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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Novo Blog, em breve

Aos amigos visitantes e aos leitores que acompanham estas páginas.

Em breve, pretendo inaugurar um portal para aglutinar os três blogs pessoais que mantenho hoje. A ideia que iniciei há alguns meses, mostrou-se necessária quando a campanha presidencial de 2010 foi levada ao 2º turno. Foi quando se percebeu tardiamente o erro de subestimar que a campanha de Serra tinha contratado especialistas para campanha na internet, dentre eles, o guru indiano, Ravi Singh. A campanha de boataria criada por profissionais internacionais, seguiu o modelo utilizado contra Obama nos EUA. Naquele momento, vi o quanto era ingênuo da minha parte não querer misturar os canais de informação que mantinha da política da campanha eleitoral, com o da política sindical. Parei de desperdiçar os espaços de informação e reproduzi os mesmo conteúdos em dois dos três blogs (o que se mostrou muito despendioso). Assim, como milhares de blogueiros, espalhei as informações anti-boatarias, respondi e-mails apócrifos e encaminhei denúncias para a justiça eleitoral. A princípio, imaginava que se tratavam de temas diferentes, mas no percurso, identifiquei que apesar de atraírem públicos e interesses diversos, tratam do mesmo tema básico: política. Descobri também que em todos os blogs que mantenho, o objetivo é comum: politizar.

Por que politizar?
A mídia tem patrocinado a despolitização do cidadão que passa a acreditar que política é algo ruim em si. Na escola, a política é justamente despolitizar o currículo. O cidadão despolitizado abandona a reunião de condomínio, não participa do conselho da escola do filho, esvazia os sindicatos, não tem partido. Os espaços abandonados são ocupados por oportunistas que passam a ser associados à política, ampliando o distanciamento do cidadão comum. A democracia representativa e não participativa que caracteriza a política brasileira também é responsável pelos vícios. Na visão capitalista atual, onde tudo é um mercado, o político em busca do voto quer vender um produto e o eleitor é um consumidor. Embalagem, publicidade, marketing, tudo pensado na possibilidade de ampliar as vendas e vencer a concorrência. Sem a participação do cidadão, este é reduzido a mero consumidor. Tem mais chance de vender seu produto, portanto, aquele que mais investir nas estratégias de mercado. Ou seja, quem gastar mais, quem tiver mais dinheiro à disposição.   Nessa lógica, quem tem maiores chances: os corruptos ou os corretos? Quem tiver maior patrocínio terá melhores chances. E na lógica capitalista não se patrocina algo ou alguém sem uma contrapartida. Despolitização fortalece a corrupção.
O retorno esperado por quem investe na corrupção não vem somente em dinheiro. Quem detem o capital, pode também, controlar a política. Seus interesses podem ser representados, ou melhor, comprados. Há uma luta de classes que ficou muito evidente e se explicitou nesta última eleição. Muitos trabalhadores acreditam e defendem políticas e políticos que favorecem somente aqueles que detêm os meios de produção e que servem a manter sob controle as regras que controlam a mais valia, ou ainda, os valores atribuídos à força de trabalho vendida pela classe trabalhadora. Despolitizar concentra renda e prejudica os trabalhadores.
A pauta do dia nos próximos anos deve ser a politização. Não adianta trazer milhões de brasileiros para a classe média se não for tornado consciente este processo, ou eles se apropriarão do discurso de exclusão reproduzido há séculos pela elite que sempre esteve no poder, e ajudarão a promover um processo invertido, um retrocesso. A ampliação do Plano Nacional de Banda Larga e a democratização dos meios de comunicação previstos pela 1ª Confecom promovida no Governo Lula, devem tornar-se medidas concretas no mandato de Dilma Rousseff. A internet deverá ser uma das grandes ferramentas para a politização, principalmente rompendo o oligopólio da informação concentrado há décadas nas mãos das mesmas famílias.

O novo Blog
image Desde o final de fevereiro de 2010 os três blogs acumularam mais de 26 mil visitas. No mês do 2º turno, a audiência do Brasil Nova Era, pela primeira vez superou a do SINDSEP FORTE, passando de 4700 visitas por mês, com destaque para o dia 28/out, com 318 visitas, quando publiquei o video que postei no Youtube, Armação Tucana, onde ajudei a demonstrar  a partir de outros vídeos que foi o próprio segurança de Serra quem atirou a bolinha de papel, deixando clara a má intencionalidade de Serra, da Globo e de sua campanha, no episódio.
Das mais de 46 mil visitas às páginas dos blogs, cerca de 75% se originaram de buscadores como o Google. Por isso, não se justifica limitar o blog a públicos delimitados. Ao criar meus três blogs, não tinha um projeto específico, ou melhor, tinha objetivos menores e não integrados. O novo blog deverá aglutinar no mesmo espaço as informações que hoje trabalho em blogs diferentes. Para facilitar o leitor, vou separar os conteúdos e temas de cada blog. Estou ainda buscando as melhores alternativas para tornar o site de fácil acesso e agradável.

Os três blogs hoje

Brasil Nova Era
Brasil Nova Era

No final de fevereiro inaugurei o Blog Brasil Nova Era, cansado de rebater e-mails falsos apócrifos contendo boatarias. Quem me introduziu ao mundo dos blogs, foi a companheira idealizadora dos blogs "Brasil que eu quero - Daily News" e EduFuturo. O nome do meu blog se deu por impulso e falta de criatividade mesmo. Na época, pouco desconfiava que existia uma estrutura organizada para criar boatos com fins eleitorais que, espero, ainda seja um dia desmascarada, pois, com certeza, constitui crime. Para alimentá-lo passei a acompanhar e ampliar as fontes com blogs e sites progressistas como Blog do Miro (Altamiro Borges), Conversa Afiada (Paulo Henrique Amorim, Vi o mundo - o que você não vê na mídia (Luiz Carlos Azenha) e Luis Nassif Online. Ao acompanhar as informações destas fontes passei a monitorar também  Os amigos do presidente Lula e Blog da Dilma, nascidos da necessidade de um contraponto com a grande mídia. Passei a publicar artigos da grande mídia, mas principalmente de fontes de alternativa progressista e de esquerda como Carta Capital e Portal Vermelho e outros blogs como Blog da Cidadania (Eduardo Guimarães), Blog do Rovai (Renato Rovai) e Escrevinhador (Rodrigo Vianna). Tive a oportunidade de descobrir blogs como o Cloaca News, que informa, alternado o bom humor com denúncias sérias. Pude rir muito com as peripécias do Pres. Zezinho, o Maior dos Filhos da Mooca, no TIA CARMELA E O ZEZINHO, o que considero uma revelação em termos de humor, cuja visita, sempre recomendo. Nessa viagem pelo mundo da informação despertei de vez da Matrix construída no eixo Rio/São Paulo por Globo, Veja, Folha e Estadão (entenda porque a trilogia Matrix é de equerda).
Romper com esse universo paralelo criado pela grande mídia e ajudar outros a despertar desse estado de alienação, tornou-se para mim uma missão. Combatemos assim, o que, se passou a ser apelidado na rede de PIG (Partido da Imprensa Golpista). Judith Brito, executiva da Folha e vice-presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), disse que mediante uma oposição fraca eles (a imprensa) deveriam assumir o seu papel, dando novo sentido ao jornalismo. Outros blogs menores como o meu, assim como os grandes, se retroalimentam entre si com as informações, formando uma grande rede que se multiplica no twiter, e-mails e redes sociais, e tornaram-se fundamentais para ajudar a combater a campanha suja que se deu nestas eleições. Desta rede que cresceu muito em 2010, o Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé organizou em São Paulo, o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas em agosto último, com mais de 300 blogueiros de 19 Estados da Federação. O sucesso do encontro do qual participei, ampliou a troca entre redes e organizou o documento final CARTA DOS BLOGUEIROS PROGRESSISTAS que inicia coma frase: A liberdade da internet é ainda maior que a liberdade de imprensa”. A frase é do Ministro Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou o pedido de Serra que queria censurar o blog Os amigos do presidente Lula. Serra se referiu durante a campanha a esta rede como “blogs sujos”. A reação de todos foi imediata: adotar o símbolo de “blog sujo” no enfrentamento da grande mídia “limpinha”. Apesar da mídia esconder o que se tornou essa rede que tem atrapalhado a venda de jornais e revistas, e desmontado a cada vez mais credibilidade desses grupos a partir de seus próprios erros, a Folha de São Paulo, por sua ombudsman, Suzana Singer, teve a cara de pau de, no domingo da eleição do 2º turno, depois de dar como perdidas as eleições para Serra, para defender sua “imparciliadade” de culpar a internet pelos “boatos” contra a imprensa (leia Folha. Juntando os cacos sem cola)


