Mostrando postagens com marcador EUA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador EUA. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

‘Não temos de esperar o G-20’

economia - Estadao.com.br

Ex-deputada e militante do PT, Maria da Conceição Tavares está descrente que o encontro possa gerar algum acordo efetivo

10 de novembro de 2010 | 9h 21

Renato Andrade, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A professora Maria da Conceição Tavares não tem falado ultimamente com o presidente Lula nem com a presidente eleita Dilma Rousseff. Mas tem na ponta da língua várias recomendações a fazer. A ex-deputada federal e militante do PT propõe a adoção de mecanismos para controlar a entrada de capitais e redução imediata dos juros para tratar o que considera como questão mais urgente do novo governo: a valorização do real ante o dólar americano.

image

Descrente da possibilidade de o encontro do G-20, amanhã e sexta-feira, gerar algum tipo de acordo efetivo sobre o assunto, Conceição acredita que cabe ao governo brasileiro acelerar a adoção de medidas de proteção. "Sem acordo para ordenar essa porcaria, doa a quem doer, nós temos de nos defender e, se for necessário, façamos controle de capitais, não tem nada de mais", defendeu ontem a economista durante debate no Congresso.

Além do controle na entrada de dólares, a professora também defende redução da taxa de juros, o que reduziria o apetite dos investidores estrangeiros em trazer recursos ao Brasil. "Temos de usar todos os instrumentos possíveis e não precisamos pedir licença a ninguém. Quem tem de se defender é o Brasil, e não ficar esperando G-20, 22, 23 ou 24."

Aos 80 anos, Conceição continua verborrágica. Em pouco mais de três horas de debate, defendeu um aumento maior do salário mínimo em 2011 - descontando parte do reajuste a ser concedido em 2012 -, a volta da CPMF e o fim da briga de gato e rato entre Banco Central e Ministério da Fazenda, que classificou como "jogo perigoso".

Para combater a guerra cambial, ela deixou claro que, se dependesse de seu voto, Henrique Meirelles não continuaria à frente do BC. "Mas isso sou eu." Depois que Conceição Tavares admitiu no debate que chegou a sonhar em comandar o BC na década de 1980, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sugeriu que agora seria a oportunidade de transformar o sonho em realidade. Para não deixar dúvidas que continua a mesma, a professora foi direta: "De jeito nenhum. Agora eu não aceitaria porque tenho 80 anos e estou com o pé na cova".

‘Não temos de esperar o G-20’ - economia - Estadao.com.br

Sobre PSAT, SAT e os critérios das universidades nos Estados Unidos

Viomundo - O que você não vê na mídia
10 de novembro de 2010 às 20:27

por Luiz Carlos Azenha

Caros leitores, fui secundarista nos Estados Unidos. Meu diploma de segundo grau é da Old Mill Senior High School, de Glen Burnie, um condado do estado de Maryland.
Sei o que é o teste do PSAT (preparatório) e o que é o SAT (standart admissions test).
É o equivalente do ENEM nos Estados Unidos.
Um aluno americano NUNCA é admitido em uma universidade, pública ou privada, com base apenas no resultado do teste.
O teste é considerado apenas uma medida do aprendizado que o aluno teve no ensino médio.
O julgamento das universidades, ao admitir os estudantes, é altamente subjetivo.
Leva em conta as notas do estudante no ensino médio, o resultado do SAT, uma redação do aluno sobre os motivos pelos quais escolheu aquela universidade e critérios que independem dos alunos.
Toda universidade dos Estados Unidos — de Harvard a Columbia, de Yale a Duke — leva em consideração critérios que transcendem a vontade dos alunos. Se existe um critério UNIFICADOR entre as universidades dos Estados Unidos, é o da diversidade: uma classe de alunos de um curso precisa, em maior ou menor grau, expressar a diversidade social. Por isso, há alunos ricos, pobres, bolsistas, negros, hispânicos, orientais e assim sucessivamente.
Os jecas brasileiros costumam falar em meritocracia como se o resultado de um teste fosse o critério número um de admissão no primeiro mundo.
Não é. O critério número um, pelo menos nos Estados Unidos, é de garantir que as classes expressem a diversidade social.
Quando eu estudava na Old Mill, por exemplo, minha família americana dizia que, se eu tivesse um bom desempenho nos esportes, poderia pleitear uma bolsa de estudos em uma universidade americana, com grandes chances de sucesso.
Mas eu decidi não fazer o SAT, já que tinha em mente completar o curso secundário e voltar ao Brasil. Felizmente, ao retornar, tive a sorte de ingressar na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Mas, como brasileiro (ou seja, “hispânico”), teria tido grande chance de disputar uma vaga em Harvard, no MIT, em Stanford ou na Columbia.

