é só do Nordeste não.
Imaginam que todos sejam iguais a Homer Simpson. O conceito de William Bonner para quem vê o JORNAL NACIONAL – idiota –.
E vem aí o BBB-11. No próximo ano a casa vai ter dois andares e um monte de surpresas.
Sabe como essa gente que adora pizza de frango (isso existe? É pizza?) com requeijão imagina o Brasil?
É só ler o ESTADO DE SÃO PAULO (pode procurar sem susto, ainda existe) e tomar conhecimento que D. Pedro II está em vilegiatura pela Europa cuidando dos interesses nacionais e breve iremos atacar o Paraguai, anexar o Uruguai e descansar em Paris que ninguém é de ferro.
O resto, é só privatizar tudo que Washington e Wall Street, com aplausos dos sobreviventes de 1964, toma conta.
“Vende borracha, compra chicletes”.
O que pior pode acontecer é essa turma cismar de trazer Regina Duarte de volta lá da Transilvânia e assombrar as criancinhas no papel de “namoradinha do Brasil”, fundo musical de Caetano Veloso.
Nesse negócio de baiano, gente boa, da melhor cepa, prefiro Dorival Caymmi. 

redecastorphoto: O NORDESTINO E HOMER SIMPSON

Ação no Ministério Público: Crime de racismo

Blog da Dilma
novembro 12th, 2010 | Autor: CelsoJardim

O Vereador Francisco Chagas (PT) protocolou em (04/11) no Ministério Público Federal, Procuradoria Regional da República em São Paulo, uma Representação para apuração de possível prática de Crime de Racismo cometida por usuários de redes sociais da Internet, como Twitter, Facebook, Orkut e outras. O documento foi registrado sob o número PR/SP-SPJ-009671/2010.

Na Representação constam os nomes de 94 pessoas com a identificação de seus endereços eletrônicos e perfis na rede mundial de computadores contendo, ainda, as respectivas ofensas proferidas por elas.

Foram anexadas ao documento as listas impressas das páginas das redes sociais, contendo os contatos e as ofensas aos nordestinos, negros e índios e um vídeo gravado em CD também denunciando essas informações.

As ofensas de cunho racista que foram publicadas e distribuídas pelas redes sociais na internet, começaram logo após ter sido anunciada a vitória de Dilma Roussef, na noite do dia 31 de outubro. Usuários do Twitter, mencionados no documento entregue por Francisco Chagas, passaram a fazer postagens ofensivas, de cunho racista contra os habitantes e pessoas com origem nos Estados localizados no Nordeste e Norte do País, bem como contra membros das comunidades indígena e negra, atribuindo à população ou à pessoas destes Estados ou etnias “ a culpa “ pela derrota do candidato do PSDB, José Serra.

As informações ofensivas continuaram a ser postadas na rede da Internet e replicadas nos dias seguintes, chegando aos milhares de sites e blogs cadastrados na rede mundial, atingindo milhões de pessoas no Brasil e no exterior.

Na representação entregue ao Ministério Público, o Vereador Francisco Chagas destacou os direitos do cidadão garantidos pela Constituição Federal. “A Constituição do nosso país prevê a liberdade e uma sociedade justa e solidária, incentivando a redução das desigualdades sociais. É nosso dever tratar a todos com respeito, sem preconceitos de raça, sexo, cor”, refletiu. Chagas ainda lembrou que a prática de racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito a prisão.

A Lei 7.716 de 05/01/1989, com alterações, que define os Crimes de Racismo aponta que é também crime não somente a prática, mas a indução ou incitação à discriminação ou preconceito. E mais: se esses crimes são cometidos por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, além da multa, o cidadão está sujeito a prisão de 2 a 5 anos.

“Estes fatos são gravíssimos, pois anunciam uma banalização de práticas de discriminação racial e incitação ao ódio de classe ou de etnia entre parcelas da sociedade”, destaca no documento. “É preciso combater a intolerância política e ideológica, que trouxeram desgraças infindáveis ao ser humano no decorrer da história do Brasil e do mundo”, relembra Chagas.

Francisco Chagas* tem origem nordestina. Nasceu na cidade de Riachuelo, interior do Estado do Rio Grande do Norte e está em São Paulo há mais de 30 anos. É sociólogo e como Vereador em seu terceiro mandato, é autor da Lei Municipal nº 14.952 de 13/07/2009, que criou e instituiu o dia 8 de Outubro como o Dia do Nordestino na cidade de São Paulo. A data foi comemorada pela segunda vez neste ano, e faz parte do Calendário Oficial de Eventos do município.

O objetivo da Lei foi prestar uma justa homenagem e reconhecimento aos mais de 4 milhões de cidadãos de origem nordestina ou seus descendentes que moram na capital e ajudaram a construir a grandeza da metrópole”, destacou o vereador. A Lei também destaca o incentivo à integração e inserção dessa grande comunidade, que deve ser feita de modo que não haja “cidadão de segunda categoria”, ou seja, sem preconceitos.

*O Vereador Francisco Chagas é autor da Lei Municipal que criou o Dia do Nordestino (8 de outubro) na cidade de São Paulo. A data faz parte do Calendário Oficial de Eventos do município, e tem como objetivo prestar uma justa homenagem e reconhecimento aos mais de 4 milhões de cidadãos de origem nordestina ou seus descendentes que moram na capital paulista.

*Celso Jardim

Ação no Ministério Público: Crime de racismo

Folha defende “singularidade” de São Paulo. Inês Nassif explica

Conversa Afiada
Publicado em 12/11/2010

A Intentona de 1932 também foi muito “singular”

Os ideólogos do Império americano defendem a “singularidade” dos Estados Unidos e seu “destino manifesto” – por exemplo, conquistar a Califórnia do México.
É o que, mal comparando, a Folha (*) tem feito na sua página de (uma só) Opinião.
Ontem e hoje, a Folha (*) publica artigos que defendem a singularidade de São Paulo e seus ilustres ideólogos, como a estudante Mayara Petruso.
Ontem, um jornalista defendeu o preconceito.
Hoje, também no alto da pág. 3, uma advogada e professora de Direito Penal da USP (êpa ! êpa ! USP ?) defende a estudante Mayara.
A Folha (*) já defendeu a “ditabranda”.
Agora, defende a “singularidade” paulista e o destino manifesto de sua elite separatista: ocupar o Brasil.
São argumentos com a profundidade de uma tigela de dar água ao gato.
Mas, ali naquela página costuma ser assim mesmo.
Muito diferente é o espaço que a Maria Inês Nassif ocupa no jornal Valor: sempre denso, profundo, original.
O Azenha reproduziu o artigo de ontem da Inês: clique aqui para ir ao Viomundo.
Inês explica o que acontece com São Paulo, ou melhor, com o repositório de ideias de sua elite: o PSDB.
O título já é para dar um susto na Mayara: “Voto do nordestino vale o mesmo do que o do paulista”.
O editor de Opinião do Otavinho vai ter um troço !
Diz a Inês: “A redução da desigualdade tem trazido à tona os piores preconceitos das classes médias tradicionais e das elites do país. Não apenas em relação às pessoas que ascendem da mais baixa escala da pirâmide social, mas preconceitos que transbordam para as regiões que, tradicionalmente miseráveis, hoje crescem a taxas chinesas. “
“A onde de preconceito contra nordestinos, por exemplo, é semelhante ao preconceito em estado puro jogado pelos setores tradicionais no presidente Lula e na própria Dilma Rousseff, durante a campanha – leia o “em tempo”:  … é o temor de que os ‘de baixo’ possam ameaçar … uma estabilidade que … é também de poder e status.”
(O Otavinho disse ao Lula que ele não podia ser presidente porque o Lula não sabe falar inglês.)
“A hegemonia paulista está em questão desde 2006, ” diz a Inês.
“O país é outro. Não se ganha mais eleição com preconceito – até porque o voto alvo do preconceito tem o mesmo valor do voto da velha elite.”
Viva a Inês !
Em tempo: durante a campanha, Serra trouxe o vaso sanitário para a sala de jantar. Clique aqui para ler “Serra funda a Direita Cristã e o Tea Party do Brasil: a extrema direita”.
Clique aqui para ler “Mino analisa o ódio do Serra e acha que a Oposição tem que sair de São Paulo” .
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Folha defende “singularidade” de São Paulo. Inês Nassif explica | Conversa Afiada