SINDSEP FORTE
SINDSEP FORTE
No noite do dia 10 de março de 2010 criei o blog SINDSEP FORTE, após ter participado do primeiro dia do 10º Congresso do SINDSEP (sindicato que representa os servidores do Município de São Paulo). Várias vezes o blog tem sido confundido com o site oficial do SINDSEP. O nome SINDSEP FORTE surgiu como um movimento de vários companheiros que entendem ser necessário fortalecer o sindicato a partir da mobilização e organização da base. Essa confusão tem sido muito comum mesmo entre filiados que frequentam o sindicato ou recebem meus e-mails há cerca de 3 anos. Muitos deles pensam que ainda sou da diretoria, o que reforça minha tese que se faz necessária a politização dos trabalhadores, luta que sempre travei na diretoria, na oposição e na representação sindical. Ao criar o blog, minha proposta foi de oferecer um espaço de debate democrático, sem as amarras das disputas internas por poder no sindicato e na CUT, que tornaram o Congresso de 2010, o menos democrático da história da entidade que já completou de duas décadas. Com tese única e sem organização de grupos para os debates, a forma inusitada como foi pensado e conduzido o Congresso demonstra que se faz necessária uma revisão dos espaços de decisão da entidade, com fortalecimento dos filiados e representantes de base. A partir dessa bandeira, percebi que o blog era um espaço de informação importante não ocupado pela entidade. Passei a divulgar notícias do funcionalismo que acompanhava pela imprensa, e-mails e demais sindicatos, além de minhas opiniões. O resultado foi que a frequência aumentou mês a mês, inclusive por servidores do Estado de São Paulo e funcionários de creches conveniadas, denunciando uma crônica falta de instâncias para informação e para o debate político e sindical. Esses pontos por si já me inspiraram para a criação de um portal com o objetivo maior de politização das discussões sindicais.
Porém, o motivador maior para tal decisão foi o 2º turno da eleição quando resolvi pela primeira vez usar também o espaço do SINDSEP FORTE para discutir a mídia, a campanha suja de Serra e os projetos para o Brasil dos próximos anos. Mandei e-mails para todos os contatos que acumulei durante e após meu mandato. Para minha surpresa, apenas duas pessoas responderam indignadas comigo por fazer a defesa da candidatura Dilma. Na verdade, a indignação se deu por entenderem que eu estava usando a máquina do sindicato. Uma vez explicado que o blog era pessoal e que não sou dirigente da entidade, a confusão foi desfeita. Mas terminada a eleição decidi-me pela criação de um portal sobre política, com canais que permitam as pessoas serem informadas e discutirem os temas de sua preferência. Até que eu realize meu intento, registro mais uma vez essa história minha no SINDSEP para esclarecer a quem possa interessar.
Entre 2005 e 2008 fui diretor na entidade e, junto a outros membros da diretoria, decidimos disputar a eleição no último ano como oposição à diretoria majoritária do sindicato, em sinal de repúdio e denúncia contra a política e as práticas de alguns dirigentes em prejuízo do interesse dos trabalhadores, sua organização e mobilização. Em uma campanha de um mês e meio, com poucos recursos e sem possibilidades efetivas de fiscalização, tiramos o sono de muita gente, e alcamos 42% dos votos. Mesmo sendo derrotado e deixado o mandato em 1º de maio de 2008, não abandonei o espaço sindical e desde então sou Representante de minha unidade e Conselheiro pela região Sudeste da Cidade. Como já disse em favor da politização, abandonar qualquer espaço político é dar vez a oportunistas.

Plano Municipal de Educação – São Paulo

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Justamente por não ter a concepção de um portal, que criei o blog que poderia ser um braço de atuação do blog SINDSEP FORTE. O objetivo foi ter um espaço de troca e informação sobre os debates para o Plano Municipal de Educação da cidade, pouco publicizado pelo governo Kassab. Apesar de ter (neste momento) apenas 39 postagens contra as mais de 400 publicações do SINDSEP FORTE e os cerca de 1300 textos do Brasil Nova Era, o blog já passou de 4.300 visitas, com mais de mil ao mês desde agosto. O post mais visitado e comentado basicamente por trabalhadores de creches conveniadas tem sido o “Creches conveniadas perto do fim em São Paulo?”. Outros textos sobre o tema, inclusive no SINDSEP FORTE, continuam atraindo esses trabalhadores das conveniadas, também sem espaços de diálogo e informação. Trazer o blog para um portal com outras possibilidades de organizar canais e temas pode facilitar bastante para esses grupos.

domingo, 29 de agosto de 2010

O pós-Lula, por Lula | Brasilianas.Org

Enviado por luisnassif, sab, 28/08/2010 - 09:36

Por Rubem

O pós-Lula, pelo próprio:

Do Último Segundo

Lula diz que vai criar organização política depois da Presidência

Ideia é juntar partidos da base aliada em torno de um eventual governo Dilma Rousseff também no Senado

Ricardo Galhardo e Ana Carolina Dias, iG Pernambuco | 27/08/2010 23:51

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira à noite, em Recife, que após deixar a Presidência pretende construir uma organização política que agrupe todos os partidos aliados. Lula não quer que sua candidata, Dilma Rousseff, tenha pela frente as dificuldades que ele encarou no Senado durante seu primeiro mandato.

foto do ùltimo segundo (incluída pelo Brasil Nova Era)

Foto: AE
A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, acompanhada do presidente Lula, durante ato político no Marco Zero, em Recife

“Quando eu deixar a presidência não vou acabar com a política. Vou andar por este País até para fazer uma avaliação das coisas que nós fizemos. Vou continuar construindo a nossa organização política. O Eduardo (Campos, governador de Pernambuco) sabe do meu desejo de criar uma organização política em que a gente junte todos os partidos aliados e crie uma coisa muito forte para que nunca mais uma presidente da República sofra o que eu sofri em 2005 com o Senado, que quase tentou derrubar a Presidência da República”, disse Lula, em comício que reuniu cerca de 25 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, no Marco Zero, em Recife.

Citando o episódio do fim da CPMF, Lula disse que foi chantageado pelo Senado. “Não tem nada pior do que precisar de voto e alguém ficar te chantageando”, disse.

Com Dilma e Campos disparados nas pesquisas em Pernambuco, Lula enfocou a eleição para o Senado e, sem citar nomes, distribuiu ataques aos candidatos de oposição, Marco Maciel (DEM) e Raul Jungmann (PPS).

“Tem um que parece que já é senador desde a época do Império. Foi deputado, presidente da Câmara, senador, presidente do Senado, vice-presidente, mas me contem o que é que ele trouxe para Pernambuco?”, questionou. “O outro vocês já conhecem, o menorzinho, que parece que cuidava da reforma agrária”, completou.

Em um comício que mais parecia uma despedida, Lula lembrou que ainda lhe restam quatro meses de governo, tempo suficiente para fazer muita coisa.

