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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Dilma: Ley de Medios vem aí. Não adianta o PiG (*) chorar

Conversa Afiada
Publicado em 12/11/2010


Franklin mostrou que regular não é censurar

Este ordinário blogueiro (agora conhecido também como “crápula”, segundo o ex-deputado Marcelo Lunus Itagiba) recomenda a leitura desses dois textos exemplares de Bia Barbosa, na Carta Maior sobre a I Conferência Nacional de Comunicação:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17178
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17175
Recomenda também a leitura do post “Dilma vai de banda larga e de Comparato”.

Navalha

NAVALHA

Este ordinário blogueiro (e também “crápula”, segundo o porta-voz do Serra – clique aqui para ler também “Mino sabe que o Serra é quem fala pelo Itagiba”) conversou com amigo navegante que assistiu a importantíssima I Conferência de Comunicação, ou a “Conferência do Franklin”.
O amigo navegante acredita que o Franklin conseguiu construir um volume de informação suficiente para desmontar a tese esdrúxula e extra-terrena do PiG (*), da ABERT e da ANJ da Judith.
É a tese de que regular a comunicação é censurar a imprensa.
É mais ou menos o que se dizia quando o presidente Andrew Jackson, no século XIX, criou o Banco Central americano: era uma ameaça à liberdade de empreender dos banqueiros.
Estados Unidos, Canadá, França, Inglaterra, Portugal e Argentina, onde a imprensa é livre, há regulação.
A imprensa é livre e o regime capitalista está em vigor.
(Sim, porque, aqui, a Globo não quer que mais ninguém ganhe dinheiro na televisão: só ela.)
Não se trata só de preservar o direito de resposta; o noticiário político isento e distribuído igualmente entre oposição e Governo; o respeito à programação regional e às minorias; proibir que político seja dono de uma ou duas emissoras de tevê (como acontece no Ceará, no Maranhão e em Sergipe, por exemplo).
Não é só isso.
É o direito capitalista de abrir o mercado e permitir, também, que o produtor independente de Caruaru possa ganhar dinheiro com seus programas em homenagem ao Luis Gonzaga – e não só os filhos do Roberto Marinho fiquem ricos.
Além disso, lembra o meu amigo navegante, parece claro que o Governo Dilma será diferente do Governo Lula.
O Presidente Lula empurrou o PiG e a Globo para debaixo do tapete.
E, por isso, quase foi impeachado e quase não faz a sucessora.
Lula é carismático.
Ele levou o PiG e a Globo no bico.
Mas, não pode ser assim numa democracia.
O Lula vai embora e como fica a democracia ?
Na mão do Serra, do Fernando Henrique e do Papa ?
O PiG e a Globo são incompatíveis com um regime democrático.
A Dilma, provavelmente, pensa o amigo navegante, vai tratar a questão de forma prioritária.
E estratégica.
Não duvida o meu amigo navegante que o Ministério da Comunicação entrará na cota pessoal dela.
Não vai entrar na negociação com os partidos da coalizão vencedora.
É dela.
E ela, então, poderá tratar a Comunicação como tratou a Energia, quando assumiu o Ministério.
Do jeito dela.
Se for assim, pela primeira vez na história da Nova República o Ministro da Comunicação não será da confiança (visível ou invisível) da Globo.
Diz o meu amigo navegante: caiu a ficha.
Ou, como diz o Conversa Afiada: ou a Dilma faz a Ley de Medios ou cai.
Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A regulação da comunicação social em Portugal

TV Brasil – Programa 3 a 1

Qua, 10/11

Convergência de mídias

Presidente da entidade reguladora de Comunicação Social de Portugal, José Azeredo Lopes, é o convidado do 3 a 1 de hoje

Até os anos 1990, cada tipo de comunicação tinha um meio bem definido. Uma conversa entre duas pessoas era feita usando o telefone. Assistir a filmes, novelas e telejornais, era só na televisão. Mas neste década, essa situação começou a mudar. A informação e os dados ficaram digitais. Com isso, foi possível integrar mídias que antes não conversavam. A TV pode ser vista agora no computador ou no celular. Para fazer uma ligação, é possível usar um programa no PC. Acessar internet está se tornando possível também pela TV. 

É o fenômeno chamado de convergência de mídias. Com uma nova realidade tecnológica, econômica, política e social nas comunicações, os países se viram desafiados a reorganizar o setor neste ambiente. Nos Estados Unidos, aconteceu a maior reforma desde que a principal lei do setor foi aprovada em 1934. Na União Europeia, as regras gerais para a TV também foram totalmente reformuladas. Recentemente, a Argentina também aprovou sua lei. 

Enquanto isso, o Brasil continua com uma legislação atrasada. O Código Brasileiro de Telecomunicações, que trata da TV e do Rádio, é de 1962. Mesmo a Lei Geral de Telecomunicações, que é de 1997, já é vista como ultrapassada. Enquanto isso, regras fundamentais como os artigos da Constituição Federal que falam da mídia continuam sem regulamentação. Entre eles os que tratam da proteção do conteúdo regional e da produção independente e o que fala da proibição de monopólio e oligopólio no setor. 

Esse é o tema do 3 a 1 desta quarta (10), às 22h, e que terá como convidado o presidente da entidade Reguladora de Comunicação Social de Portugal, José Azeredo Lopes, que está no Brasil participando do Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias. O seminário está acontecendo em Brasília nos dias 9 e 10, e conta com a participação de onze especialistas, dirigentes e representantes de entidades e órgãos reguladores de seis diferentes países. 

Participam da entrevista, a jornalista Mônica Tavares, do Jornal O Globo, e a cineasta Berenice Mendes, gerente de Projetos Especiais da TV Brasil. A apresentação é de Luiz Carlos Azedo.

Horário: 22h 

Assuntos e comentários de José Azeredo Lopes:

“A regulação não é exercida sobre os jornalistas, mas sobre a mídia, os meios de comunicação. ”

“A lei de imprensa não prevalece sobre a livre expressão. A livre expressão foca no cidadão e a questão é centrar no cidadão”. 

“Não temos em Portugal regulação da internet. O regulador de mídia trabalha com a internet do mesmo modo que os outros meios de comunicação. Mas só pode intervir se houver um conselho editorial”.  

“Não tenho como falar da melhor regulamentação para o Brasil. Mas a questão é a mesma em qualquer país da América Latina: onde há democracia há liberdade de expressão. Não estou aqui para dá lição de moral a ninguém.” 

“Cuidado para não confundir regulação com regulamentação e censura. Os países que tem mais liberdade de expressão são os que tem regulação.”

3 a 1 « TV Brasil

O Seminário Convergência de Mídia

Brasilianas.Org
Enviado por luisnassif, ter, 09/11/2010 - 16:51

Futuro da convergência está na fibra, dia especialista

Por Bruno de Pierro
Do Brasilianas.org 

Durante o Seminário Internacional - Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, que ocorre entre hoje e amanhã, em Brasília, o chefe da Divisão de Informação, Comunicação e Política do Consumidor da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Dimitri Ypsilanti, afirmou, a pouco, que a organização que representa espera que o Brasil participe de reuniões, como observador, e que o governo envie representante a Paris.

Para Ypsilanti, a infraestrutura é importante para a questão da convergência e que, tratando-se de alta velocidade, a fibras são boas opções. Hoje, os novos atores do mercado estão fornecendo conteúdo também, o que muda a configuração da economia. "A maioria dos fornecedores estão entre 50 e 100 canais de TV e nós estamos analisando como as pessoas estão obtendo seus meios de comunicação", disse.

Segundo o representante da OCDE, há migração da TV para as mídias da Internet, e todas as capacidades tecnológicas são importantes e relevantes para a economia. "De acordo com nossa perspectiva, vemos que a informação e as tecnologias de comunicação e informação estão tendo implicações nas atividades macroeconômicas". Nesse sentido, a converg~encia não quer dizer apenas questões de transmissão, pois há várias oportunidades para a educação e para a economia.

Ypsilanti explicou também que o Brasil já está numa estapa avançada, em que, assim como alguns países membros da OCDE, foram criados mercados competitivos, separando os correios das telecomunicações. Mas, com a crescente integração de serviços, deve-se optar por tecnologias que favoreçam a competitividade no mercado.

Os países da OCDE adotaram marcos reguladores semelhantes para promover a concorrência e a interconexão, asism como modelos parecidos para, assim, assegurar mercados transparentes e o acesso a serviços que não eram monopolizados. Ypsilanti acredita que o mercado hoje está coeso, "onde as coisas agora mudam de maneira significativa". Essas mudanças estimulam o crescimento da banda larga - entre 1997 e 2009, o crescimento de intensificou.

Sobre o uso de fibras, Ypsilanti comparou com o uso do trem bala em alguns países, como a França. "Os governos tem escolhido tecnologias em alguns setores, mas aqui falamos de um mercado mais concorrido. E algumas tecnologias não dão suporte para criar competitividade, não facilitam a criação de concorrência", avaliou.

Em Cingapura, por exemplo, há investimento alto para instalação de fibras em 90% das casas, com 7% tendo acesso a internet sem fio. Na Austrália, terá uma cooperação estatal e depois todas as outras empresas irão comprar acesso no atacado, assim como no Reino Unido e na Suécia. No caso da Itália, há a separação operacional.

Com relação à topologia das fibras, há a de ponto-a-ponto, que é um sistema mais fácil para a concorrência, pois simplesmente puxa a fibra do servidor para uma casa. Já a tecnologia de ponto para multiplos pontos é mais difícil e exige mais investimentos, pois, neste caso, a fibra vai para um centro de distribuição. Sempre que um novo assinante surge, e se conecta, o cabo deve ser dividido para três, gerando maiores desafios.

Ypsilanti ainda disse que o sistema Very-high-bit-rate Digital Subscriber Line (VDSL) não é uma opção economicamente viável para o longo prazo. Quanto à fibra à domicílio, muitas pessoas gostam, mas há limitações no custo; um dos desafios é tentar decidir quais são as melhores práticas para isso e quais as opções válidas. O especialista também afirmou que a crise econômica de 2008 acabou fazendo com que os países da OCDE incluíssem fundos para tecnologia. Os franceses criaram novas portas de acesso e estabeleceram acordos com operadoras para ter acesso a apartamentos (o ocupante do apartamento pela primeira vez libera acesso para futuros moradores).

Ypsilanti concluiu alertando que a fibra é a base para as redes futuras e para o desenvolvimento da convergência. Para isso, a concorrência deve ser estimulada.

O Seminário Convergência de Mídia | Brasilianas.Org

O seminário Convergência de Mídia - 2

Brasilianas.Org
Enviado por luisnassif, qua, 10/11/2010 - 12:40

A experiência do Reino Unido

Por Bruno de Pierro
Do Brasilianas.org 

O segundo dia do Seminário Internacional - Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias contou com a participação do diretor internacional da Ofcom, Vincent Edward Affleck, agora pouco em Brasília. A entidade, formada em 2003, é responsavel pela regulação da indústria de comunicação no Reino Unido, além de incentivar a competitividade no setor.