Sobre PSAT, SAT e os critérios das universidades nos Estados Unidos | Viomundo - O que você não vê na mídia

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Desigualdade nos Estados Unidos: Yes, nós somos bananas

Viomundo - O que você não vê na mídia
Luiz Carlos Azenha
8 de novembro de 2010 às 12:23

Nossa república das bananas

By NICHOLAS D. KRISTOF, no New York Times

November 6, 2010

Em minhas reportagens, eu viajo regularmente às repúblicas das bananas notórias por sua desigualdade. Em algumas destas plutocracias, o 1%  mais rico da população abocanha até 20% da torta nacional.

Mas, dá para acreditar? Você não precisa viajar a países distantes e perigosos para observar tal desigualdade. Nós temos isso bem aqui em casa — e depois das eleições de quinta-feira, pode piorar.

O 1% mais rico dos norte-americanos agora acumula quase 24% da renda nacional, comparado com 9% em 1976. Como Timothy Noah da [revista eletrônica] Slate notou em sua excelente série sobre desigualdade, os Estados Unidos agora tem uma distribuição de riqueza mais desigual que as tradicionais repúblicas das bananas da Nicarágua, Venezuela e Guiana.

Os dirigentes das maiores companhias dos Estados Unidos ganhavam em média 42 vezes o salário médio dos trabalhadores em 1980, mas isso passou a 531 vezes em 2001. Talvez a estatística mais chocante seja esta: de 1980 a 2005, mais de quatro quintos do aumento total de renda dos Estados Unidos foram para o 1% mais rico.

Este é o cenário para uma das grandes brigas pós-eleitorais de Washington — até quando estender os cortes de impostos de Bush para os 2% mais ricos dos Estados Unidos. Os dois partidos concordam em estender os cortes de impostos para quem ganha até 250 mil dólares [por ano]. Os republicanos também querem estender os cortes de impostos para quem ganha acima disso.

O 0,1% dos contribuintes mais ricos receberia um corte de impostos de 61 mil dólares do presidente Obama. Mas receberia 370 mil dólares [de corte de impostos] dos republicanos, de acordo com o grupo não partidário Tax Policy Center. E isso resultaria num modesto estímulo econômico, já que os ricos em geral não gastam o que deixam de pagar em impostos.

Num período de desemprego de 9,6%, não faria mais sentido financiar um programa de emprego? Por exemplo, o dinheiro poderia ser usado para evitar a demissão de professores e o enfraquecimento das escolas norte-americanas.

Além disso, uma prioridade óbvia do pior desaquecimento da economia em 70 anos seria estender o seguro-desemprego, parte do qual será cortado em breve a não ser que o Congresso aja para renová-lo. Ou há também o programa de assistência para o ajuste do comércio, que ajuda a treinar e apoiar trabalhadores que perderam seus empregos por causa do comércio exterior. Não será mais aplicado aos trabalhadores do setor de serviços depois de primeiro de janeiro [de 2011], a não ser que o Congresso intervenha.

Assim temos uma escolha. São nossa prioridade econômica os desempregados ou os zilionários?

E se os republicanos estão preocupados com o déficit do orçamento de longo prazo, uma preocupação justa, por que insistem em dois passos que economistas não partidários dizem que piorariam os déficits em mais de 800 bilhões de dólares na próxima década — cortar impostos para os mais ricos e derrubar a reforma do sistema de saúde? Que outros programas os republicanos cortariam para garantir os 800 bilhões em receita perdida?

Ao considerar estas questões, é preciso relembrar o cenário em que se deu o crescimento da desigualdade nos Estados Unidos.