“Na verdade, ainda tenho quatro meses e poucos dias de governo, e alguns companheiros falaram aqui como se eu já tivesse... tem gente que daria a vida para ser presidente por um dia. Ainda tenho caneta para fazer miséria neste País”, disse Lula.

Dilma, que falou antes do presidente, lembrou que Lula, apesar dos altos índices de popularidade, não tentou o terceiro mandato, ao contrário de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que aprovou a emenda da reeleição durante seu primeiro governo (1995-1998).

O pós-Lula, por Lula | Brasilianas.Org

domingo, 13 de junho de 2010

As transformações do PT | Brasilianas.Org

Saiu no Luis Nassif Online
Enviado por luisnassif, dom, 13/06/2010 - 13:04
Por João Carlos Rodrigues Baptista
O PT é um partido de massas que aos poucos está se transformando num partido de quadros. É um processo natural, resultado da evolução do partido. O PT deixou de ser um partido revolucionário, da ruptura, para ser um partido social-democrata, das mudanças graduais. No entanto, observem bem que tão evolução do partido era inevitável no momento em que, já na sua fundação, o partido renunciou à luta armada e decidiu seguir a linha democrática. Ganhar eleições significa que é preciso administrar governos e é necessário administrar bem para ganhar novas eleições. Portanto, a via democrática impossibilita o caminho da ruptura.
Não há nada de errado nesse caminho para o PT. O Partido Trabalhista britânico na décadas de 20-30 do século passado fazia greves gerais na Inglaterra e que era um partido de sindicalistas (observem a semelhança de origem com o PT) evoluiu para a Social Democracia. E também seria muito bom lembrarmos que NÃO tivemos um partido realmente Social Democrata. O PSDB falhou terrivelmente nesse projeto, não conseguiu desenvolvê-lo e virou um partido da direita conservadora (porque não existe direita liberal no Brasil). Muitos dizem que o governo Lula roubou as bandeiras do PSDB, mas tenho a terrível impressão que o próprio PSDB as abandonou. Alguém tinha que ocupar o espaço político da Social Democracia, a centro-esquerda, e o PT já estava caminhando nessa direção.
De qualquer maneira, no momento o PT é um híbrido. Montou quadros, mas continua sendo um partido de massas. O movimento sindical está cada vez mais associado ao PT, agora que a Força Sindical abandonou o barco do PSDB. Aliás, aos poucos, os movimentos sociais, todos, estão abandonando o PSDB. Tudo bem que já havia poucos laços dos movimentos sociais com o PSDB, mas esses poucos laços estão desaparecendo.
Só vai faltar os intelectuais, que são de esquerda, também abandonarem o barco. Essa campanha presidencial do PSDB, que está sendo de extrema direita, vai causar isto.
As transformações do PT | Brasilianas.Org

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Diferença entre Dilma e Serra

Do blog Tijolaço do Deputado Brizola Neto

Caso Bolívia: veja que diferença, a Dilma…

domingo, 30 maio, 2010 às 12:11

Posto aí em cima o vídeo da entrevista concedida por Dilma Roussef na sexta-feira, em Santa Catarina, onde ela trata das acusações feitas por Serra ao governo boliviano, para que você veja como os conceitos de experiente e preparado que procuram fazer grudar em José Serra são um produto, apenas, da vontade da mídia.
Dilma dá uma pequena lição de diplomacia e de preparo para governar com a responsabilidade que um país como o Brasil, mas há algo mais que quero destacar.
Reparem como, com toda a maratona a que está submetida, Dilma tem o semblante tranquilo. Não está de risinhos e simpatias forçadas. Chega a parar a fala para ir devagar, não cometer imprudências ou radicalismos verbais. Serra, ao contrário, é um poço de nervos.
Vou tratar deste assunto à tarde, acho que é importante a gente entender os perigos da situação que se aproxima.
Tijolaço - O blog do Brizola Neto

domingo, 30 de maio de 2010

Santayana: Belo Monte é a soberania nacional | Conversa Afiada

Saiu no Conversa Afiada

Santayana: Belo Monte é a soberania nacional

    Publicado em 30/05/2010
Nelson Rockefeller veio para a Amazônia com os protestantes
Na Revista do Brasil, edição de maio, página 5, Mauro Santayana define com clareza por que há tanta oposição à construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu:
“Se o governo não houvesse considerado a construção da usina uma questão de honra nacional, provavelmente os interesses estrangeiros, inimigos do nosso desenvolvimento independente, impediriam a importante obra, necessária à ocupação nacional e ao desenvolvimento da região amazônica.”
“Durante os últimos a nos, principalmente com Collor e Fernando Henrique, a Amazônia se abriu a ONGs internacionais e à presença sempre atrevida de estrangeiros … esses que se levantam agora contra Belo Monte.”
“Desde o século 19, europeus e norte-americanos tentam ocupar a Amazônia, em nome da ‘civilização’, de Deus (com os protestantes liderados pelos  Rockefeller) e, ultimamente, da preservação do meio ambiente.”
“Ao tomar a decisão de construir a usina contra todos esses opositores, o governo Lula reafirma a soberania sobre a Amazônia, de maneira firme.”

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Santayana: Belo Monte é a soberania nacional | Conversa Afiada

Der Spiegel: Lula na primeira divisão


Em uma matéria que trata Lula como superastro, a mais importante revista alemã redimensiona a posição do Brasil e de Lula no cenário atual. A tradução é feita pelo portal UOL.

29/05/2010

Lula salta para a primeira divisão da diplomacia mundial

 
Erich Follath e Jens Glüsing



  • Luiz Inácio Lula da Silva (esq.) e o presidente norte-americano, Barack Obama, falam com os jornalistas após encontro na Casa Branca, em Washington (EUA), em março de 2009
Transpirando autoconfiança, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva está elevando o status global do seu país ao protagonizar um número cada vez maior de iniciativas na área de política internacional. Na mais recente dessas ações, ele convenceu o Irã a concordar com um polêmico acordo nuclear. Poderia este acordo proporcionar uma oportunidade para que sejam evitadas sanções e guerra?
Ele foi acusado de ser muitas coisas no passado, incluindo um comunista, um proletário grosseiro e um alcoólatra. Mas a época dessas acusações acabou há muito tempo. À medida que o Brasil cresce para tornar-se uma nova potência econômica, a reputação do presidente brasileiro cresce de forma meteórica. Hoje em dia muita gente vê o presidente como um herói do hemisfério sul e um importante contrapeso em relação a Washington, Bruxelas e Pequim. A revista de notícias norte-americana "Time" foi além, duas semanas atrás, ao afirmar que ele é "o líder político mais influente do mundo", colocando-o à frente até mesmo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. No Brasil, muita gente vê em Lula da Silva um candidato ao Prêmio Nobel da Paz.

Nova estratégia de segurança dos EUA admite peso do Brasil no mundo

A Nova Estratégia de Segurança dos Estados Unidos, anunciada nesta quinta-feira (27) pela Casa Branca, elogia as políticas econômicas e sociais do Brasil, reconhece o país como guardião de "patrimônio ambiental único" e dá as "boas-vindas" à influência de Brasília no mundo.
E agora este homem, Luiz Inácio da Silva, 64, apelidado de "Lula", que passou a infância em um cortiço como filho de pais analfabetos, conseguiu mais outra vitória política no exterior. Em uma reunião que foi uma verdadeira maratona política, ele negociou um acordo nuclear com a liderança iraniana. Na última segunda-feira, ele apareceu triunfante ao lado do primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan e do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Os três líderes chegaram a um acordo que eles acreditam que retirará da agenda internacional as previstas sanções da Organização da Nações Unidas (ONU) contra o Irã devido ao possível programa de armas nucleares do país. O Ocidente, que vinha fazendo pressões pela adoção de medidas punitivas mais duras contra o Irã, pareceu ter sido feito de bobo, e até ter sido pego de surpresa.
Mas o contra-ataque de Washington veio no dia seguinte, abrindo um novo capítulo nesta acalorada disputa nuclear, na qual Pequim, em especial, há muito vem resistindo a adotar uma abordagem mais dura. A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton anunciou: "Nós chegamos a um acordo baseado em medidas fortes com a cooperação tanto da Rússia quanto da China". O texto relativo às sanções planejadas contra o Irã foi enviado a todos os membros do Conselho de Segurança da ONU, incluindo o Brasil e a Turquia. Os dois países são membros eleitos para ocuparem durante dois anos esse conselho que têm 15 integrantes, e que precisa aceitar uma resolução com pelo menos nove votos para que esta possa ser implementada.