Segundo Affleck, a convergência, no setor de comunicações, ocorre em vários níveis - convergência de plataformas, serviços, dispositivos e da própria indústria, por meio de fusões. Isso faz com que os serviços prestados sofram mudanças, principalmente quando se verifica a grande variedade de opções de tecnologias de difusão, como o cabo, o sistema digital e a fibra óptica.

As funções da Ofcom envolvem a proteção do telespectador contra material ofensivo e de tratamento desigual na programação, além de proteção contra a invasão de privacidade. Contudo, a instituição não regula a Internet, nem lida com jornais e revistas, que são auto-regulados. "Nossa abordagem é em conformidade com as exigências da união Europeia, e vai de encontro com a lei de concorrência", explicou.

Affleck acredita que a Internet banda larga de alta velocidade é a chave para o sucesso do setor econômico. "Analisamos o mercado e vimos que a fibra óptica, que ainda está sendo instalada, é o caminho", alertou o diretor, salientando, ainda, que alguns países podem chegar logo a 100 megabits de velocidade.

Nesse sentido, a próxima geração de acesso será para banda larga, o que colocará, ao mercado e governantes, grandes desafios de investimento e de infraestrutura. Mas os investimentos ainda requerem grandes quantias, o que torna o processo ainda muito caro, principalmente por questões tecnológicas. Segundo Affleck, o Reino Unido tem planos para investir 2,5 bilhões de libras para oferecer serviços de qualidade com a fibra óptica. Em paralelo é preciso, também, incentivar a concorrência, frisou o representante da Ofcom.

Sobre a regulação de conteúdo, a Ofcom tenta assegurar uma ampla gama de serviços de rádio e TV, insistindo na pluraridade e na proteção das audiências. Dessa forma, a entidade promove o monitoramento da obediência das normas por parte dos licenciados. Há, ainda, um Conselho de Conteúdo, cujo papel é, essencialmente, eferecer orientações para assuntos sobre conteúdo conteúdo de programação, criando um fórum para regulação de TV e rádio, tentando ouvir e entender o telespectador e o interesse público.

Outro ponto levantado durante a apresentação foi o fato de que as outorgas de licença não se relaciona com uma plataforma determinada, isto é, pode-se usar televisão em várias plataformas, por exemplo a Internet. "Não estamos preocupados com a plataforma, mas como os programas são difundidos e qual a responsabilidade com o público", disse Affleck.

Sobre o espectro de rádio, Affleck entende que se trata de um recurso limitado, mas que é chave na difusão de serviços eletrônicos, tanto para dispositivos móveis, quanto para redes de telefonia. Sobre esse espectro, há três formas de regimento: mecanismos de mercado, controle e isenção de licenças. A abordagem que a Ofcom prefere utilizar é a baseada no mercado, através de leilões de licenças. Aliás, como ressaltou Affleck, no Reino Unido o governo também paga pelo espectro - no caso no Ministério da Defesa, ele abriu mão de seu espectro para o mercado comercial. Atualmente, o entidade foi impedida de dar mais espectros para leilão, mas Affleck disse que estão negociando com o governo este impasse.

Com relação ao futuro, o diretor acredita que seja necessário incentivar o uso da banda larga e o fortalecimento da infraestrutura para o setor, pensando já nas olimpíadas de 2012, que exigirá uso intenso de dispositivos móveis e grandes parcelas do espectro.
Isso, afirmou, seria motivo para que Reino Unido compartilhasse experiências com o Brasil, que será palco para uma olimpíada em 2016.

O seminário Convergência de Mídia - 2 | Brasilianas.Org

Bia Barbosa: Comunicação será “área estratégica” para Dilma

Viomundo - O que você não vê na mídia
Luiz Carlos Azenha
10 de novembro de 2010 às 11:30

Política| 10/11/2010

Comunicação deve ser área estratégica para governo Dilma

Em seminário em Brasília, organizado para discutir experiências internacionais de regulação da mídia, o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência, deixou clara a urgência de um novo marco regulatório para o setor no país, que deve ser construído num debate público e transparente com toda a sociedade, deixando “fantasmas no porão”. Para Unesco, a legislação da radiodifusão brasileira é atrasada e pouco sustentada no interesse público.

Bia Barbosa, de Brasília, na Carta Maior

Num processo que envolveu mais de 30 mil pessoas em todo o país, a I Conferência Nacional de Comunicação teve como uma de suas principais resoluções, aprovada por representantes do governo, da sociedade civil e do empresariado, a necessidade da construção de um novo marco regulatório para o país. Ultrapassada – da década de 60 – e pouco democrática, a legislação que hoje rege o setor tem se mostrado um entrave não apenas para o desenvolvimento da própria mídia no país como também um obstáculo considerável para a consolidação da democracia brasileira. A um mês de completar o aniversário de um ano da I Confecom, o governo Lula dá um passo significativo para transformar essa realidade e sinaliza: o governo Dilma deve tratar as mudanças nessa área como prioritárias.

Foi este o tom do discurso, corajoso, do ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, nesta terça (09) durante a abertura do Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, em Brasília. Para uma platéia repleta de empresários, organizações da sociedade civil, acadêmicos e convidados estrangeiros, Franklin colocou o dedo numa ferida que, pelo menos publicamente, já tinha sido reconhecida pelo Executivo Federal desde a Confecom, mas que até este momento deixava dúvidas sobre quando e o quanto seria de fato enfrentada. Depois de viajar por diversos países para conhecer como outras democracias estão lidando com o processo de convergência tecnológica, foi hora de trazer especialistas internacionais para Brasília e dar o pontapé público neste debate, “olhando pra frente”, como ele deixou claro.

“Cada vez mais as fronteiras entre radiodifusão e telecomunicação vão se diluindo. Em pouco tempo, para o cidadão será indiferente se o sinal que recebe no celular ou no computador vem da radiodifusão ou das teles. A convergência de mídia é um processo que está em curso e ninguém vai detê-lo. Por isso é bom olhar pra frente, este é o futuro. E regular esta questão será um desafio, porque sem isso não há segurança jurídica nem como a sociedade produzir um ambiente onde o interesse público prevaleça sobre os demais”, afirmou.

O governo reconheceu que, aqui, o desafio se mostra maior do que em outros países, porque, além da legislação atrasada, “acumularam-se problemas imensos, que foram sendo encostado ao longo do tempo”. Para o ministro, a legislação brasileira é um cipoal de gambiarras, que não enfrenta as questões de fundo, e que inclusive não responde aos princípios estabelecidos pela própria Constituição Federal.

“Criou-se, na área de comunicação, uma terra de ninguém. Todos sabemos, por exemplo, que deputados e senadores não podem ter concessões de rádio e TV. Mas todos sabemos que eles tem, através de subterfúgios, e ninguém faz nada. A discussão foi sendo evitada. E a oportunidade é discutir tudo isso agora, legislando de uma forma mais permanente, integradora, cidadã e democrática”, disse Franklin Martins.

Fantasmas no sótão

A pretensão do governo é fazer as mudanças no marco regulatório através de um processo público, aberto e transparente, para que a sociedade brasileira como um todo – e não apenas um grupo ou outro – decida seu caminho. Até o final da gestão Lula, um ante-projeto de lei, que vem sendo elaborado por um grupo de trabalho interministerial, será apresentado à equipe da presidente eleita Dilma Rousseff, que então decidirá quando e como apresentá-lo ao Congresso Nacional. É neste debate público que o grupo de trabalho deve basear suas proposições.

Um dos maiores desafios nessa jornada, no entanto, parece ir além da própria convergência tecnológica e suas inúmeras inovações. Trata-se de, exatamente, criar as condições para que o debate público de fato aconteça, de forma plural e participativa. Foi este o desejo da I Conferência de Comunicação, que agora parece contar com a vontade política do governo Lula para ser colocado em marcha.

“O problema é grande. Os fantasmas passeiam por aí arrastando correntes, impedindo que a gente ouça o que tem que ouvir. Se formos capazes de nos livrar dos fantasmas e não os deixarmos controlar nossa discussão, avançaremos. Isso interessa à sociedade como um todo, não é uma discussão apenas econômica. A comunicação diz respeito à cidadania, à participação política e à produção cultural, e por isso a sociedade deve participar diretamente”, afirmou Franklin Martins. E deu o recado: “convido a todos então a deixar seus fantasmas no sótão, que é onde eles se sentem melhor. Vamos nos desarmar dos preconceitos. Essa agenda está na mesa e será realizada, num clima de entendimento ou de enfrentamento”.

Dentre os fantasmas que precisam ser deixados no porão está a tese – tão difundida pelos grandes meios de comunicação – de que regulação é sinônimo de censura à imprensa. Na abertura do seminário internacional, foi necessário afirmar mais uma vez, para quem já deveria estar convencido disso, que o Brasil goza de absoluta liberdade de imprensa.

“Essa história de que a liberdade de imprensa está ameaça é uma bobagem, um truque, isso não está em jogo. A liberdade de imprensa significa a liberdade de imprimir, divulgar, de publicar. A essa não deve, não pode e não haverá qualquer tipo de restrição. Isso não significa que não pode haver regulação do setor. Vocês verão relatos neste evento de diversas democracias, e verão que em todas elas há regulação, o que não significa nada que haja censura”, repetiu.

Sem explicitar, o governo Lula acabou admitindo que deixou a desejar no campo das comunicações. E para os participantes da sociedade civil que vieram a Brasília conhecer as experiências de outros países, talvez esta tenha sido a mensagem mais alentadora: esta área deve ser tratada com prioridade no governo Dilma.

“Estou convencido de que a área de comunicação terá, no próximo governo, o mesmo tratamento que teve a energia no governo Lula. Algo estratégico para o crescimento. Ou se produz um novo marco regulatório ou vamos perder o bonde. Em 2008, a radiodifusão faturou R$ 11,5 bilhões; e as empresas de telecomunicações, R$ 130 bilhões. Em 2009, os números foram R$ 13 bilhões e R$ 180 bilhões respectivamente. É evidente que, se não houver regulação, a radiodifusão será atropelada por uma jamanta. E se não houver o debate, quem vai regular é o mercado. E quando o mercado regula, quem ganha é o mais forte”, avisou Franklin.
“É necessário regular, criar políticas públicas e gerar um ambiente para que a sociedade se sinta não só usuária dos serviços de comunicação, mas cidadã. Se formos capazes de entender isso, teremos mais vozes falando, mais opiniões se expressando no debate público. É “mais” e não “menos” o que está em jogo neste processo”, concluiu.

Mais interesse público

Também em sintonia com o que apontou a I Confecom e com a linha política manifestada pela Secretaria de Comunicação, uma das primeiras participações internacionais no seminário expôs objetivamente os pontos nevrálgicos da legislação brasileira que precisam avançar para que o setor, de fato, permita a expressão dessa multiplicidade de vozes. O canadense Toby Mendel, diretor executivo do Centro de Direito e Democracia, organização internacional de direitos humanos com foco no conhecimento legal sobre direitos fundamentais para a democracia, incluindo o direito à informação, a liberdade de expressão e o direito de participação, apresentou o resultado de um estudo encomendado pela Unesco sobre o marco regulatório em 10 grandes democracias, incluindo o Brasil. E, a partir de padrões internacionais, fez recomendações para o processo que se inicia em território nacional.