No passado, muitos de nós aceitávamos os níveis de desigualdade porque acreditávamos existir uma troca entre igualdade e crescimento econômico. Mas há provas de que os níveis de desigualdade que agora atingimos na verdade suprimem o crescimento. Uma gota de desigualdade pode lubrificar o crescimento econômico [nota do Viomundo: teoria de Ronald Reagan, a Reagonomics, segundo a qual quando sobra mais dinheiro para os mais ricos eles investem na economia e criam empregos], mas muita desigualdade pode emperrar a economia.

Robert H. Frank, da Universidade de Cornell, Adam Seth Levine da Universidade Vanderbilt e Oege Dijk, do Instituto da Universidade Europeia, recentemente escreveram um trabalho fascinante sugerindo que a desigualdade causa problemas econômicos. Eles olharam para os dados do censo para 50 estados e os 100 condados mais populosos dos Estados Unidos e encontraram relação entre os lugares onde a desigualdade mais cresceu e o crescimento do número de falencias.

Aqui está a explicação: quando a desigualdade cresce, os mais ricos pegam o dinheiro e compram mansões ainda maiores e automóveis ainda mais luxuosos. Os que se encontram abaixo tentam fazer o mesmo e acabam gastando a poupança e assumindo dívidas, tornando uma crise financeira ainda mais provável.

Outra consequência descoberta pelos estudiosos: a desigualdade crescente aumenta o número de divórcios, presumivelmente como resultado de dificuldades financeiras. Talvez eu seja muito sentimental ou romântico, mas isso me impressiona. É um lembrete de que a desigualdade não é apenas uma questão econômica, mas também de dignidade e felicidade.

Há provas crescentes de que perder um automóvel ou uma casa mexe com a sua identidade e acaba com a sua autoestima. Mudanças forçadas [de endereço] arrancam famílias de suas escolas e de suas redes de apoio.

Em resumo, desigualdade deixa as pessoas que estão mais baixo na escala social se sentindo feito ratinhos na roda que gira cada vez mais rápido, sem esperança ou escape.

Polarização econômica também rompe nosso sentido de união nacional e de objetivos comuns, gerando também polarização política.

E assim, no cenário pós-eleitoral, não devemos agravar nossa separação por renda, que deixaria um caudilho latino-americano orgulhoso. Para mim, já chegamos ao ponto das repúblicas das bananas onde a desigualdade se tornou economicamente pouco saudável e moralmente repugnante.

PS do Viomundo: Este site não gosta de julgamentos morais. Nota que os Estados Unidos combateram ferozmente os governos que tentaram reduzir a desigualdade, tanto na Nicarágua quanto na Venezuela. E, ao contrário do articulista, nota que a desigualdade nos Estados Unidos se acelerou porque os ricos passaram a exportar os empregos e, para pagar menos imposto, a sediar suas corporações em paraísos fiscais, enquanto os mais pobres foram fritar hambúrguer no setor de “serviços”.

Desigualdade nos Estados Unidos: Yes, nós somos bananas | Viomundo - O que você não vê na mídia

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Bolsa Família dos norte-americanos

Para quem prega ou disfarça o preconceito contra nordestinos: 42 milhões de americanos recebem ajuda do governo para enfrentar a crise. Será que os que ainda tem emprego por lá querem afogá-los?

Viomundo - O que você não vê na mídia
4 de novembro de 2010 às 17:42

WSJ: 42.389.619 de americanos dependem do Bolsa Família para comer

November 4, 2010, 2:47 PM ET
In U.S., 14% Rely on Food Stamps

By Sara Murray, naquele jornal comunista, o Wall Street Journal

Um grande número de domicílios americanos ainda depende da assistência do governo para comprar comida, no momento em que a recessão continua a castigar famílias.

O número dos que recebem o cupom de comida [food stamps, a versão americana do Bolsa Família] cresceu em agosto, as crianças tiveram acesso a milhões de almoços gratuitos e quase cinco milhões de mães de baixa renda pediram ajuda ao programa de nutrição governamental para mulheres e crianças.

