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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Lucro da Petrobras cresce 7,9% e atinge R$ 8,57 bilhões

Os Amigos do Presidente Lula
sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O aumento das vendas de combustíveis, o câmbio e uma elevação média de 35% na cotação do petróleo no mercado internacional explicam em parte o lucro líquido de R$ 8,57 bilhões registrado pela Petrobras no terceiro trimestre divulgado ontem. O resultado é 7,9% superior aos R$ 7,94 bilhões apurados no terceiro trimestre de 2009.
A variação do câmbio sobre o passivo contribuiu para o resultado financeiro de R$ 1,97 bilhão, enquanto o crescimento das despesas operacionais, que somaram R$ 8,9 bilhões no trimestre, foi responsável pela queda de 7% no lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (lajida), que ficou em R$ 14,74 bilhões.
O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, atribuiu o aumento das despesas aos gastos com a estruturação financeira do projeto Barracuda e o incentivo dado aos empregados para comprar ações da companhia na capitalização. No acumulado do ano, o lucro da Petrobras já soma R$ 24,58 bilhões, 10% a mais do que no mesmo período de 2009.
Barbassa explicou que houve uma reestruturação do sistema de financiamento das subsidiárias no exterior e a companhia reduziu os recebíveis dessas empresas nos dois últimos anos, diminuindo os ativos denominados em dólar. Além disso, a estatal aumentou os passivos em dólar.
"Se eu devo em dólar e o dólar vale menos, minha dívida, escrituralmente, está menor em reais", resumiu Barbassa, lembrando que o endividamento total da companhia passou de R$ 118,4 bilhões no fim de junho para R$ 115,1 bilhões ao fim do terceiro trimestre.
A produção de petróleo caiu no terceiro trimestre mesmo com a contribuição de 185 mil barris por dia de novos campos, incluindo alguns operados por parceiras estrangeiras como a Shell e a Chevron no Parque das Conchas, na Bacia de Campos.
Barbassa ressaltou que a Petrobras tem potencial de elevar a produção de petróleo em cerca de 100 mil barris por dia com as plataformas já em funcionamento, uma vez que essas embarcações ainda não atingiram sua capacidade máxima de produção. Também vão contribuir para o aumento da produção as plataformas P-56 (capacidade de produzir 100 mil barris por dia) e P-57 (180 mil barris), que serão conectadas aos campos de Marlim Sul e Jubarte.
No ano, a produção total de óleo e gás da Petrobras atingiu a média diária de 2,568 milhões de barris de óleo equivalente (BOE) nos nove primeiros meses do ano, uma alta de 2% na comparação com os 2,513 milhões de barris diários de 2009. No Brasil, a produção da estatal foi de 2,322 milhões de BOE por dia, um crescimento de 2% em relação aos nove primeiros meses de 2009.
O diretor também destacou os efeitos da capitalização de R$ 120,24 bilhões sobre os números da companhia. A operação reduziu a alavancagem líquida de 34% para 16%, o que vai sustentar a política de investimentos.Barbassa informou que a Petrobras vai captar mais US$ 3 bilhões até o fim do ano, que vão se somar aos US$ 13 bilhões captados até o momento.Valor

Os Amigos do Presidente Lula: Lucro da Petrobras cresce 7,9% e atinge R$ 8,57 bilhões

O G20 contra a guerra cambial

Brasilianas.Org
Enviado por luisnassif, sex, 12/11/2010 - 07:59

Mantega: líderes comprometem-se em não agravar desequilíbrio econômico | Valor Online

Agência Brasil
SEUL – Os líderes políticos mundiais se comprometeram hoje a buscar soluções para acabar com a guerra cambial e evitar o agravamento do desequilíbrio da economia. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, alertou, porém, que a crise não acabou, mas que as negociações feitas durante a Cúpula do G-20 (que reúne as maiores economias do mundo) avançaram. Mantega advertiu que a política do "salve-se quem puder" é contraproducente.
“A guerra cambial [não acabou]. Mas a partir deste documento [definido hoje nas reuniões da cúpula], poderemos usar instrumentos para acabar com essa guerra. Esta política do 'salve-se quem puder' acaba sendo contraproducente. É melhor recuar [muitas vezes] e não permitir que a guerra vá adiante”, disse o ministro ao fazer um balanço sobre o G-20.

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Barack Obama, dos Estados Unidos, Hu Jintao, da China, entre outros líderes mundiais, como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, assinaram o documento final da cúpula com uma série de compromissos. Um deles é que, no próximo semestre, será apresentada uma espécie de balanço econômico de cada país. De acordo com Mantega, inicialmente a China resistiu à ideia.
“Quando for feito o monitoramento das transações correntes, a questão cambial também vai ser analisada”, afirmou o ministro. Mantega disse ainda que houve “amplo entendimento” entre os países. “Há um esforço em buscar o desenvolvimento mundial. A cúpula coloca recomendações para que caminhemos nessa direção, principalmente na questão do desequilíbrio de moedas e câmbio”, disse.
O ministro destacou que, na reunião do próximo semestre, serão apresentadas propostas sobre eventuais medidas que devem ser adotadas para evitar o desequilíbrio global. “Os ministros das Finanças deverão sugerir, até o fim do primeiro semestre de 2011, as medidas que devem ser adotadas para evitar o desequilíbrio. Os chineses queriam um prazo maior”, acrescentou.
(Agência Brasil)
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O G20 contra a guerra cambial | Brasilianas.Org

PiG quer o caos no câmbio. Dilma quer o câmbio flutuante

Conversa Afiada
Publicado em 12/11/2010

Engraçado, não se vê o Serra nem o Fernando Henrique aí

Diz irresponsavelmente o Estadão na primeira página: “Dilma diz que real valorizado é ruim e vai mexer no câmbio”.
Lá dentro, na reportagem, a Dilma NÃO diz que vá mexer no câmbio.
O que o Estadão quer ?
Provocar o caos no mercado de câmbio e derrubar os governos Lula e Dilma – num só Golpe.
Trapaça velha de cachorro velho, diriam os americanos.
(You don’t teach new tricks to old dogs.)
Por que ?
Porque a intenção do Estadão é fazer o amigo navegante acreditar que a Dilma disse que “vai mexer no câmbio”.
Ou seja, que ela, provavelmente, vai mexer no câmbio flutuante.
No regime militar que o PiG (*) abraçou com ternura, a isso se chamava de “subversão”: “subverter as instituições”, “boicotá-las”.
A Dilma está rouca de tanto dizer que não vai mexer no câmbio flutuante.
Não importa.
Como diz o Mino: se preciso for, o PiG (*) mente: o PiG (*) perdeu qualquer vínculo com a “verdade factual”.
(A propósito, leia sobre como o Silvio debochou da Folha e levou o Otavinho para o banco da “Praça é Nossa”)
Primeiro, vamos ver o que, de fato, aconteceu em Seoul, de preferência em jornal que não seja do PiG (*) brasileiro:
Diz o Wall Street Journal, que toma partido (da direita), mas não tenta trapacear o leitor:
O G-20 decidiu criar indicadores para medir os desequilíbrios comerciais – como se alguém ainda precisasse saber que a China e a Alemanha têm os maiores  do mundo (PHA) – e só no ano que vem vai tentar ver o que fazer.
http://online.wsj.com/article/SB10001424052748703848204575609551819168026.html?mod=WSJ_hp_LEFTTopStories
Texto do Comunicado do G-20: http://online.wsj.com/public/resources/documents/G20COMMUN1110.pdf
Ou seja, cada um por si, Deus por todos.