Uma delas é a de ampliar a transparência e garantir o interesse público nos processos de renovação das concessões de rádio e TV. “Em muitos países, este momento é uma oportunidade para avaliar mudanças que precisam ser feitas pelo concessionário, para apontar eventuais regras que não tenham sido respeitadas. No Brasil, esta avaliação não acontece”, disse Toby Mendel.

A prática reforça outros problemas da legislação não enfrentados pelo Estado brasileiro: a regulação da propriedade privada dos meios – com medidas como a proibição da propriedade cruzada – e a garantia da liberdade de expressão.

“A liberdade de expressão vai além do direito do emissor dizer o que pensa. É também o direito do receptor, do telespectador, do leitor, receber uma variedade de informações e de pontos de vista. Se a propriedade dos meios não é regulada, isso pode até ser ok do ponto de vista do emissor, mas o direito do receptor de receber idéias plurais começa a ser reduzido. Ou seja, o Estado não pode simplesmente deixar o mercado agir”, afirmou o consultor da Unesco.

Na mesma linha, Mendel apontou a importância de regras para a difusão de conteúdo na radiodifusão, como a proteção de crianças, o combate a discursos que violem os direitos humanos e a promoção do jornalismo imparcial. É preciso ainda regulamentar o artigo da Constituição que garante percentuais para a difusão de conteúdos regionais e independentes nas emissoras de rádio e TV e garantir o direito de resposta.

“Tudo isso está na Constituição, mas não é cumprido. Também é preciso haver um sistema que receba queixas neste sentido, um órgão regulador independente que pode aplicar sanções diante do descumprimento dessas regras”, explicou Mendel, que defendeu ainda a importância do fortalecimento do sistema público de comunicação e da comunicação comunitária brasileira.

A lista é grande, e foi sendo recheada com outras sugestões vindas dos representantes dos demais países presentes ao seminário – o que apenas reforça e confirma o tamanho do desafio que o Brasil tem pela frente se quiser mesmo mexer neste vespeiro.

Bia Barbosa: Comunicação será “área estratégica” para Dilma | Viomundo - O que você não vê na mídia

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dilma vai de banda larga e Comparato

Conversa Afiada
Publicado em 09/11/2010

Na foto, a Dilma usa a tecnologia “na frente” contra o PiG

Saiu no Estadão, pág. A11:
“Ministro (Franklin Martins) defende que Dilma regule mídia.”
Martins abriu o Seminário Internacional das Comunicações, que se realiza hoje e amanhã em Brasília, com especialistas internacionais.
Disse que, antes de entrar no Governo, Dilma receberá um anteprojeto que fixará um novo “marco regulatório” e tratará da “convergência de mídias.”
Quer dizer: fixar regras (flexíveis) para a batalha entre televisão, TV por assinatura, telefonia, internet, twitter, Google e Apple.
Ou seja, tudo o que a Globo menos quer.
A Globo quer que a Terra pare de girar em torno do Sol (ou o contrário, como propõem os adeptos da Marina, que não aceitam Darwin e, provavelmente, Galileu também).
O que a Globo quer é que fique tudo como está no Código de Radio-Difusão de 1962, do grande presidente João Goulart, quando não havia televisão.
A Globo não quer que o Congresso regulamente os artigos 220, 221 e 22 da Constituição que tratam da Comunicação.
A Globo tem um Senador biônico vitalício, Evandro Guimarães, que como tal é tratado no Senado da República.
Evandro deve estar aflitíssimo com essa Conferência do Franklin.
Um passarinho pousou na janela lá de casa e disse como será a Ley de Medios da Dilma.
Primeiro, ela gosta muito de soluções técnicas.
De engenharia de produção, eficazes, que põem o serviço para andar.
E isso se chama “banda larga de alta velocidade”, nas mãos do Rogerio Santana, presidente da Telebrás.
A Dilma vai fazer o que o Franklin Roosevelt fez.
Dar o salto tecnológico.
Quando Roosevelt foi eleito, 60% dos jornais americanos eram contra ele.
Ele precisava fazer o New Deal e salvar a economia americana da recessão.
O que ele fez ?
Deu o salto tecnológico.
Foi para a tecnologia “da frente”: o rádio.
Deixou o PiG impresso a vociferar e foi explicar ao eleitor americano as reformas econômicas através das “conversas ao pé da lareira”: no rádio.
A Globo e o PiG impresso no Brasil são irremediavelmente golpistas.
O ENEM, por exemplo.
É o terceiro turno do PiG.
O Golpe de Estado da Educação.
A tentativa de impedir que se abram as senzalas.
Qual o estilo da Dilma ?
Tecnologia na veia: banda larga universal, neutra e barata.
E bye-bye PiG forever.
O outro caminho quem deu foi o emérito professor Fábio Comparato.
É dele a idéia da ADIN por Omissão – clique aqui para ler “PSOL se une a trabalhadores e apóia ADIN do Comparato”.
Fazer o Congresso trabalhar, enfrentar o Senador Evandro e regulamentar os artigos da Constituição que abrem as portas da comunicação ao cidadão.
Se a Dilma não fizer a sua Ley de Medios, o PiG derruba ela.
Como quase derrubou o Lula – todo santo (com licença do Serra que vai ser beatificado) dia dos oito anos do mandato.
Só que a Dilma já sabe disso.
Qualquer dúvida, basta ligar para o Comparato.
Ele explica.
Paulo Henrique Amorim

Dilma vai de banda larga e Comparato | Conversa Afiada

Ministro defende que Dilma regule mídia

Estadao.com.br

Para Franklin, área de comunicações será tema de destaque no futuro governo

08 de novembro de 2010 | 20h 18

    Karla Mendes, de O Estado de S.Paulo

    BRASÍLIA - Ao apresentar ontem os objetivos do Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, que será realizado em Brasília hoje e amanhã, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social da Presidência) disse ser "um absurdo" que os artigos sobre comunicação na Constituição estejam há duas décadas esperando pela regulamentação. Para ele, o marco regulatório do setor, de 1962, é incompatível com a nova realidade do País.

    "Ou olha para frente ou a ‘jamanta’ das telecomunicações atropela a radiodifusão", afirmou Franklin Martins. O ministro fez uma comparação entre setores: enquanto as empresas de radiodifusão faturaram R$ 13 bilhões em 2009, as de telecomunicações embolsaram a receita de R$ 180 bilhões.

    O ministro disse que a presidente eleita, Dilma Rousseff, receberá até meados de dezembro um anteprojeto da revisão do marco regulatório das telecomunicações, que tratará também da convergência de mídias.

    "Será uma proposta de regulação flexível, porque a velocidade das transformações tecnológicas nessa área aconselha que se seja pouco rígido e pouco detalhista na lei, (uma vez que) as tecnologias e ambientes de negócios vão mudando. O essencial é que traga os princípios gerais, liberdade de informação, neutralidade, estímulo à competição e à inovação, proteção à cultura nacional, regional", ressaltou.

    Ele não quis adiantar detalhes do projeto, como, por exemplo, se o Brasil seguirá o caminho de países que optaram pela criação de duas agências reguladoras - uma para tratar dos aspectos técnicos dos meios eletrônicos e outra voltada para conteúdo - ou se os dois assuntos serão tratados dentro de uma única agência.

    Censura

    Franklin Martins fez questão de frisar que a regulação do conteúdo não tem nada a ver com censura da imprensa. "Sou contra a censura. E o governo também. Não deve haver na sociedade censura alguma à imprensa. Sou contra, inclusive, o Judiciário censurar a imprensa", enfatizou. O ministro defendeu que a imprensa tenha total liberdade, mas ponderou que isso não quer dizer que "a imprensa está acima da crítica".

    Segundo o ministro, o anteprojeto também vai propor a regulamentação dos artigos da Constituição que tratam de produção nacional, regional e independente (220, 221 e 222). "É absurdo que, 22 anos depois (da promulgação da Constituição), artigos que dependem de regulamentação não sejam regulamentados."

    A participação de capital estrangeiro nas empresas do setor, no entanto, somente será debatida se a discussão for provocada pelo público. "Já existe uma lei que regulamenta isso", defendeu o ministro.

    Na opinião de Franklin Martins, as fronteiras entre telecomunicações e radiodifusão estão sendo postas em xeque pela convergência de mídias na divulgação do conteúdo e, por isso, é uma questão que tem de passar por um amplo debate com a sociedade. "Só assim poderemos transformar os desafios e as possibilidades em crescimento."

    Três caminhos

    Caberá à presidente eleita dar prosseguimento ou não às propostas apresentadas. Dilma tem três caminhos a escolher. O primeiro: deixar que o próprio presidente Lula tome a decisão e encaminhe o projeto ao Congresso Nacional. A segunda opção é fazer esse encaminhamento durante a nova gestão; ou ainda, definir por não levá-lo adiante. O ministro Franklin Martins, no entanto, demonstrou otimismo quanto à hipótese de as propostas serem encaminhadas, discutidas e transformadas em lei.

    "Da mesma forma que, no primeiro mandato do governo Lula, foi fundamental ter um novo marco regulatório na questão da energia para impedir novos apagões, acho que as comunicações terão um destaque semelhante (no governo Dilma)", enfatizou Franklin Martins. "É necessário que se tenha um novo marco regulatório que dê segurança aos investidores, possibilidade de competição, que permita a inovação, que garanta os direitos dos cidadãos e que promova uma grande oferta de informações e conhecimentos, ingredientes vitais para o exercício da cidadania", defendeu.

    segunda-feira, 8 de novembro de 2010

    Experiências mundiais de regulação de mídia

    Blog do Miro
    Altamiro Borges
    segunda-feira, 8 de novembro de 2010

    Reproduzo matéria publicada no sítio Carta Maior:
    O governo federal, por meio da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, promove, dias 9 e 10 de novembro, em Brasília, o Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias para debater os impactos das mudanças tecnológicas, seus desafios e oportunidades na nova era da digitalização. O objetivo do Seminário é fornecer subsídios para legisladores, reguladores, formuladores de políticas públicas e segmentos empresariais e da sociedade civil que atuam no setor da comunicação.
    O encontro contará com a participação de 11 especialistas, dirigentes e representantes de entidades e órgãos reguladores de seis diferentes países. Eles debaterão as experiências, avanços e limitações de seus processos regulatórios de radiodifusão e telecomunicações. Os debates ocorrerão no Teatro da Caixa (SBS, Quadra 4, Lote 3, 4.)
    O seminário trará as experiências de regulação no setor de comunicações eletrônicas de vários países, como Argentina, Espanha, Estados Unidos, França, Portugal e Reino Unido, e da União Europeia, além de estudos desenvolvidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
    Participam, como palestrantes, dirigentes e representantes da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), Portugal; da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Portugal; do Conselho Superior do Audiovisual (CSA - Conseil Supérieur de l´Audiovisuel), França; da Comissão de Mercado das Telecomunicações (CMT - Comisión del Mercado de las Telecomunicaciones), Espanha; da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (AFSCA - Autoridad Federal de Servicios de Comunicación Audiovisual), Argentina; do Office of Communications (Ofcom), Reino Unido; especialistas na área de regulação da Comissão Europeia, da Unesco, da OCDE e da Comissão Federal de Comunicações (FCC - Federal Communications Commission), Estados Unidos.
    Estão convidados para o evento entidades da sociedade civil e empresarial, parlamentares, representantes de órgãos governamentais, acadêmicos, especialistas e a imprensa. Em razão da limitação de lugares no local do seminário, não há inscrições abertas. A participação no evento ocorrerá somente mediante convite. Em caso de desistências, novas inscrições poderão ser efetuadas desde que os interessados enviem o nome e o órgão que representam para o e-mail seminariointernacional@planalto.gov.br.
    O evento será transmitido ao vivo pelo site do seminário e pela TV NBR.