Os Estados Unidos mostram-se irredutíveis quanto às sanções

Clinton agradeceu especificamente a Lula pelos seus "esforços sinceros". Mas a sua expressão indicava claramente que ela viu os esforços de lula mais como um impedimento do que como uma ajuda. "Nós estamos procurando o apoio da comunidade internacional a uma resolução composta de sanções fortes que, segundo o nosso ponto de vista, constituir-se-ão em uma mensagem muito clara a respeito daquilo que se espera do Irã", afirmou Hillary Clinton.
Mas a abordagem menos confrontativa de Lula nesta disputa nuclear não seria muito mais promissora? Seria tão fácil assim desacelerar o "Lula Superstar", que conta com o apoio da Turquia, um país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)? Quem quer que tenha acompanhado a carreira de Lula achará difícil acreditar nisso. Este homem sempre superou todas as resistências, e todos os cenários desfavoráveis com os quais se defrontou.
O pai dele abandonou a família quando Lula era bem novo, e a mãe mudou-se com os oito filhos do nordeste do Brasil para o sul industrializado, onde ela esperava aumentar as chances de sucesso da família. Lula só aprendeu a ler e a escrever aos dez anos de idade. Quando criança, ele ajudou a sustentar a família trabalhando como engraxate e vendedor de frutas, e também como operário de uma fábrica de tintas. Ele acabou conseguindo fazer um curso de torneiro mecânico. Quando Lula tinha 25 anos de idade, a mulher dele, Maria, e o seu filho ainda não nascido morreram porque a família não tinha condições de pagar por atendimento médico adequado.
Lula tornou-se politicamente ativo quando era jovem, ao ingressar em um sindicato e organizar greves ilegais na época da ditadura militar. Ele foi preso várias vezes na década de oitenta. Insatisfeito com os esquerdistas clássicos, ele fundou o seu próprio Partido dos Trabalhadores, que gradualmente transformou-se de um partido marxista em uma agremiação social-democrata. Ele concorreu três vezes, sem sucesso, à presidência, até que, na quarta vez, venceu a eleição presidencial de 2002 com uma vantagem significante sobre o seu adversário. Foram os indivíduos mais pobres que, em um país de extremos contrastes econômicos, depositaram as suas esperanças no carismático líder trabalhista. Quando Lula venceu a eleição, os indivíduos extremamente ricos, temendo que os seus bens fossem desapropriados, mantiveram os seus aviões a jato particulares abastecidos, prontos para decolar.

O herói dos pobres distanciou-se de revoluções

Mas aqueles que esperavam ou que temiam uma revolução no Brasil ficaram surpresos. Após tomar posse, Lula levou alguns dos membros do seu gabinete a uma favela, e lançou um programa de grande escala chamado "Fome Zero" para aliviar os sofrimentos dos desprivilegiados. Mas ele não assustou os mercados. Aumentos dos preços das commodities e uma política econômica moderna que enfatizou os investimentos estrangeiros, a educação nacional e recursos para treinamento ajudaram Lula a se reeleger em 2006.
O mandato dele termina em dezembro, e Lula não poderá disputar novamente a reeleição. Ele colocou a casa em ordem e cultivou uma potencial sucessora. Mas o presidente autoconfiante deseja evidentemente deixar também um legado político: ele considera uma missão sua transformar o Brasil, com a sua população de 196 milhões de habitantes, em uma grande potência mundial, bem como assegurar uma cadeira permanente para o seu país no Conselho de Segurança da ONU.
Lula reconheceu que manter boas relações com Washington, Londres e Moscou é algo que ajuda o Brasil a tentar alcançar essa meta. Mas ele sabe também que vínculos fortes com países como a China e a Índia, bem como o Oriente Médio e os países africanos, poderiam ser ainda mais importantes. Ele se considera um homem do "sul", e um líder dos pobres e desfavorecidos. E, é claro, ele também reconhece as mudanças que estão ocorrendo. No ano passado, por exemplo, a República Popular da China ultrapassou os Estados Unidos como o maior parceiro comercial do Brasil pela primeira vez na história.
Lula é o único chefe de Estado que participou tanto do exclusivo Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, quanto do Fórum Social Mundial, que criticou a globalização, na cidade de Porto Alegre, no Brasil. Ele é um viajante infatigável, tendo visitado 25 países só na África, muitos países asiáticos e quase todos as nações da América Latina – levando sempre consigo uma delegação econômica. Lula prega incansavelmente a sua crença em um mundo multipolar. E, como Lula é um orador carismático e um "autêntico" líder trabalhista, multidões em todo o mundo o saúdam como se ele fosse um pop star. Na reunião de cúpula do G20 em 2009, em Londres, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que aparentemente é um fã de Lula, afirmou: "Eu adoro esse cara".
No entanto, Obama não pode mais ter certeza de que Lula é de fato "o seu cara de confiança". O brasileiro está ficando cada vez mais autoconfiante à medida que se distancia de Washington e, às vezes, chega até a buscar a confrontação com os norte-americanos.

Autoconfiança cada vez maior

O caso de Honduras é um exemplo dessa tendência. Os Estados Unidos, que sempre viram a América Central como o seu quintal, ficaram perplexos quando Lula concedeu abrigo ao presidente deposto Manual Zelaya na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa no ano passado e exigiu que tivesse uma voz no processo para solucionar o conflito. Ao recusar-se a reconhecer o novo presidente, Brasília se opôs ostensivamente a Obama.
Depois disso, as coisas aconteceram muito rapidamente. Lula viajou a Cuba, onde reuniu-se com Raul e Fidel Castro e pediu um fim imediato do embargo econômico norte-americano à ilha. Para a alegria dos seus anfitriões, ele comparou os críticos do regime que sofrem nas prisões de Havana a criminosos comuns. Lula também fez questão de aparecer junto ao presidente venezuelano Hugo Chávez, que não poupa críticas a Washington e que está amordaçando cada vez mais a imprensa no seu país. Em uma entrevista a "Der Spiegel", Lula definiu o líder autocrático como "o melhor presidente da Venezuela em cem anos".
E quando recebeu Ahmadinejad em Brasília alguns meses atrás, Lula cumprimentou o presidente iraniano pela sua suposta vitória eleitoral impecável e comparou o movimento oposicionista iraniano a torcedores de futebol frustrados. Ele afirmou que o Brasil também não permitiria que ninguém interferisse com o seu programa nuclear "obviamente pacífico".
Apesar dessa aproximação, muita gente manifestou ceticismo quando Lula seguiu para Teerã a fim de negociar um acordo nuclear com a liderança iraniana, especialmente depois que os iranianos não demonstraram quase nenhuma disposição para ceder nos meses anteriores. Em uma entrevista coletiva à imprensa com Lula, o presidente russo Dmitry Medvedev disse que a probabilidade de um acordo mediado pelo Brasil seria de no máximo 30%. Lula retrucou, dizendo: "Eu diria que as chances são de 99%". Lá estava novamente em evidência o ego pronunciado do astro político em ascensão. "Ele acredita ser um trabalhador milagroso que é capaz de obter sucesso onde outros fracassaram", diz Michael Shifter, um especialista norte-americano em América Latina.