Navalha

NAVALHA

A Dilma não vai mexer no câmbio flexível.
Mas, ela vai defender o Brasil.
Seja com mais IOF.
Quarentena para a entrada de dólares.
E, seguramente, um primeiro ano de governo com ajuste fiscal severo, para que as contas se tornem compatíveis com um aumento do superávit primário e um centro de meta de inflação de 4% (como anunciou o Ministro Paulo Bernardo).
O primeiro ano da Dilma será de aperto.
Como foi o do Lula, que recebeu a herança maldita do Fernando Henrique e do Armínio Fraga – que formam com José Serra o conjunto sertanejo “Os três jenios do Apocalipse”.
Este ordinário blogueiro não tem um grama de informação sobre o governo Dilma.
Ao contrário do PiG (*), que escala um ministério por Dilma.
Este ordinário blogueiro, como sempre, não sabe nada.
Mas, das batalhas da vida lhe sobraram dois neurônios.
E com eles anuncia com a voz grave que Deus lhe deu: a Dilma não vai mexer no câmbio.

Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

PiG quer o caos no câmbio. Dilma quer o câmbio flutuante | Conversa Afiada

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Política social do Lula quebrou o Silvio

Conversa Afiada
Publicado em 11/11/2010

Bye-bye Silvio

Como se sabe, o SBT não é uma rede de televisão.
O Boni costumava dizer que o SBT não tinha nem grade de programação.
Mas, sim, um conjunto de programas que não formavam um conjunto coerente e, portanto, comercializável.
O SBT não é uma rede, porque seu objetivo não é ganhar dinheiro como rede de televisão.
Mas, sim, ser um instrumento de venda dos produtos do grupo empresarial do Silvio.
O Silvio na TV vendia o Silvio fora da TV.
E o Silvio fora da TV era o maior anunciante da TV do Silvio.
Os produtos do Silvio fora da TV eram uma forma rudimentar de financiar a compra de bens duráveis.
O que funcionou enquanto havia inflação e faltava renda.
Quando a inflação acabou e o Governo Lula botou dinheiro no bolso da Classe “D” e a Classe “D” passou à Classe “C”.
E quando botou dinheiro no bolso da Classe “E” e uma parte da Classe “E” foi para a Classe “D”, o modelo de negócios do Silvio foi para o beleléu.
Além disso, houve o impressionante fenômeno da banqueirização.
Ou seja, com carteira assinada, as Classes “D” e “C” abriram conta em banco, passaram a ter cartão de crédito, começaram a se endividar e comprar bens duráveis com juros e condições mais razoáveis do que ofereciam os produtos do Silvio.
Para simplificar, o Lula quebrou o Silvio.
Sem querer, é claro.
Quem quebrou o Silvio foi o Silvio, que enchia o auditório de Classe “C” e Classe “D” e não percebeu que elas tinham mudado.
Paulo Henrique Amorim

Política social do Lula quebrou o Silvio | Conversa Afiada

Economias emergidas.

Blog da Dilma
novembro 11th, 2010 | Autor: Soselo

Brasileiros, considerem-se no futuro. Diziam-lhes antes serem o eterno país do futuro, sem nunca lá chegar. Eis, enfim, a inserção do Brasil no futuro. O presidente Lula conseguiu, dentre outras inúmeras coisas, pôr o povo brasileiro em um lugar merecido no cenário internacional. O Brasil não é mais considerado “emergente”, pode-se concluir já como emergido. Muitas tarefas ainda por fazer, sem dúvida. Lula e sua equipe nunca negaram isto. Os anos de desmandos e falta de rumo cobram seu preço. Milhões viviam à margem do mercado, sem oportunidades de entrada, apenas saídas. Entravam e deixavam este mundo sem rastro. Todo este atraso precisou de um freio e, empós, uma guinada rumo ao desenvolvimento e evolução social. Enfim, na espera do fim de seu mandato, o operário conseguiu: o Brasil é um dos timoneiros do atual cenário internacional, junto aos seus demais parceiros no BRIC, que por sua vez capitaneia o G-20.
Parabéns Presidente Lula!
Leia em(aperte em “translate” para ler a tradução do artigo):

Emerged Economies – By Otaviano Canuto and Marcelo Giugale | Foreign Policy

Economias emergidas.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

‘Não temos de esperar o G-20’

economia - Estadao.com.br

Ex-deputada e militante do PT, Maria da Conceição Tavares está descrente que o encontro possa gerar algum acordo efetivo

10 de novembro de 2010 | 9h 21

Renato Andrade, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A professora Maria da Conceição Tavares não tem falado ultimamente com o presidente Lula nem com a presidente eleita Dilma Rousseff. Mas tem na ponta da língua várias recomendações a fazer. A ex-deputada federal e militante do PT propõe a adoção de mecanismos para controlar a entrada de capitais e redução imediata dos juros para tratar o que considera como questão mais urgente do novo governo: a valorização do real ante o dólar americano.

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Descrente da possibilidade de o encontro do G-20, amanhã e sexta-feira, gerar algum tipo de acordo efetivo sobre o assunto, Conceição acredita que cabe ao governo brasileiro acelerar a adoção de medidas de proteção. "Sem acordo para ordenar essa porcaria, doa a quem doer, nós temos de nos defender e, se for necessário, façamos controle de capitais, não tem nada de mais", defendeu ontem a economista durante debate no Congresso.

Além do controle na entrada de dólares, a professora também defende redução da taxa de juros, o que reduziria o apetite dos investidores estrangeiros em trazer recursos ao Brasil. "Temos de usar todos os instrumentos possíveis e não precisamos pedir licença a ninguém. Quem tem de se defender é o Brasil, e não ficar esperando G-20, 22, 23 ou 24."

Aos 80 anos, Conceição continua verborrágica. Em pouco mais de três horas de debate, defendeu um aumento maior do salário mínimo em 2011 - descontando parte do reajuste a ser concedido em 2012 -, a volta da CPMF e o fim da briga de gato e rato entre Banco Central e Ministério da Fazenda, que classificou como "jogo perigoso".

Para combater a guerra cambial, ela deixou claro que, se dependesse de seu voto, Henrique Meirelles não continuaria à frente do BC. "Mas isso sou eu." Depois que Conceição Tavares admitiu no debate que chegou a sonhar em comandar o BC na década de 1980, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sugeriu que agora seria a oportunidade de transformar o sonho em realidade. Para não deixar dúvidas que continua a mesma, a professora foi direta: "De jeito nenhum. Agora eu não aceitaria porque tenho 80 anos e estou com o pé na cova".

‘Não temos de esperar o G-20’ - economia - Estadao.com.br

Classes C e D representam mais de R$ 800 bilhões

Os Amigos do Presidente Lula
quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A melhoria da renda do brasileiro aumentou o potencial de consumo das classes C e D, que já representam um mercado de R$ 834 bilhões, segundo levantamento feito pelo Instituto Data Popular. Só os jovens movimentam em torno de R$ 96 bilhões. E para cada R$ 100 em mercadorias vendidas no varejo, R$ 41 se destinaram a produtos comprados por mulheres.

Os dados foram anunciados pelo sócio-diretor do Instituto Data Popular, Renato Meirelles, na abertura da primeira edição do Congresso Nacional sobre Mercados Emergentes. O encontro reúne executivos de grandes redes e pequenos comerciantes com o objetivo de debater os anseios dessa nova clientela e novas estratégias de venda.

Segundo Meirelles, engana-se quem acredita em uma nova demanda onde a escolha é ditada apenas pelo preço que cabe no bolso. Ele disse que a população de baixa renda que ingressou recentemente nas classes C e D sabe dar valor a cada centavo gasto e prefere aplicar o dinheiro em itens com preço e qualidade em uma faixa intermediária.