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O ENEM é o maior do mundo ! O preconceito também

Conversa Afiada
Publicado em 11/11/2010

Até em braille o ENEM aplica provas

Na saída do avião, um jovem se apresenta e conta que trabalha no INEP, o órgão do Ministério da Educação responsável pelo ENEM.
Conta que leu um comentário no Conversa Afiada, em que um amigo navegante dizia que bastava tratar jovens de 17 anos como doentes mentais.
O especialista do INEP ponderou que ele mesmo, em Brasília, acompanhou a aplicação da prova do ENEM a estudantes com algum tipo de deficiência mental.
Ponderou que especialistas do INEP se deslocaram para algumas das 1700 cidades onde a prova se realizou para aplicar a prova a surdos e cegos.
Há casos de candidatos com distúrbio de atenção que são levados para salas isoladas, onde possam se concentrar.
Ele explicou que a questão da troca das páginas ele próprio resolveu e explicava de uma maneira tão complicada quanto: basta responder na ordem da numeração.
Depois do 1, vem o 2 – tão difícil quanto isso.
O especialista do INEP observou que o ENEM é a maior prova do gênero no mundo: cerca de 4 milhões de candidatos.
4 milhões de candidatos presentes e espalhados por 1700 cidades.
O SAT não é simultâneo e pode não ser presencial.
O ENEM custa R$ 180 milhões.
Com o método TRI, o número insignificante de provas adicionais poderá ser feito a qualquer momento com o mesmo grau de dificuldade.
Especialista conta que alguns alunos dizem: “Ah, mas eu posso me sair pior”.
Ele responde: “E melhor também”.
Calcula-se que o padrão de vazamentos na prova da FUVEST aproxime-se de um terço das questões.
E o PiG (*) não diz nada.
Pondero que a batalha do ENEM trava-se no campo do preconceito contra o pobre e do Golpe político.
Ele concordou e os dois bradamos:
Viva o Brasil !
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

O ENEM é o maior do mundo ! O preconceito também | Conversa Afiada

Ato de Desagravo aos Nordestinos e Repúdio as Ofensas

Blog da Dilma
novembro 11th, 2010 |  Autor: Jussara Seixas

Um ato público de solidariedade a migrantes nordestinos, nortistas, negros e índios por estes estarem sendo vítimas de perseguições de todo tipo – retóricas e, supostamente, até por meio de violência física, como no caso dos freqüentes incêndios em favelas – no Estado de São Paulo, sobretudo na capital.
Em primeiro lugar, considera-se importante que o ato em questão não tenha o menor viés político-partidário, evitando responsabilizar partidos e lideranças políticas pelos fatos lamentáveis que ganharam maior visibilidade na noite de 31 de outubro deste ano, mas que vêm ocorrendo já faz tempo.
O que se pretende com esse ato é fazer um alerta a setores da sociedade (ainda não mensurados estatisticamente) de que o que estão praticando é um legítimo crime contra cidadãos brasileiros em pleno gozo de seus direitos civis – e que, portanto, têm direito a proteção do Estado contra os agressores.
O alerta se faz necessário porque tais grupos sociais desconhecem a lei de forma consciente e inconsciente. Ao grupo inconsciente, o alerta deve servir para tentar evitar que a lei tenha que ser aplicada sem um mínimo de tolerância; ao grupo consciente de que está delinqüindo, o alerta é o de que há cidadãos de outros estratos sociais menos fragilizados dispostos a lutar pelos desvalidos que não têm consciência de seus direitos.
Também se pretende chegar aos atingidos pela violência retórica e física, os quais, muitas vezes, não têm idéia de que podem exigir proteção do Estado e de que têm como denunciar o que sabem sobre os métodos e as identidades de seus agressores.
Por último, a intenção desse ato público é a de mostrar ao resto do Brasil que essas manifestações odiosas de racismo e de xenofobia, bem como as agressões físicas aos migrantes nordestinos (sobretudo), estão longe de ser regra em São Paulo, sendo meras exceções praticadas por criminosos ou por ignorantes que, por serem bem aquinhoados, pensam estar acima da lei.

Data, hora e local do ato

Haverá convite a autoridades das esferas federal, estadual e municipal da área de direitos humanos e a parlamentares, bem como à imprensa, a movimentos sociais e a sindicatos. Diante da Câmara Municipal de São Paulo poder-se-á exibir faixas por manifestantes de forma ordeira e respeitando o direito de ir e vir, tudo de acordo com a lei e com as autoridades municipais.
A realização do evento é hoje dia 11 de novembro, a partir das 17 HORAS, no Plenário da Câmara Municipal de São Paulo, no primeiro andar.

* Celso Jardim

Ato de Desagravo aos Nordestinos e Repúdio as Ofensas

Em repúdio ao preconceito contra os nordestinos em São Paulo

Site Ivan Valente – Deputado Federal – PSOL/SP

10/11/2010 - 20:06

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados,

Como paulista, me sinto no dever de subir a esta tribuna para manifestar toda a minha solidariedade ao povo nordestino e meu mais profundo repúdio às manifestações de preconceito que pessoas nascidas em meu estado tem manifestado nas últimas semanas, nos mais diferentes espaços e redes sociais da internet, em relação a brasileiros e irmãos que vieram do Nordeste e constroem São Paulo.

O “movimento”, como todos devem ter acompanhado, começou pelo twitter logo após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Foi provocado por essa conjuntura, inclusive de maneira totalmente equivocada, porque a candidata do PT venceu não só no Nordeste, mas em Minas, no Rio de Janeiro, em vários estados. Mas sem dúvida é algo que reflete um preconceito historicamente construído em nosso estado, principalmente na capital São Paulo, onde há muito tempo manifestações racistas e de preconceito étnico, regional e de orientação sexual vem sendo tratadas com “naturalidade”, ganhando inclusive pouca visibilidade dos meios de comunicação.

Em cenários como este, a discriminação racial é banalizada e deixa o caminho aberto para incitações à violência e ao ódio de classe, como a praticada pela estudante de direito Mayara Petruso. Como o caso ganhou alguma visibilidade, Mayara agora pode ser processada, mas são incontáveis e cotidianas manifestações desta ordem, que se perpetuam diante da omissão do Estado e da conivência da uma significativa parcela da população paulista.

A gravidade da situação é tamanha que estes cidadãos se sentem à vontade, sem qualquer pudor, para aprofundar seu preconceito e propor ações que beiram ao fascismo. É o caso do grotesco manifesto “São Paulo para os paulistas”, que já conta com milhares de assinaturas na internet. Para seus autores e signatários, então entre as responsabilidades da migração dos nordestinos para São Paulo a alta criminalidade e os hospitais superlotados em nosso estado. São incapazes de enxergar a brutal desigualdade social em nosso país, que força milhares de famílias a deixarem o pouco que tem para traz em busca de alguma dignidade. Tampouco enxergam essa mesma desigualdade como a raiz da violência em todo o Brasil – e não apenas em São Paulo.

O manifesto propõe barbaridades como:

– restringir o acesso a serviços públicos como saúde e educação a pessoas que comprovem residência e trabalho fixo no Estado de S Paulo há pelo menos dois anos.

– acabar com a cobrança de taxas diferenciadas de água, luz e IPTU nas favelas.

– suspender a distribuição de medicamentos gratuitos, de auxílio-aluguel, do programa mãe-paulistana, de quaisquer “bolsas por número de filhos”, de entrega de “casas populares”, de acesso ao “leve-leite”, de entrega de uniforme, material e transporte escolar, de cestas básicas.

– proibir totalmente qualquer tipo de “comércio ilegal”, com apreensão e prisão em caso de reincindência.

E justificam: “São Paulo deve cuidar dos SEUS pobres”.

Atitudes como esta requerem uma resposta enérgica da sociedade, sob o risco de perpetuarmos um terreno fértil para o florescimento da xenofobia e aprofundamento do preconceito étnico-racial e regional em São Paulo, já tão arraigado entre a elite paulista.