Foram 42.389.619 os americanos que receberam food stamps em agosto, um aumento de 17% em relação a um ano atrás, de acordo com o Departamento de Agricultura, que acompanha as estatísticas. O número cresceu 58,5% desde agosto de 2007, antes do início da recessão.

Em números proporcionais, Washington DC [a capital dos Estados Unidos] tem o maior número de residentes recebendo food stamps: mais de um quinto, 21,1%, coletaram assistência em agosto. Washington foi seguida pelo Mississipi, onde 20,1% dos moradores receberam food stamps, e pelo Tennessee, onde 20% dos residentes buscaram ajuda do programa de nutrição.

Idaho teve o maior aumento no número de recipientes no ano passado. O número de pessoas que receberam food stamps no estado subiu 38,8%, mas o número absoluto ainda é pequeno. Apenas 211.883 residentes de Idaho coletaram os cupons em agosto.

O benefício nacional médio por pessoa foi de 133 dólares e 90 centavos em agosto. Por domicílio, foi de 287 dólares e 82 centavos.

Os cupons se tornaram um refúgio para os trabalhadores que perderam emprego, particularmente entre os estadunidenses que já exauriram os benefícios do seguro-desemprego. Filas nos supermercados à meia-noite do primeiro dia do mês demonstram que, em muitos casos, o benefício não está cobrindo a necessidade das famílias e elas correm antes da chegada do próximo cheque.

Mesmo durante as férias de verão as crianças retornaram às escolas para tirar proveito da merenda, onde ela estava disponível. Cerca de 195 milhões de almoços foram servidos em agosto e 58,9% deles foram de graça. Outros 8,4% foram a preço reduzido. Este número vai aumentar quando os dados do outono forem divulgados já que as crianças estarão de volta às escolas. Em setembro passado, por exemplo, mais de 590 milhões de almoços foram servidos, quase 64% de graça ou com preço reduzido.

Crianças cujas famílias tem renda igual ou até 130% acima da linha da pobreza — 28 mil e 665 dólares por ano para uma família de quatro pessoas — podem ter acesso a almoços gratuitos. As famílias que tem renda entre 130% a 185% acima da linha da pobreza — 40 mil e 793 dólares para uma família de quatro — podem receber refeições a preço reduzido, não mais que 40 centavos de dólar de desconto.

Ps do Viomundo: Texto dedicado àqueles que acham chique os programas sociais na França, na Alemanha e nos Estados Unidos, mas tem “horror!” dos programas sociais brasileiros.

600 bilhões de dólares por aí. Teremos guerra comercial?

Viomundo - O que você não vê na mídia 
3 de novembro de 2010 às 23:55

Banco Central dos EUA joga lenha na fogueira da guerra cambial

do Vermelho

O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) decidiu injetar mais de 600 bilhões de dólares na economia através da compra de títulos do Tesouro. A decisão tende a alimentar a chamada guerra cambial e “preocupa o governo brasileiro por representar a política de empobrecimento do vizinho”, conforme avaliação do secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral.

Segundo ele, a medida põe mais lenha na fogueira da chamada “guerra cambial”, também denominada por Barral de “dumping cambial”, e tem como consequência medidas de retaliação dos demais países que se sentirem prejudicados, inclusive do Brasil.

Inflação e protecionismo

“A medida do Fed gera inflação em dólares e leva ao câncer, que é a adoção de medidas protecionistas pelos países prejudicados ao redor do mundo”, continuou Barral. Ele mencionou que o governo brasileiro vai se posicionar em relação a esta e outras medidas dos EUA e da China na reunião do G-20, semana que vem em Seul, na Coreia do Sul.

Enquanto os efeitos da medida na economia norte-americana são duvidosos, as conseqüências no exterior são sobejamente conhecidas. A decisão do Fed aumenta a liquidez mundial e amplia o excesso de dólares em circulação nos mercados ditos emergentes. A compra massiva de títulos do Tesouro também sinaliza a dificuldade que o governo dos EUA está tendo para financiar o déficit público com recursos de investidores internos e dos bancos centrais dos países superavitários (China, Alemanha, Japão e Brasil, entre outros).