O executivo ponderou que os produtos mais baratos, incluindo os "piratas", são desprezados porque duram pouco e os mais sofisticados e caros estão fora da lista de compras porque comprometem a renda desse consumidor. "Se o mundo corporativo quiser uma fatia desse mercado, é fundamental que exercite a humildade de se colocar no lugar do outro e entenda que o novo consumidor fala uma língua muito diferente da língua falada pela elite", disse. Para ele, esses consumidores emergentes já detêm 69% dos cartões de crédito e consomem 76% do que é vendido.

Os Amigos do Presidente Lula: Classes C e D representam mais de R$ 800 bilhões

O mundo encantado da revista Época

Blog Somos andando

Epa, li direito? Ali está escrito “Para Lula, a economia mundial foi uma poderosa aliada”? Claro, o Brasil surfou na marolinha da maior crise econômica mundial desde 1929 porque… Hein, crise? Que crise? A economia estava ó-te-ma!

Esse é o mundo de Época. O mundo que convém às Organizações Globo, grupo ao qual pertence. O grande erro é achar que o resto das pessoas também vive nesse mundo.

—————-

E falam em isenção e compromisso com os fatos.

O mundo encantado da revista Época « Somos andando

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A guerra cambial e o Brasil

Blog do Miro
Altamiro Borges
segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Reproduzo artigo de Antonio Corrêa de Lacerda, publicado no jornal Valor Econômico:
“Quando a realidade muda, minhas convicções também mudam”. John M. Keynes (1883-1946)
A guerra cambial é um dos principais pontos de discussão na pauta da reunião do G-20, que ocorrerá em Seul, na próxima semana. O mundo vive um quadro de desordem monetária e cambial, que se agravou depois da crise mais recente, o que tem imposto enormes desafios aos países em desenvolvimento.
A recente decisão do FED (Federal Reserve) de injetar US$ 600 bilhões no mercado, mantendo baixas taxas de juros, deve estimular as operações carry trade, a arbitragem entre taxas de câmbio e de juros, deslocando-as para países em desenvolvimento, especialmente aqueles que praticam taxas de juros superiores à média dos países centrais.
Do outro lado, a China mantém há décadas uma política de câmbio desvalorizado como fator crucial de competitividade. Mas, a guerra cambial não é um movimento que se restringe aos dois países citados. Há muitos outros países se aproveitando do momento para se fortalecer.
Para a economia brasileira, especialmente, o novo quadro representa, ao mesmo tempo, desafios e oportunidades. A relevância do problema cambial brasileiro e seus impactos negativos sobre a estrutura produtiva e no balanço de pagamentos, está na ordem do dia.
A discussão cambial até então restrita aos fóruns econômicos ou de demandas empresariais, muitas vezes tidas como “corporativas”, ganha relevância e amplitude, inclusive no discurso e decisões do governo. O desafio é ir além do simplismo do “câmbio flutuante que flutua” e da definição das taxas de juros unicamente baseada no sistema de metas de inflação de curto prazo.
Na questão cambial, a mudança não requere, necessariamente, o abandono do regime flutuante – que já se mostrou o mais adequado – mas sim, o seu aperfeiçoamento, levando em conta as circunstâncias impostas pela conjuntura internacional. Seria ingênuo de nossa parte deixá-lo simplesmente oscilar ao sabor dos movimentos dos fluxos de capitais. A recente elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) tem se mostrado uma medida acertada, porém insuficiente, por si só, de fazer frente à magnitude do problema a ser enfrentado. O quadro requer mais ousadia.
Cada vez mais países estão instrumentalizando a sua política cambial como incentivo às suas exportações e de proteção à produção doméstica como antídoto para os efeitos da crise, visando principalmente a retomada da atividade, assim como preservar emprego e renda. Da mesma forma, EUA, Europa e Japão reduziram a suas taxas nominais de juros a quase zero, o que na prática significa juro real negativo, com o mesmo objetivo.
É essa a circunstância que impõe ao Brasil a necessidade de mudar para manter. Ou seja, é preciso utilizar todos os instrumentos possíveis, de políticas macroeconômicas (fiscal, monetária e cambial), assim como as políticas de competitividade (políticas industrial, comercial e tecnológica/inovacional) para fazer frente à guerra cambial instalada.
Assim como o regime de câmbio flutuante, o nosso sistema de metas de inflação tem seus méritos, mas, tem que ser aperfeiçoado. É preciso levar mais em conta a conjuntura internacional, para evitar manter a nossa política monetária na contramão dos demais países, pois isso nos torna alvo fácil da especulação. A inflação de commodities, por exemplo, não pode implicar automaticamente em uma elevação da taxa de juros básica, até mesmo porque ela tem pouco efeito sobre esses preços.
Faz-se necessário ainda ampliar a desindexação da economia, definir um horizonte mais estendido no prazo de cumprimento da meta, além de rever o que considerar como definidor da taxa de juros. O quadro atual de juros nos faz incorrer em um custo muito elevado tanto de financiamento da dívida pública quanto de carregamento das reservas cambiais. Aí está uma oportunidade para o Brasil. Temos hoje um déficit nominal das contas públicas de cerca de 2% do PIB, muito abaixo de muitos países. Por outro lado, o custo do financiamento da dívida pública representa 5,5% ao ano. Há um evidente espaço para reduzir juros e, consequentemente, diminuir o custo de financiamento da dívida pública e o déficit nominal.
Outra oportunidade decorrente é que o juro alto agrava a valorização do real e suas consequências. Reduzir os juros ajudaria a conter a pressão pela valorização do real. Além disso, a deterioração do déficit em transações correntes do balanço de pagamentos e os estragos na estrutura produtiva e de padrão de comércio exterior brasileiro, derivados da apreciação cambial, requerem mudanças. Há uma perversa desintegração das cadeias produtivas locais, muitas vezes inviabilizadas pela impossibilidade de exportar, ou pelo crescimento expressivo que temos observado no coeficiente de importação. Estas não mais se restringem a matérias primas, componentes, ou máquinas e equipamentos, mas a todos os elos da produção.
A deterioração das balanças comercial e de serviços e rendas têm provocado o crescimento do déficit em conta corrente de balanço de pagamentos, que deve atingir US$ 50 bilhões este ano. Mais do que o montante em si, pouco significativo, relativamente às reservas cambiais, ou ao PIB, o que de fato impressiona é a velocidade da sua deterioração.
Como bem define a frase em epígrafe, atribuída a Keynes, quando um interlocutor questionou por que havia alterado sua posição, em relação a um posicionamento passado, as circunstâncias advindas da guerra cambial internacional nos impõem o imperativo da mudança. Até mesmo porque, a relutância em fazê-lo, implicaria custos econômicos, sociais e, consequentemente, políticos, muito mais elevados em um futuro, que se mostra cada vez mais próximo.
* Antonio Corrêa de Lacerda economista, doutor pelo IE/Unicamp e professor do departamento de economia da PUC-SP, é coautor de “Economia Brasileira”

Altamiro Borges: A guerra cambial e o Brasil

Brasil será 7ª economia em 2011, diz FMI

Os Amigos do Presidente Lula
domingo, 7 de novembro de 2010

A presidente eleita, Dilma Rousseff, vai governar a sétima maior economia mundial, posto que o Brasil alcançará em 2011, segundo a projeção mais recente do Fundo Monetário Internacional.