Vitória inédita ou fracasso?

Neste momento, só existem indícios circunstanciais de que uma "vitória inédita" foi alcançada em Teerã após 17 horas de negociações. É também possível que a reunião tenha sido, na verdade, aquilo que o jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung" classificou como um "fracasso", ou apenas mais uma forma encontrada pelos iranianos, que em outras ocasiões foram frequentemente evasivos, para novamente paralisarem as iniciativas internacionais contra o seu programa nuclear.
Autoridades da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em Viena afirmaram cautelosamente que qualquer fato novo no sentido de que se chegue a um acordo nuclear se constitui em um progresso. Os inspetores da AIEA são responsáveis por inspecionar as instalações nucleares de todo o mundo em nome da ONU. Eles recentemente descobriram mais indícios de um programa iraniano ilegal de armas nucleares e pediram a Teerã que cooperasse mais. A avaliação dos especialistas da agência, cuja comunicação com Teerã nunca foi interrompida e que jamais afirmaram algo que não fossem capazes de provar, terá agora muito peso. O fato de os iranianos só se disporem a apresentar o texto do acordo à AIEA "em uma semana" gerou dúvidas.
Os governos ocidentais têm manifestado muito ceticismo, e a resolução da ONU que Hillary Clinton tornou pública pouco depois do acordo de Teerã aparentemente deixou os israelenses preocupados. Alguns membros do governo de linha dura do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu estão criticando abertamente o acordo como sendo uma artimanha para aliviar a pressão internacional que é exercida sobre Teerã. O ministro israelense do comércio Benjamin Ben-Elieser afirma que Teerã está aparentemente "tentando novamente ludibriar o mundo inteiro".

O acordo proporciona uma brecha ao Irã

O instituto norte-americano ISIS, que sempre defendeu uma solução negociada e que acredita que a "opção militar" para resolver a questão nuclear iraniana é impensável, fez uma análise inteligente do acordo Lula-Ahmadinejad-Erdogan. Na análise, os especialistas nucleares independentes do instituto divulgaram as suas preocupações e observaram os pontos fracos do texto do acordo que foi revelado até o momento.
Os iranianos só concordam em enviar 1.200 quilogramas do seu urânio de baixo teor de enriquecimento à Turquia, para receberem em troca combustível para o seu reator de pesquisas em Teerã. As dimensões do acordo correspondem àquelas de um outro acordo proposto pela AIEA em outubro do ano passado, segundo o qual mais de três quartos do urânio produzido no Irã seriam mandados para fora do país, fazendo desta forma com que a fabricação de uma bomba atômica se tornasse impossível. A ideia era que isso fosse uma medida fomentadora de confiança para proporcionar espaço para negociações.
No entanto, o acordo atual ignora o fato de que o Irã, após ter colocado em funcionamento as suas centrífugas em Natanz, aparentemente já conta com mais de 2.300 quilogramas de urânio. Em outras palavras, o acordo possibilitaria que Teerã ficasse com quase a metade desse material, que é um ingrediente básico para uma bomba nuclear, de forma que o Irã ainda contasse com matéria prima suficiente para atingir a "capacidade mínima" de fabricação de armas nucleares.
O acordo também proporciona uma brecha a Teerã: ele concede à liderança iraniana o direito de pegar o seu urânio de volta da Turquia se, na sua opinião, qualquer cláusula do texto oficial "não for cumprida". E o mais importante é que o acordo não exige que Teerã suspenda o processo de enriquecimento de urânio. "Nós nem sonharíamos em fazer isso", declarou uma autoridade iraniana. Mas é isso precisamente que a ONU exigiu inequivocamente com aquilo que a esta altura já são três rodadas de sanções.
Essas objeções todas não preocupam Lula. Ele demonstrou que não pode mais ser ignorado no cenário internacional. Na última terça-feira, os amigos do presidente brasileiro elogiavam os seus esforços no sentido de fomentar a paz durante a reunião de cúpula América Latina-União Europeia em Madri. A participação do presidente tinha como objetivo demonstrar que a "lula" possui vários braços. Ele provou que é capaz de nadar na companhia de grandes tubarões.
Por trás dos bastidores, o Lula Superstar gosta de falar sobre como obrigou os diplomatas brasileiros a abandonarem a "síndrome de vira-latas", o seu termo para designar o profundamente arraigado complexo de inferioridade que os brasileiros demonstravam até recentemente em relação aos norte-americanos e aos europeus.
O fato ocorreu em 2003, na primeira aparição internacional importante de Lula, na reunião de cúpula do G8, em Evian, na França. Um grupo de pessoas estava sentado no saguão do hotel onde ocorria a conferência, aguardando o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Quando os norte-americanos finalmente entraram no recinto, todos se levantaram – menos Lula, que ordenou ao seu ministro das Relações Exteriores que também permanecesse sentado. "Eu não participarei desta subserviência", declarou o presidente brasileiro. "Afinal, ninguém se levantou quando eu entrei".
Tradução: UOL    


terça-feira, 25 de maio de 2010

Politização Já!