    Altamiro Borges: Experiências mundiais de regulação de mídia

    quinta-feira, 4 de novembro de 2010

    Internet, banda larga e democratização da comunicação

    Viomundo - O que você não vê na mídia 
    4 de novembro de 2010 às 13:25

    Amadeu: Internet tem janela para controle cultural e político

    A entrevista com o sociólogo Sergio Amadeu foi feita por Juliana Sada, do Escrevinhador – e disseminada em lista pelo Castor Filho:

    Você poderia explicar o que é o Plano Nacional de Banda Larga e qual a sua importância?

    O Plano Nacional de Banda Larga  é um conjunto de ações do governo para levar a internet com velocidade razoável para todo território nacional. Hoje grande parte do nosso território tem acesso apenas à conexão discada. Isto impede que se faça uma série de coisas: acesso à prestação de serviços online, acesso à multimídia…

    Portanto o Plano Nacional tenta levar as redes de alta velocidade a todos municípios, a todas periferias das grandes cidades porque as empresas operadoras de telefonia, responsáveis pela banda larga, não fizeram isso até hoje. Nada impedia que essas operadoras levassem banda larga para o nordeste ou mesmo para a Cidade Tiradentes. Há mil restrições em locais onde não é rentável ter banda larga. Aí vem a questão: a banda larga que foi implementada no Brasil é cara e de baixa qualidade, muito instável.

    O Plano Nacional de Banda Larga amplia a rede de banda larga fazendo parcerias também com pequenos empreendedores, com empresas estatais e retomando a Telebrás – não como a empresa estatal que era mas como um gestor do sistema. Este será mais amplo em relação ao gerado pelas privatizações, que é um sistema de grande operadoras que querem uma alta taxa de remuneração e por isso deixam abandonadas as regiões carentes.

    O Plano Nacional de Banda Larga no fundo é o reconhecimento de que a Anatel não conseguiu que a empresas operadoras, simplesmente por medidas regulatórias, expandissem a banda larga. Até porque a banda larga, ao contrário da telefonia fixa, não tem metas de universalização. Então as operadoras cobram o que querem e não são obrigadas a cobrir todo o território. Já o reconhecimento de que elas não estão dando conta dessa necessidade urgente do nosso país, fez com que o governo retomasse a Telebrás pra criar uma competição justa e importante com essas operadoras. E elas vão ter baixar preço, vão ter que ampliar sua malha.

    E que deficiências você vê no projeto do governo?

    O que o governo está propondo ainda não é o ideal porque ele está trabalhando com 512k de velocidade, isso é completamente insuficiente. Em relação ao custo, não sabemos ao certo mas deve ser em torno de 15 ou 25 reais, que não é o ideal para a realidade socioeconômica brasileira.

    Acho que a gente tem que observar que as operadoras fracassaram nesse modelo só do mercado, nada impede ou impedia que colocassem banda larga em todo o lugar então o que o governo está fazendo é uma ação competitiva também que é necessária ao modelo de privatização que houve.

    Se você tirar todos os impostos do custo de banda larga hoje, você ainda tem um dos serviços mais caros do mundo. O argumento das operadoras é que são muito tributadas, podem até ser mas não é esse o problema. O problema é que eles tem um modelo de remuneração absurdo, eles querem controlar o tráfego da rede. É uma coisa muito absurda, um dos dirigentes dessas operadoras dizia “olha vocês não podem navegar no horário que vocês querem, vocês tem que navegar no horário que tem menos tráfego”. Ora, eu pago caro e ele ainda quer dizer que horário eu devo usar.

    Se deixarem que as forças de mercado atuem livremente nós estamos perdidos, nós não vamos conseguir ter atendidas as necessidades informacionais da sociedade. É básico isso. E por isso que o plano é bem interessante apesar de que espero que ele melhore, que o governo reconheça a necessidade de preços mais baixos e banda mais alta.

    A retomada da Telebrás é o ponto do plano que está sendo mais atacado.

    Claro, porque as operadoras queriam receber o dinheiro, queriam tirar o imposto e manter praticamente os preços que elas praticam. Ou seja, o governo daria bilhões para elas fazerem no modelo absurdo,  de desrespeito ao consumidor que elas vêm praticando.

    Então seguindo a lógica de vários outros países extremamente modernos, como a Holanda, o governo montou uma empresa que vai articular a competição. Daí é obvio que as operadoras disseram “não, isso é incorreto”. Incorreto para o modelo de privatização que houve no Brasil que premiou essas empresas sem exigir padrão de qualidade e baixo preço.

    A Telebrás será uma empresa de gerenciamento e de articulação. Tem vários pequenos provedores de conexão que ficam sufocados por essas grandes empresas. Com a Telebrás , eles poderão competir com as grandes. Isso é bom. A Telebrás poderá ajudar também as prefeituras que desejarem abrir o sinal, já que hoje as que fazem isso são altamente taxadas pelas operadoras. Então elas sufocam as possibilidades de uso coletivo, de um programa social e de direito humano à comunicação que é dar o sinal de rede gratuitamente.

    Das grandes operadoras, quantas são que dominam o mercado nacionalmente?

    Elas estão se fundindo, hoje talvez sejam quatro no máximo. É um mercado oligopolizado, ou seja, poucos ofertantes de serviço. Isso é um problema. E eles tem muito dinheiro.

    O processo de convergência de digital, ou seja de tudo ir pras redes digitais, gera uma economia de rede mais forte. Ou seja as empresas vão se coligar, é uma tendência mundial.  E o capital é concentrador, enquanto houver capitalismo vai ser concentrador. Só uma operadora em São Paulo fatura mais que todo setor de radiodifusão no Brasil, que deve ter faturado 18 bilhões. Só uma operadora fatura mais, ou seja, tem muito mais poder econômico.

    Quais obstáculos estão postos para a implementação do Plano Nacional de Banda Larga?

    A Dilma ganhando, eu acho que fica tudo bem mas se ela perder, o plano vai ser feito do jeito que as operadoras  querem. E para eles é uma briga econômica.  Tomara que dê certo mas vai ter que dar porque isso é estratégico. As empresas já estão percebendo isso. Vai ter que ter, não tem jeito.

    O que significa a democratização do acesso à internet? Como as pessoas se beneficiam disto?

    Eu acho, apesar de ser bastante controverso, que as pessoas ganharam mais poder comunicativo. A internet, por ser uma rede distribuída, dá mais condições das pessoas se comunicarem, muito mais que no período antes da internet. O telefone não permitia que eu mandasse uma informação que pudesse ser vista por milhares de pessoas, hoje você tem pontos na rede que tem capacidade de dialogar com muitas pessoas. Então ela aumentou o poder comunicativo, sem dúvida nenhuma.

    Por outro lado, ela reduziu este mesmo poder de grandes grupos. A Globo é muito mais poderosa que um blogueiro, não tem cabimento achar que não. Mas ela começa a enfrentar movimentos e críticas, ela começa a enfrentar ondas na rede. Como foi o #dilmafactsbyfolha . A Folha atua como um partido politico, não só ela mas principalmente. Então ela faz combinações com as campanhas de José Serra e Geraldo Alckmin, ela coloca as manchetes de acordo com a campanha…E ela fez uma manchete completamente descabida e aí gerou um reação. Ninguém sabe exatamente com quem começou mas se você for ver foi de uma pessoa comum indignada e as pessoas acharam legal e começaram a falar, a tirar sarro da Folha. A manchete era “Dilma erra e dá prejuízo de 1 bilhão para consumidor” e o pessoal começou a colocar toda a culpa do que acontecia na Dilma. Isso gerou uma desmoralização da Folha de S.Paulo e isso não tende a diminuir. Esta retirada de poder dos grupos é importante. Agora isso quer dizer que vai acabar a empresa jornalistica? Claro que não. Só que essas empresas, se elas forem querer atuar achando que tem o poder que tinha antes, elas vão de dar mal. Elas terão que conviver com a rede. Então acho que isso beneficia muito a nossa sociedade.

    A mídia de massas era importante por um lado porque fiscalizava os governos mas quando ela queria atuar de modo classista contra interesses populares e democráticos, ela atua com a maior tranquilidade. Então hoje você tem um jogo mais complexo. E eu acho isso extremamente positivo, teremos uma diversidade maior de atores. Isso é o que está acontecendo hoje.

    Quais são os obstáculos que estão postos e quais iniciativas de cerceamento da liberdade na internet?

    Existem governos, como o da China, e grupos de pessoas ou políticos conservadores que querem transformar os protocolos, o controle que é dado tecnicamente na internet em controle político e cultural.

    É difícil a gente falar isso: a rede amplia a liberdade de expressão, amplia a capacidade de interação entre as pessoas, ela é uma rede que permite a liberdade nesse sentido. Mas ela é uma rede também de controle. Ela é uma rede cibernética: de comunicação e controle.

    Atualmente você pega um grupo como o Google que conseguiu atrair a atenção e interesse das pessoas, que passaram a entregar as suas informações voluntariamente, porque era legal usar o Gmail,o Youtube, o Orkut, as aplicações, o mecanismo de busca…É uma empresa que não obrigou ninguém a passar tanta informação para eles mas eles são um repositório de informações jamais alcançado  por alguém história da humanidade.

    Nunca tivemos uma situação onde pudessemos falar tanto e nunca fomos tão controlados. É uma aparente contradição mas não é. A própria rede para ser dispersa, tem que ser extremamente controlada. Mas na hora que eu transformo esse controle tecnológico, que é tipico da cibernética, em controle  cultural e começo a dizer que deve passar por determinados lugares, que tem que definir o comportamento político cultural das pessoas. Daí eu tenho algo extremamente grave. Então nós estamos com um grande problema hoje. E uma das grandes expressões desse problema de transformação do controle tecnológico em controle político se dá em torno da neutralidade da rede.

    Você pode explicar o conceito de neutralidade da rede?