A prática de racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito a prisão, previsto pela Lei 7.716 de 1989. A lei define como crime de racismo não apenas a prática, mas também a indução ou incitação à discriminação ou preconceito, e estabelece um agravante se esses crimes são cometidos por intermédio dos meios de comunicação.

O Ministério Público Federal em São Paulo já recebeu representação para apuração do caso, envolvendo denúncia contra 94 pessoas, e a política está investigando de quem é a responsabilidade pelo manifesto. São iniciativas importantes para, desta vez, não nos calarmos novamente e, assim, darmos mais um passo no sentido de reverter essa brutal violação de direitos fundamentais.

E que o exemplo do que agora se passa em São Paulo também sirva para despertar uma reflexão em todo o país sobre os inúmeros preconceitos regionais que nossa nação ainda presencia. Por isso, Sr. Presidente, aqui está a nossa solidariedade ao povo nordestino e por um Brasil sem nenhum tipo de preconceito ou discriminação, um Brasil democrático, soberano, igualitário, com justiça social. Abaixo o racismo e o preconceito.

Muito obrigado.

Ivan Valente – Deputado Federal PSOL/SP

Em repúdio ao preconceito contra os nordestinos em São Paulo « Site Ivan Valente – Deputado Federal – PSOL/SP

Órfãos de 1932

Blog da Dilma
novembro 11th, 2010 |  Autor: Jussara Seixas

Por  Mair Pena Neto

Uma das piores sequelas da recente eleição presidencial foi a onda conservadora, preconceituosa e racista, que sentiu-se à vontade para se expressar diante da campanha agressiva e fundamentalista do candidato tucano. Tal postura, revelada, sobretudo, por uma estudante paulista de Direito, não nasceu com a campanha eleitoral, mas percebeu no processo uma oportunidade ímpar de destilar sua aversão ao nordestino, simbolizando o ignorante, que não contribui para o destino do país. O nordestino simboliza, na verdade, o preconceito contra o pobre, o preto, o desvalido, enfim, todos aqueles que não participam da vida rica de uma certa área de São Paulo, não tão além dos Jardins.

Sim, em primeiro lugar é preciso diferir os paulistas dessa minoria elitista míope, herdeira dos órfãos de 1932, que não entende São Paulo como parte indissociável do Brasil e dos brasileiros. A revolução de 30 rompeu o poder oligárquico paulista, que acreditava sustentar a nação e não desejava sua transformação em um país urbano, moderno e industrial. Os inconformados com essa guinada na vida do país, que dele usufruiam, se levantaram em armas, num movimento que tinha como lema “Tudo por São Paulo”. Até hoje, esse levante é comemorado em São Paulo, por maior que tenha sido o seu equívoco histórico.

A derrota em 32 não tirou de São Paulo seu papel de carro-chefe na industrialização que queria evitar e com o avanço do capitalismo, até o seu ápice financeiro, o estado tornou-se ainda mais poderoso, levando certos setores a perderem a noção do nacional. Os jovens universitários que integram o movimento “São Paulo para os paulistas” são como os órfãos de 32, só que ainda não perderam nada, pois nada construíram, já que estão na faixa de 18 a 23 anos. Ao contrário, vivem num país que reduz suas desigualdades, e com um Nordeste em crescimento, o que diminui consideravelmente os fluxos migratórios para o Sudeste.

Obtusos, não percebem que a pujança de São Paulo foi construída com o suor de muitos brasileiros, em grande número nordestinos, e acham que os maiores responsáveis pelo desenvolvimento do estado foram os empresários. Desconhecem a dialética e trabalham com princípios equivocados e perigosos. Essa turma, assim como alguns movimentos separatistas, é minoritária e tende a ser ignorada pela sociedade. Seus pontos de vista, embora precisem ser observados e punidos quando incitam publicamente o crime, como no caso da estudante paulista, são desprezíveis e não teriam o menor eco se não fossem sustentados por algo maior.

E é aí que mora o perigo. A campanha presidencial brasileira levantou uma onda neoconservadora no país, jamais vista desde a redemocratização. O candidato tucano José Serra, com seu discurso excessivamente religioso, apegado a valores morais ultrapassados e enfaticamente paulista – colocou o estado contra o resto do país quando afirmou que o PT não gostava de São Paulo -, possibilitou o afloramento desse tipo de idéia. Aqueles que acham que “São Paulo não deve nada ao Brasil”, como declarou um porta-voz do movimento São Paulo para os paulistas, encontraram uma liderança política capaz de proclamar parte de seus anseios.

O movimento conservador e de direita vem tendo um crescimento mundial. É capaz de eleger presidentes na Europa e nos Estados Unidos, baseando-se não apenas no liberalismo econômico, mas em questões religiosas e xenófobas. O nordestino daqui é o estrangeiro de lá. Essa elite “iluminada”, que angaria apoio lá fora com a questão do emprego, aqui aplica outros argumentos como uma superioridade intelectual. Reproduz a frase mais infeliz de Pelé, a de que o brasileiro não sabe votar, e encontra respaldo para seus preconceitos até em editoriais e colunas de veículos de expressão nacional.

O conservadorismo brasileiro de matiz fascista, que não se manifestava de forma tão aberta desde o movimento integralista e da Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, encontrou um caminho aberto e pôs as asinhas de fora. O PSDB é candidato a ficar com ele se prosseguir na diretriz estabelecida pela campanha de Serra. Será um passo para se estabelecer definitivamente como o partido da direita brasileira, já que o DEM, antigo PFL, é apenas um resquício de legenda, fadado à extinção.

Órfãos de 1932

Maria Inês Nassif: A resistência à mobilidade social

Viomundo - O que você não vê na mídia
Luiz Carlos Azenha
11 de novembro de 2010 às 12:08

Voto do nordestino vale o mesmo que o do paulista

Maria Inês Nassif, no Valor Econômico
O Brasil elegeu, por dois mandatos, um ex-metalúrgico como presidente da República. Agora elege uma mulher. Ambos de centro-esquerda. Para quem assistiu de fora a eleição de Dilma Rousseff e os dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode parecer que o país avança celeremente para uma civilizada socialdemocracia e busca com ardor o Estado de bem-estar social. Para quem assistiu de dentro, todavia, é impossível deixar de registrar a feroz resistência conservadora à ascensão de uma imensa massa de miseráveis à cidadania.
Ocorre hoje um grande descompasso entre classes em movimento e as que mantêm o status quo; e, em consequência de uma realidade anterior, onde a concentração de renda pessoal se refletia em forte concentração da renda federativa, há também um descompasso entre regiões em movimento, tiradas da miséria junto com a massa de beneficiados pelo Bolsa Família ou por outros programas sociais com efeito de distribuição de renda, e outras que pretendem manter a hegemonia. A redução da desigualdade tem trazido à tona os piores preconceitos das classes médias tradicionais e das elites do país não apenas em relação às pessoas que ascendem da mais baixa escala da pirâmide social, mas preconceitos que transbordam para as regiões que, tradicionalmente miseráveis, hoje crescem a taxas chinesas.
A onda de preconceito contra os nordestinos, por exemplo, é semelhante ao preconceito em estado puro jogado pelos setores tradicionais no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na própria eleita, Dilma Rousseff, durante a campanha eleitoral. É a expressão do temor de que os “de baixo”, embora ainda em condições inferiores às das classes tradicionais, possam ameaçar uma estabilidade que não apenas é econômica, mas que no imaginário social é também de poder e status.