Não será a primeira vez que o país terá chegado lá. A última foi em meados dos anos 90. Mas o Brasil só sustentou a sétima posição por dois anos, indo ladeira abaixo a partir de 1996 até baixar ao 12º lugar em 2002.

Desde então, a volatilidade do crescimento econômico do país diminuiu. Ou seja: o tradicional sobe e desce, ou os chamados voos de galinha, deu lugar à maior estabilidade na trajetória de expansão econômica.

O resultado é que a projeção do Fundo revisada em outubro indica que o país permanecerá no posto de sétima maior economia até, pelo menos, 2015, último ano para o qual há previsões.

Nos últimos anos, a economia brasileira ultrapassou em tamanho a canadense e a espanhola. Em 2010, quase empata com a Itália.

A implicação geopolítica para o futuro governo Dilma dessa consolidação do Brasil entre as potências econômicas pode ser resumida em um clichê: quanto maior o poder, maior a responsabilidade.

"O Brasil está ocupando a posição de países desenvolvidos e, com isso, cresce seu prestígio nas negociações internacionais", diz Ernesto Lozardo, professor de economia da Eaesp-FGV e autor do livro "Globalização - A Certeza Imprevisível das Nações".

A contrapartida é resumida por Fernando Cardim, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro: "As responsabilidades do país continuarão aumentando e o novo governo terá de mostrar se está preparado para isso".

De acordo com especialistas, para que o peso econômico do Brasil continue se traduzindo em crescente voz política, Dilma terá de consolidar os avanços alcançados pela política externa de Lula, como a posição de maior destaque nos fóruns globais.Mas precisará também lidar com seu legado polêmico, que inclui aproximação com o governo do Irã e críticas a dissidentes cubanos.

DÚVIDAS

Antes da posse de Dilma, já pairam sobre o novo governo dúvidas sobre seu compromisso com o tripé macroeconômico --responsabilidade fiscal, metas de inflação e câmbio flutuante-- que ajudou o Brasil a consolidar a estabilidade econômica e galgar posições no ranking de maiores economias.

Para Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, a manutenção da política fiscal expansionista mesmo após o Brasil ter emergido da crise e a declaração recente do ministro Guido Mantega (Fazenda), que disse não haver relação entre controle do gasto público e o nível de juros no país, alimentam esses questionamentos.

"Uma política fiscal menos rigorosa torna o tripé capenga ao forçar um aumento de juros e, com isso, uma taxa de câmbio mais valorizada", diz Goldfajn.

Juros mais elevados para conter o impacto inflacionário de uma política fiscal expansionista tenderiam a prejudicar o crescimento do país nos próximos anos.Em declarações depois da eleição, Dilma tem tentado dirimir dúvidas em relação ao seu compromisso com a responsabilidade fiscal. O mercado, por enquanto, parece estar dando à presidente eleita o benefício da dúvida. Folha

Os Amigos do Presidente Lula: Brasil será 7ª economia em 2011, diz FMI

Desigualdade nos Estados Unidos: Yes, nós somos bananas

Viomundo - O que você não vê na mídia
Luiz Carlos Azenha
8 de novembro de 2010 às 12:23

Nossa república das bananas

By NICHOLAS D. KRISTOF, no New York Times

November 6, 2010

Em minhas reportagens, eu viajo regularmente às repúblicas das bananas notórias por sua desigualdade. Em algumas destas plutocracias, o 1%  mais rico da população abocanha até 20% da torta nacional.

Mas, dá para acreditar? Você não precisa viajar a países distantes e perigosos para observar tal desigualdade. Nós temos isso bem aqui em casa — e depois das eleições de quinta-feira, pode piorar.

O 1% mais rico dos norte-americanos agora acumula quase 24% da renda nacional, comparado com 9% em 1976. Como Timothy Noah da [revista eletrônica] Slate notou em sua excelente série sobre desigualdade, os Estados Unidos agora tem uma distribuição de riqueza mais desigual que as tradicionais repúblicas das bananas da Nicarágua, Venezuela e Guiana.

Os dirigentes das maiores companhias dos Estados Unidos ganhavam em média 42 vezes o salário médio dos trabalhadores em 1980, mas isso passou a 531 vezes em 2001. Talvez a estatística mais chocante seja esta: de 1980 a 2005, mais de quatro quintos do aumento total de renda dos Estados Unidos foram para o 1% mais rico.

Este é o cenário para uma das grandes brigas pós-eleitorais de Washington — até quando estender os cortes de impostos de Bush para os 2% mais ricos dos Estados Unidos. Os dois partidos concordam em estender os cortes de impostos para quem ganha até 250 mil dólares [por ano]. Os republicanos também querem estender os cortes de impostos para quem ganha acima disso.

O 0,1% dos contribuintes mais ricos receberia um corte de impostos de 61 mil dólares do presidente Obama. Mas receberia 370 mil dólares [de corte de impostos] dos republicanos, de acordo com o grupo não partidário Tax Policy Center. E isso resultaria num modesto estímulo econômico, já que os ricos em geral não gastam o que deixam de pagar em impostos.

Num período de desemprego de 9,6%, não faria mais sentido financiar um programa de emprego? Por exemplo, o dinheiro poderia ser usado para evitar a demissão de professores e o enfraquecimento das escolas norte-americanas.

Além disso, uma prioridade óbvia do pior desaquecimento da economia em 70 anos seria estender o seguro-desemprego, parte do qual será cortado em breve a não ser que o Congresso aja para renová-lo. Ou há também o programa de assistência para o ajuste do comércio, que ajuda a treinar e apoiar trabalhadores que perderam seus empregos por causa do comércio exterior. Não será mais aplicado aos trabalhadores do setor de serviços depois de primeiro de janeiro [de 2011], a não ser que o Congresso intervenha.

Assim temos uma escolha. São nossa prioridade econômica os desempregados ou os zilionários?

E se os republicanos estão preocupados com o déficit do orçamento de longo prazo, uma preocupação justa, por que insistem em dois passos que economistas não partidários dizem que piorariam os déficits em mais de 800 bilhões de dólares na próxima década — cortar impostos para os mais ricos e derrubar a reforma do sistema de saúde? Que outros programas os republicanos cortariam para garantir os 800 bilhões em receita perdida?

Ao considerar estas questões, é preciso relembrar o cenário em que se deu o crescimento da desigualdade nos Estados Unidos.

No passado, muitos de nós aceitávamos os níveis de desigualdade porque acreditávamos existir uma troca entre igualdade e crescimento econômico. Mas há provas de que os níveis de desigualdade que agora atingimos na verdade suprimem o crescimento. Uma gota de desigualdade pode lubrificar o crescimento econômico [nota do Viomundo: teoria de Ronald Reagan, a Reagonomics, segundo a qual quando sobra mais dinheiro para os mais ricos eles investem na economia e criam empregos], mas muita desigualdade pode emperrar a economia.

Robert H. Frank, da Universidade de Cornell, Adam Seth Levine da Universidade Vanderbilt e Oege Dijk, do Instituto da Universidade Europeia, recentemente escreveram um trabalho fascinante sugerindo que a desigualdade causa problemas econômicos. Eles olharam para os dados do censo para 50 estados e os 100 condados mais populosos dos Estados Unidos e encontraram relação entre os lugares onde a desigualdade mais cresceu e o crescimento do número de falencias.

Aqui está a explicação: quando a desigualdade cresce, os mais ricos pegam o dinheiro e compram mansões ainda maiores e automóveis ainda mais luxuosos. Os que se encontram abaixo tentam fazer o mesmo e acabam gastando a poupança e assumindo dívidas, tornando uma crise financeira ainda mais provável.