    A internet ela pode ser entendida como uma rede lógica, uma rede de informações. Para usarmos a internet, utilizamos a infraestrutura de telecomunicações, ou seja, os controles do que a gente chama de camada física da rede. Essas operadoras de telecom querem controlar o fluxo de informações que passa por seus cabos.

    A internet até hoje não funcionou assim porque uma camada era neutra em relação às outras. Daí o termo neutralidade da rede. Ou seja, até hoje não era permitida a discriminação dos pacotes [de informação], seja por origem, destino, conteúdo…

    Agora essas operadoras dizem “não, nós estamos com um problema: as pessoas tão baixando vídeo e compete com um tráfego importante de dados. Os vídeos tem que pagar para andar na minha rede”. É como se fossem pedágios virtuais nesse sentido. E elas querem assim: se o blog do Sergio Amadeu não tiver acordo com uma operadora americana, não vão abrir o blog com a mesma velocidade do MSN, que tem um acordo.

    Então nós vamos implantar estradas pedagiadas, vamos implantar as regras de mercado dentro do ciberespaço. O ciberespaço sempre permitiu ação do mercado mas ele não é o mercado, ele é o espaço comum, onde todos eram tratados de maneira equânime. E as operadoras com essa tentativa de restrição, estão interferindo diretamente no meu interesse, na minha liberdade de me comunicar.

    Isso coloca em risco a criatividade da rede. Se eu criar uma nova aplicação, o que vai acontecer? Uma operadora pode dizer “não sei o que é isso, não vou deixar passar”. O Twitter poderia não existir, o Youtube…Pois todo mundo que quiser criar algo vai ter que ser sócio deles, senão não vai poder caminhar nas redes. Isso é uma aberração.

    Defender a neutralidade na rede, é defender a liberdade de expressão, de criação, de invenção. E é uma das coisas mais importantes no mundo da internet hoje.

    Que iniciativas existem nesse sentido?

    Nos EUA, a Justiça deu ganho de causa à empresa Conquest que alegava poder privilegiar determinados pacotes de informação em detrimento a outros em sua rede. E a FCC, a Anatel deles,  está contra essa decisão e tem ações legais no parlamento americano para aprovar projetos que garantam a neutralidade na rede, contra a discriminação dos pacotes.

    No Brasil colocamos no Marco Civil da Internet que um dos princípios da internet no Brasil é a neutralidade na rede. Isso colocaria, ao menos no nosso território, uma situação difícil para operadoras que começassem a interferir nos pacotes.  É um movimento no qual a gente tenta aprovar leis em todos os países importantes do mundo pra garantir a neutralidade da rede.

    Porque isso não depende de cada país já que o acesso não tem fronteiras, certo?

    Essa questão é bem interessante. O que a gente quer fazer em cada país é garantir que a internet continue livre e não fazer uma lei para dizer “meu país é diferente”. Então é um espírito de uma parte da opinião pública mundial que luta por isso. Olha que interessante: a internet é transnacional mas se os EUA aplicarem o processo de quebrar a neutralidade, eles vão impor essa lógica no mundo inteiro pois é la que estão os maiores provedores de conteúdo e as principais redes sociais.

    Então, na verdade, temos que lutar com leis contra o poder de oligopólio desse controladores das redes físicas. A rede física é que controla os cabos, satélites, cabos submarinos…Esses caras são oligopólios no mundo, é mais fácil a gente convencer o governo americano a fazer algo do que a convencermos uma operadora dessa. Porque eu não posso elegê-los, eu não posso controlá-los. Eles não se guiam por preceitos democráticos, é a ditadura do capital. Então é muito grave,  daí estranhamente para defender a liberdade transnacional, a gente recorre às leis nacionais.  Dizendo “neste pedaço da terra, o fluxo é livre, naquele também, naquele também” e se esses países forem os mais importantes, a gente venceu a batalha.

    E qual o interesse das operadoras em fazer isso? Tem a ver com o interesse da indústria fonográfica em barrar o download de músicas, por exemplo?

    O interesse maior é eles ganharem mais dinheiro, é cobrar. E aí tem a indústria do copyright, que pensa “bom, se eles puderem controlar a rede, eu faço um acordo com eles pra não passar protocolo bitorrent pela rede deles e aí eu acabo com a pirataria”. É ilusão dos caras isso. Mas o principal interesse das operadores é aumentar seu controle, eles pegam o controle técnico que tem – os computadores sabem que pacotes estão passando – e aí eles ganham mais dinheiro.

    E para ganhar mais dinheiro eles destroem a liberdade de expressão, de criação. Eles passam a ter um controle grande porque se eu inventar a Web 3D, vou ter fazer um acordo com ele porque se não eles podem barrar meu conteúdo. Vamos ter cercas digitais e eles só abrem a porteira mediante pagamento ou acordo. Isso é um controle gigantesco sobre a criatividade.

    No mundo, as operadoras estão se concentrando – vão ser de 10 a 12 grandes operadoras, que tem mais poder que  estados. E é um poder sobre a comunicação e então a gente tem que  superar essa nossa dependência desse tipo de companhia – não sei ainda qual seria a solução mas a situação atual é grave. Essas empresas são estratégicas do ponto de vista do direito a comunicação hoje e elas tem que ter o controle social.

    Quem são as grandes empresas de telecom? Quem são esses grupos que controlam o mercado?

    Tem algumas empresas grandes dos EUA, a AT&T, Conquest, Verizon…Alguns grupos europeus como a Telefônica, a Vodafone e algumas alemãs. Tem duas grande chinesas, muito grandes. Mas o que está acontecendo é que essas empresas estão se coligando, então o grande perigo é essa enorme concentração. É um setor estratégico, eles tem toda a infraestrutura da rede. Por exemplo, como é que a China faz: eles não deixam que alguns IPs sejam lidos, o fluxo de alta velocidade vem e ao entrar na China, tem um computador que filtra. É o chamado grande firewall chinês, a grande barreira.

    É possível haver uma regulação a nível mundial? Alguma instância de decisão?

    Não, acima dos Estados Nacionais tem acordos. Seria uma boa ideia a gente tentar fazer um acordo em defesa da liberdade na internet mas é muito difícil. No momento nós temos que ganhar a opinião pública em cada país. Porque aí as sociedades em cada local brigam. Na Espanha tem uma briga forte em defesa da neutralidade da rede. Na França infelizmente a gente perdeu para o Sarkozy, que criou lei absurdas. Mas a gente tem um movimento mundial.

    Você pode explicar sobre a lei aprovada na França e que foi debatida no parlamento de vários países europeus?

    A grande iniciativa hoje é chamada “three strikes”, são as três batidas. Eles identificam que você está baixando, por exemplo, um arquivo de música. Então ele violam a sua privacidade para ver que tipo de arquivo você está baixando. Se for um arquivo protegido pelo copyright, ou melhor dizendo cerceado pelo copyright, eles te mandam um aviso “você está violando a lei” – é a primeira batida. Se você continuar, eles te mandam um segundo aviso e na terceira vez eles cortam a sua conexão, em geral por um ano.

    Qual o problema disso? Pense na minha casa que tem três pessoas usando a internet, só eu baixei a música. Na hora que me desconectam, são prejudicadas outras pessoas que não tem nada a ver com isso. Quer dizer, é uma lei inexequível. Tanto é que na França ela foi aprovada há mais de um ano mas não foi aplicada.

    A grande questão em relação ao IP [Internet Protocol, número de identificação de um computador na rede] é a seguinte: para você navegar na internet você tem que ter um número de IP, então é muito fácil identificar o IP, a máquina e a região em que está. O grande problema é você individualizar o IP, ou seja, vincular um IP a uma identidade civil. Daí toda aquela navegação, tudo o que aquele IP fez pode ser rastreado por outros e não só autoridades. Basta que eu sabia que o IP xis é do Sergio Amadeu. Eu acabo seguindo o rastro digital. Então é uma coisa bem complicada do ponto de vista da privacidade.

    CUT: O AI-5 digital avança

    Viomundo - O que você não vê na mídia 
    3 de novembro de 2010 às 15:26

    Democracia tucana

    27/10/2010

    Na calada da noite, avança projeto de deputado do PSDB para censurar internet e quebrar sigilo de internautas

    por Luiz Carvalho, no site da CUT

    No início de outubro, em um Congresso Nacional esvaziado enquanto o Brasil discute as eleições, o Projeto de Lei (PL) 84/99 do senador Eduardo Azeredo, do PSDB de José Serra, foi aprovado em duas comissões na Câmara.

    Também conhecido como “AI-5 digital”, uma referência ao Ato Institucional nº 5 que o regime militar baixou em 1968 para fechar o parlamento e acabar com a liberdade de expressão, o PL permite violar os direitos civis, transfere para a sociedade a responsabilidade sobre a segurança na internet que deveria ser das empresas e ataca a inclusão digital.

    O projeto de Azeredo passa também a tratar como crime sujeito a prisão de até três anos a transferência ou fornecimento não autorizado de dado ou informação. Isso pode incluir desde baixar músicas até a mera citação de trechos de uma matéria em um blog.

    Conheça os principais pontos do projeto do Azeredo.

    1. Quebra de sigilo

    Ironicamente, o PL do parlamentar ligado ao partido que se diz vítima de uma suposta quebra de sigilo nas eleições, determina que os dados dos internautas possam ser divulgados ao Ministério Público ou à polícia sem a necessidade de uma ordem judicial. Na prática, será possível quebrar o sigilo de qualquer pessoa sem autorização da Justiça, ao contrário do que diz a Constituição.

    2. Internet para ricos

    Azeredo quer ainda que os provedores de acesso à Internet e de conteúdo (serviços de e-mail , publicadores de blog e o Google) guardem o registro de toda a navegação de cada usuário por três anos, com a origem, a hora e a data da conexão.

    Além de exemplo de violação à privacidade, o projeto deixa claro: para os tucanos, internet é para quem pode pagar, já que nas redes sem fio que algumas cidades já estão implementando para aumentar a inclusão digital, várias pessoas navegam com o mesmo número de IP (o endereço na internet).

    3. Ajudinha aos banqueiros

    Um dos argumentos do deputado ficha suja reeleito em 2010 – responde a ação penal por peculato e lavagem ou ocultação de bem –, é que o rastreamento das pessoas que utilizam a internet ajudará a acabar com as fraudes bancárias. Seria mais eficaz que os bancos fossem obrigados a adotar uma assinatura digital nas transações para todos os clientes. Mas, isso geraria mais custos aos bancos e o parlamentar não quer se indispor com eles.

    O que acontece agora?

    Atualmente, o “PL Azeredo” tramita na Câmara de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara e aguarda a posição do relator Júlio Semeghini, do PSDB-RJ.

    A má notícia é que foi esse deputado que garantiu, em outubro de 2009, que o projeto aguardaria o desenrolar dos debates para seguir tramitando. Mas, Semeghini fez o contrário do prometido e tocou o projeto adiante.

    Com a provável aprovação, a última alternativa para evitar que vire lei e acabe com a democracia digital no Brasil será o veto do próximo presidente.