Há resistências à mobilidade social e regional
São Paulo foi a expressão mais acabada da polarização eleitoral entre pobres de um lado, e classe média e ricos de outro. Os primeiros aderiram a Dilma; os últimos, mesmo uma parcela de classe média paulista que foi PT na origem, reforçaram José Serra (PSDB). A partir de agora, pode também polarizar a mudança política que fatalmente será descortinada, à medida que avança o processo de distribuição regional de renda e de aumento do poder aquisitivo das classes mais pobres. A hegemonia política paulista está em questão desde as eleições de 2006 – e Lula foi poupado do desgaste de ter origem política em São Paulo porque era também destinatário do preconceito de ter nascido no Nordeste; e, principalmente, porque foi o responsável pela desconcentração regional de renda.
Com a expansão do eleitorado petista no Norte e no Nordeste do país, houve uma natural perda de força dos petistas paulistas, diante do PT nacional. Do ponto de vista regional, o voto está procedendo a mudanças na formação histórica do PT, em que São Paulo era o centro do poder político do partido. Isso não apenas pelo que ganha no Nordeste, mas pelo que não ganha em São Paulo: o partido estadual tem dificuldade de romper o bloqueio tucano e também de atrair de novos quadros, que possam vencer a resistência do eleitorado paulista ao petismo.
No caso do PSDB, todavia, a quebra da hegemonia paulista será mais complicada. Os tucanos continuam fortes no Estado, têm representação expressiva na bancada federal e há cinco eleições vencem a disputa pelo governo do Estado. No resto no do país, têm perdido espaço. Parte do PSDB concorda com o diagnóstico de que a excessiva paulistização do partido, se consolida seu poder no Estado mais rico da Federação, tem sido um dos responsáveis pelo seu encolhimento no resto do Brasil. Mas é difícil colocar essa disputa interna no nível da racionalidade, até porque o partido nacional não pode abrir mão do trunfo de estar estabelecido em território paulista; e, de outro lado, o partido de Serra tem uma grande dificuldade de debate interno – como disse o governador Alberto Goldman em entrevista ao Valor, é um partido com cabeça e sem corpo, isto é, tem mais caciques do que base. Não há experiência anterior de agregação de todos os setores do partido para discutir uma “refundação” e diretrizes que permitam sair do enclave paulista. Não há experiência de debate programático. E aí o presidente Fernando Henrique Cardoso tem toda razão: o PSDB assumiu substância ideológica apenas ao longo de seu governo. É essa a história do PSDB. A política de abertura do país à globalização, a privatização de estatais e a redução do Estado foram princípios que se incorporaram ao partido conforme foram sendo assumidos como políticas de Estado pelo governo tucano.
Todos os partidos, sem exceção, estão diante de um quadro de profundas mudanças no país e terão que se adaptar a isso. Fora a mobilidade social e regional que ocorreu no período, houve nas últimas décadas um grande avanço de escolaridade. A isso, os programas de transferência de renda agregaram consciência de direitos de cidadania. O país é outro. Não se ganha mais eleição com preconceito – até porque o voto do alvo do preconceito tem o mesmo valor que o voto da velha elite. Se os grandes partidos não se assumirem ideologicamente, outros, menores, tomarão o seu espaço.

Maria Inês Nassif: A resistência à mobilidade social | Viomundo - O que você não vê na mídia

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Os números esmagam a xenofobia. Dilma venceria sem o NE

Conversa Afiada
Paulo Henrique Amorim
Publicado em 07/11/2010

Na foto, Serra combate o aborto e bombardeia o Iraque. É o nosso neo-con

Na mesma Carta Capital em que Mino abre as vísceras da odienta campanha do Serra e do PiG (*), excelente reportagem de Cynara Menezes expõe a irracionalidade da xenofobia: essa que diz “a fome do Nordeste foi o que elegeu a Dilma”.
Não é verdade.
Diz Cynara:

“depois de uma campanha violenta e baseada na mistificação, o resultado não podia ser outro: xenofobia. Mas, quem ganha com a divisão do Brasil ?

Cynara intitula a reportagem com “Os neo-cons à brasileira”.
São a sinistra paródia dos neo-cons americanos, que viajaram de Platão a Leo Strauss e Allan Bloom para justificar a isenção de impostos para os ricos e a invasão do Iraque em busca de armas de destruição em massa.
Aqui, Serra saiu em busca do Santo Graal na Basílica de Aparecida e, com mais três dias de campanha, como os neo-cons americanos ia liderar Marchas para Fechar Clinicas de Aborto (no Chile, tudo bem).
Nesse clima de “nós contra eles”, diz Cynara, foi preciso botar as idéias e os números no lugar.
Mesmo sem os votos do Nordeste, Dilma seria eleita.
Se fossem somados apenas os votos do Sul e do Sudeste, a Dilma ganharia.
Na capital paulista, de onde saíram algumas das mais odientas mensagens da internet contra os nordestinos, Serra ganhou apertado.
Serra perdeu feio em dois estados do Sudeste: Minas e Rio.
Em Minas, terra de Aécio, Dilma teve uma vantagem de 17 pontos percentuais.
No Rio, Dilma teve 5 milhões de votos contra 3 do Serra.
No Rio Grande do Sul, a vitória de Serra foi mínima.
No Paraná, ele teve 700 mil votos de frente.
Em Santa Catarina. 473  mil.
Serra só ganhou disparado mesmo nos estados do agronegócio (aqueles amiguinhos da Marina – PHA).
Bom, vamos falar do Nordeste ?
Lembra a Cynara: Dilma ganhou de 18,4 milhões a 7,6 milhões.
Foi pelo miolo do pão ? (Clique aqui para ler a entrevista da profa. Tânia Bacelar)
Não, responde, na reportagem da Cynara, o professor Durval Albuquerque Jr, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (onde já se viu ter universidade federal no Nordeste ? Dá nisso !):

“Não se votou em Dilma no Nordeste porque se sente fome e, sim, porque o governo fez o povo comer.”

Continua o prof. Albuquerque:

“enquanto o país crescia a 4% ao ano, o Nordeste crescia a 8%, 9%. Houve uma inclusão social imensa … o  Bolsa Família não é alienante, como se diz, é o inverso: conscientizou as pessoas, fez elas se sentirem gente e passarem a exigir mais.”
“Eles (a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – PHA) eles queixam-se de que já não contratam empregados com tanta facilidade, pagando qualquer coisa”.

Conclui o professor Albuquerque.
Poderia ter dito, também: quando se abole a Escravidão, a reação é odienta.
Lembra o professor Fábio Comparato, em imperdível entrevista à Caros Amigos: o Partido Republicano Paulista aderiu à República, mas, não à Abolição …
Será que já aderiu, amigo navegante ?
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Os números esmagam a xenofobia. Dilma venceria sem o NE | Conversa Afiada

Pernambucana Bacelar enfrenta a xenofobia

Conversa Afiada
Paulo Henrique Amorim
Publicado em 07/11/2010

Arrogância esconde xenofobia

Amigo navegante pernambucano manda o link da entrevista da professora Tânia Bacelar ao Diário de Pernambuco.
Ela trata da campanha de ódio contra os nordestinos, desfechada pela atividade do candidato José Serra quando candidato à presidência da República e, pela segunda vez, esmagadoramente derrotado.
Antes, este Conversa Afiada reproduziu artigo de Mauricio Dias na Carta Capital, que tratava da professora Bacelar, quando, na passagem do primeiro para o segundo turno, já enfrentava a xenofobia: o Nordeste não votou em Dilma pelo miolo do pão, ponderou Dias.
Leia agora o que ela diz sobre a campanha do “São Paulo só para paulistas”, que, breve, se depender da elite branca de São Paulo, se tornará “Brasil só para paulistas” (que é como o PSDB de São Paulo pensa):

http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/11/07/politica12_0.asp
Entrevista // Tânia Bacelar
Josué Nogueira

Há uma imagem deformada do Nordeste

A professora Tânia Bacelar nem imaginava. Mas, ao escrever o artigo ´O voto do Nordeste: para além do preconceito’, publicado na revista Nordeste e reproduzido por uma infinidade de blogs Brasil afora, antecipou uma resposta – e que resposta – à velha tese que motivou uma nova onda de ataques aos nascidos na área compreendida entre o Maranhão e a Bahia. O texto rebate com fatos e análises o conceito preconcebido de que os nordestinos são um peso para o país e que Dilma Rousseff (PT) só foi eleita presidente porque os eleitores da região votaram em troca do Bolsa Família. Nesta entrevista, Bacelar, doutora em economia e docente do departamento de Geografia da UFPE, aprofunda sua avaliação sobre os números das eleições no Nordeste. Diz que nos últimos oito anos, a região passou a receber investimentos em áreas estratégicas e que o resultado dessa ´atenção`, é crescimento, movimentação da economia, emprego, oportunidades.
O seu artigo responde à manifestação que ocupou o Twitter na semana passada sugerindo morte aos nordestinos por conta da vitória de Dilma. Como a senhora avalia essa situação?
Acho que esse debate reflete que existe um preconceito realmente e que há uma imagem deformada do Nordeste, principalmente no Sudeste e no Sul. Uma imagem de que o Nordeste é uma região de miséria, que é uma carga, como se não tivesse potencialidades. Isso reflete, primeiro, o desconhecimento da história do país. O Nordeste é o lastro econômico, cultural e político do Brasil. Mas num determinado momento dessa história, os investimentos e a dinâmica se concentraram no Sudeste e o Nordeste perdeu o trem da industrialização lá no século 20.
Quais perdas o país pode ter com posturas desse tipo?
A gente pode perder um dos aspectos pelos quais o país é admirado. Quem já viveu no exterior sabe que uma das características que tornam a nossa sociedade admirada lá fora é a capacidade de conviver com a diferença.