A palavra "política", segundo a wikipedia, "tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas 'polis', nome do qual se derivaram palavras como 'politiké' (política em geral) e 'politikós' (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), que estenderam-se ao latim "politicus" e chegaram às línguas européias modernas através do francês 'politique' que, em 1265 já era definida nesse idioma como 'ciência do governo dos Estados'." Ainda define a enciclopedia da rede, como "arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta arte aos negócios internos da nação (política interna) ou aos negócios externos (política externa)". Essa palavra com origens há mais de dois milênio tomou diversas formas e sentidos nas diversas sociedades que buscaram emprestar-lhe os significados a sua época e contexto. Até os tempos modernos, política nunca se desassociara de sua essência. Nasceu da organização do estado e da cidade e nunca se distanciou do sentido de coletividade e sociedade, o que sempre exigiu aos que administram agrupamentos humanos um saber (ciência) aliado a um dom (arte). Mas algo mudou na humanidade nestas últimas décadas a ponto de política ter novo sentido?
Provocou-me tal questionamento um trecho da entrevista dada por Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais em entrevista a Andréa Vieira, da revista Desafios do Desenvolvimento, do Ipea, e publicada pelo Azenha no Viomundo. Ao tratar do tema "combate à corrupção", Garcia destaca que se por um lado, a corrupção se torna mais visível justamente pelo aumento do seu combate como demonstram o volume de iniciativas da Controladoria Geral da União e da Polícia Federal, por outro há uma leitura feita desse combate pela imprensa, que, segundo supõe Garcia, tem como função, desacreditar a política, tornando-a "uma área ardida" e os políticos, "as piores pessoas que existem no mundo". Prossegue : "O volume que esses temas ocupam no noticiário e a abordagem deles denotam concretamente uma incriminação da política como atividade humana. E ela é muitas vezes substituída por uma ideia de que ao invés da política nós devemos privilegiar a gestão. Uma gestão do tipo tecnocrática, apolítica e etc."
O que se denuncia aqui é justamente o esvaziamento do significado maior da palavra "política". Passa a significar, endossada por mídias mal intencionadas, uma atividade obscura que somente gente inescrupulosa possa exercer. Essa mesma mídia "acusou" a greve dos professores do Estado de São Paulo em 2010, de "política". Como se existisse greve e movimento sindical apolítico, ou como se o devesse ser. Isso ressoa no pensamento coletivo que já é avesso ao sindicalismo graças ao colonialismo brasileiro, como uma abominação. O Estado militar, com forte repressão, tortura e assassinatos, negou aos brasileiros por três décadas, pensar, falar ou fazer política. A democracia reconquistada, direta ou indiretamente, pelos criminalizados "subversivos" e "comunistas", encontrou um Brasil despolitizado. A Democracia que se construiu daí, por sua vez, se consolidou em um sistema não participativo, mas representativo. As pessoas delegam a alguns poucos o poder de legislar e executar políticas públicas. A relação entre os representantes e seus representados se dá basicamente pelo meio da propaganda eleitoral, mídia e o voto. Poucos são aqueles que exercem sua cidadania de forma participativa, seja pelo sindicato, associação, movimentos sociais ou partidos, dentre outros. Os representados podem sair desses agrupamentos, mas como a imensa maioria da população não está engajada em qualquer organização política, para ser eleito, qualquer representado terá de ir muito além de sua base. Terá de gastar muito dinheiro para ganhar cada voto, e poderíamos dizer, comprar cada voto. Pois se precisa de propaganda não deixa de passar pela cabeça do eleitor que pensa como consumidor que se trata de um produto. A credibilidade desse produto depende da mídia (mal intencionada ou não), de marqueteiros e novas embalagens que o tornem conhecido e mais apetitoso aos olhos do freguês. E se é preciso dinheiro, e muito, para se eleger, naturalmente, esse sistema atrairá a corrupção e os grupos dominantes de poder secular. O dinheiro não aparecerá sem interesses. O dinheiro entra com o objetivo de vantagens. E quem banca não está pensando em política. São empresas, empresários, intermediários, donos de corporações. E quanto maior a corrupção, mais o cidadão comum, assalariado, com uma mãozinha da mídia, sente-se cada vez mais distante da política. Fecha-se o círculo vicioso.
Esse círculo que de um lado tem a despolitização e do outro a corrupção é alimentado pela mídia, em especial, porque essa não quer uma relação muito participativa dos cidadãos na política. Cidadãos mais politizados são menos crédulos diante dos meios de comunicação herdeiros do Brasil colonial. Uma herança da qual as 11 famílias que controlam rádio e televisão no país não vão abrir mão. A consequência , o distanciamento entre o telespectador do Jornal Nacional e do BBB e a política, deixa abertos os espaços políticos. Também interessa a esses feudos o fortalecimento de representantes (seus) que carreguem o atribito de "gestores" em detrimento dos "políticos". Na medida em que a política se torna atividade carregada de descrédito e ceticismo, o cidadão em aversão a ela, menos participa. Política costuma ser assunto proibido em algumas mesas de bar e contra a etiqueta em casa de amigos. Seja no sindicato, no conselho da escola ou no condomínio do prédio, faz-se política e decide-se independentemente dos afetados gostarem ou não de política. Tal aversão permite que as cadeiras vagas acabem preenchidas em boa parte, por mal intencionados. Esse ciclo somente pode ser rompido com a participação. Mas a participação envolve responsabilidade, o que muitas pessoas preferem abrir mão. Por vezes, é mais cômodo reclamar da escola, do síndico, do sindicato ou dos políticos. Para quebrar tal ciclo somente com conscientização, que não brota espontaneamente nas cabeças dos indivíduos. Requer educação, formação, capacitação. Para mudar tal panorama, temos muito trabalho pela frente. Política não pode ser tabu. Nas escolas públicas, as leis da mordaça, herança da ditadura servem de desculpa para não se discutir política. Mas o que existe é uma massa despolitizada que cultua que política é algo ruim, sem perceber que o fazem o tempo todo e que o dia-a-dia e seus destinos são definidos na política. Nos sindicatos, a mesma estratégia da despolitização tem tomado o lugar que antes era dado à consciência de classe. Tudo pelo status quo ou pela manutenção dos mesmos no poder. Não moro em condomínio, mas alguma coisa tento fazer já que sou educador e sindicalista. Na creche em que sou gestor, política e educação têm que andar juntas. As pequenas crianças que frequentam todos os dias devem constituir-se autônomas, orgulhosas de si e curiosas, pois terão um mundo muito desigual e uma sociedade que precisa ser transformados. Em nada os professores poderão ajudar se acharem que seu trabalho não é político. No sindicato que participo e milito, defendo que a entidade assuma a formação política dos participantes, já que a postura que vejo na diretoria é a cômoda culpabilização da categoria pelo desmobilização. Tento fazer minha parte ainda, escrevendo esse blog (dentre outros). Temos de assumir uma nova campanha para combater a mídia: politização já!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Le Monde: O Sul emergente abre alas e pede passagem | Viomundo

Saiu no Viomundo:
19 de maio de 2010 às 18:42

Le Monde: O Sul emergente abre alas e pede passagem

Irã nuclear: o Sul emergente abre alas e pede passagem, na negociação
19/5/2010, “Opinion”, Le Monde, Paris
http://www.lemonde.fr/opinions/article/2010/05/19/nucleaire-iranien-le-sud-emergent-veut-sa-place-dans-la-negociation_1353888_3232.html
Tradução de Caia Fittipaldi
O Sul emergente já aparecera antes, em cena que provocou frisson e alarido no palco internacional, em domínios do meio ambiente e do comércio. Essa semana, inaugura nova etapa, importante sinal de o quanto aumenta o poder desses países.
Ei-los ativos em terreno que, até agora, permanecia como quase-monopólio das tradicionais “grandes potências”: a proliferação nuclear no Oriente Médio – ou, em resumo, a relação de forças numa região-chave para Europa e Estados Unidos.
Os livros de História guardarão a data – 2ª-feira, 17 de maio –, em que Brasil e Turquia apresentaram à ONU acordo negociado com Teerã, sobre uma das facetas da questão nuclear iraniana.
Pense-se o que se pensar sobre o texto que resultou dessa mediação turco-brasileira, a própria mediação, em estratégia de mostrar fato consumado – não foi mediação solicitada –, muda consideravelmente o quadro mundial. Ela quebra de facto o domínio até agora reservado aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: China, EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia.
Endereçada exatamente a esses, a mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan é clara: nem pensem, em 2010, em porem-se a reinar só vocês, sobre uma ordem internacional na qual o peso das nações evolui a favor de países como os nossos (o Sul emergente estende-se do Egito à África do Sul, da Nigéria à Indonésia).
AMBIÇÕES POLÍTICAS LEGÍTIMAS
Para os que ainda não entenderam: Brasil e Turquia, segunda-feira passada, puseram os pontos nos “is”. São membros, sim, do grupo dito “5 +1”, ou “os Cinco” que, na ONU, discute a questão nuclear iraniana.
O grupo é constituído dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança acima citados, mais a Alemanha. Os cinco países acusam o Irã de descumprir compromissos internacionais e de ignorar várias Resoluções da ONU. Suspeitam que Teerã mantenha um programa de enriquecimento de urânio que parece ter uma única finalidade: militar.
As ambições políticas dos países do Sul são legítimas. Têm de ser acolhidas positivamente. Mas, no caso do dossiê iraniano, a desconfiança dos Cinco tem fundamento. Evidentemente, todos saudaram a iniciativa turco-brasileira como “um passo na direção certa”.
Simultaneamente, para marcar a desconfiança quanto à substância do acordo anunciado em Teerã, os Cinco já avisaram, na 3ª-feira, que manterão a pressão sobre o Irã. Trabalham agora num projeto de Resolução que prevê novas sanções contra a República Islâmica.
Têm razão. O documento turco-brasileiro propõe que uma parte – apenas uma parte – do urânio iraniano seja armazenada no exterior, em troca de combustível enriquecido só aproveitável para uso civil. Assim, não se impede o Irã de produzir o urânio mais potente de que carece para produzir arma nuclear.
Os iranianos já disseram, ontem: não pensam em suspender seu próprio programa de enriquecimento de urânio… Têm razão, pois, os Cinco, que exigem mais.
Le Monde: O Sul emergente abre alas e pede passagem | Viomundo - O que você não vê na mídia

segunda-feira, 17 de maio de 2010

The Guardian: O acordo Brasil-Irã-Turquia | Viomundo

Jornal britânico elogia a política internacional de Brail e Turquia, no Viomundo:
17 de maio de 2010 às 12:06