    CUT: O AI-5 digital avança | Viomundo - O que você não vê na mídia

    terça-feira, 2 de novembro de 2010

    Microcrédito, banda larga e educação: metas para aprofundar a democracia

    Viomundo - O que você não vê na mídia
    2 de novembro de 2010 às 21:27

    por Luiz Carlos Azenha

    Fiquei satisfeito com a confirmação de que a futura presidente Dilma Roussef vai criar o ministério das micro e pequenas empresas. Nas minhas andanças por aí, como repórter, noto ao mesmo tempo a desinformação sobre programas já existentes e a falta de acesso de muitos pequenos empreendedores ao capital necessário para tocar seus próprios negócios. Falo de gente que ascendeu socialmente graças aos programas sociais do governo Lula e aos aumentos do salário mínimo, mas que precisa de um pequeno empurrão (na forma de empréstimos com juros baixos) para montar empreendimentos, colaborar com a criação de empregos e a competição em uma sociedade capitalista que privilegia poucos com o dinheiro barato do BNDES.

    No Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, alguns participantes se disseram interessados em transformar a militância digital — quase sempre atividade paralela ao emprego ou atividade profissional remunerada — em atividade autosustentável. Porém, reclamaram da impossibilidade de ter acesso aos meios básicos para tocar suas atividades: um bom computador, uma boa câmera de vídeo, acessórios, dinheiro para pagar cursos, participação em eventos e conferências, viagens e outros gastos.

    O que me leva à outra meta, também democratizante, que parece estar entre as prioridades do futuro governo: a universalização da banda larga. Como muitos de nós dissemos no Encontro de Blogueiros, queremos mais mídia, mais informação, mais vozes — nunca menos. Em breve anunciaremos detalhes de nossa proposta para formar uma cooperativa de blogueiros para vender “page views” em conjunto no mercado publicitário.

    O microcrédito e a banda larga universalizada estão longe de ser reivindicações que atendem a um pequeno grupo de militantes digitais. Servem a toda a sociedade brasileira, na medida em que estimulam a competição e reduzem os custos não só da produção de conteúdo informativo e de entretenimento, mas de qualquer pequeno e médio empresário interessado em montar um negócio. Quanto maior for a interconexão entre os brasileiros, maior será o fluxo de informação e conhecimento entre os cidadãos. Maior será a eficácia do governo eletrônico, em todas as esferas. Maior será a transparência. Maior será a possibilidade de usar a rede para reduzir as viagens e os gastos em transporte, incentivar o trabalho e o ensino à distância.

    Em um dos programas da série Nova África, em Cabo Verde (ver o clipe abaixo), retratamos como a interligação entre todos os hospitais do arquipélago com os profissionais de sáude e os usuários ajudou a controlar a primeira epidemia de dengue. Os dados sobre os novos casos eram tabulados e colocados na rede em tempo real. A partir das informações, os esforços para combater o vetor da doença eram concentrados nos locais do país onde surgiam os novos casos. Houve redução do número de casos e da mortalidade. Foi um projeto piloto implantado por uma brasileira ligada a um organismo internacional. Uso este pequeno exemplo apenas para deixar claro que a universalização da banda larga tem o poder de multiplicar o potencial de cada cidadão conectado. Aliás, não é isso o que temos visto na blogosfera brasileira, quando ela se entrega a elucidar fatos, desfazer mentiras, disseminar informação e opinião banida da grande mídia comercial?

    Aqui abro parênteses para sugerir a setores da esquerda brasileira que abandonem a ideia ultrapassada do “controle social da mídia”. É uma ideia do século 20 que persiste no século 21. As novas tecnologias da informação e as redes sociais sugerem justamente o contrário: é preciso defender a atomização da produção de conteúdo e o trabalho colaborativo na produção de informação e opinião.

    Sim, precisamos de regulamentação das concessões de rádio e TV, como a que existe nos Estados Unidos, no Canadá, na França, na Itália, no Reino Unido, na Alemanha. Precisamos de regulamentação para o direito de resposta. Precisamos de regulamentação para a propriedade cruzada. Precisamos reforçar o campo público da comunicação (rádios e TVs educativas) e incentivar as rádios e TVs comunitárias. Precisamos de incentivo à produção de conteúdo local e regional. Precisamos incentivar a pulverização das verbas publicitárias oficiais em todos os campos — municipal, estadual e federal.

    “Controle social da mídia” sugere, no entanto, ainda que este não seja o objetivo, controle sobre o conteúdo que tem o potencial de ter efeito prático inverso ao que pretendemos: mais vozes, mais opiniões, mais mídia. A banda larga, as novas tecnologias de informação e as redes sociais permitem, pela crítica e o questionamento, uma forma muito mais moderna e democrática de se opor ao “pensamento único”.

    Finalmente, chegamos à questão da educação. Durante a campanha, a então candidata Dilma não detalhou sua proposta. Parece haver um amplo consenso na sociedade brasileira de que o país não se modernizará sem amplo investimento na educação pública de qualidade, da pré-escola à pós-graduação. Estou certo de que ficou claro para o eleitorado a relação entre a renda do pré-sal e a possibilidade de fazer os investimentos de que a educação brasileira tanto carece.

    Olhando os mapas eleitorais da eleição de domingo, me parece claro que embora Dilma Rousseff deva grande parte de sua vitória à diferença conquistada no Nordeste, ela também venceu (por pequena margem) na região mais desenvolvida do país, o Sudeste. Mas também ficou claro que a coalizão governista perdeu em importantes centros, devido a uma parcial desconexão com a classe média urbana brasileira.

    Atribuo isso a três fatores: 1) à insistência de alguns setores do PT e da esquerda de considerarem a questão da corrupção um “mal menor” ou “moralismo burguês”; o fato concreto, porém, é que as pessoas que pagam a mais elevada carga tributária querem e tem direito à transparência nos negócios do governo, ao gasto público de qualidade e à honestidade no trato do dinheiro público; 2) à falta de vocalização articulada sobre as vantagens que há, para todos os brasileiros, de promover a inclusão social como forma de promover o mercado interno — que tirou o Brasil da crise –, reduzir a violência e promover o bem-estar geral; 3) à falta de um projeto que, para além de combater a miséria, acene para os jovens brasileiros com as perspectivas abertas pelo pré-sal na produção de empregos de alta qualificação e de Ciência e tecnologia nacionais associadas à engenharia, à agricultura, à informatica e à biotecnologia. Perguntem ao neurocientista Miguel Nicolelis, da Duke University (clique aqui para ler entrevista), ou ao agora deputado federal Newton Lima, ex-reitor da Universidade Federal de São Carlos, que tive o prazer de ajudar a eleger (com meu voto).

    Citei acima não apenas três prioridades importantes, mas quase consensuais na sociedade brasileira. Tendo em vista que a futura presidente Dilma Rousseff será líder de um governo de coalizão, é razoavelmente óbvio que fica mais fácil tocar adiante projetos quase consensuais, assim como é aconselhável, sempre — dada a História do Brasil — ocupar o centro político. Para tantas outras questões, não menos importantes, mas com o potencial de criar dissensão, não custa lembrar que o caminho mais conveniente é travar a disputa política no Congresso.

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    domingo, 31 de outubro de 2010

    Folha. Juntando os cacos sem cola

    O papel de Ombudsman em um jornal é principalmente servir como ponto de reflexão e auto-crítica pelo veículo de informação. Nesta campanha, em apenas dois momentos, a Folha resolveu tornar público que se deu conta da existência daquilo que eles tratam como um submundo sombrio, a rede, a internet. Mediante o fato de que a internet vem crescendo como veículo interativo da informação e concorrendo com os meios tradicionais de comunicação, não há de se esperar que a velha mídia possua boas relações com tal novidade. A estratégia tem sido a dos candidatos que estão à frente nas pesquisas: não aceitar provocação e fingir que não é com ele. O primeiro episódio em que a Ombudsman Suzana Singer lembrou que a concorrência incomodava foi no episódio do twiter, quando o movimento batizado de #Dilmafactsbyfolha virou um dos assuntos mais populares ("trending topics") do Twitter em todo o mundo (leia aqui). Os internautas postaram milhares de manchetes falsas contra Dilma como sugestão para a Folha, ridicularizando a manchete claramente eleitoral do domingo 05/09, "Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma", em que conforme a própria Suzana, uma semana depois admitia que a Folha avançara o sinal. Esqueceram que a internet permite hoje, o direito de resposta que os jornais negam a seus réus. O vídeo de Dilma respondendo à Folha pipocou de blog em blog (aqui). Ignoraram que a crítica é construída e reconstruída por toda a rede. Substimaram que há formação de opinião além da mídia tradicional e que há reação.

    Mas a auto-crítica de Suzana não mudou a linha editorial da Folha. Mantiveram a atitude de quem está ganhando o jogo. Fingiram que a blogosfera não existe. Sempre preocupados com a panfletagem articulada das denúncias vociferadas contra Dilma por Serra, nunca escreveram uma linha para explicar ao seu público o que o candidato queria dizer com “blogs sujos”. Na última semana de campanha, abandonaram o Titanic de Serra, publicando o escândalo das licitações de cartas marcadas do Metrô, com a expectativa de resgate da credibilidade perdida. Apenas no dia em que se definirá o(a) próximo(a) Presidente da República, com todas as pesquisas indicando 10 ou mais pontos de vantagem para Dilma Rousseff, ou seja com a situação praticamente definida, é que a Folha resolveu lembrar-se novamente da rede. Mas agora é para responsabilizá-la por “boatos” que levaram as pessoas a suspeitarem de que a Folha tinha um lado. A ombudsman, como pode ser lido no post de Nassif, chama delírios anti-imprensa o movimento de índignação e protestos de seus próprios leitores. Ora, como disse Emir Sader em entrevista a Conceição Lemes no Viomundo, “não nos esqueçamos que a dona Judith Brito, executiva da Folha e vice-presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), disse que eles são um partido político.” Otávio Frias Filho, dono da Folha participou do “encontro público (a R$ 500,00 por cabeça) organizado pelo Instituto Millenium” onde os lacaios de Globo, Abril, Folha e Estadão explicitaram os objetivos de impedir a eleição de Dilma Rousseff e a aprovação das deliberaçoes de democratização dos meios de comunicação aprovadas pela Confecom (leia mais aqui e aqui). Não é preciso nem analisar o conteúdo da imprensa para dizer se ela tem um lado. Mas sempre esse papel foi cumprido pela blogosfera como já escrevi aqui. Por que a Folha esperou a Dilma trazer o assunto no debate para falar sobre Paulo Preto? Por que a Folha esperou a advogada de Eduardo Jorge lhe trazer os conteúdos da Polícia Federal quando as informações sobre Amaury Ribeiro Jr. estavam nos sites do Azenha, do Nassif, do Amorim, para não citar outros jornalistas e blogueiros? Por que ao tratar deste assunto, preferiu focar nas supostas ligações de Amaury com a campanha de Dilma, e ignorar as informações do jornalista de que o dossiê e quebra de sigilos foram encomendados por Aécio contra Serra? As informações estavam por aqui. Quem omitiu ou era mal informado ou mal intencionado.