Em que áreas estão os potenciais do Nordeste?
O governo federal retomou o crescimento das universidades públicas. Fez quatro universidades na região. Cidades médias, como Petrolina (PE) e Mossoró (RN), não tinham universidades públicas. As pessoas têm potencial para se desenvolver, mas não têm oferta de oportunidade. Acho que a gente deve discutir onde devemos colocar os novos investimentos e o Nordeste já mostrou que pode dar uma resposta positiva com o pouquinho de mudança que já aconteceu nessa década. É errado achar que tudo o que é defesa de São Paulo é defesa do Brasil e tudo o que é defesa de qualquer outro lugar é ´defesinha` regional. São Paulo é muito importante mas não representa o Brasil. O Brasil é muito mais. A gente precisa balizar melhor esse debate sem deixar de reconhecer a importância de São Paulo. Mas não podemos caricaturar os outros de ser peso, de não ter com que contribuir.

O presidente Lula foi corajoso ao mudar o foco dos investimentos?
Lula teve um atributo muito interessante. Perdeu várias eleições, levou muito tempo se preparando para ser presidente do país e fez as tais caravanas. Eu atribuo essa leitura que ele tem do Brasil à chance que ele teve de conhecer profundamente o Brasil inteiro. Isso muda a cabeça.
Quem votou em Dilma aposta na continuidade do governo. Pelos discursos proferidos até agora por ela a senhora acredita que as políticas de investimento no Nordeste serão mantidas?
Tenho me surpreendido positivamente com ela. Por exemplo, o discurso feito no momento em que ela recebeu a notícia que tinha vencido, considero muito bom. Ela começa falando das mulheres, depois assume o compromisso com a eliminação da pobreza extrema. Diz também ter compromisso com os pequenos empreendedores do Brasil e assume isso. Achei muito bonito, depois de falar da erradicação da miséria, ela ter se lembrado dos pequenos empreendedores. O Nordeste está cheio deles.

As oligarquias deram sua contribuição para o enraizamento desse preconceito, não?
Parte da explicação vem das oligarquias. Para as antigas, ainda bem que elasestão morrendo e perdendo eleitoralmente. Os resultados dessa eleição são um novo baque. É importante lembrar que elas não só existem no Nordeste. Santa Catarina é um ´brilho` de oligarquias. No discurso delas não interessava mostrar potencial. Porque elas se locupletavam da miséria. O discurso reproduzia a miséria. Elas ajudaram a criar o preconceito.

Pernambucana Bacelar enfrenta a xenofobia | Conversa Afiada

O Brasil não é bicolor. É miscigenado

Conversa Afiada
Publicado em 08/11/2010

O Conversa Afiada publica tweet do amigo navegante IlustreBob:

sujeitomedio: RT @IlustreBOB: Novo infográfico que fiz: O BRASIL NÃO É BICOLOR: http://bit.ly/bcvWPw — contrapondo o que o #PIG mostrou  para Mayara Petruso

 
O Brasil bicolor e o Brasil miscigenado

Navalha

NAVALHA

Este post é uma singela homenagem a Gilberto Freyre e a Chico Buarque, autor de “Paratodos”.

Este Conversa Afiada recomenda que José Serra, no exílio francês, leia “Casa Grande”, para ver se aprende a escrever.

E ouça “Paratodos” – como sugere este post -, para deixar de ser bairrista (e santarrão).

Paulo Henrique Amorim

O Brasil não é bicolor. É miscigenado | Conversa Afiada

Vídeo encontrado com grupo neonazista teria ameaças a Paulo Paim, diz delegado

Blog da Dilma 
novembro 6th, 2010 | Autor: Jussara Seixas

Senador afirmou que não irá pedir reforço na sua segurança

Entre os materiais apreendidos pela Polícia gaúcha com o grupo neonazista desarticulado nesta quarta-feira, no centro de Porto Alegre, está um vídeo com ameaças ao senador reeleito Paulo Paim (PT). A informação foi confirmada pelo delegado Paulo César Jardim, responsável pelo caso.

Através de um mandado judicial de busca e apreensão, os agentes entraram numa casa na rua Riachuelo e encontraram diversos materiais que fazem apologia ao nazismo e a Adolf Hitler.

Foram apreendidos cerca de cem CDs, símbolos nazistas, livros, roupas com suásticas e um vídeo feito pelo grupo contra o racismo. Nas imagens aparecem arrastões, cenas de violência contra negros, além de supostas ameaças ao senador. O grupo seria contra o parlamentar pelo fato dele defender cotas raciais nas universidades.

Apesar das ameaças, Paulo Paim garante que não irá mudar a sua forma de agir no Senado.

— Eles não vão me intimidar com isso. Vou seguir o meu trabalho normalmente aqui em Brasília. Defendo os discriminados e vou seguir defendendo. É inacreditável que esse tipo de coisa siga ocorrendo até hoje — afirmou.

O senador garantiu que não irá pedir reforço na sua segurança pessoal.

— O delegado Paulo César Jardim me telefonou e avisou que essas facções têm ramificações em todo o Brasil. É preciso ficar atento, mas não vou pedir aumento na minha segurança. O que eu vou fazer é solicitar uma audiência pública aqui em Brasília para discutir esse tema — disse.

No final da tarde, o senador Paulo Paim divulgou uma nota oficial. Confira:

“Se eles pensam que com este movimento vão calar a minha voz no Congresso Nacional, que sempre foi e será, em defesa dos discriminados, sejam eles negros, brancos, índios, ciganos, evangélicos, católicos, de matriz africana, judeus, palestinos e daqueles que lutam pela livre orientação sexual, estão enganados.

Pelo contrário. Continuarei a minha luta para que todos os preconceitos e discriminações sejam eliminados em nosso país. Se o material elaborado por essas pessoas foi feito para me intimidar ou prejudicar, isso não aconteceu, pois não me intimido e tampouco os gaúchos. Lembro que há oito anos fui eleito para o Senado com 2 milhões de votos e o povo gaúcho numa demonstração de repúdio a esse tipo de atitude neonazista me reelegeu com quase o dobro de votos, 3.9 milhões.

Sou o único senador negro eleito e reeleito na história da República Brasileira. Sei das minhas responsabilidades perante este momento. É inadmissível que em pleno século 21, quando os Estados Unidos elegeram um negro presidente, a Bolívia um índio presidente e o Brasil uma mulher presidente, nós tenhamos que conviver com situações como a ocorrida hoje em Porto Alegre.

Tenho absoluta certeza que atitudes como essa não são aceitas pelo povo gaúcho e brasileiro. Não vou exigir segurança pessoal como foi levantado. Pretendo sim, realizar uma audiência pública aqui no Senado no dia 19 de novembro, véspera do Dia Nacional da Consciência Negra com a presença da OAB, CNBB, Ministério da Justiça, Direitos Humanos, Movimento Negro”.
RÁDIO GAÚCHA E ZEROHORA.COM

Vídeo encontrado com grupo neonazista teria ameaças a Paulo Paim, diz delegado

domingo, 7 de novembro de 2010

Xô, xenofobia!