Pacote de exportação

Enquanto isso, cabe ao ministério e a outras áreas do governo colocar em prática medidas administrativas já anunciadas no pacote de exportação, no início de 2010, para tentar reduzir o efeito da distorção cambial e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros.

Entre as medidas já anunciadas, neste mês entra em vigor o “draw back” isenção; medidas antielisão; regras de origens não preferenciais, segundo Barral. “Para aumentar a competitividade das exportações brasileiras há vários fatores e, infelizmente, não existe um remédio milagreiro”, brincou o secretário.

Impacto pequeno

O Fed vai adquirir US$ 600 bilhões em títulos públicos de longo prazo até meados de 2011 para reduzir ainda mais as taxas de juros cobradas em hipotecas e outras dívidas. Esse montante se soma às compras entre US$ 250 bilhões e US$ 300 bilhões já efetuadas pelo Fed.

A ideia é que, ao baratear os empréstimos, as pessoas sejam estimuladas a gastar mais e, por consequência, as empresas tenham incentivo para contratar pessoal. Alguns economistas, porém, temem que a iniciativa tenha um impacto pequeno em estímulo à economia, porque as taxas de juro já estão em níveis historicamente baixos. Outros receiam que as compras de títulos poderiam conduzir a inflação a patamares muito altos no longo prazo e, ao mesmo tempo, liberar compras especulativas de outros ativos, como ações.

Economia fraca

Ao anunciar a ação, o Fed disse que o ritmo da economia continua a ser lento. As empresas continuam relutantes em contratar, o setor imobiliário permanece deprimido e os consumidores estão aumentando seus gastos apenas gradualmente. Thomas Hoenig, presidente do Federal Reserve de Kansas City, divergiu pela sexta reunião consecutiva. Ele argumenta que os riscos trazidos pelo estímulo adicional do Fed superam os benefícios potenciais.

Com a economia fraca, o Fed não quer arriscar ficar preso no cenário de estagnação econômica e deflação que tomou conta do Japão nos anos 1990 e levou a uma “década perdida” no país. A deflação é uma queda generalizada e prolongada dos preços dos bens e serviços, nos salários e nos valores de casas e ações. Ela torna mais difícil para pessoas e empresas pagarem suas dívidas, o que eleva o número de despejos e falências.

Desemprego renitente

Os componentes do Comitê de Política Econômica do Fed (FOMC, na sigla em inglês) expressaram desapontamento pelo fato de a taxa de desemprego – agora em 9,6% – não ter diminuído e de a inflação não estar em níveis mais em linha com uma economia saudável. O progresso em direção a essas metas tem sido decepcionante, reconheceu a autoridade monetária em sua declaração pós-reunião.

Desde a crise financeira de 2008 o Fed tem tentado manter uma oferta de crédito para pessoas e empresas. Uma das iniciativas é deixar a meta da taxa básica de juros perto de zero. Também optou pela estratégia pouco ortodoxa de comprar títulos de longo prazo, em quantidade grande o suficiente para diminuir os juros desses títulos.

Em 2009, o Fed comprou US$ 1,7 trilhão em títulos hipotecários e do Tesouro. Essas aquisições ajudaram a reduzir as taxas de longo prazo dos empréstimos habitacionais e corporativos, o que colaborou para retirar o país da recessão.

A ação anunciada hoje vem um dia depois que os eleitores, frustrados pelo desemprego, queda de salários e execuções hipotecárias, puniram os democratas nas urnas e entregaram o controle da Câmara para os republicanos. O Partido Democrata manteve o controle do Senado. A divisão vai tornar mais difícil para o presidente Barack Obama aprovar iniciativas econômicas importantes, o que poderia colocar mais pressão sobre o Fed.

Com informações do Valor

600 bilhões de dólares por aí. Teremos guerra comercial? | Viomundo - O que você não vê na mídia

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Altamiro Borges: Quem incentivou o golpe no Equador?

Blog do Miro:
sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Quem incentivou o golpe no Equador?