The Guardian: O acordo Brasil-Irã-Turquia

O acordo nuclear Brasil-Irã-Turquia
17/5/2010, Stephen Kinzer, The Guardian, UK
Tradução Caia Fittipaldi
http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2010/may/17/iran-nuclear-brazil-turkey-deal
Os acontecimentos e notícias empolgantes que chegam de Teerã, de acordo afinal firmado, que pode ter evitado crise global em torno do programa nuclear iraniano é desenvolvimento altamente positivo para todos – exceto para os que, em Washington e Telavive, estavam à procura de qualquer pretexto para isolar ou atacar o Irã.
Também marca o nascimento de uma nova força altamente promissora no cenário mundial: a parceria Brasil-Turquia.
Semana passada, o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan e o presidente Luis Inácio Lula da Silva do Brasil adotaram, em conjunto, a abordagem clássica do “um gentil, outro durão”, para aproximarem-se dos líderes iranianos. Lula anunciou que iria a Teerã, o que deu aos iranianos esperança de algum acordo. Mas era indispensável também a presença da Turquia (onde o urânio será tratado), e Erdogan fez-se de difícil.
Na 3ª-feira, Ahmet Davutoglu, o muito experiente ministro das Relações Estrangeiras da Turquia, anunciou que Erdogan não iria ao Irã, a menos que os iranianos manifestassem algum interesse em firmar algum acordo. “Não é hora para encontros trilaterais sem objetivo preciso”, disse. “Queremos resultados. Sem perspectiva de resultados, não iremos ao Irã.”
Na 6ª-feira, Erdogan endureceu ainda mais. Disse que a planejada viagem a Teerã estava cancelada, porque o Irã “não se manifestara sobre a questão”.
Poucas horas depois, a secretária Hillary Clinton telefonou ao Chanceler turco e empenhou-se em desencorajar a iniciativa dos diplomatas brasileiros e turcos. Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse que a sra. Clinton ‘alertou’ o ministro turco para não confiar nos iranianos, cujo único interesse seria “fazer qualquer coisa para impedir as sanções pelo Conselho de Segurança, sem dar qualquer passo para suspender seu programa nuclear militar.”
Depois do telefonema, um pouco precipitadamente, de fato, a secretária Hillary previu publicamente que o esforço dos presidentes Lula e Erdogan fracassaria.
O que se sabe hoje é que a secretária Clinton pode não estar trabalhando corretamente pela pauta política da Casa Branca. Enquanto ela falava em Washington, funcionários turcos anunciavam aos jornalistas em Ankara, off-the-record, que haviam recebido encorajamento do próprio presidente Obama, para insistir no trabalho de mediação e continuar pressionando em busca de algum acordo. Pode ser, é claro, ‘divisão’ planejada das forças nos EUA, para cobrir todas as posições, o que implica que EUA, sim, anteviram a possibilidade de serem derrotados no front diplomático: Clinton faria a parte mais difícil e preservaria a posição do presidente como ‘mediador’ e interessado mais em acordos que em confrontos. Seja como for, já sugere alguma fragilidade na posição da secretária de Estado, ou seu isolamento, no círculo mais alto dos estrategistas de Obama para as questões mundiais cruciais.
Alguns, em Washington, tentarão ver no acordo apenas um modo para salvar as aparências e livrar o Irã de confronto direto com EUA e União Europeia. Seja como for, outros verão de outro modo. Ali Akbar Salehi, chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, vê perspectiva mais positiva. Semana passada, já havia anunciado que o Irã buscava um acordo, contando com a mediação política do Brasil e da Turquia “para dar aos EUA e outros países ocidentais um modo de escaparem da situação de impasse que criaram, com tantas ameaças.”
Em todos os casos, o que se viu foi que negociadores competentes em negociações bem encaminhadas por dois líderes mundiais, destruíram a versão, difundida por Washington, de que o Irã não faria acordos e teria de ser ‘atacado’, por sanções; antes, claro, de que os EUA considerassem “todas as opções” – inclusive o ataque militar, para impedir o progresso do programa nuclear do país.
Fato é que Turquia e Brasil, embora em pontos opostos do planeta, têm muita coisa em comum. São dois países territorialmente grandes que passaram longos anos sob ditadura, mas conseguiram alterar essa história e andar pacificamente na direção da plena democracia. Os dois países têm hoje, na presidência, políticos dinâmicos e experientes, que comandaram importante processo de recuperação econômica nos seus respectivos países. Os dois países, além do mais, já emergiram como potências regionais, mas aspiram ao nível de potências como Rússia, Índia ou mesmo a China. Nem Turquia nem Brasil podem sobreviver sozinhos entre esses gigantes. Mas, juntos, formam uma parceria que tem inúmeras possibilidades de sucesso.
Brasil e Turquia são os países que mais abriram novas embaixadas pelo mundo, nos dois últimos anos. Uma vez por ano, os principais diplomatas turcos voltam a Ancara para ampla reunião de trabalho. Na reunião de 2010, ocorrida em janeiro, o ministro das Relações Exteriores do Brasil Celso Amorim foi um dos principais conferencistas convidados.
Turquia e Brasil foram, por muitos anos, apoiadores ‘automáticos’ de Washington, mas agora começam a assumir o timão e determinar a própria rota. Preocupados com o que veem como violento unilateralismo norte-americano, que desestabiliza imensas regiões em todo o mundo, os dois países têm evitado todos os confrontos internacionais, ao mesmo tempo em que trabalham incansavelmente para promover acordos que visem à pacificação. Por muito feliz coincidência, os dois países são hoje membros não-permanentes do Conselho de Segurança. A posição deu-lhes os meios para intervir na questão iraniana; que os negociadores e presidentes de Turquia e Irã usaram com talento e competência excepcionais.
Durante a Guerra Fria, o Movimento dos Não-alinhados tentou converter-se numa “terceira força” na política mundial, mas fracassou, porque reunia países grandes demais, separados demais e diferentes demais. Turquia e Brasil emergem agora como a força global capaz e competente para diálogos e acordos que o Movimento dos Não-alinhados jamais antes conseguira ser.
The Guardian: O acordo Brasil-Irã-Turquia | Viomundo - O que você não vê na mídia

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Do que os paulistas riem...

Freud disse em um de seus estudos que havia dois tipos de piada: as inócuas e as tendenciosas. As primeiras são capazes de provocar o riso pela surpresa e pelo jogo de palavras. As segundas cumprem a finalidade de satisfazer desejos inconscientes. O riso é alcançado, em alguns casos, mexendo-se com a aversão que as pessoas têm pelas diferenças, zombando-se de estereótipos. Libertarmo-nos de nossas inibições para expressar instintos agressivos, sexuais, cinismo, etc. São usadas para que possamos expressar aquilo que, de outra forma, não poderia ganhar expressão a nível consciente.
Piadas que estimulavam o preconceito contra negros circulavam com mais freqüência os círculos brancos até, felizmente, se tornarem politicamente incorretas e crime. Lembro que na minha adolescência (antes da internet) circulava um ficha xerocada de associação ao Corinthians. Era perguntado coisas como se você era preto, nordestino, com profissão desempregado, gari, sindicalista, presidiário, se a mãe era prostituta, se conhecia o pai, se morava na favela, quantos irmãos (somente opções acima de cinco), se era banguela, pinguço, só pérolas. Uma pesquisa rápida no Google e você encontra a sua versão digital e atualizada nos critérios “politicamente corretos” de quem a bolou. Agora, a opção “preto” e “nordestino” não mais se explicitam.
Flamengo e Corinthians possuem as duas maiores torcidas do Brasil, superando juntas mais de 30% da população. A popularidade desses times concentra-se nas classes baixas, e distribuem-se, além de suas casas, por diversos Estados do Brasil, especialmente no Nordeste, tornando-os times de massa. Não sei como acontece no Rio, mas em São Paulo, o Corinthians é zombado justamente por ser um time símbolo do povão, ou seja, para alguns, de “preto e pobre”. É claro que há brancos e negros, pobres e ricos, nas duas torcidas. Mas para quem faz piadas com estereótipos, tanto faz. O óbvio é que o alvo das piadas não eram os corintianos, mas aqueles que o símbolo do time representava. Basta identificar as características e grupos sociais atacados pela brincadeira com corintianos, seja esta da ficha, ou outras recorrentes em e-mails.