Após a onda de xenofobia contra nordestinos que teve como grande desencadeadora as afirmações de ódio e preconceito da estudante de direito Mayara Petruso. A reação da maior parte da população foi de aversão a este tipo de atitude. Devemos realmente manter nossa indignação e coibir posturas como essa. Uma das maneiras é denunciar, a outro apoiar os manifestos contrários. Veja abaixo o post de Azenha em que mostra que o site Safernet já denunciou ao Ministério Público mais de 1000 perfis do Twiter e Facebok com manifestações racistas e xenófobas. Para denunciar crimes contra direitos humanos na internet a Safernet tem uma página que qualquer um pode acessar (clique aqui). Também é possível aos paulistas (a maioria) que repudiam o ódio contra nordestinos assinar digitalmente aqui o manifesto “Vixe! Sou paulista, mas não sou idiota. São Paulo para todos” como publicado no Blog Limpinho e Cheiroso reproduzido ao final deste post.

5 de novembro de 2010 às 19:34

Safernet denuncia 1037 perfis do Twitter e do Facebook por racismo

Safernet denuncia mil contas por racismo
Enviado por claudiacardozo, sex, 11/05/2010 – 17:51
05/11/2010
do site da Safernet, dica do Stanley Burburinho
Fonte:
http://info.abril.com.br/noticias/internet/safernet-denuncia-mil-contas-por-racismo-05112010-40.shl
Autor
:
Vinicius Aguiari, de INFO Online

SÃO PAULO – A ONG Safernet protolocou ontem no Ministério Público paulista uma notícia-crime relacionada às manifestações de racismo cometidas no Twitter e no Facebook no domingo, após a apuração das eleições.
O relatório da Safernet identifica 1 037 perfis acusados de cometer racismo contra nordestinos. Os perfis foram denunciados por outros usuários desde domingo até às 18h de ontem.
Segundo o presidente da Safernet, Tiago Tavarez, cabe agora ao MP decidir se aceita a denúncia e aprofunda as investigações sobre o caso ou se o arquiva. Além da notícia-crime da Safernet, o MP também recebeu uma outra denúncia da Ordem dos Advogados do Brasil de Pernambuco.
As mensagens racistas contra os nordestinos foram publicadas na web após a realização das eleições no domingo. As denúncias chegaram à ONG por meio da página www.denuncie.org.br.
Apagar contas não exclui provas, diz advogado
Segundo o professor de direito digital e sócio do escritório Opice Blum, Rony Vainzof, a exclusão das mensagens e das contas não excluem as provas. O que importa, nesse caso, é o ato doloso, a vontade consciente do ilícito de praticar, induzir ou incitar a discriminação”, explica ele.
Os usuários que publicaram mensagens racistas sofrem com um agravante, pois cometeram o crime de racismo através de um meio de comunicação. Dessa forma, a pena pode aumentar de um a três anos para de dois para até cinco anos. “É importante que os usuários se conscientizem que a internet não é um mundo sem lei”, alerta o advogado.

Movimento “Vixe! Sou paulista, mas não sou idiota. São Paulo para todos.”

Blog Limpinho e Cheiroso – um blog higiênico
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Um movimento suprapartidário para retomar a harmonia entre os brasileiros para fazer o País continuar mudando.

O Blog Limpinho & Cheiroso, depois de publicar alguns posts relatando as mensagens eletrônicas racistas, xenófobas, preconceituosas e carregadas de ódio que invadiram a internet durante as eleições presidenciais e, principalmente, após a vitória de Dilma Rousseff, recebeu vários comentários de internautas indignados com o fato e outros que combateram o preconceito com preconceito.
Moçada, devagar com o andor, porque o santo é de barro.
Como paulistano, o Limpinho concorda que certa parcela da sociedade paulista se acha dona do Brasil e se sente no direito de ditar regras para todos os brasileiros. Porém, nem todos os paulistas são idiotas como algumas pessoas do restante do Brasil acham. Aqui tem gente legal também!
Por sugestão do internauta Paulo Cesar do Lago (autor do texto do manifesto), o Limpinho encampou o movimento “Vixe! Sou paulista, mas não sou idiota. São Paulo para todos”.
O movimento tem como principal objetivo trazer a harmonia e paz entre os brasileiros, além de pretender minimizar (acabar, infelizmente, não é possível) qualquer tipo de preconceito e xenofobia. Ele é suprapartidário e dedicado aos paulistas e às pessoas que nasceram em outras regiões do Brasil, mas que se consideram paulistas devido ao longo tempo que vivem em São Paulo. O importante é que todos aceitem a diversidade existente no País e acreditem no valor de todos os brasileiros independente de origem, credo, raça, cultura e profissão.
O mote do movimento “Vixe! Sou paulista, mas não sou idiota. São Paulo para todos” é a música Paratodos do escritor, compositor e cantor Chico Buarque. A letra diz tudo, e mais um pouco, sobre a diversidade brasileira e que todos nós formamos uma grande nação.

Para ler e assinar o manifesto, clique aqui.

Paratodos

Chico Buarque
O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antonio Brasileiro
Foi Antonio Brasileiro
Quem soprou esta toada
Que cobri de redondilhas
Pra seguir minha jornada
E com a vista enevoada
Ver o inferno e maravilhas
Nessas tortuosas trilhas
A viola me redime
Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro
Vi cidades, vi dinheiro
Bandoleiros, vi hospícios
Moças feito passarinho
Avoando de edifícios
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho
Para um coração mesquinho
Contra a solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto
Viva Erasmo, Ben, Roberto
Gil e Hermeto, palmas para
Todos os instrumentistas
Salve Edu, Bituca, Nara
Gal, Bethania, Rita, Clara
Evoé, jovens à vista
O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro

Calem a boca, Nordestinos!

Do site crerétambempensar!

Calem a boca, nordestinos! (corrigido)

Por José Barbosa Junior 

A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.

Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra... outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.

Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!".

Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos "amigos" Houaiss e Aurélio) do nosso país.

E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!

Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?

Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?

Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?

Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos... pasmem... PAULISTAS!!!

E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.

Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.

Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura...

Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner...

E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia...

Ah! Nordestinos...

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?

Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.

Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!

Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!

Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário... coisa da melhor qualidade!

Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso... mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!

Minha mensagem então é essa: - Calem a boca, nordestinos!

Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.

Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”

Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!

José Barbosa Junior, na madrugada de 03 de novembro de 2010.

 José Barbosa Junior nasceu em Teresópolis-RJ em 29/12/1970. É convertido ao Evangelho desde março de 1987. É estudante de Teologia no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, onde também reside. É palestrante e pregador, além de músico e letrista. Desde 2004 é escritor e editor do site www.crerepensar.com.br

http://www.crerepensar.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=204&Itemid=26

sábado, 6 de novembro de 2010

Governo Lula melhora IDH. Brasil foi o que mais melhorou

Conversa Afiada
Publicado em 05/11/2010

Diz o Lula: nordestino não quer ser pedreiro; vai ser engenheiro

Saiu na capa do Estadão (a Folha escondeu):
IDH do Brasil avança, mas desigualdade é entrave.
O Brasil foi o país que mais avançou no Índice de Desenvolvimento Humano da Onu.
Melhorou na Educação, na Saúde e na distribuição de renda.
O problema continua a ser distribuição de renda, ainda que mais igual, e a distribuição regional da renda.

Navalha

NAVALHA

Se a Dilma mantiver a política social.
Se mantiver a política de desenvolvimento no Norte e Nordeste.
E se aprofundar o Bolsa Família, o ProUni, a abertura de escolas técnicas.
Se redundar a CPMF.
Se usar o dinheiro do pré-sal para tudo isso.
Se fizer tudo isso, será a Dama de Petróleo e a Dama do IDH.
Para desespero da jovem e xenófoba elite paulista.
Vade retro !

Clique aqui para ler “Que líder paulista tem autoridade para combater os xenófobos?”

Paulo Henrique Amorim

Governo Lula melhora IDH. Brasil foi o que mais melhorou | Conversa Afiada

Que líder vai enfrentar o “SP só para paulistas” ?

Conversa Afiada 
Publicado em 05/11/2010


Os bolivianos serão os primeiros. Depois ...