Reproduzo artigo de Eva Golinger, advogada venezuelano-estadunidense, publicado no sítio da Adital:
Uma nova tentativa de golpe contra um país da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) atenta contra a integração latinoamericana e o avanço dos processos de revolução democrática. A direita está no ataque. Seu êxito em 2009 em Honduras contra o governo de Manuel Zelaya encheu-a de energia, força e confiança para poder arremeter contra os povos e governos de revolução na América Latina.
As eleições do domingo, 26 de setembro, na Venezuela, apesar de que resultaram vitoriosas, principalmente para o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), cederam espaço às mais reacionárias e perigosas forças de desestabilização que estão a serviço dos interesses imperiais. Os Estados unidos conseguiram colocar suas peças chaves na Assembleia Nacional da Venezuela, dando-lhes uma plataforma para avançar com seus planos conspirativos para socavar a democracia venezuelana.
No dia seguinte às eleições na Venezuela, a líder pela paz na Colômbia, Piedad Córdoba, foi desabilitada como Senadora da República da Colômbia pela Procuradoria Nacional, baseando-se em acusações e evidências falsas. Porém, o ataque contra a Senadora Piedad simboliza um ataque contra as forças do progresso na Colômbia que buscam soluções verdadeiras e pacíficas ao conflito de guerra em que vivem por mais de 60 anos.
E agora, na quinta-feira, 30 de setembro, o Equador amanheceu sob golpe. Policiais insubordinados tomaram várias instalações na capital, Quito, criando caos e pânico no país. Supostamente, protestavam contra uma nova lei aprovada pela Assembleia Nacional na quarta-feira passada, que, segundo eles, recortava seus benefícios trabalhistas.
O Presidente Rafael Correa, em uma tentativa de resolver a situação, dirigiu-se à polícia insubordinada; porém, foi atacado com objetos contundentes e bombas de gás lacrimogêneo, causando-lhe um ferimento na perna e asfixia devido ao gás. Foi trasladado ao hospital militar na cidade de Quito, onde, em seguida foi sequestrado e mantido à força, sem poder sair.
Enquanto isso, movimentos populares tomavam as ruas de Quito, reclamando a libertação de seu presidente, reeleito democraticamente no ano passado com uma imensa maioria. Milhares de equatorianos levantaram sua voz em apoio ao presidente Correa, tentando resgatar sua democracia das mãos de forças golpistas que buscavam provocar a saída forçada do governo nacional.
Apesar dos acontecimentos, há fatores externos envolvidos nessa tentativa de golpe, que movem de novo suas peças.
Polícia infiltrada
Segundo o jornalista Jean-Guy Allard, um informe oficial do Ministro da Defesa do Equador, Javier Ponce, difundido em outubro de 2008, revelou que "diplomatas estadunidenses se dedicavam a corromper a polícia e as forças armadas". O informe afirmou que unidades da polícia "mantêm uma dependência econômica informal com os Estados Unidos, para o pagamento de informantes, capacitação, equipamento e operações".
Em resposta à informação, a embaixadora dos Estados Unidos no Equador, Heather Hodges, declarou: "Nós trabalhamos com o governo do Equador, com os militares e com a polícia para fins muito importantes para a segurança", justificando a colaboração. Segundo Hodges, o trabalho com as forças de segurança do Equador está relacionado com a "luta contra o narcotráfico".
A embaixatriz
A embaixatriz Heather Hodges foi enviada ao Equador, em 2008, pelo então presidente George W. Bush. Anteriormente, teve uma gestão exitosa como embaixatriz na Moldávia, país socialista que antes fazia parte da União Soviética. Na Moldávia, deixou semeada a pista para uma "revolução de cores", que aconteceu, sem êxito, em abril de 2009, contra a maioria eleita do Partido Comunista, no Parlamento.
Hodges esteve à frente do Escritório de Assuntos Cubanos, como Subdiretora em 1991, divisão do Departamento de Estado, que se dedica a promover a desestabilização em Cuba. Dois anos depois, foi enviada a Nicarágua para consolidar a gestão de Violeta Chamorro, presidente selecionada pelos Estados Unidos, após a guerra suja contra o governo sandinista, que saiu do poder em 1989.