Outra consequência descoberta pelos estudiosos: a desigualdade crescente aumenta o número de divórcios, presumivelmente como resultado de dificuldades financeiras. Talvez eu seja muito sentimental ou romântico, mas isso me impressiona. É um lembrete de que a desigualdade não é apenas uma questão econômica, mas também de dignidade e felicidade.

Há provas crescentes de que perder um automóvel ou uma casa mexe com a sua identidade e acaba com a sua autoestima. Mudanças forçadas [de endereço] arrancam famílias de suas escolas e de suas redes de apoio.

Em resumo, desigualdade deixa as pessoas que estão mais baixo na escala social se sentindo feito ratinhos na roda que gira cada vez mais rápido, sem esperança ou escape.

Polarização econômica também rompe nosso sentido de união nacional e de objetivos comuns, gerando também polarização política.

E assim, no cenário pós-eleitoral, não devemos agravar nossa separação por renda, que deixaria um caudilho latino-americano orgulhoso. Para mim, já chegamos ao ponto das repúblicas das bananas onde a desigualdade se tornou economicamente pouco saudável e moralmente repugnante.

PS do Viomundo: Este site não gosta de julgamentos morais. Nota que os Estados Unidos combateram ferozmente os governos que tentaram reduzir a desigualdade, tanto na Nicarágua quanto na Venezuela. E, ao contrário do articulista, nota que a desigualdade nos Estados Unidos se acelerou porque os ricos passaram a exportar os empregos e, para pagar menos imposto, a sediar suas corporações em paraísos fiscais, enquanto os mais pobres foram fritar hambúrguer no setor de “serviços”.

Desigualdade nos Estados Unidos: Yes, nós somos bananas | Viomundo - O que você não vê na mídia

domingo, 7 de novembro de 2010

Brasil pode se tornar quarto maior mercado mundial em vendas de automóveis

Blog da Dilma 
novembro 5th, 2010 |  Autor: Jussara Seixas

As vendas de veículos novos continuam batendo recorde no país, mesmo sete meses após o fim da redução de IPI para automóveis. A expectativa é que neste ano o Brasil se torne o quarto maior mercado em vendas no mundo, ultrapassando a Alemanha.

Os números da federação das concessionárias apontam um crescimento de 8,0% nos licenciamentos de janeiro a outubro, no confronto com o mesmo período em 2009. Com isso, as vendas somam 2,8 milhões de unidades nesse intervalo, uma marca inédita para o setor.

Considerando apenas outubro, mais de 300 mil veículos foram emplacadas. Nesta conta entram automóveis, comerciais leves como picaps e vans, ônibus e caminhões, alcançando também novo patamar para o mês, apesar de uma leve redução em relação a setembro, que teve um dia útil a mais.

Em termos de produção, o Brasil ocupa a sexta posição. O avanço das vendas reflete o crescimento da economia nacional, mas tem também um lado negativo sublinhado pelos ambientalistas. Significa mais automóveis em circulação nos centros urbanos. Podemos também esperar a piora do trânsito e da poluição, inclusive sonora.

Muitos economistas duvidam da sustentabilidade do crescimento ininterrupto da produção e das vendas na indústria automobilística. Imaginem se a China, com 1,3 bilhão de habitantes, reproduzir o padrão de consumo per capita de carros verificado nos Estados Unidos?

Fonte: PT

Brasil pode se tornar quarto maior mercado mundial em vendas de automóveis

sábado, 6 de novembro de 2010

Governo Lula melhora IDH. Brasil foi o que mais melhorou

Conversa Afiada
Publicado em 05/11/2010

Diz o Lula: nordestino não quer ser pedreiro; vai ser engenheiro

Saiu na capa do Estadão (a Folha escondeu):
IDH do Brasil avança, mas desigualdade é entrave.
O Brasil foi o país que mais avançou no Índice de Desenvolvimento Humano da Onu.
Melhorou na Educação, na Saúde e na distribuição de renda.
O problema continua a ser distribuição de renda, ainda que mais igual, e a distribuição regional da renda.

Navalha

NAVALHA

Se a Dilma mantiver a política social.
Se mantiver a política de desenvolvimento no Norte e Nordeste.
E se aprofundar o Bolsa Família, o ProUni, a abertura de escolas técnicas.
Se redundar a CPMF.
Se usar o dinheiro do pré-sal para tudo isso.
Se fizer tudo isso, será a Dama de Petróleo e a Dama do IDH.
Para desespero da jovem e xenófoba elite paulista.
Vade retro !

Clique aqui para ler “Que líder paulista tem autoridade para combater os xenófobos?”

Paulo Henrique Amorim

Governo Lula melhora IDH. Brasil foi o que mais melhorou | Conversa Afiada

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Indústria nunca faturou tanto. Bye-bye Serra forever !

Conversa Afiada 
Paulo Henrique Amorim
Publicado em 04/11/2010

Deu nisso o “quanto pior melhor”. (Bessinha, genial !)

Saiu na Folha:

Faturamento da indústria brasileira é o maior da história, aponta CNI
MÁRIO SERGIO LIMA
DE BRASÍLIA
Nunca a indústria brasileira teve um faturamento real tão elevado na história. Segundo a série histórica apresentada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), o indicador atingiu 120,3 pontos em setembro, com ajuste sazonal, superando o índice de março deste ano, de 119,6 pontos, recorde histórico até então.
Os números demonstram a vitalidade do crescimento da indústria brasileira em 2010, que já superou os efeitos da crise e não mais encontra-se  (sic – PHA) em recuperação, mas em crescimento. Em relação ao índice pré-crise, o avanço é de 5,9%.

(“Crise” é aquela da urubóloga Miriam Letão – PHA)

No terceiro trimestre, o faturamento cresceu 3,9% ante o trimestre anterior e, mesmo em caso de não apresentar mais ganhos nos meses seguintes, a indústria já garantiu uma alta de 9,3% em 2010 na comparação com o ano anterior.

Outro indicador que vem apresentando crescimento contínuo no ano é o emprego na indústria, que já supera em 2% o índice pré-crise. Também levando-se em conta a série histórica com ajuste sazonal, no qual o índice atingiu 111,5 pontos, o resultado é recorde.

Indústria nunca faturou tanto. Bye-bye Serra forever ! | Conversa Afiada

600 bilhões de dólares por aí. Teremos guerra comercial?

Viomundo - O que você não vê na mídia 
3 de novembro de 2010 às 23:55

Banco Central dos EUA joga lenha na fogueira da guerra cambial

do Vermelho

O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) decidiu injetar mais de 600 bilhões de dólares na economia através da compra de títulos do Tesouro. A decisão tende a alimentar a chamada guerra cambial e “preocupa o governo brasileiro por representar a política de empobrecimento do vizinho”, conforme avaliação do secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral.

Segundo ele, a medida põe mais lenha na fogueira da chamada “guerra cambial”, também denominada por Barral de “dumping cambial”, e tem como consequência medidas de retaliação dos demais países que se sentirem prejudicados, inclusive do Brasil.

Inflação e protecionismo

“A medida do Fed gera inflação em dólares e leva ao câncer, que é a adoção de medidas protecionistas pelos países prejudicados ao redor do mundo”, continuou Barral. Ele mencionou que o governo brasileiro vai se posicionar em relação a esta e outras medidas dos EUA e da China na reunião do G-20, semana que vem em Seul, na Coreia do Sul.