Ligo para o Oráculo, assustado:
- Você viu no que deu o ódio do Serra ?
- O que ?, o que é isso ?, pergunta o Oráculo, também assustado.
- O Serra semeou o ódio, a divisão, a intolerância e deu nisso.
- O que, meu filho ?
- Deu no movimento “SP só para paulistas” (clique aqui para ver).
- Ah, mas isso já estava lá, submerso. O Serra só fez acender o fósforo.
- Sim, mas isso assusta, não ?
- Claro.
- É a Liga Norte separatista da Itália, o Sarkozy a expulsar os ciganos …
- Basta, basta, já entendi tudo. Os chicanos nos Estados Unidos …
- E como se sai dessa ?
- Meu filho, eu é que pergunto: que líder de São Paulo vai subir na tribuna e dizer: basta !
- Um Kennedy, que disse “eu sou berlinense”.
- É, meu filho, não tem Kennedy em São Paulo, diz o Oráculo.
- E o Fernando Henrique ?, pergunto.
- Esse renunciou ao papel de estadista, para ser chefe de facção.
- É o que ele diz do Lula.
- É o que eu digo dele: o Fernando Henrique perdeu a autoridade moral.
- Então, quem vai levantar a voz e dizer: São Paulo é contra a xenofobia, São Paulo também é o Nordeste ?
- Não vejo ninguém.
- E no que vai dar nisso, ? pergunto.
- Os bolivianos serão as primeiras vítimas.
- Os bolivianos ?
- Sim ! Quem disse que os mauricinhos de São Paulo cheiram cocaína por culpa da Bolívia ?
- É verdade. O Serra.
- E quem são os escravos da indústria têxtil de São Paulo ?
- Os bolivianos, respondi, assustado.
- E quem é perseguido nas escolas públicas de São Paulo ?
- O aluno boliviano.
- Pois é, meu filho.
- O que ?
- Vai começar com os bolivianos. Depois é que vai para os nordestinos. Os cariocas. Os mineiros. Os judeus etc etc etc …
Pano rápido.
Paulo Henrique Amorim

Que líder vai enfrentar o “SP só para paulistas” ? | Conversa Afiada

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Bolsa Família dos norte-americanos

Para quem prega ou disfarça o preconceito contra nordestinos: 42 milhões de americanos recebem ajuda do governo para enfrentar a crise. Será que os que ainda tem emprego por lá querem afogá-los?

Viomundo - O que você não vê na mídia
4 de novembro de 2010 às 17:42

WSJ: 42.389.619 de americanos dependem do Bolsa Família para comer

November 4, 2010, 2:47 PM ET
In U.S., 14% Rely on Food Stamps

By Sara Murray, naquele jornal comunista, o Wall Street Journal

Um grande número de domicílios americanos ainda depende da assistência do governo para comprar comida, no momento em que a recessão continua a castigar famílias.

O número dos que recebem o cupom de comida [food stamps, a versão americana do Bolsa Família] cresceu em agosto, as crianças tiveram acesso a milhões de almoços gratuitos e quase cinco milhões de mães de baixa renda pediram ajuda ao programa de nutrição governamental para mulheres e crianças.

Foram 42.389.619 os americanos que receberam food stamps em agosto, um aumento de 17% em relação a um ano atrás, de acordo com o Departamento de Agricultura, que acompanha as estatísticas. O número cresceu 58,5% desde agosto de 2007, antes do início da recessão.

Em números proporcionais, Washington DC [a capital dos Estados Unidos] tem o maior número de residentes recebendo food stamps: mais de um quinto, 21,1%, coletaram assistência em agosto. Washington foi seguida pelo Mississipi, onde 20,1% dos moradores receberam food stamps, e pelo Tennessee, onde 20% dos residentes buscaram ajuda do programa de nutrição.

Idaho teve o maior aumento no número de recipientes no ano passado. O número de pessoas que receberam food stamps no estado subiu 38,8%, mas o número absoluto ainda é pequeno. Apenas 211.883 residentes de Idaho coletaram os cupons em agosto.

O benefício nacional médio por pessoa foi de 133 dólares e 90 centavos em agosto. Por domicílio, foi de 287 dólares e 82 centavos.

Os cupons se tornaram um refúgio para os trabalhadores que perderam emprego, particularmente entre os estadunidenses que já exauriram os benefícios do seguro-desemprego. Filas nos supermercados à meia-noite do primeiro dia do mês demonstram que, em muitos casos, o benefício não está cobrindo a necessidade das famílias e elas correm antes da chegada do próximo cheque.

Mesmo durante as férias de verão as crianças retornaram às escolas para tirar proveito da merenda, onde ela estava disponível. Cerca de 195 milhões de almoços foram servidos em agosto e 58,9% deles foram de graça. Outros 8,4% foram a preço reduzido. Este número vai aumentar quando os dados do outono forem divulgados já que as crianças estarão de volta às escolas. Em setembro passado, por exemplo, mais de 590 milhões de almoços foram servidos, quase 64% de graça ou com preço reduzido.

Crianças cujas famílias tem renda igual ou até 130% acima da linha da pobreza — 28 mil e 665 dólares por ano para uma família de quatro pessoas — podem ter acesso a almoços gratuitos. As famílias que tem renda entre 130% a 185% acima da linha da pobreza — 40 mil e 793 dólares para uma família de quatro — podem receber refeições a preço reduzido, não mais que 40 centavos de dólar de desconto.

Ps do Viomundo: Texto dedicado àqueles que acham chique os programas sociais na França, na Alemanha e nos Estados Unidos, mas tem “horror!” dos programas sociais brasileiros.

Escândalo: está em marcha o “SP (só) para paulistas”

Conversa Afiada
Publicado em 04/11/2010

Na foto, uma reunião do pessoal do SP só para SP

O Conversa Afiada reproduz e-mail do amigo navegante Miguel, do Limpinho e Cheiroso:

Caros amigos do Conversa Afiada,
Fiquei estupefacto ao ler o Terra Magazine, do Bob Fernandes. A repórter Ana Cláudia Barros fez duas matérias de cair o queixo. Numa, ela entrevistou Fabiana Pereira, 35 anos, autora intelectual (sic) do manifesto que circula na internet “São Paulo para os paulistas”. Em outra, Ana Cláudia entrevistou Willian Godoy Navarro, 22 anos, signatário do manifesto e articulador, juntamente com Fabiana e outros 600 paulistas, do Movimento Juventude Paulistana.
Com o Movimento Juventude Paulistana, eles querem mudar, quer dizer, melhorar São Paulo e fazer manifestações à la Greenpeace. A primeira será, observe a coincidência, na Ponte Estaiada. Outra coisa: a Fabiana defende a atitude da xenófoba-estudante de Direito-paulistana Mayara.
Sério! Dá medo ao ler as matérias… Nossa Senhora da Antixenofobia que nos proteja.
O Limpinho reproduziu os textos:
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/11/em-manifesto-na-web-jovens-paulistas.html
Depois de ler os artigos o Limpinho chegou às seguintes conclusões:
1. Em São Paulo, a coisa está muito pior do que eu imaginava. Muito pior…
2. Fazer manifestação na Ponte Estaiada é sintomático. Quem é da capital de São Paulo sabe que o pano de fundo do jornalismo paulistano da Rede Globo é a Ponte Estaiada. Que coincidência!
3. Willian Godoy Navarro, mesmo medindo suas palavras, se entregou: “Essas pessoas [Movimento São Paulo para os paulistas] querem mudar São Paulo, mudar não, pelo menos, melhorar.”
4. A Fabiana Pereira, com todo respeito, não diz coisa com coisa: “Acabaram usando tudo isso [a xenofobia da Mayara] para colocar até um pouco como vítima, né?!”
5. Eles querem usar a mesma tática do Greenpeace, aquele movimento que se calou durante o vazamento de petróleo no Golfo do México, cuja culpa foi da British Petroleum, que se tornou um dos piores da história dos Estados Unidos. Só falta eles querem também seguir os Repórteres com, quer dizer, Sem Fronteiras.
Miguel Baia Bargas
Blog Limpinho & Cheiroso
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/

Navalha

NAVALHA

Como foi que tudo isso começou, amigo navegante ?
Começou aqui, amigo navegante: Serra semeou o ódio e agora o Brasil colhe a tempestade do preconceito, da discriminação e da xenofobia.
Recomenda-se reler o texto da professora Tânia Bacelar, da Universidade Federal de Pernambuco, em Mauricio Dias da Carta Capital: “O Nordeste não trocou o voto pelo miolo do pão”.
E aqui para ler “Serra perdeu porque São Paulo só pensa em São Paulo”.
Que horror !