A mesma tal ficha eu vi alguns anos mais tarde, no final dos anos 80, sem mudar nada no conteúdo (preconceito racial ainda não era crime). Só que aquela era para “filiação ao PT”. O PT, que se erguia das militâncias dos movimentos sociais, fortalecidas pelo processo de redemocratização, caminhava para se tornar um partido de massas, apesar da pouca cultura partidária do país após o fim do regime militar. O discurso da militância voltado para classes e grupos oprimidos da sociedade, negros, mulheres, nordestinos, pobres, passou a compartilhar com corintianos, o foco do ódio das classes dominantes. Sem nenhuma surpresa, esse ódio sempre pareceu ser maior na tradicional São Paulo. Mesmo com todo o desgaste do último mandato de FHC, pela fraca e inconsistente situação econômica deixada ao sucessor, as eleições de 2002 mostraram que Lula precisou de maquiagem, marqueteiro, muita propaganda, e uma carta de intenção aos capitalistas, o que a mídia chamou de versão “lulinha paz e amor”. Lula se enquadrava em vários quesitos daquela ficha dos anos 80. Até corintiano é. Com terno, gravata e um discurso menos agressivo, Lula precisou vencer, além do medo da Regina Duarte, o preconceito, não só de parte da classe média, mas das classes mais baixas que, como em toda sociedade opressora, reproduzem o preconceito, inclusive sobre si mesmas. Auto-estima em baixa é uma das melhores estratégias de dominação. Isso serve para pais dominadores ou para elites controlando a força de trabalho.
A verdade é que boa parte dos brasileiros recuperou ou conquistou a auto-estima, como apontam as pesquisas. Seja pelo respeito alcançado lá fora, por Lula como estadista e pelo Brasil pela capacidade de superar crises com um modelo de estado intervindo na economia, os brasileiros que eram alvos de piada, estão mais confiantes em si mesmos. Talvez porque 32 milhões migraram para classes econômicas superiores. Em oito anos, a renda dos 10% mais pobres da população cresceu 72% (igual ao chinês), e a renda dos 10% mais ricos cresceu 11%. O Brasil não só cresceu como distribuiu renda. A aprovação de Lula, superior a 80%, legitima e o consolida como novo símbolo desse Brasil alvo de piadas, seja contra corintianos, seja contra petistas. Agora, ele mesmo é o foco das piadas, não importa o que tenha conquistado em seu mandato. Dentre os milhões de e-mails diários, vários riem de Lula. Analfabeto, vagabundo, pinguço, dentre os adjetivos mais amenos. Não importa o que digam a Economist, the Los Angeles e the New York Times, Frankfurter Allgemeine Zeitung ou El País. Não importam os números, nem o Brasil. Se valem da Globo, Veja, Folha e Estadão, e até do Jornal do Boris ou mesmo e-mails com notícias falsas, que nem a nossa pior mídia se atreve a publicar. Mas a agressão a Lula e a tudo que ele representa, circula pela rede principalmente em forma de piada. Recebo dezenas piadas todo mês. Provavelmente, porque muitos que manifestavam seu preconceito, ou racismo, contra porteiros, pedreiros e garis estão reprimidos. Não sei se Freud explica a agressividade contra a melhoria de vida de quem sempre serviu de mão-de-obra barata. Na verdade, não entendia do que eles riam. Talvez sejam somente paulistas fazendo campanha para o Serra, e querem o modelo de gestão da SABESP, do Tietê, do Rodoanel e da linha amarela do Metrô para o PAC. Ou querem o retorno do modelo FHC que quebrou o Brasil em três crises. Por fim, acho que entendi o motivo de tanta piada: essa gente só pode estar brincando.


Em tempo:
Após a postagem original encontrei uma "ficha de filiação ao PT" (abaixo) em um fórum. Observe que ela não é muito atual (provavelmente antes de Lula se eleger pela primeira vez) e que ainda mantém o preconceito contra nordestinos e negros. Pergunta: "Se o lula for eleito, qual o seu maior desejo, além é claro de casar com mulher branca, ..." Entre as opções:"(  ) Voltar para o nordeste"


Interessante são os comentários deixados pelos seguidores. A língua tentada é a portuguesa, porém ainda não descobri como se pronuncia a maior parte.
1) hauahuiahuehuahueh pt eh foda msm!
2) hauhahauhauhau
3) iueahsuiahseuiaeshuiashiasehiaeshiasehiuaehiaeus
4) ahhahahahahahahahhahahahahahhahahahahhahah

bagunçaram legal o partido1!!!!
rsrsrsrsrsrsr
5) AHUhuahUHAUhuahUHAUhuahuHAUhauHAUhauhuAUHuha boa!!!!!!


PT é fuds!
6) PT FEDE -->> -->>


:puke: :puke: :puke:
7) Na verdade essa ficha foi criada para quem queria ser sócio do Conrinthians... Mas como tudo na vida nada se cria, tudo se copia!!!!

Foi se feito isso!!!
Abraço
8) auehuHUHHEuhUheuhUhEUhHEuHUHueaheuhaueauheuhaaa

PT sux.....
9) eu soh tinha visto a do flamengo :P
e por aí vai...
Segue a tal ficha:



PARTIDO DOS TRABALHADORES
Diretório Zonal
Rua dos Andradas, 09 - 1º ao 9º andar


QUESTINOÁRIO PARA PROPOSTA DE ADESÃO AO PARTIDO



Nome...........................................................................................
Acunha........................................................................................

Local de nascimento: ( )Favela ( )Metrô ( )Delegacia
( )Zona do Meretrício ( )Sob o minhocão

Estado civil: ( )Amaziado(a) ( )Juntado(a) ( )Largado(a)
( )Bigamo(a) ( )Trigamo(a) ( )Cornudo(a)


Profissão: ( )Desempregado ( )Trambadinha ( )Trombadão
( )Sem terra ( )Traficante ( )Agitador
( )Sem teto ( )Invasor ( )Indigente


Filiação: Pai....................................Não sabe.................................
Profissão do pai: ( )Grevista ( )Tomador de conta de automóveis
( )Piqueteiro ( )Bebado ( )Terrorista
( )Assaltante ( )Sambista ( )Ladrão
( )Alcaguete ( )Traficante ( )Sequestrador

Mãe:...............................................Nome de guerra:....................
Profissão da mãe: ( )Prostituta ( )Fabricante de menores abandonados
( )Sapatona ( )Mendiga com ou sem criança no colo
( )Biscate ( )Cafetina de bordel
( )Pedinte


Quantos filhos você tem:
( )Com seu companheiro(a)
( )Com seu(sua) ex
( )Com seu irmão(ã)
( )Com seu tio ou tia
Quantas vezes você foi preso: ( )até 5 vezes
( )de 5 a 10 vezes
( )de 10 a 20 vezes
( )mais de 20 vezes


Se o lula for eleito, qual o seu maior desejo, além é claro de casar com mulher branca,
aprender a falar e escrever como gente, se apossar de uma casa com banheiro, ou instalar
um embaixo da ponte onde mora?
( )Participar da caixinha da Lubeca
( )Conhecer pessoalmente o Fidel
( )Paquerara Erundina (se for mulher)
( )Vender pipoca na porta do Palestra Itália
( )Ganhar uma barba postiça
( )Deixar de ser chifrudo dos próprios companheiros
( )Voltar para o nordeste

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