Enquanto os efeitos da medida na economia norte-americana são duvidosos, as conseqüências no exterior são sobejamente conhecidas. A decisão do Fed aumenta a liquidez mundial e amplia o excesso de dólares em circulação nos mercados ditos emergentes. A compra massiva de títulos do Tesouro também sinaliza a dificuldade que o governo dos EUA está tendo para financiar o déficit público com recursos de investidores internos e dos bancos centrais dos países superavitários (China, Alemanha, Japão e Brasil, entre outros).

Pacote de exportação

Enquanto isso, cabe ao ministério e a outras áreas do governo colocar em prática medidas administrativas já anunciadas no pacote de exportação, no início de 2010, para tentar reduzir o efeito da distorção cambial e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros.

Entre as medidas já anunciadas, neste mês entra em vigor o “draw back” isenção; medidas antielisão; regras de origens não preferenciais, segundo Barral. “Para aumentar a competitividade das exportações brasileiras há vários fatores e, infelizmente, não existe um remédio milagreiro”, brincou o secretário.

Impacto pequeno

O Fed vai adquirir US$ 600 bilhões em títulos públicos de longo prazo até meados de 2011 para reduzir ainda mais as taxas de juros cobradas em hipotecas e outras dívidas. Esse montante se soma às compras entre US$ 250 bilhões e US$ 300 bilhões já efetuadas pelo Fed.

A ideia é que, ao baratear os empréstimos, as pessoas sejam estimuladas a gastar mais e, por consequência, as empresas tenham incentivo para contratar pessoal. Alguns economistas, porém, temem que a iniciativa tenha um impacto pequeno em estímulo à economia, porque as taxas de juro já estão em níveis historicamente baixos. Outros receiam que as compras de títulos poderiam conduzir a inflação a patamares muito altos no longo prazo e, ao mesmo tempo, liberar compras especulativas de outros ativos, como ações.

Economia fraca

Ao anunciar a ação, o Fed disse que o ritmo da economia continua a ser lento. As empresas continuam relutantes em contratar, o setor imobiliário permanece deprimido e os consumidores estão aumentando seus gastos apenas gradualmente. Thomas Hoenig, presidente do Federal Reserve de Kansas City, divergiu pela sexta reunião consecutiva. Ele argumenta que os riscos trazidos pelo estímulo adicional do Fed superam os benefícios potenciais.

Com a economia fraca, o Fed não quer arriscar ficar preso no cenário de estagnação econômica e deflação que tomou conta do Japão nos anos 1990 e levou a uma “década perdida” no país. A deflação é uma queda generalizada e prolongada dos preços dos bens e serviços, nos salários e nos valores de casas e ações. Ela torna mais difícil para pessoas e empresas pagarem suas dívidas, o que eleva o número de despejos e falências.

Desemprego renitente

Os componentes do Comitê de Política Econômica do Fed (FOMC, na sigla em inglês) expressaram desapontamento pelo fato de a taxa de desemprego – agora em 9,6% – não ter diminuído e de a inflação não estar em níveis mais em linha com uma economia saudável. O progresso em direção a essas metas tem sido decepcionante, reconheceu a autoridade monetária em sua declaração pós-reunião.

Desde a crise financeira de 2008 o Fed tem tentado manter uma oferta de crédito para pessoas e empresas. Uma das iniciativas é deixar a meta da taxa básica de juros perto de zero. Também optou pela estratégia pouco ortodoxa de comprar títulos de longo prazo, em quantidade grande o suficiente para diminuir os juros desses títulos.

Em 2009, o Fed comprou US$ 1,7 trilhão em títulos hipotecários e do Tesouro. Essas aquisições ajudaram a reduzir as taxas de longo prazo dos empréstimos habitacionais e corporativos, o que colaborou para retirar o país da recessão.

A ação anunciada hoje vem um dia depois que os eleitores, frustrados pelo desemprego, queda de salários e execuções hipotecárias, puniram os democratas nas urnas e entregaram o controle da Câmara para os republicanos. O Partido Democrata manteve o controle do Senado. A divisão vai tornar mais difícil para o presidente Barack Obama aprovar iniciativas econômicas importantes, o que poderia colocar mais pressão sobre o Fed.

Com informações do Valor

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Microcrédito, banda larga e educação: metas para aprofundar a democracia

Viomundo - O que você não vê na mídia
2 de novembro de 2010 às 21:27

por Luiz Carlos Azenha

Fiquei satisfeito com a confirmação de que a futura presidente Dilma Roussef vai criar o ministério das micro e pequenas empresas. Nas minhas andanças por aí, como repórter, noto ao mesmo tempo a desinformação sobre programas já existentes e a falta de acesso de muitos pequenos empreendedores ao capital necessário para tocar seus próprios negócios. Falo de gente que ascendeu socialmente graças aos programas sociais do governo Lula e aos aumentos do salário mínimo, mas que precisa de um pequeno empurrão (na forma de empréstimos com juros baixos) para montar empreendimentos, colaborar com a criação de empregos e a competição em uma sociedade capitalista que privilegia poucos com o dinheiro barato do BNDES.

No Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, alguns participantes se disseram interessados em transformar a militância digital — quase sempre atividade paralela ao emprego ou atividade profissional remunerada — em atividade autosustentável. Porém, reclamaram da impossibilidade de ter acesso aos meios básicos para tocar suas atividades: um bom computador, uma boa câmera de vídeo, acessórios, dinheiro para pagar cursos, participação em eventos e conferências, viagens e outros gastos.

O que me leva à outra meta, também democratizante, que parece estar entre as prioridades do futuro governo: a universalização da banda larga. Como muitos de nós dissemos no Encontro de Blogueiros, queremos mais mídia, mais informação, mais vozes — nunca menos. Em breve anunciaremos detalhes de nossa proposta para formar uma cooperativa de blogueiros para vender “page views” em conjunto no mercado publicitário.

O microcrédito e a banda larga universalizada estão longe de ser reivindicações que atendem a um pequeno grupo de militantes digitais. Servem a toda a sociedade brasileira, na medida em que estimulam a competição e reduzem os custos não só da produção de conteúdo informativo e de entretenimento, mas de qualquer pequeno e médio empresário interessado em montar um negócio. Quanto maior for a interconexão entre os brasileiros, maior será o fluxo de informação e conhecimento entre os cidadãos. Maior será a eficácia do governo eletrônico, em todas as esferas. Maior será a transparência. Maior será a possibilidade de usar a rede para reduzir as viagens e os gastos em transporte, incentivar o trabalho e o ensino à distância.

Em um dos programas da série Nova África, em Cabo Verde (ver o clipe abaixo), retratamos como a interligação entre todos os hospitais do arquipélago com os profissionais de sáude e os usuários ajudou a controlar a primeira epidemia de dengue. Os dados sobre os novos casos eram tabulados e colocados na rede em tempo real. A partir das informações, os esforços para combater o vetor da doença eram concentrados nos locais do país onde surgiam os novos casos. Houve redução do número de casos e da mortalidade. Foi um projeto piloto implantado por uma brasileira ligada a um organismo internacional. Uso este pequeno exemplo apenas para deixar claro que a universalização da banda larga tem o poder de multiplicar o potencial de cada cidadão conectado. Aliás, não é isso o que temos visto na blogosfera brasileira, quando ela se entrega a elucidar fatos, desfazer mentiras, disseminar informação e opinião banida da grande mídia comercial?

Aqui abro parênteses para sugerir a setores da esquerda brasileira que abandonem a ideia ultrapassada do “controle social da mídia”. É uma ideia do século 20 que persiste no século 21. As novas tecnologias da informação e as redes sociais sugerem justamente o contrário: é preciso defender a atomização da produção de conteúdo e o trabalho colaborativo na produção de informação e opinião.