Paulo Henrique Amorim

Escândalo: está em marcha o “SP (só) para paulistas” | Conversa Afiada

Sugestões para a jovem estudante de direito

Blog da Dilma
novembro 4th, 2010 |  Autor: CelsoJardim

Mayara Petruso foi demitida do escritório de advocacia em que estagiava, a estudante de direito pleiteava um emprego para ajudar a pagar a faculdade.

Além disso  a Ordem dos Advogados do Brasil de Pernambuco (OAB-PE) decidiu entrar com notícia-crime contra a estudante paulista Mayara Petruso no Ministério Público Federal, pedindo abertura de ação penal pelos crimes de racismo e por incitação à prática de homicídio.

Sugestões para a jovem fascista:

1. Se não conseguir outro estágio ou emprego para pagar os últimos anos do curso de Direito, vê se consegue uma bolsa do ProUni, para isso tem que ter nota alta no ENEM, e ter estudado em escola pública. Ou ainda um FIES, que agora os estudantes de baixa renda que conseguem um financiamento não precisam de fiador.

2. Caso não consiga nada das hipoteses anteriores, tente se inscrever no Bolsa Família e se atender os requisitos e provar que a família tem renda que se enquadre torça para ser aceita.

3. Se não precisar de nada disso e a família tiver condições financeiras até ser julgada vá passear no nordeste e conheça as praias mais bonitas do país, e conheça uma culinária atraente e também saiba com é o nordestino, um povo alegre e educado como a maioria dos brasileiros, aproveite e aprenda um pouco da cultura popular brasileira, afinal você é jovem e tem muito que aprender ainda na vida.

* Celso Jardim

Sugestões para a jovem estudante de direito

Auschwitz brasileira: você vai?

Blog do Miro
Altamiro Borges
quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Reproduzo artigo enviado pelo internauta Mauro Carrara:
Durante a II Guerra Mundial, milhões de judeus foram enviados a campos de concentração e extermínio pelo governo nazista de Adolf Hitler. No entanto, no principal complexo da morte, Auschwitz-Birkenau, na Polônia, foram encarcerados também membros da resistência democrática, intelectuais, artistas, religiosos, elementos considerados anti-sociais, ciganos e homossexuais.
Cidadãos alemães, poloneses, franceses, italianos, russos e de outras nacionalidades, inclusive crianças e idosos, encontraram ali a angústia de seus últimos dias. Pelo menos 2 milhões de seres humanos foram mortos nessas instalações. Muitos pereceram nas câmaras de gás, envenenados pelo pesticida Zyklon B.
Não por acaso, o sistema remete à campanha informal “afogue um nordestino”, em curso nas redes sociais virtuais brasileiras, movida por militantes da candidatura derrotada de José Serra à presidência da República.
A autora da proposta é a estudante de Direito paulista Mayara Petruso, para quem os nordestinos são “vagabundos” que “fazem filho” para receber benefícios do programa Bolsa Família.
De acordo com os seguidores do grupo, como Maxi Franzoi, ativo no Twitter, a perseguição é legítima. Segundo o jovem, as nordestinas “nem banho tomam” e não há chuveiros instalados na região.
A campanha de perseguição aos diferentes movida pela juventude tucana, porém, alcança outros grupos minoritários divergentes.
Amarela azeda e aleijado FDP
Na comunidade Brasil (1,3 milhão de membros), da rede Orkut, por exemplo, a professora sansei Marina Okuhara, procurava argumentar civilizadamente em favor das políticas de distribuição de renda no Brasil quando foi chamada de “amarela azeda”, “vaca oriental sem bunda” e intimada a deixar o Brasil e se mudar para a “Coreia do Norte”.
Agressões e graves ameaças também têm sido registradas contra nortistas (os “índios burros”, como escreveu um simpatizante de José Serra no Twitter), cariocas, mineiros, bolivianos, homossexuais, deficientes físicos, negros e obesos.
Na rede Orkut, o termo “aleijado filho da puta tem que virar sabão” foi utilizado várias vezes, entre risadas escritas, contra um estudante portador de necessidades especiais que defendia a candidatura de Dilma Rousseff.
Nas rotulagens padronizadas por esses grupos, cariocas são “traficantes e prostitutas”, mineiros são “comedores de pão de queijo vendidos”, bolivianos são “sub-raça que infecta São Paulo”, homossexuais são “pecadores aidéticos” a serem eliminados, deficientes são “estorvos”, negros são “indolentes” (embora muitos revoltosos afirmem até mesmo conversar “normalmente” com eles) e obesos compõem a “escória da raça”.
O último tipo de classificação gerou até mesmo um novo “esporte” universitário. Na Unesp, um grupo de alunos instituiu o chamado “Rodeio das Gordas”, que também ganhou uma comunidade na rede Orkut e inúmeras adesões no Twitter.
Durante uma festa, os rapazes saltavam sobre as costas das garotas consideradas obesas e as dominavam por estrangulamento. Diante do desespero das vítimas, os “cowboys” berravam: “pula, pula, gorda bandida”.
Logicamente, os esquerdistas recebem um tratamento especial na Internet. Nomeados “comunistas de merda”, devem se transferir para Cuba ou para o Vietnã. Frequentemente recebem ameaças físicas.
O Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães, por exemplo, registrou logo após as eleições um “aviso” do gênero, escrito por um certo Ruiz:
- Vocês estão fudidos, nem que a gente tenha que quebrar vocês na rua… só no taco de baseball e se vier é melhor cair dentro neném, que aqui não tem perdão
Esses movimentos têm umbilical relação com as campanhas movidas pelas tropas de choque virtuais da candidatura do PSDB à presidência. Um olhar mais atento atestará que os animadores das gangues da intolerância estiveram empenhados na propaganda tucana.
Sabe-se, portanto, de onde vem essa educação para a hostilidade. Os exemplos de cima são muitos e variados, capazes de gerar e consolidar uma cultura de intransigência e ódio.
Em 2005, num evento com empresários, por exemplo, o político catarinense Jorge Bornhausen, do atual DEM, foi questionado sobre um suposto desencanto com a política. E respondeu da seguinte forma:
- Desencantado? Pelo contrário. Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos.
Em 2006, numa entrevista ao SPTV, da Rede Globo, o então candidato tucano ao governo paulista foi interrogado pelos apresentadores sobre as causas do péssimo desempenho da educação no Estado mais rico do país.
Sem titubear, Serra colocou a culpa nos migrantes e ainda deturpou os dados sobre movimentação populacional interna, alegando que “muita gente continua chegando” a São Paulo.
Com a derrota nas urnas no dia 31 de Outubro, os guerreiros do atraso, influenciados pela TPF, pela Opus Dei, pela Tribuna Nacional, pelos monarquistas e pela ala reacionária e golpista do episcopado brasileiro, revelam-se decididos a manter a cruzada pela desestabilização do país.
Portanto, muito cuidado, especialmente se você ousou votar em Dilma, se está entre os 49% de gaúchos e 46% de paulistas “vermelhos”, se simpatiza com a esquerda, se tem princípios humanistas, se segue a lição do verdadeiro Cristo, se é nordestino, se é nortista, se é carioca, se é mineiro, se ainda vive de maneira humilde, se foi beneficiado pelo Prouni, se é oriental, se é afro-descendente, se é ameríndio, se sua família tem origem em outro país latino, se é contrário à entrega de Itaipu e Petrobrás aos amigos de FHC e também se ganhou uns quilinhos a mais...
Em cada esquina virtual, tem uma Auschwitz a sua espera. E o Hélio Bicudo continua calado.

Altamiro Borges: Auschwitz brasileira: você vai?

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