    Mesmo que agora a Folha decida entregar a cabeça de Serra em uma bandeja, dificilmente vai resgatar a credibilidade perdida. Deitaram e rolaram. Passadas as eleições e com seu candidato supostamente derrotado, tentam rapidamente arrumar a casa e limpar os vestígios de seu jogo sujo, como se fosse possível. Ao olharem para a frente, esquecendo ou querendo que esqueçam o que fizeram, dão de cara o fantasma dos Conselhos de Imprensa. A proposta apoiada até por setores do DEM e do PSDB, como disse Jânio de Freitas no artigo também publicado por Nassif, é tratada como chavismo. Se eles vão continuar a fingir que esta blogosfera não existe, eu não sei. Mas com certeza, podem contar conosco em campanha permanente pela implementação das deliberações aprovadas na Confecom.

    segunda-feira, 25 de outubro de 2010

    Em defesa do Conselho de Comunicação

    BLOG DO MIRO:
    SEGUNDA-FEIRA, 25 DE OUTUBRO DE 2010

    Por Altamiro Borges:

    As entidades abaixo assinadas manifestam publicamente seu total apoio à criação do Conselho de Comunicação Social do Estado do Ceará e repudia, de forma veemente, as tentativas de setores conservadores da sociedade de desqualificar a decisão da Assembleia Legislativa do Estado de propor ao governador Cid Gomes (PSB) a criação de um órgão que possibilitará a efetiva participação da sociedade cearense na criação de políticas públicas em comunicação do Estado.
    Um Conselho tem como finalidade principal servir de instrumento para garantir a participação popular, o controle social e a gestão democrática das políticas e dos serviços públicos, envolvendo o planejamento e o acompanhamento da execução destas políticas e serviços públicos. Hoje, existem conselhos municipais, estaduais e nacionais, nas mais diversas áreas, seja na Educação, na Saúde, na Assistência Social, entre outros. Um Conselho de Comunicação Social é, assim como os demais Conselhos, um espaço para que a sociedade civil, em conjunto com o poder público, tenha o direito a participar ativamente na formulação de políticas públicas e a repensar os modelos que hoje estão instituídos.
    Longe de ser uma tentativa de censura ou de cerceamento à liberdade de imprensa, como tenta fazer crer a velha mídia (nada mais que uma dúzia de famílias) e seus prepostos, o Conselho é uma reivindicação histórica dos movimentos sociais, organizações da sociedade civil, jornalistas brasileiros e setores progressistas do empresariado que atuam pela democratização da comunicação no Brasil e não uma construção de partido político A ou B.
    E mais, falta com a verdade quem diz ser inconstitucional o Conselho de Comunicação, pois este está previsto na Constituição, no Artigo 224, que diz: "Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei", com direito a criação de órgãos correlatos nos estados, a exemplo dos demais conselhos nacionais.
    Uma das 672 propostas democraticamente aprovadas pelos milhares de delegados e delegadas da sociedade civil empresarial, não-empresarial e do poder público, participantes da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), os Conselhos de Comunicação Social são a possibilidade concreta de a sociedade se manifestar contra arbitrariedades e abusos cometidos pelos veículos, cuja programação é contaminada por interesses comerciais, que muitas vezes violam a legislação vigente e desrespeitam os direitos e a dignidade da pessoa humana.
    A desfaçatez com que a velha mídia e seus asseclas manipulam a opinião pública, na tentativa de camuflar a defesa de interesses econômicos e políticos que contrariam a responsabilidade social dos meios de comunicação e o interesse público, merece o mais amplo repúdio do povo brasileiro. Eles desrespeitam um princípio básico do jornalismo, que é ouvir diferentes versões dos acontecimentos, além de fugir do debate factual, plantando informação.
    É chegada à hora de a sociedade dar um basta à manipulação da informação, se unindo aos trabalhadores, consumidores, produtores e difusores progressistas na defesa da criação, pelo poder público, dos Conselhos de Comunicação Social. Somente assim, o povo cearense evitará que o Governo do Estado sucumba à covarde pressão de radiodifusores e proprietários de veículos impressos que ainda acreditam na chantagem e na distorção da verdade como instrumento de barganha política.
    Que venham os Conselhos de Comunicação Social, para garantir à sociedade brasileira o direito à informação plural, a liberdade de manifestação de pensamento, criação, e a consolidação da democracia nos meios de comunicação.
    Assinam a nota:
    - Federação Nacional dos Jornalistas - Fenaj
    - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará - Sindjorce
    - Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação - FNDC
    - Instituto de Juventude Contemporânea - IJC
    - Agência de Informação Frei Tito para América Latina - Adital

    segunda-feira, 18 de outubro de 2010

    Altamiro Borges: Jornalistas cobram decisões da Confecom

    segunda-feira, 18 de outubro de 2010

    Jornalistas cobram decisões da Confecom

    Reproduzo documento da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) apresentado aos presidenciáveis:
    Os jornalistas brasileiros, legitimamente representados pela Fenaj e os seus 31 sindicatos filiados, vêm a público reivindicar dos candidatos à Presidência da República que se comprometam com as bandeiras da democratização da comunicação e com a defesa do Jornalismo como bem público essencial à democracia, e dos jornalistas como categoria profissional responsável pela efetivação do direito da sociedade à informação.
    Há no país uma ação permanente patrocinada pelos grandes grupos de comunicação para desqualificar o Jornalismo, confundindo propositadamente a produção de informação com entretenimento, ficção e mera opinião. Igualmente, a categoria dos jornalistas sofre ataques à sua constituição e organização.
    Por isso, mais uma vez, os jornalistas brasileiros afirmam a defesa da regulamentação da profissão e conclamam a futura ou futuro presidente a apoiar a luta pela aprovação das Propostas de Emendas Constitucionais (PECs), em tramitação no Congresso Nacional, que restituem a exigência da formação de nível superior específica para o exercício do Jornalismo.
    Nossa categoria entende que a luta pela regulamentação da profissão e pela democracia da comunicação é de interesse público. Baseada nesta compreensão, pede a continuidade da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) como instância democrática e plural de discussão e deliberação das políticas públicas para o setor.
    Afirmamos a necessidade de o governo brasileiro dar sequência às decisões da 1ª Confecom, destacando como prioridade a criação do Conselho Nacional de Comunicação como instância deliberativa, do Conselho Federal de Jornalistas (CFJ) e do Código de Ética do Jornalismo assim como a aprovação de uma nova e democrática Lei de Imprensa para o país.
    Os jornalistas brasileiros têm a certeza de que o futuro ou futura presidente da República comprometer-se-á com a construção desse grande projeto nacional porque significa a defesa da Liberdade de Expressão e Imprensa e da democracia no Jornalismo, na Comunicação e no Brasil.

    domingo, 10 de outubro de 2010

    Analisando o Twitter de Hugo Chavez. Presidente da Venezuela politiza o debate | Viomundo - O que você não vê na mídia

    10 de outubro de 2010 às 16:08

    Por @carineroos

    Com as eleições de 2010 ficou evidente que a Internet aliada às redes sociais (Twitter, Orkut, Facebook, Youtube) e blogues conseguiu influenciar o jogo político pautando diversas vezes mídias tradicionais como TV, rádio e jornal e trazendo uma maior reflexão entre os internautas sobre seus candidatos, a ponto de alterar ou consolidar seu voto. Somente o Twitter alavancou mais de um bilhão de discussões sobre as eleições no primeiro turno no Brasil, o que demonstra a força que a ferramenta tem em influenciar o jogo eleitoral entre aqueles que utilizam essa rede social. Ao contrário de 2006, quando contávamos apenas com blogues, sites, Orkut, Youtube e uma parcela razoável da população incluída digitalmente, em 2010 esse cenário ampliou e podemos afirmar que a Internet hoje é um espaço a mais para a ação política. Não é a toa que Dilma, José Serra, Marina Silva e Plínio de Arruda estão presentes nas redes sociais especialmente no Twitter. Para termos ideia de como essa ferramenta hoje é essencial para a democracia, uma vez que o diálogo entre os cidadãos é imediato e as informações repassadas em primeira mão aos internautas, podemos analisar a performance do presidente da Venezuela, Hugo Chavez no Twitter a partir da ferramenta de monitoramento Tweet Level:

    Atualmente o presidente Hugo Chavez conta com 937,348 seguidores, isto é, quase um milhão de pessoas acompanham as informações divulgadas em seu perfil o que demonstra um altíssimo nível de popularidade, 89,6%. Mas não basta as pessoas acompanharem o seu perfil, é necessário engajamento do presidente, ou seja, dialogar e interagir com o seu público, o que reflete em 63,7% de engajamento. A porcentagem é boa, mas poderia ser melhor. Já a influência de Chavez é elevada, isto é, as informações passadas pelo presidente não são só replicadas pelos internautas, mas também geradas discussões a partir das informações divulgadas em seu perfil. Já o nível de confiança no presidente é também bastante alto, 82,8%, isto é, Chavez apresenta credibilidade para seu público, as informações publicadas por ele, além de serem confiáveis são propagadas também pelos seus seguidores.

    A partir desse cenário, podemos perceber o quão essencial é para o jogo democrático ter uma figura pública no Twitter. Com essa ferramenta boatos podem ser desmentidos e repassados em primeira mão para seu público, além do mais, cada informação divulgada por um perfil influente e que apresenta confiança, gera ondas na rede que são replicadas por vários internautas provocando discussões entre os mesmos. Não podemos esquecer também do diálogo constante desse perfil com o seu público que é o mais irreverente do Twitter.

    Analisando o Twitter de Hugo Chavez. Presidente da Venezuela politiza o debate | Viomundo - O que você não vê na mídia

    sábado, 9 de outubro de 2010

    O PT, o marketing político e a guerra assimétrica | Viomundo - O que você não vê na mídia

    9 de outubro de 2010 às 23:57

    por Luiz Carlos Azenha

    O grande mito da eleição de 2010 no Brasil, até agora, é de que a internet não influiu no resultado. A decisão dos eleitores seria tomada a partir do horário gratuito na TV e dos debates. Discordo. Acho que a eleição foi para o segundo turno por causa da internet.

    Vi duas coisas na paradigmática disputa entre Barack Obama e John McCain nos Estados Unidos:

    1. O potencial da internet para disseminar mentiras e calúnias por e-mail e nas redes sociais;

    2. O potencial do YouTube para criar ondas positivas (Obama girl) e negativas (vídeos “exclusivos”, “bombásticos”, “escondidos pela mídia” etc.)

    Não é possível dissociar a rede do contexto em que ela existe: nos Estados Unidos, naquela eleição, os grandes grupos de mídia ainda estavam engatinhando na rede e seu conteúdo ainda era produzido majoritariamente para as plataformas tradicionais (jornal impresso, emissoras de TV, etc).