Sim, precisamos de regulamentação das concessões de rádio e TV, como a que existe nos Estados Unidos, no Canadá, na França, na Itália, no Reino Unido, na Alemanha. Precisamos de regulamentação para o direito de resposta. Precisamos de regulamentação para a propriedade cruzada. Precisamos reforçar o campo público da comunicação (rádios e TVs educativas) e incentivar as rádios e TVs comunitárias. Precisamos de incentivo à produção de conteúdo local e regional. Precisamos incentivar a pulverização das verbas publicitárias oficiais em todos os campos — municipal, estadual e federal.

“Controle social da mídia” sugere, no entanto, ainda que este não seja o objetivo, controle sobre o conteúdo que tem o potencial de ter efeito prático inverso ao que pretendemos: mais vozes, mais opiniões, mais mídia. A banda larga, as novas tecnologias de informação e as redes sociais permitem, pela crítica e o questionamento, uma forma muito mais moderna e democrática de se opor ao “pensamento único”.

Finalmente, chegamos à questão da educação. Durante a campanha, a então candidata Dilma não detalhou sua proposta. Parece haver um amplo consenso na sociedade brasileira de que o país não se modernizará sem amplo investimento na educação pública de qualidade, da pré-escola à pós-graduação. Estou certo de que ficou claro para o eleitorado a relação entre a renda do pré-sal e a possibilidade de fazer os investimentos de que a educação brasileira tanto carece.

Olhando os mapas eleitorais da eleição de domingo, me parece claro que embora Dilma Rousseff deva grande parte de sua vitória à diferença conquistada no Nordeste, ela também venceu (por pequena margem) na região mais desenvolvida do país, o Sudeste. Mas também ficou claro que a coalizão governista perdeu em importantes centros, devido a uma parcial desconexão com a classe média urbana brasileira.

Atribuo isso a três fatores: 1) à insistência de alguns setores do PT e da esquerda de considerarem a questão da corrupção um “mal menor” ou “moralismo burguês”; o fato concreto, porém, é que as pessoas que pagam a mais elevada carga tributária querem e tem direito à transparência nos negócios do governo, ao gasto público de qualidade e à honestidade no trato do dinheiro público; 2) à falta de vocalização articulada sobre as vantagens que há, para todos os brasileiros, de promover a inclusão social como forma de promover o mercado interno — que tirou o Brasil da crise –, reduzir a violência e promover o bem-estar geral; 3) à falta de um projeto que, para além de combater a miséria, acene para os jovens brasileiros com as perspectivas abertas pelo pré-sal na produção de empregos de alta qualificação e de Ciência e tecnologia nacionais associadas à engenharia, à agricultura, à informatica e à biotecnologia. Perguntem ao neurocientista Miguel Nicolelis, da Duke University (clique aqui para ler entrevista), ou ao agora deputado federal Newton Lima, ex-reitor da Universidade Federal de São Carlos, que tive o prazer de ajudar a eleger (com meu voto).

Citei acima não apenas três prioridades importantes, mas quase consensuais na sociedade brasileira. Tendo em vista que a futura presidente Dilma Rousseff será líder de um governo de coalizão, é razoavelmente óbvio que fica mais fácil tocar adiante projetos quase consensuais, assim como é aconselhável, sempre — dada a História do Brasil — ocupar o centro político. Para tantas outras questões, não menos importantes, mas com o potencial de criar dissensão, não custa lembrar que o caminho mais conveniente é travar a disputa política no Congresso.

Microcrédito, banda larga e educação: metas para aprofundar a democracia | Viomundo - O que você não vê na mídia

Altamiro Borges: Crescimento e distribuição de renda

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Reproduzo artigo de Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Economica Aplicada (Ipea):
Uma das principais novidades surgidas no contexto de evolução da crise global de 2008 encontra-se justamente na recuperação econômica mundial atual, cada vez mais determinada pela dinâmica dos países não desenvolvidos. O fato de nações como China, Brasil e Índia responderem por mais da metade do crescimento econômico pós-recessão mundial acontece pela primeira vez desde a Grande Depressão de 1929.
Em contrapartida, o conjunto das nações desenvolvidas parece, cada vez mais, prisioneiro do ciclo vicioso originado pela nova reprodução da armadilha japonesa, constituída desde 1991 por força do tipo de crise que se abateu naquele país. Ou seja, a combinação da anorexia do consumo familiar com a retenção e adiamento dos investimentos das empresas, acrescido do desajuste fiscal e de medidas ortodoxas de contenção do gasto social. O resultado disso reflete-se na deterioração da confiança nacional potencializada pelo risco da deflação em meio à onda das desvalorizações cambiais competitivas e, infelizmente, o ressurgimento da marcha protecionista. Na sequência do desemprego em alta, ocorre a elevação nas taxas de pobreza e de suicídios entre os países desenvolvidos.
Não parece haver dúvidas de que o abandono atual, pelos países ricos, da convergência das políticas anticíclicas adotadas na crise de 2008 aponta para um período relativamente longo de convivência com o baixo dinamismo econômico e piora na distribuição de renda. Ademais, a prevalência de enormes assimetrias de poder entre a força e os interesses das grandes corporações transnacionais e o apequenamento das ações dos Estados nacionais, aliada ao contínuo esvaziamento das instituições multilaterais, tende a tornar mais distante a coordenação urgente e necessária da governança mundial.
Tal como na Grande Depressão de 1873 a 1896, que acompanhada pelo circuito da industrialização retardatária ocorrido na Alemanha e nos Estados Unidos, permitiu surgir - meio século depois - o deslocamento do centro dinâmico mundial assentado na hegemonia inglesa, se percebe hoje, guardada a devida proporção, o aparecimento de novas polaridades geoeconômicas no desenvolvimento global. China, Brasil e Índia são crescentemente apontados como nações portadoras de futuro e de grande potencial necessário para assumir maior centralidade na dinâmica do desenvolvimento mundial.
Por conta disso, se deve procurar compreender como o comportamento do crescimento econômico e do padrão de distribuição de renda, especialmente na China e no Brasil, se tornam referência de como o novo mundo poderá mover-se, com maior ou menor expansão e ampliada ou contida desigualdade na repartição da renda. Ainda que se trate de países muito diferentes, Brasil e China apresentam tendências recentes distintas em relação ao crescimento econômico e à repartição da renda nacional entre seus habitantes.
No Brasil, por exemplo, observa-se que para cada 1 ponto percentual de expansão da economia, a China consegue crescer 2,5 pontos percentuais a mais. Entre 1995 e 2010, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi multiplicado por 1,6 vez, enquanto o PIB chinês foi multiplicado por 3,9 vezes. O modelo veloz de crescimento econômico da China praticamente não se alterou entre 1995 e 2003, e de 2004 a 2010 (crescimento médio anual de 10%), ao contrário do Brasil, que registrou expansão média anual de 2,1% de 1995 a 2003, e de 4,5% de 2004 a 2010.
Por outro lado, se percebe divergência importante em relação ao padrão de desigualdade na repartição de renda entre os brasileiros e chineses. Entre 1995 e 2010, o índice de Gini aumentou 21% na China, enquanto no Brasil caiu 14%. Ou seja, para cada 1 ponto percentual de queda no índice de Gini brasileiro, a China eleva em 1,4 ponto percentual o grau de desigualdade na renda. Interessante notar ainda que, de 1995 a 2001, o comportamento no índice de Gini se manteve relativamente inalterado, apesar das oscilações anuais - de 2,6% para mais na China e de 0,83% para menos no Brasil.
Todavia, se constata que a partir daí houve uma grande diferenciação na trajetória da repartição da renda na China e no Brasil. Com o crescimento econômico maior no Brasil, o comportamento do índice de Gini tornou-se mais decrescente (-12,2%), ao passo que a China, que manteve inalterada a trajetória de alta expansão do PIB, passou a registrar ampliado aumento no grau de desigualdade na repartição pessoal da renda (+17,9%).
Em síntese, se nota que desde 2004 o PIB brasileiro tem crescido, como média anual, quase a metade do ritmo de aumento do Produto Interno Bruto chinês, ao contrário do período anterior (1995 e 2003), quando a expansão econômica brasileira representava somente 25% do crescimento do PIB chinês. Com a maior expansão das atividades da economia brasileira no período recente, houve concomitantemente o aprofundamento da queda no grau de desigualdade da renda pessoal, diferentemente da situação chinesa, com forte piora na repartição do conjunto dos rendimentos dos seus habitantes.
Essas diferenças tornam-se importantes e devem ser ressaltadas, especialmente quando se avaliam as novas trajetórias mundiais possíveis a partir da sequência da crise nos países desenvolvidos iniciada em 2008. Não obstante o menor ritmo de crescimento econômico, o Brasil revela melhor trajetória de repartição da renda em relação ao desempenho chinês recente.