Quando Bush a enviou ao Equador era com a intenção de semear a desestabilização contra Correa, no caso de que o presidente equatoriano se negasse a subordinar-se à agenda de Washington. Hodges conseguiu incrementar o orçamento da Usaid e NED para organizações sociais e grupos políticos que promovem os interesses dos Estados Unidos, inclusive no setor indígena.
Ante a reeleição do presidente Correa, em 2009, baseada na nova Constituição aprovada em 2008 por uma maioria contundente de equatorianos/as, a embaixada começou a fomentar a desestabilização.
Usaid
Alguns grupos sociais progressistas expressaram seu descontento com as políticas do governo de Correa. Não há dúvida de que existem legítimas queixas a seu governo. Nem todos os grupos ou organizações que estão contra as políticas de Correa são agentes imperiais. Porém, é certo que existe um setor dentro deles que recebe financiamento e linhas para provocar situações de desestabilização no país, além das expressões naturais de crítica ou oposição a um governo.
Em 2010, o Departamento de Estado aumentou o orçamento da Usaid no Equador para mais de 38 milhões de dólares. Nos últimos anos, um total de US$ 5.640.000 em fundos foi investido no trabalho de "descentralização" no país. Um dos principais executores dos programas da Usaid no Equador é a mesma empresa que opera com a direita na Bolívia: Chemonics, Inc.
Ao mesmo tempo, a Ned outorgou um convênio de US$ 125.806 ao Centro para a Empresa Privada (CIPE), para promover os Tratados de Livre Comércio, a globalização e a autonomia regional através da rádio, TV e imprensa equatorianas, juntamente com o Instituto Equatoriano de Economia Política.
Organizações no Equador, como Participação Cidadã e Pró-Justiça dispõem de financiamento da Usaid e NED tanto como membros e setores de Codempe, Pachakutik, CONAIE, a Corporação Empresarial Indígena do Equador e a Fundação Qellkaj.
Durante os acontecimentos da quinta-feira, 30 de setembro no Equador, um dos grupos com setores financiados pela Usaid e NED - Pachakutik - emitiu um comunicado respaldando a polícia golpista, exigindo a renúncia do presidente Rafael Correa e responsabilizando-o pelos fatos. Inclusive, o acusou de manter uma "atitude ditatorial":
"Pachakutik pede a renúncia do presidene Correa e chama a conformar uma só frente nacional" - Boletim de Imprensa 141:
O Chefe do Bloco do Movimento Pachakutik, Cléver Jiménez, diante da grave comoção política e crise interna gerada pela atitude ditatorial do Presidente Rafael Correa, ao violentar os direitos dos servidores públicos e da sociedade em seu conjunto, convocou ao movimento indígena, movimentos sociais, organizações políticas democráticas a constituir uma só frente nacional para exigir a saída do presidente Correa, ao amparo do que estabelece o Art. 130, inciso 2 da Constituição, que diz ‘A Assembleia Nacional poderá destituir o presidente da República nos seguintes casos:
2) Por grave crise política e comoção interna’.
Jiménez respaldou a luta dos servidores públicos do país, incluindo aos policiais de tropa que se encontram mobilizados contra as políticas autoritárias do regime que pretende prejudicar direitos trabalhistas adquiridos. A situação dos policiais e membros das Forças Armadas deve ser entendida como uma justa ação de servidores públicos, cujos direitos foram vulnerados.
Pachakutik está convocando para esta tarde a todas as organizações do movimento indígena, aos trabalhadores, homens e mulheres democráticos a construir a unidade e preparar novas ações em rechaço ao autoritarismo de Correa, em defesa dos direitos e garantias de todos os equatorianos.
Responsável de Imprensa - Bloco Pachakutik".

A guia utilizada na Venezuela e em Honduras se repete. Tentam responsabilizar ao Presidente e ao governo pelo "golpe", forçando sua saída do poder. O golpe contra o Equador é a próxima fase da agressão permanente contra a Alba e os movimentos revolucionários na região. O povo equatoriano se mantém mobilizado em rechaço à tentativa golpista, enquanto as forças progressistas da região se agrupam para expressar sua solidariedade e respaldo ao presidente Correa e ao seu governo.

Brasil - Política, Economia, Sociedade - Últimas postagens