    Brilhou a internet para as táticas de guerrilha virtual.

    Com duas diferenças em relação ao que vemos no Brasil, agora.

    Nos Estados Unidos, a infraestrutura da banda larga tornava o acesso praticamente universal. Os vídeos rodavam nas casas de todos os eleitores.

    No Brasil isso não é fato. O alcance da rede é menor.

    Ah, mas existe uma grande diferença no Brasil: as lanhouses. Na periferia das grandes cidades, as lanhouses são mais que lugares para frequentar a internet. São clubes. Onde os jovens se reúnem, jogam uns contra os outros, checam o e-mail e assistem ao vídeos no You Tube. Uns chamam a atenção dos outros para as notícias que recebem. Quanto mais tosco o vídeo ou mais “bombástica” a informação — verdadeira ou mentirosa –, melhor. É assim que os boatos se espalham como fogo, através dos jovens.

    A desconexão que eles sentem em relação aos governos, o ímpeto próprio da juventude, a volatilidade de opiniões, o desejo de subverter a ordem — tudo isso conta.

    Para muitos destes eleitores, não pesa a “credibilidade” da Folha, que eles não assinam. Pesa a credibilidade dos amigos e parentes nos quais as mensagens se originam. É credibilidade por associação a alguém confiável.

    O movimento que levou Marina Silva para o segundo turno teve um componente disso. E foi a internet que deu consistência à expressão dele em diferentes regiões do país e especialmente nas regiões metropolitanas.

    Quantos comícios Marina fez presencialmente nos lugares em que foi mais votada?

    Para além disso, temos outra grande diferença em relação aos Estados Unidos, que é a diferença de renda.

    A elite é identificada não apenas por um padrão de consumo, mas estético.

    A estética da elite está presente nas campanhas de Dilma Rousseff e José Serra. São formulações distantes, de centros de poder imaginário (Brasília, São Paulo) na cabeça dos jovens, emitidas por meios eletrônicos (TV, internet).

    Daí a importância residual, no Brasil, dos panfletos.

    A concretude física lhes confere credibilidade.

    A palavra escrita, os desenhos e as charges tem um impacto simbólico que não deve ser desprezado. São a linguagem “do povo”, em anteposição à imagem limpa das superproduções, associada à elite.

    O PT, o PMDB e os movimentos sociais dispõem de uma esmagadora vantagem sobre o PSDB/DEM neste campo.

    Militância e capilaridade. Juntos, chegam a todos os pontos do Brasil.

    Uma vantagem que pode ser decisiva numa eleição apertada.

    Mas a vantagem só poderá ser explorada se passos forem dados para superar o abismo que existe entre os de cima (marqueteiros e pesquiseiros) e os de baixo (militantes e eleitores).

    A proximidade física entre os militantes e os eleitores (de parentesco, de vizinhança, de bar, de fábrica ou comércio) conta muito nessa hora.

    Para os que são de muita informação, informação.

    Para os que são de pouca informação, mensagens simbólicas que contenham toda a informação.

    O PT, o marketing político e a guerra assimétrica | Viomundo - O que você não vê na mídia

    quinta-feira, 7 de outubro de 2010

    PT pede investigação de panfleto contra Dilma | Viomundo - O que você não vê na mídia

    7 de outubro de 2010 às 20:12

    PT pede investigação da autoria de panfleto contra Dilma distribuído no encontro do PSDB

    07.outubro.2010 16:29:31

    Andrea Jubé Vianna, da Sucursal de Brasília, no Estadão

    O presidente nacional do PT e coordenador da campanha de Dilma Rousseff, José Eduardo Dutra, anunciou há pouco que pediu à Polícia Federal (PF) a abertura de inquérito para investigar a autoria do panfleto apócrifo que foi distribuído ontem no encontro nacional do PSDB e aliados que apoiam a candidatura de José Serra à Presidência. O texto orienta como difundir uma campanha contra Dilma na internet.

    “Queremos a responsabilização criminal de quem confeccionou o panfleto, isso é crime eleitoral”, observou Dutra. O texto remete ao PNDH-3 (Programa Nacional de Direitos Humanos), lançado pelo governo Lula no fim do ano passado.

    Num dos trechos, o panfleto diz o seguinte: “O PNDH-3 é um projeto de lei que tem por objetivo implantar em nossas leis a legalização do aborto, acabar com o direito da propriedade privada, limitar a liberdade religiosa, perseguir cristãos, legalizar a prostituição (e onde fica a dignidade dessas mulheres?), manipular e controlar os meios de comunicação, acabar com a liberdade de imprensa (…) É um decreto preparatório para um regime ditatorial”.

    Em outro trecho, o panfleto recomenda a visita ao site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Defesa de Tradição, Família e Propriedade (TFP), uma das mais conservadoras do País. Ao final, o documento aconselha que essas informações sejam divulgadas nas redes sociais da internet, como blogs, Orkut, Twitter. As assessorias do PSDB nacional e do candidato José Serra afirmaram que não têm relação com a confecção desse panfleto.

    PT pede investigação de panfleto contra Dilma | Viomundo - O que você não vê na mídia

    Novo site da Dilma detona boatos | Conversa Afiada

    Publicado em 07/10/2010

    Conheça a posição da Dilma sobre o aborto

    Visite neste endereço o site da Dilma que detona os boatos que só beneficiam o Serra.
    Como se sabe, até agora o Serra ganhou a guerra, ao transformar a banda larga num esgoto por onde passam dejeções.
    Este novo site da Dilma poderá, já neste fim de semana, desmoralizar – pela enésima vez – esse detrito de maré baixa de nome “Veja”.
    Clique aqui para ler sobre a nova baixaria contra a Dilma.
    Vá ao site da Dilma, informe-se e com as informações dali combata esses brucutus que têm a vala negra como habitat Natural – numa “nice”.
    Paulo Henrique Amorim
    Confira o post do blog Amigos do Presidente Lula:

    Em nome da verdade. Campanha de Dilma cria central oficial contra boataria
    O endereço oficial na internet da campanha de Dilma Rousseff, criou uma central onde qualquer pessoa pode conferir se um boato recebido por email ou de ourta forma sobre ela é verdade ou é mentira.

    O endereço é esse: http://www.dilma13.com.br/verdades

    Se você ficar sabendo de outros boatos, denuncie lá no botão contato, ou na área de comentários.

    Cada um precisa fazer sua parte

    Denunciar na central oficial também é importante. Mas não se limite a isso, esperando que os outros façam tudo. Nossa maior força não é a militância popular, é cada cidadão exercer seu papel de garantir nossa cidadania.

    Se receber email de pessoas conhecidas contendo mentiras, responda com a verdade, com seriedade e educação. A melhor forma de convencer algum amigo de boa vontade, mas que esteja mal-informado, é com seriedade e educação.

    Faça mesmo fora do mundo virtual, nas conversas pessoais.

    Se receber um email que contém crime, denuncie. Atribuir a uma pessoa crime que a pessoa não cometeu, é crime de quem acusa. Em caso de candidatos às eleições, é agravante, por que a ofensa não é apenas pessoal, mas perturbação à ordem democrática, sujeitando os criminosos a penalidades como formação de quadrilha, alarmismo, etc.

    Denuncie na polícia federal:

    http://www.safernet.org.br/site/

    E ao Ministério Público Eleitoral (É crime divulgar mentiras sobre candidatos ou partidos para influenciar o eleitor):

    email:  pge@pgr.mpf.gov.br

    O email é prova material do crime. Basta reencaminhar.
    Quem souber como mostrar o código original da mensagem (com o ip de origem), envie estas informações também.
    Prefira fazer denúncias identificadas do que anônimas.
    Atenção:

    Se receber um email anônimo ou vindo de lista de spam, fazendo campanha positiva ou negativa, contendo crime ou não, denuncie ao Ministério Público Eleitoral.
    1) Emails de pessoa física que expressam apenas opinião ou narram fatos verdadeiros não é crime, não devem ser denunciado para não atrapalhar as investigações sobre os verdadeiros criminosos.
    2) Qualquer email contendo mentiras para convencer o eleitor é crime eleitoral, e deve ser denunciado ao PGE.
    3) Emails em massa vindo de sistemas empresariais, independente de ser opinião ou não, seja para fazer campanha negativa ou positiva, quase sempre é crime eleitoral (conforme os Art. 57-C, Art. 57-D e Art. 57-E da Lei Nº 12.034/2009).

    Novo site da Dilma detona boatos | Conversa Afiada

    A banda larga é um esgoto. Serra ganhou essa guerra | Conversa Afiada

    Publicado em 07/10/2010

    Na foto, o local de trabalho dos que beneficiam o Serra

    Barack Obama sofreu tanto quanto a Dilma.
    Mas, rápido se protegeu: http://fightthesmears.com/
    Criou um site para desmentir boatos.
    Por exemplo, o de que ele era islamita e, não, cristão.
    Que não tinha nascido nos Estados Unidos, embora tenha nascido em Honolulu, no Estado americano do Havaí.
    A Dilma custou a reagir.
    Como acessar o site dela, o que desmentiria boatos e responderia à calhordice ?
    Clique aqui para ler o que Ciro diz do aborto e da calhordice.
    Por um momento, os blogueiros sujos achavam que podiam travar essa batalha na arena de uma vala negra.
    O próprio Serra os chamou de “sujos”.
    Ledo engano.
    Serra ganhou essa guerra.
    De 10 a 0.
    Ele, a mulher dele e os brucutus dele, como disse, com propriedade, o Leandro Fortes, na Carta Capital.
    Eles transformaram a banda larga num valhacouto – um abrigo de calhordas.
    Ou, num esgoto por onde passam dejeções.
    Deve ser isso o que os amigos do Serra aprenderam nas universidades americanas.
    Com a Christian Right do Bush e do John McCain. 
    (Por falar nisso: como um refugiado do Chile de Allende entra nos Estados Unidos e fica lá numa “nice” ?)
    Este ordinário blogueiro espera ardentemente que “a candidata Dilma Rousseff”, como diz o sempre imparcial William Bonner, vá para cima da questão do aborto.
    Não hesite em enfrentar o assunto de peito aberto.
    Mostre que o Serra, Ministro da Saúde, regulamentou o aborto – legal ! – no âmbito do SUS.
    E agora, ele vai correr dessa ?
    A Dilma e o Serra têm a mesma, a MESMA posição sobre o aborto: não querem mudar a Constituição.
    O Presidente Lula ficou oito anos no poder e não mudou a Lei.
    A Lei diz: só pode haver aborto em caso de estupro ou quando a mulher correr risco de vida.
    É muito fácil explicar isso.
    Desde que a batalha se trave com a luz acesa, com a janela aberta, para que o sol entre.
    Desde que seja possível ver o rosto do Serra, cara-a-cara com a Dilma.
    Porém, neste primeiro turno, não foi este o campo de batalha.
    Foi dentro de um esgoto, entre ratos.

    Paulo Henrique Amorim

    A banda larga é um esgoto. Serra ganhou essa guerra | Conversa Afiada

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