Altamiro Borges: Crescimento e distribuição de renda

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

GOVERNO LULA: Reservas do país têm novo recorde

Blog da Dilma
outubro 15th, 2010 | Autor: Jussara Seixas

Patrícia Duarte e Lino Rodrigues

O Globo

As reservas internacionais do Brasil alcançaram um patamar jamais visto, atingindo, na última quarta-feira, US$ 280,096 bilhões, segundo o Banco Central (BC). O crescimento em outubro, até o dia 13, foi de 1,78%, ou US$ 4,89 bilhões.

Esse recorde se deve aos ganhos financeiros das aplicações das reservas e à compra de dólares pelo BC no mercado à vista de câmbio. Nos primeiros oito dias de outubro, últimos dados disponíveis, as aquisições do BC somavam US$ 2,764 bilhões.

As reservas internacionais são uma espécie de colchão financeiro do país e servem para atenuar possíveis ataques especulativos contra a moeda e reduzir o risco de insolvência do país.

Com o nível atual, por exemplo, o Brasil é credor em sua dívida externa que, em agosto, estava em US$ 235,365 bilhões. Ou seja, possui mais capital do que deve.

O BC tem reforçado as reservas internacionais por meio de compra de dólares também para evitar mais valorizações do real frente à moeda americana. Esse movimento foi especialmente evidente em setembro, quando as reservas pularam 5,31%, para US$ 275,206 bilhões.

GOVERNO LULA: Reservas do país têm novo recorde

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Cloaca News: VÍDEO-BOMBA - O QUE ESTÁ EM JOGO NO SEGUNDO TURNO

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

VÍDEO-BOMBA - O QUE ESTÁ EM JOGO NO SEGUNDO TURNO

Expropriado do RS Urgente, de Marco Weissheimer
Não seria nada mau se eleitores e eleitoras dedicassem alguns minutos de seus dias para conversar um pouco sobre o assunto exibido em um pequeno vídeo que fala sobre o presente e o futuro do país. Considerando a quantidade de baixarias que circula na internet e fora dela, esse vídeo é, como gosta de dizer nossa imprensa, uma bomba. Feita para pensar. E pensar é bom. (continue a ler aqui)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Sicsú: A distribuição de renda no Brasil | Viomundo - O que você não vê na mídia

13 de outubro de 2010 às 13:35

João Sicsú: como o governo Lula promoveu a distribuição de renda

Distribuir renda e reduzir desigualdades injustas deveriam estar sempre entre as prioridades de qualquer governo.

Por João Sicsú*, na Folha de S.Paulo, via Vermelho

Para medir a distribuição e a desigualdade de renda, normalmente são utilizados dois indicadores: o índice de Gini, para medir a chamada distribuição pessoal da renda, e a participação das rendas do trabalho no PIB, para medir a distribuição funcional da renda.

No caso brasileiro, o índice de Gini é calculado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE. Mais de 96% das rendas declaradas na pesquisa correspondem a rendas do trabalho e a transferências públicas.

Sendo assim, a desigualdade medida pelo Gini/Pnad não é adequada para revelar a distribuição da renda entre trabalhadores, de um lado, e empresários, banqueiros, latifundiários, proprietários de bens/imóveis alugados e proprietários de títulos públicos e privados, de outro.

Contudo, deve ser enfatizado que, embora o Gini/Pnad revele apenas a realidade de uma parcela social brasileira, é sempre melhor ter um Gini menor e em queda do que um maior e estacionado (como nos anos 1995-1998). Quanto menor o Gini (que varia de zero a cem), menos desigual estão os indivíduos do ponto de vista das remunerações que recebem. No Brasil, em 1995, o Gini era 59,9; em 2009, foi 54.

A distribuição funcional da renda, ou seja, a distribuição entre trabalho e capital, é calculada pelo IBGE com base nas Contas Nacionais anuais. Em 1995, a soma dos salários e das remunerações de autônomos representava 64% do PIB.

Houve uma trajetória de queda contínua até 2004, quando alcançou 58%. A partir de 2005, houve um ponto de inflexão na trajetória, que se tornou ascendente, em todos os anos, de forma consecutiva.

Segundo dados do IBGE, em 2005, atingiu 58,4%; em 2006, 58,9%; e, em 2007, 59,4%.
O IBGE ainda não divulgou dados de 2008 e 2009. Contudo, é possível calcular os números para esses anos com base na Pesquisa Mensal de Emprego e nas Contas Nacionais Trimestrais, ambas do IBGE. O técnico do Ipea Estêvão Kopschitz estimou que, em 2008, o valor alcançado foi de 60,1%; em 2009, foi de 62,3%.

Na diretoria de estudos e políticas macroeconômicas do Ipea desenvolve-se pesquisa para encontrar e quantificar as causas que explicam as variações da participação das rendas do trabalho como proporção do PIB. Com o objetivo de ampliar o debate sobre o tema, o Ipea fez extensa matéria na sua revista “Desafios do Desenvolvimento” de abril/maio de 2010 (disponível no site da instituição).

Embora ainda não seja possível afirmar de forma categórica as causas do movimento positivo da distribuição funcional da renda favorável aos trabalhadores nos últimos anos, algumas pistas estão muito claras. Houve dez anos de queda consecutiva (1995-2004) e cinco anos de recuperação (2005-2009) no período analisado.

O salário mínimo real médio, a preços de hoje, na fase de queda, era de R$ 292,53. Na fase de recuperação, foi de R$ 426,85. A taxa média real básica de juros nos anos 1995-2004 foi de 14,8%, enquanto nos anos 2005-2009 foi de 8,9%.

Como afirmei na revista acima citada, “quanto mais juros, menos salários, já que o PIB é um só”.

Cabe ainda destacar que, na fase de queda, a geração de empregos com carteira assinada, em média por ano, era de 344 mil postos. Na fase de recuperação, foi de 1,31 milhão de postos.

O índice de Gini/Pnad e a participação percentual das remunerações dos trabalhadores no PIB não são medidas opostas, mas, sim, complementares. Ambas representam dimensões da desigualdade e do desenvolvimento social do país.

As duas medidas mostram que o movimento socioeconômico brasileiro caminha em direção ao desenvolvimento. Contudo, indicam também que a caminhada começou faz pouco tempo e ainda está longe do ponto ideal de chegada.

* João Sicsú é professor do Instituto de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e diretor de estudos e políticas macroeconômicas do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

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